O necrológio de D. Ruth no Valor de hoje dará ao pessoal da Torre de Marfim a oportunidade para falar de dois dos seus assuntos prediletos: PSDB e imigração japonesa.
“Nascida em Araraquara, interior de São Paulo, estava casada com FHC há 53 anos. Deixa três filhos, Paulo Henrique, Beatriz e Luciana e seis netos. Antropóloga, obteve seu doutorado na Universidade de São Paulo em 1972 com a tese ” Estrutura Familiar e Mobilidade Social: Estudo dos Japoneses no Estado de São Paulo ” . Professora aposentada da USP, atuou ainda no Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap), na Faculdade Latino-americana de Ciências Sociais, na Universidade do Chile, na Maison des Sciences de L ? Homme, em Paris, na Universidade de Berkeley, Califórnia, na Universidade de Columbia, em Nova Iorque e no Centro para Estudos Latino-Americanos da Universidade de Cambridge .“


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Junho 26, 2008 às 10:59 am
Marcos Matamoros
Eu deveria resistir às suas provocações, mas, como elas são divertidas, lá vai a resposta. Bom, como você percebeu, o meu post é sobre o governo Lula e a sem cerimônia com que o sujeito desistiu de qualquer preocupação ética. Eu citei Fernando Henrique Cardoso apenas incidentalmente. Não transformei os oito anos do governo Fernando Henrique no paradigma da ética. Nesse período, aliás, sempre critiquei mais do que elogiei a administração tucana, e acho uma lástima os momentos em que houve problemas no campo da ética, como os revelados pelo grampo do BNDES. Também cansei de criticar a política cambial do primeiro mandato. Mas o principal é que eu nunca usei erros de outros governos para absolver os erros do governo Fernando Henrique, como o Lula e muita gente costuma fazer em relação aos equívocos que ocorrem na administração petista. Muita gente que simpatiza com o governo Lula parece dizer, ou diz quase explicitamente, ele rouba, mas distribui renda. Para mim, não basta
Um abraço,
Marcos
Junho 26, 2008 às 11:43 am
ohermenauta
Matamoros,
Assim, na ponta da faca, mesmo, eu acho divertido esse malabarismo moral do udenismo hodierno quando se sabe que foi o tucanato quem inventou, para começar, a idéia das “duas éticas”.
Em política temos que fazer apostas. Eu desconheço força política virginal e ilibada. Fico feliz em saber que você tem uma postura independente em relação às mazelas do PSDB, mas no fim do dia o que conta é o seguinte: diante de várias opções partidárias que simbolizam diferentes projetos políticos, você apóia um projeto político ladrão e concentrador de renda, ou um projeto político ladrão e distribuidor de renda?
É claro que você vai me dizer que apóia um projeto político que não seja ladrão. Entretanto, ao criticar um projeto político ladrão, você tem certeza de que está contribuindo para o fim da ladroagem ou por sua substituição por um outro projeto político que seja tão ladrão quanto o outro?
Minha convicção é a de que existem patamares de atuação política cujo grau de corrupção tem muito mais a ver com variáveis globais da sociedade onde eles se inserem do que com um voluntarismo denuncista de talhe udenista. Eu poderia dizer isso com outras palavras mais simples: “nem sempre a linha reta é o menor caminho entre dois pontos”. Ou: o projeto político ladrão e concentrador de renda tende a aumentar a ladroagem e a concentração de renda. O projeto político ladrão e distribuidor de renda tende a mudar o patamar da política, reduzir a ladroagem e distribuir renda.
Infelizmente vivemos em um país onde colunistas populares entre a classe média conseguem defender a idéia de que a violência (e a corrupção) não tem nada a ver com variáveis sociais, decorrem da pura falta de vergonha na cara. São os mesmos que defendem a ladroagem do seu partido preferido tão logo ele esteja no poder porque, afinal de contas, a política “é um processo”. Não estou fazendo ficção política, nós já vimos isso há menos de oito anos atrás. Diante disso, o que sobra como elemento de decisão? Eu acho que apenas o peso por vezes quase insuportável da nossa consciência.
abçs!