O leitor Thiago comenta, no post anterior sobre o assunto:
“Seu texto cita dados baseados em população total. Está bastante claro, entre parênteses.
Se você utilizar apenas a população adulta em sua regra de 3, possivelmente chegará próximo do “1%” na maioria dos países, o que foi dito pelo Reinaldo Azevedo. Simples assim.
No meu comentário não defendi a posição do Reinaldo Azevedo ou a sua.
Acho apenas que para defender sua posição, você deva utilizar-se de números corretos. Repetindo: para não parecer injusto.“
De fato, considerar a população carcerária como % da população adulta, e não da população total, tem o efeito de aumentar o percentual. No entanto, é óbvio que em países desenvolvidos (e este era o ponto do Pedro Pluma) a pirâmide etária é tal que o % de não adultos é uma parte pequena do total da população. Fiz uma tabela apenas para os países desenvolvidos, usando dados de estrutura da população fornecidos pelo CIA Factbook (lá, não há dados sobre população adulta, mas há uma estimativa do % da população com 14 ou menos anos de idade, o que usei como proxy):
(clique para ampliar)
Vemos que a diferença entre a população carcerária como % da população total e a população carcerária como % da população com 15 ou mais anos é minúscula e, em qualquer caso, ambas as proporções são bem menores que 1%, como supunha o Pedro Pluma. Logo, mantém-se a “excepcionalidade americana” entre os países desenvolvidos em termos de encarceramento.




2 comments
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Julho 1, 2008 às 10:22 pm
Kitagawa
Pensando bem, considerando que esse 1% não são
sempre os mesmos individuos, pois nem todos pegam prisão
perpétua, que existe uma certa rotatividade, pode-se
concluir que o percentual da população adulta que
foi ou que vai ser presa deve, sim, chegar a um
nível alarmante. Acho que valeria a pena buscar
um indice nesse sentido pra se ter idéia do que esse
“mero” 1% significa.
Julho 3, 2008 às 6:05 pm
moche
Qualquer pessoa que pesquise minimamente criminologia sabe que a população carcerária dos EUA é muito maior que qualquer país europeu.