
Christopher Hitchens defendeu que o waterboarding não era tortura, mas sim uma técnica extrema de interrogatório. Críticos lhe disseram para experimentar. E ele, diferentemente de alguns armchair hawks, experimentou. No Guardian, matéria sobre isso:
A matéria do Vanity Fair, aqui.


14 comments
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Julho 2, 2008 às 4:34 pm
Catatau
Nossa, incrível como coisas assim acontecem. As pessoas tendem a achar normal, mas sério, incrível mesmo
Julho 2, 2008 às 6:41 pm
napraticaateoriaeoutra
Por absurdo que pareça, no site da VF tem o VÍDEO da sessão de tortura.
Julho 2, 2008 às 7:23 pm
Me
Bom, toda essa polemica eh so mais uma demonstracao da total incompetencia desse governo na area de relacoes publicas. Eu ja ouvi de diversas fontes que waterboarding foi usada 3 vezes. Tres! Quer dizer, mesmo admitindo que seja um metodo eficiente de interrogacao, teria saido muito mais barato dizer que nao seria mais usado e pronto.
Quanto a “humanidade” do processo, ou a classificacao de tortura ou nao, sinceramente acho um assunto nulo. Sera que dar socos na barriga de alguem eh tao menos ruim? Ou sera que forcar alguem a nao dormir?
Aonde se desenha a linha nao me parece realmente algo discutivel. Esta mais para interrogar at all ou nao.
Ao mesmo tempo, toda vez que eu ouco esse argumento que informacoes obtidas pela forca nao sao confiaveis eu penso em darwin. Tortura eh sem duvida algo muito antigo, e usado quase sempre nas mesmas circunstacias. Sera que se fosse algo tao ineficiente assim teria permanecido ate hoje?
Nao eh uma decisao facil…
Julho 2, 2008 às 9:20 pm
Marcos Nowosad
Paulo, a questao do “waterboarding” ser discutido como uma tecnica ou nao de interrogatorio somente esta’ em questao, porque essa ‘e uma tecnica, digamos, “PG-13″ de interrogatorio.
No waterboarding nao existe violencia grafica (leia-se espirro de sangue) ou ferimentos explicitos (leia-se cicatrizes) capazes de chocar estomagos mais sensiveis.
Certamente os metodos de interrogatorio de classificacao “NC-17″ nao sao nem colocados em debate, devido a reacao que causariam no publico em geral…
De qualquer forma, a questao de uma tecnica de tortura (como o waterboarding) ser eficiente ou nao para conseguir informacoes pouco importa para mim.
A eficiencia nao deveria estar em questao nesses casos, mas sim a imoralidade do ato.
Julho 2, 2008 às 10:58 pm
Me
Marcos
Vc acha moral dar socos na barriga de alguem? E deixar acordado por 24,48,72h?
Quem eh que julga essa moralidade? Medicos? Generais? Plebicito?
Eh o que eu digo… Eh uma slippery slope classica. Vai chegar no X da questao que vai ser, basicamente, que cada terrorista tem o direito de remain silent and that anything that he says can be used against him, etc, etc.
O negocio eh saber se podemos afford this. And I am not talking about money.
Julho 3, 2008 às 4:08 am
Marcos Nowosad
“Vc acha moral dar socos na barriga de alguem? E deixar acordado por 24,48,72h?”
Nao, eu acho imoral. Quem esta’ falando que isso e’ moral? Agressao, privacao de sono ou comida sao formas de tortura tambem.
“Quem eh que julga essa moralidade?”
A sua e a minha consciencia.
A minha consciencia diz que isso e’ tortura.
Agora fica a seu livre criterio definir o que voce acha dessas praticas de interrogatorio.
Em Cuba e na China, essas praticas de interrogatorio sao consideradas adequadas tecnicamente, sob o ponto de vista legal. Mas eu nao viveria nesses paises.
“O negocio eh saber se podemos afford this”.
Resposta simples: Podemos sim.
Julho 3, 2008 às 5:38 am
ohermenauta
Olha, eu já fico contente de ter arrancado do Paulo a confissão de que “tortura é um problema de relações públicas”.
Onde está Goebbels quando mais se precisa dele???
Julho 3, 2008 às 5:43 am
ohermenauta
Ah, Paulo.
Você não entendeu bem a história.
O que está em jogo não é a questão de saber se as informações obtidas pela tortura são ou não confiáveis. O que está em jogo é que as técnicas usadas tinham o objetivo explícito de se arrancar a confissão que se queira _ seja ela verídica ou não.
Para um governo que mente desde o início sobre a guerra no Iraque, esta é apenas a cereja no topo do bolo. Por isso que eu disse que isso não me surprendia tanto assim.
Julho 3, 2008 às 2:01 pm
Queimando barcos « samurai no outono
[...] Lá no meu amigo Hermê rola uma discussão estéril - como aliás têm sido as discussões sobre essunto - a cerca do uso [...]
Julho 3, 2008 às 5:29 pm
Me
Smarto,
Acho que vc entendeu bem o que eu disse.
E se o unico resultado desse tipo de coisa fosse auto confirmacao de mentiras, como eu disse antes, sua funcao teria sido minima e a coisa nao teria sido usada por milhares de anos…
Julho 3, 2008 às 6:13 pm
Rafael Figueira
“se o unico resultado desse tipo de coisa fosse auto confirmacao de mentiras, como eu disse antes, sua funcao teria sido minima e a coisa nao teria sido usada por milhares de anos…”
Hmmm… Se rezar nao curasse doentes, entao essa pratica nao teria sido usada por milhares de anos, certo?
Mas em pleno seculo 21 neguinho ainda reza por curas milagrosas; “sera’ que se fosse algo tao ineficiente assim teria permanecido ate hoje”?
A funcao darwiniana da tortura e’ a mesma da reza: prover um senso de atividade, dar a impressao de q o torturador/rezador esta’ agindo, nao esta’ helpless, parado esperando acontecer. E’ por isso q essas praticas persistem hoje apesar dos avancos sociais e tecnologicos, nao por suas eficiencias.
Julho 3, 2008 às 7:25 pm
ohermenauta
Paulo,
Eu acho que a tortura é eficaz.
Mas também acho que a tortura especificamente desenvolvida para arrancar confissões falsas é muito mais eficaz.
Julho 3, 2008 às 7:36 pm
Marcos Nowosad
Como bem colocou o “Samurai no Outono”, a eficacia da tortura nao e’ a questao que realmente importa.
A relativizacao moral na aplicacao do uso da tortura e’ que e’ MUITO grave (eu posso, voce nao pode; eu sei quem merece ser torturado, voce nao sabe; eu tenho autoridade moral para torturar, voce nao tem).
Julho 3, 2008 às 8:15 pm
Me
Smart,
Continuo achando isso bobagem. Eh como dizer que deveriamos parar de produzir remedios porque placebos funcionam tambem.
Marcos,
Eh por isso que falei la em cima que a questao nao era qual metodo era ou nao tortura, e sim se chegaremos num ponto aonde terroristas serao considerados criminosos comuns.
By the way, os 2 candidatos atuais apontam que a resposta sera sim. Eh ver o que acontece.