Tio Rei tá que nem o pessoal do Torre de Marfim: não gosta de índio. Nem de sertanista. O cara, tipo, pegou nojo. E volta com a história do Guardian:
“A cascata da Survival International
Eu ia escrever ontem a respeito, mas acabei atropelado por outros fatos do dia. A Suvival International, em seu site, insiste que não deu truque em ninguém com as fotos dos tais “índios isolados” e, claro, condena a “mídia”. Vocês sabem: a mídia é o cobre de plantão de tudo quanto é pilantra intelectual e moral: quando eles não têm por onde se safar, acusam a… mídia.
O fato é que a tal tribo era conhecida desde 1910 — e não há apenas 20 anos. Se o dado não tivesse sido omitido, o que pareceu o grande fato antropológico em décadas não teria tido a repercussão que teve. Mais: José Carlos Meirelles, sertanista da Funai, fez parecer que se tratou de uma descoberta quase ocasional. Não foi. À rede de TV Al Jazeera (!?!?!?), ele afirma que a “descoberta” foi feita com monitoramento de satélite, tudo devidamente planejado.
Também se omitiu o fato de que a “descoberta” era menos uma ação da Funai do que da Survival, a ONG inglesa que, nas entrelinhas, deixa claro ter criado um fato jornalístico para chamar a atenção do mundo para a região.
E não custa lembrar. Em entrevista à Folha, no dia em que as fotos se tornaram públicas, 30 de maio, disse Meirelles: “Não sei quem eles são, não quero saber e tenho raiva de quem sabe”.
Sabe, sim. O país sabe quem são eles. Desde 1910.“
Bom.
Em primeiro lugar, com todo o respeito e admiração que tenho pelo The Guardian, gostaria de conhecer a fonte da informação de que já se tem conhecimento daquela tribo desde 1910. É possível que algum bravo pioneiro desbravador tenha passado por ali (se bem que sem GPS fica meio difícil dizer que se trata da mesma localização, até porque Meirelles não deu a localização exata do avistamento), mas acho meio difícil confirmar que se trata da MESMA tribo.
Em segundo lugar: na tal entrevista para a Al-Jazeera, o “monitoramento por satélite’ do qual Tio Rei fala se trata de meras coordenadas GPS e alguns mapas Google Earth repassados a Meirelles por um amigo. Meirelles trabalha em um treco chamado Frente de Proteção. Como o nome diz, sertanista é um cara que anda pelo sertão colhendo indícios da atividade dos índios; quando acha alguma coisa, marca em um mapa _ modernamente, em coordenadas de GPS. A única coisa que estranho é o tal mapa do Google Earth, porque duvido que fotos daquela região tenham a resolução suficiente para detectar pequenas clareiras na densa mata amazônica.
Em terceiro lugar: Tio Rei não sabe fazer dever de casa. Existe na internet uma entrevista feita com José Carlos Meirelles, em 2004, quando levou uma flechada no rosto. Na matéria ele já fala abertamente dos índios isolados da região de fronteira entre Brasil e Peru. Parece que se está explorando uma questão semântica: índio isolado não quer dizer índio jamais contactado. Índio isolado é índio que não quer saber de contato e prefere continuar sendo índio. A ponto de dar flechada em quem está por lá até mesmo para ajudá-los. Diz o trecho da entrevista:
“Eles não identificam você como um aliado?
Aquela região ali é muito pródiga em índios isolados. Existem três grupos diferentes de índios isolados. Existem muitos índios. Você sabe que onde existe muita gente, onde existe 100 ou 200 pessoas, existem sempre as pessoas malvadas. No meio da gente não existem uns cabras que gostam de uma confusão? Com os índios isolados acontece o mesmo.
Você ainda chegou a avistá-los?
Não deu para ver nenhum. Estavam todos escondidos no barranco. Mas tudo leva a crer que não são os maskos, em razão das flechas serem diferentes. Acho que se trata do povo isolado que mora do outro lado do rio ou então são alguns jaminawas lá do Peru, que já têm um contato por lá e vêm aqui dar uma de brabo. As flechas têm algumas cordinhas de nilon, de saco de fibra. Pode ser que eles tenham roubado, mas em todo caso fica a dúvida. Mas eu creio que tenham sido mesmo os índios isolados dali.“
Reproduzo a entrevista na íntegra aí abaixo do fold, só para ficar documentada.
Entrevista com José Carlos Meirelles: “Quem tem amigo assim não morre em barranco” - 08/06/2004
Local: São Paulo - SP
Fonte: Amazonia.org.br
Link: http://www.amazonia.org.br

O sertanista José Carlos dos Reis Meirelles trocou São Paulo e a engenharia pelos índios isolados que vivem no Acre, na fronteira do Brasil com o Peru.
Meireles, que trabalha na Funai desde 1971, atua na Frente de Proteção Etno-ambiental do Rio Envira, há 17 anos. A frente funciona como posto de observação e proteção dos povos indígenas autônomos, ou isolados.
No domingo, às 7 horas da manhã, Meirelles foi atacado a flechadas por índios de etnia desconhecida. Foi resgatado por equipe médica em helicóptero da Aeronáutica e passa bem no apartamento 220 do Hospital Santa Juliana, em Rio Branco.
Feijó é a cidade mais próxima do local onde o indigenista trabalha. Depois do ataque, ele contou que até chegou a pensar em viajar sete dias de barco, sob sol e chuva, até Feijó em busca de tratamento.
-Nessas condições, eu pensei, se chegar vivo não precisarei mais de médico. Pedi ao pessoal para fazer contato com o governador Jorge Viana, com o presidente da Funai e com o senador Tião Viana - relatou.
Leia a entrevista:
Como aconteceu o ataque?
Era 7 horas da manhã. Fui pescar num igarapé pertinho de casa, a mais ou menos 100 metros. Fui passando pela boca do igarapé, subindo o Rio Envira, e eles estavam no barranco. Claro que eu não os vi. Estava sentado no banco da canoa, olhando para o barranco. A flecha veio e me atingiu no rosto. Virei o motor da canoa para rumo do seco e saquei a flecha porque sabia que não viria apenas uma. Deu para me desviar de outras três ou quatro. Na praia, pertinho de casa, gritei pelo pessoal, que veio me apoiar. Sangrei demais. Sofri uma hemorragia monstruosa.
O que você pensou em fazer ao chegar em casa?
Pensei em baixar o rio Envira de canoa, rumo a Feijó, mas seriam pelo menos sete dias de viagem tomando sol e chuva. Nessas condições, eu pensei, se chegar vivo não precisarei mais de médico. Pedi ao pessoal para usar o rádio e fazer contato com o governador Jorge Viana, com o presidente da Funai e com o senador Tião Viana. Eles se mobilizaram e eu acabei recebendo um atendimento que acho que nem mereço. Atendimento VIP mesmo: helicóptero e equipe médica foram me retirar lá do meio do mato.
Dentre os brancos, você é o defensor mais intransigente desses povos isolados no Acre. Como explica que tenha sido atacado agora por quem você tanto defende?
Eu quero deixar bem claro que não tenho raiva nenhuma dos índios. Enquanto eles estiverem assim, flechando a gente, é sinal de que eles estão bem. Quando eles começarem a ficar bonzinhos, a entrarem em contato com a gente, vão começar a morrer. Sendo assim, prefiro eles atacando, pois é sinal de que eles estão bem. Por outro lado, sou pago para isso mesmo. Quem vai para lá, sabe, como diz o Zé Áureo, que não vai encontrar a Xuxa com as paquitas dançando na praia.
Eles não identificam você como um aliado?
Aquela região ali é muito pródiga em índios isolados. Existem três grupos diferentes de índios isolados. Existem muitos índios. Você sabe que onde existe muita gente, onde existe 100 ou 200 pessoas, existem sempre as pessoas malvadas. No meio da gente não existem uns cabras que gostam de uma confusão? Com os índios isolados acontece o mesmo.
Você ainda chegou a avistá-los?
Não deu para ver nenhum. Estavam todos escondidos no barranco. Mas tudo leva a crer que não são os maskos, em razão das flechas serem diferentes. Acho que se trata do povo isolado que mora do outro lado do rio ou então são alguns jaminawas lá do Peru, que já têm um contato por lá e vêm aqui dar uma de brabo. As flechas têm algumas cordinhas de nilon, de saco de fibra. Pode ser que eles tenham roubado, mas em todo caso fica a dúvida. Mas eu creio que tenham sido mesmo os índios isolados dali.
As flechas, evidentemente, não estavam envenenadas.
Acho que não se não eu não estaria por aqui contanto a história. Felizmente. Mas uma taquarada daquela não precisa de veneno. Eu tive muita sorte, segundo o médico. Se a flecha tivesse atingido um pouco mais acima, teria entrado no meu olho e destruído o cérebro. Neste caso, eu teria morrido instantaneamente. Mas se a flecha tivesse atingido um dedinho mais abaixo, teria infeccionado minha carótida e minha medula óssea. Neste caso, agora eu estaria paraplégico ou morto. Foi realmente muita sorte.
Depois dessa você vai reavaliar sua permanência na Frente de Proteção Etno-ambiental do Rio Envira?
Não. Logo, logo eu quero voltar para lá, se Deus quiser e a polícia deixar. Vou, sim. Por que não? É o meu trabalho, ué. Estou lá há 15 anos, mas acho que é pouco tempo ainda. A gente deve ser persistente.
Não seria melhor você voltar para a cidade?
Eu não me acostumaria mais numa cidade.
Que tal assumir um posto administrativo na Funai?
Não! Pelo amor de Deus, ninguém queira fazer isso comigo. Me dê logo um tiro em vez de uma flechada. Um cargo administrativo para mim seria um tiro de misericórdia no meio da minha testa. Não quero isso para mim, não. Vou ficar lá, pois a minha praia é lá. Acho que cada um tem que se posicionar na praia que sabe tomar sol. Não adiantaria eu ser chefe de alguma coisa se eu não tenho vontade nem pique para isso. Quando a gente faz o que gosta, faz bem feito.
Em todos esses anos não é a primeira vez que você vive uma situação tão dramática.
Um ataque desses não é uma coisa que acontece todo dia. Mas é uma coisa que acontece. É impossível evitar ser flechado por um índio que esteja na beira do rio. Vai botar a polícia do Brasil inteiro a cada metro? Vou andar de escafandro? Adianta usar colete? Não. A flecha atingiu a minha cara e a ponta saiu na nuca. Algumas coisas são inevitáveis e fazem parte do jogo, do trabalho. Como a gente não quer contatá-los, deixa eles assim mesmo.
O ataque ocorreu às 7 horas da manhã de domingo. Quando aconteceu o resgate?
O helicóptero chegou lá às 5h40, quase 18 horas. Como você vai publicar nossa conversa na Internet, quero aproveitar para agradecer o presidente da Funai, o pessoal do Departamento de Índios Isolados da Funai em Rio Branco, mas especialmente ao Edegard de Deus, secretário de Meio Ambiente do Acre, ao governador Jorge Viana e ao senador Tião Viana. O senador movimentou até o Ministério da Defesa para conseguir o helicóptero que me retirou do mato. Ele telefonou para mim. Imagina! Um senador da República telefonou para um peão.
Mas você merece, Meirelles. Desde que você chegou ao Acre, a sua vida tem sido dedicada em defesa dos índios.
Não sei se eu mereço, mas acho que tenho que agradecer, né? E dizer que quem tem amigo assim não morre no barranco, não.


27 comments
Comments feed for this article
Junho 25, 2008 às 10:06 pm
Milton Ribeiro
Ei, Rei, vai tomá no…
Junho 26, 2008 às 10:46 am
Adriano
Descobri a profissão “duceis”: são todos, na verdade, spin doctors! And I only say that so we won’t get fooled again. (:
Junho 26, 2008 às 11:30 am
ohermenauta
Adriano,
Você bebeu? Se bebeu, não dirija.
Junho 26, 2008 às 12:37 pm
Adriano
É sério. Eu tava lendo a respeito dos “spin doctors”, um conceito cuja origem se encontra nas tais relações pública, e então percebi: mesmo acusando os outros disso, vocês são spin doctors! Batem no Reinaldo porque são spin doctors! Não respeitam a doença do cara porque são spin doctors! Tudo pela “causa” de um governo de tiranos assassinos (vide Santo André).
A canalha tucana, pelo menos, nunca matou ninguém (do próprio partido, pelo menos).
Junho 26, 2008 às 1:02 pm
ohermenauta
Não dirija!
Junho 26, 2008 às 3:14 pm
Adriano
Puxa, que engraçado.
Junho 26, 2008 às 3:22 pm
ohermenauta
Óia o poste!
Junho 26, 2008 às 4:05 pm
Adriano
É uma pena que Lula não dirige o próprio carro.
Junho 26, 2008 às 4:09 pm
ohermenauta
Pronto, bateu.
Junho 26, 2008 às 4:16 pm
Luiz
Pelo assunto:
http://terramagazine.terra.com.br/interna/0,,OI2973568-EI6584,00.html
Sertanista: índios isolados foram alvo no Peru
Junho 26, 2008 às 4:40 pm
Adriano
E agora? E agora?
(Ambulância?)
Junho 26, 2008 às 5:49 pm
Marcos Nowosad
Hmmm… Onde esta’ o Adriano que tinha a critica certeira e sofisticada sobre as inconsistencias e hipocrisias do pensamento da esquerda brasileira?
Esse que voltou a escrever por aqui (depois de um longo inverno) parece um experimento mal-feito de clonagem, feito em algum laboratorio paraguaio…
Nao aceitamos imitacoes; queremos o bom e verdadeiro Adriano de volta!
Junho 26, 2008 às 11:39 pm
Adriano
Foi um desabafo, Marcos. As críticas excessivas do Hermenauta contra o Reinaldo beiram o paroxismo, assim como a falta de respeito pelo colunista com câncer: piadas do tipo não beiram, pois ultrapassam a cafajestagem.
E criticam tanto o Reinaldo porque são “spin doctors”, fazem-se de mocinhas defensoras do pobre petismo, atacado por todo lado pelos ricos egoístas.
Seja como for, meu ponto era que por pior que a canalha tucana seja, são crianças frente à corja em parte assassina do partido antípoda (ou por que Lula diria no enterro de Celso Daniel que ele, Celso, fora um mártir? foi abatido por qual causa?). Isto para ficar com apenas uma das evidências.
Junho 27, 2008 às 1:14 am
Kitagawa
Não entendi a bronca do Reinaldo.
Sempre se falou em indios isolados, o que de fato, são.
E isso realmente é fato antropologico relevante.
Conhecidos desde 1910? Pode ser e daí?
Obviamente eles já tiveram algum contato no passado,
e foi por causa desse contato que eles fugiram pra onde
ninguém os encontre. E assim devem permanecer
se assi quisererem. A divulgação das fotos foi um
“golpe” de marketing?
O prórpio Meirelles responde:
“Tivemos a idéia de colocar esses índios na mídia [com a divulgação das fotos] porque há muita gente que acha que eles não existem. E também porque, pelo que está acontecendo na Amazônia, é só uma questão de tempo para essa desgraceira chegar aqui. Só falta chegarem os madeireiros de Rondônia e acabarem de desgraçar com o resto. Se não houver essa campanha na mídia, a Amazônia que eu conheci vai acabar.”
Junho 27, 2008 às 10:29 am
ohermenauta
Adriano,
Não faz muito sentido você vir aqui dar um faniquito e berrar: “críticas excessivas!”, “críticas excessivas!”, sem apontar porque motivo elas seriam excessivas. No caso em tela, por exemplo, excessivo está sendo o Reinaldo, que já chegou a insinuar que é tudo uma montagem _ mais ou menos como aqueles sites que dizem que o pouso na Lua foi feito em estúdio, vai ver.
Por outro lado, eu ficaria agradecido se você apontasse os posts em que em que eu fui deselegante com a doença do Reinaldo. Se você achar, eu peço desculpas públicas e apago os posts em questão. Dificilmente eu teria feito algo assim, e se fiz, foi um escorregão.
Junho 27, 2008 às 6:24 pm
Adriano
Na verdade eu não me referia ao assunto dos índios e sim à sua “obcecada obsessão” (cego pensamento fixo) em relação a Reinaldo Azevedo, a qual está em direta proporção à fixação de Olavo de Carvalho com o Foro de São Paulo. Sim, Hermenauta, você está tão obcecado pelo Reinaldo ao ponto de tornar-se uma espécie de Olavo.
Quanto a seus posts não vou buscar um a um, mas repasso o que disse ao João da Luz, esse senhor que não tem respeito pela pessoa humana. (pode até parecer moralismo meu, mas certos valores parecem moralistas para os amorais facínoras de esquerda.)
Junho 27, 2008 às 6:45 pm
ohermenauta
Adriano,
Reinaldo Azevedo é o farol de certa direita anaeróbica. Como tal, é alvo válido, quicando no teatro de operações às 12:00hs _ um alvo imóvel. Não há modo algum de me convencer de que ele pode dizer o que diz sem ter gente que analise suas patacoadas de modo crítico. Isso que você propõe é simplesmente censura travestida da defesa de direitos.
No mais, não sei o que você disse ao João da Luz. Mas você me fez uma acusação direta, portanto, ou tem a hombridade de mantê-la e prová-la, ou assuma sua leviandade.
Junho 28, 2008 às 1:10 am
Adriano
Censura? Que meios tenho para censurá-lo? Minhas palavras aqui na sua caixa de comentários? Você acha que as palavras, seja de quem for (até do papa), têm algum poder que estabeleça censura? A sua acusação não faz o menor sentido.
Você, Reinaldo, Olavo, etc. têm todo o direito de dizerem o que querem. Ninguém pode forçá-los a agir de maneira diferente. O que alguém pode fazer é apontar o dedo e dizer: olha, você está se tornando um maníaco-obsessivo! Veja o caso do Olavo que não passa mês que seja sem falar do Foro ou de comunistas malvados em geral.
Hombridade de mantê-la? Não vou ler seu blog inteiro só para achar a frase em que você foi leviano com a doença do Reinaldo. O fato de dizer:
— é suficiente para mostrar que nem mesmo você tem certeza de ter se declarado sempre de forma idônea em relação à doença do cara. E de qualquer maneira, sempre toleraste comentaristas que zombassem diretamente da doença do sujeito. Ou não?
Se você disser que estou mentindo quanto a este último fato, aí eu reviro seus arquivos.
Junho 28, 2008 às 1:12 am
Adriano
Porque aí minha memória não me permite confundir-me.
Junho 28, 2008 às 4:37 am
Marcos Nowosad
Quando o tio “ra” se auto-vitimiza porque teve câncer, acusando os seus adversarios de usarem a doenca para ataca-lo, ele usa da mesma estrategia mesquinha que representantes de minorias (como negros e homossexuais) usam para se defender de críticas: acusar seus críticos de serem preconceituosos.
A tática é manjadíssima e foi repetida várias vezes no blog dele: o tio “ra”pega o comentário de algum cafajeste que o esta’ criticando, fazendo menção à sua doença (normalmente com palavras de baixo calão e erros de português) e o usa como exemplo de que os seus críticos não têm caráter.
O próprio Diogo Mainardi ja’ usou essa tática rudimentar para angariar a simpatia dos seus leitores, ao publicar referências que um leitor imbecil fez em relação ao problema de saúde do seu filho no blog do Mino Carta.
O gozado é que o tio “ra” é o primeiro a atacar (de maneira acertadíssima) esse tipo de tramóia de alguns representantes das minorias sociais.
Num post recente sobre o projeto contra a homofobia, ele criticou a imprensa que deu voz ao critico do projeto mais facil de ridicular (um pastor da Assembleia de Deus): http://veja.abril.com.br/blogs/reinaldo/2008_06_22_reinaldo_azevedo_arquivo.html#6824394361990906522.
Justamente a tatica que ele usa toda hora para ridicularizar os seus criticos: destacar a opiniao de um debil mental como se ele representasse a opiniao media dos seus criticos!
Em termos do blog do Hermenauta, eu nao me lembro de nenhum ataque direto à doença do tio “ra”, nem por ele, nem por outro leitor.
Em contraste, se quisermos ver exemplos de ataques covardes e pessoais, com uso farto de palavras de baixo calão, permitidos livremente pelo autor do blog, basta visitarmos a caixa de comentários de um certo Sr. Azevedo…
Junho 28, 2008 às 4:40 am
Marcos Nowosad
Correção da frase, nos post acima:
“Num post recente sobre o projeto contra a homofobia, ele (o tio’RA) criticou a imprensa por dar voz ao crítico do projeto que era mais fácil de ridicularizar (um pastor da Assembleia de Deus):”
Junho 28, 2008 às 8:30 am
ohermenauta
Adriano,
É claro que você não pode “censurar-me” no sentido de me impedir à força de fazer o que eu quiser. Mas lembre-se que uma acepção de “censurar” é justamente a de restringir o discurso alheio pela palavra. Dizer que o que faço aqui é uma “obsessão” é uma tentativa de denegrir o que faço. Certamente, alguém também pode ter dito que quem reprovava o NSDAP nos anos 20 na Alemanha também era um obcecado. Você vive falando em “argumentos”, mas usar um argumento que visa desqualificar argumentos é indigno de quem se diz um filósofo. Aliás, até mesmo de um mero estudante de filosofia.
No mais, não seja ridículo. Se você afirma que eu sou descortês para com a doença do Reinaldo, o ônus da prova é seu. Quanto ao que tenha dito algum comentarista, você sabe muito bem que minha política aqui é a de não censurar comentários a menos que eles ultrapassem um limite muito, muito elevado _ mas eu não me responsabilizo por eles. Ademais, inicialmente você não falou em comentaristas, falou de mim mesmo. Não queira usar a minha cortesia para com você como argumento. Prove o que diz ou retire suas acusações, sob pena de ser banido deste blog para sempre.
Junho 28, 2008 às 11:26 am
Adriano
Em primeiro lugar peço que eu seja banido deste blog para sempre.
Em segundo (se não apagar este comentário), peço que você e seus leitores comparem o número de menções que Olavo de Carvalho fez sobre o Foro de São Paulo em seu site (ele tem o domínio registrado há mais ou menos dez anos) com o número de menções que você tem sobre Reinaldo Azevedo desde Dezembro de 2007, há sete meses, quando voltou a postar aqui com freqüência.
Quem quiser pesquisar sobre o Foro com Olavo tem 417 referências. Quem quiser pesquisar sobre o Reinaldo com Hemenauta tem 736 (quase o dobro, convenhamos). Olavo tem 2790 páginas indexadas. Você tem 1860.
Disso concluímos algumas coisas:
1) Olavo publica muito menos freqüentemente que você, já que os textos dele devem ter em torno de 5 mil caracteres, enquanto os seus devem girar em torno de 500 (o que tirando os recortes de notícias, etc. deve cair em 5 vezes). Daí que em 120 meses de domínio ele tenha apenas o dobro, comparado com alguém que tem 7 meses de endereço;
2) Proporcionalmente («CETERIS PARIBUS» no contexto) você fala quatro vezes mais de Reinaldo Azevedo do que Olavo de Carvalho fala sobre Foro de São Paulo;
3) Olavo sendo “obsessivamente fixado” com o assunto Foro, isto implica que você seja o quê em relação ao Reinaldo?
Este era meu ponto. Quanto à doença do Reinaldo eu tenho certeza absoluta de que há comentários maliciosos e pútridos em relação a ela, no mínimo por parte de comentaristas — como João da Luz.
De sua parte, numa pesquisa de cinco minutos no Google por umas 10 referências, já que não passarei por mais do que isso, pude lembrar dos seus comentários sobre o câncer do sujeito na época da decisão sobre células tronco.
Para ser sincero, não foram comentários exatamente “fortes”, mas foram jocosos, o que é suficiente para mostrar seu desrespeito pela pessoa.
Junho 28, 2008 às 12:18 pm
ohermenauta
Adriano,
Este blog tem, no momento, 996 posts, dos quais 95 têm a tag “Reinações dos Reinaldinos”. Destes 95, vários só tem a tag porque fazem uma referência bem leve a Reinaldo, mas vamos deixá-los contar como tal. Isso significa que menos de 9,5% dos meus posts, aproximadamente, falam sobre Reinaldo Azevedo.
Ora, se esse é um blog dedicado, entre outras coisas, a fazer a crítica dos pundits anaeróbicos, é mais do que natural que eu me refira a Reinaldo com alguma frequência, já que ele virou referência para esse pessoal. O que para você é “obsessão” para mim é mera consequencia do dever que me impus neste blog. Em blogs anteriores, quando Reinaldo era muito menos influente, eu falava bem mais de Olavo de Carvalho, que entretanto caiu na mais profunda irrelevância e mal é citado neste blog hoje em dia.
É claro que você sempre pode dizer que perseguir pundits de direita é uma obsessão minha. Bem, eu sempre achei que prevenir é melhor que remediar _ prefiro insistir na crítica a essa gente agora, preventivamente, do que ter que fazê-lo mais tarde, sob seu tacão. É por isso que digo que sua crítica é ilegítima, pois busca apenas cercear meu direito de expressão contra algo que considero nocivo. Além, é claro, de passar recibo de que é incapaz de rebater a minha crítica.
No mais, sua atitude em relação às acusações que fez e que não pode provar apenas comprovam que você parece ser o tipo mais rasteiro de covarde, aquele que, incapaz de provar o que disse, se aferra à obliquidade e à calúnia. Se existem alusões minhas ao câncer de Reinaldo e você as achou, coloque-as aí na caixa de comentários. O resto é pura viadagem.
Qualquer comentário posterior seu que não inclua a frase exata onde eu faço piadas sobre o câncer do Reinaldo, e respectivo link, será sumariamente banido deste blog.
Junho 28, 2008 às 2:50 pm
Adriano M C Silva
Não entendi. Não me baniu? (há espaço para banir IPs no WordPress, não sabia?)
Aqui está a frase, que mencionei no comentário anterior:
É claro que você pode fazer o que bem entender: tipo rebolar e dizer que foi pessoal, mas não foi. Pode dizer que não o atacou usando a doença dele. E pode até querer dizer que o tom do post não foi algo infantil do tipo: “como ele pode se opor a células tronco se precisou operar do cancro?”.
Não bastasse o ataque pessoal travestido de questionamento válido, a conclusão do post é sofisma ridículo, a que alguém só pode aquiescer se for muito burro. Mas é claro que os brados contra Reinaldo Azevedo sempre foram muito inteligentes.
Agora bane, vai. E aproveite e acuse-me de censurá-lo. Ou acuse-me de covarde, Armando Malandro, que acusa a tudo e a todos escondendo o nome. Assim é muito fácil fingir ser homem, não?
Junho 28, 2008 às 2:50 pm
Adriano
http://ohermenauta.wordpress.com/2008/05/30/reinaldo-azevedo-tristao/
Junho 28, 2008 às 3:19 pm
ohermenauta
Adriano,
Bem, eu tinha que lhe dar o direito de defesa. E afinal, como você poderia vir mostrar toda a extensão de sua vileza, se eu já tivesse banido seu IP? É óbvio que só posso bani-lo agora. E é o que eu vou fazer, é óbvio.
Você havia dito o seguinte:
“Batem no Reinaldo porque são spin doctors! Não respeitam a doença do cara porque são spin doctors!”
“As críticas excessivas do Hermenauta contra o Reinaldo beiram o paroxismo, assim como a falta de respeito pelo colunista com câncer: piadas do tipo não beiram, pois ultrapassam a cafajestagem.”
A afirmativa que você conseguiu colher neste blog, depois de dois dias de pesquisa intensiva, passa muito longe seja de um desrespeito à doença, seja de uma piada. Muito pelo contrário, até peço a devida vênia por falar de assunto pessoal de Reinaldo. Mas acontece que o fato dele ter tido um tumor cerebral, e tê-lo operado, era plenamente relevante para o pedido de coerência que fiz, já que eu me referia ao seguinte parágrafo de Reinaldo, cuidadosamente omitido por você:
““É evidente que o termo ausente, mas muito presente, nesse fundamentalismo científico que acena com a reposição de órgãos — “troca as velas; troca a rebinboca da parafuseta” — é a vida eterna. O paralelo mítico é óbvio demais para não ser mencionado. Os cientistas decidiram que era hora de roubar o fogo, como Prometeu. Aquele se deu mal. A gente vai se dar melhor? Não sei. Tomara que sim.“”
Importante frisar que nessa ocasião Reinaldo fazia a crítica da terapia por células-tronco. Isto é, uma tecnologia que pode beneficiar milhões de pessoas. Quando ele crítica essa tecnologia por achar que está protegendo “não-nascidos”, eu acho que ele está errado, mas quando ele resolve criticá-la com base em uma tese flagrantemente anticientífica e desleal _ porque nega aos outros um benefício que ele não nega a si mesmo, o da cura _ ele está sendo simplesmente um facínora.
Portanto, meu caro Adriano, penso que com este papelão que protagonizaste, você está apenas externando, uma vez mais, sua face covarde e fresca.
Ah, quanto à questão de eu não oferecer aqui o meu verdadeiro nome, bem, é para me proteger. Se anônimo já tenho que encarar gente obcedada por mim como você, imagine se eu tivesse endereço e telefone conhecidos, não é mesmo?
Adeus, caríssimo.