Hoje tive um pequeno acidente: a bainha de um dos meus ternos descosturou.
I´m a very resourceful man, até costuro quando a coisa aperta, só que não costumo(va) viajar levando agulha e linha. Daí, saí em busca destes apetrechos pelas lojas próximas ao hotel. Entrei em um supermercado e…descobri que não sabia pedir agulha e linha nem em francês, nem em inglês.
Felizmente um dos empregados era espanhol e consegui me entender com ele. Mas o curioso da história é que assim que ele descobriu que eu era brasileiro (o que foi rápido, aliás todo mundo na França sempre sabe que você é brasileiro _ em compensação nos EUA já me tomaram por russo (sic) mais de uma vez), começou a despejar sem parar palavras desconexas como:
_ Ipanema, Copacabana, Ronaldinho, café….
Como se isso fosse um sinal imediato de reconhecimento e uma tentativa de demonstração de que eu estava diante de um homem do mundo, um cosmopolita. E lá foi ele:
_ Flamengo, Botafogo, Coríntians, Cafu, Pelé…
Eis aí o futebol guindado à condição de linguagem universal. Procurando estabelecer um canal de comunicação com o alienígena, eu disse:
_ Barcelona!
Mas aí ele fez cara feia e apontou para a própria camisa:
_ Real Madrid!
***
Jo no hablo su lengua.



14 comments
Comments feed for this article
Junho 11, 2008 às 11:25 am
Ricardo Cabral
Não, Hermenauta, o título não é Babel, é Le Micô, com biquinho e tudo, hehehe!
Abraços e divirta-se muito!
Junho 11, 2008 às 7:23 pm
samurai no outono
Hermê, sua ignorância futebolística é um problema. Por exemplo: nenhum espanhol torce pelo Barcelona: só os catalões (que, no fundo, não torcem pela Furia). Entendeu? Se um cara se identifica como espanhol, não é Barça. Barça e Athletic são os times nacionais da resistência ao franquismo e à hegemonia de Castela. Na sua próxima vinda ao Rio eu te dou umas aulas de futebol globalizado e geografia.
Você precisava ver minha conversa com o jovem chinês (torcedor do Arsenal, fã de Kaká etc) de um restaurante da semi-periferia de Londres enquanto esperava minha kun pao chicken. Futebol é a liguagem masculina universal, que só os americanos – que não fazem parte do mundo – não entendem (mas para eles meus conhecimentos de NBA e NFL são shiboleth o bastante. BTW, o Pierce do Celtics está jogando uma enormidade, um híbrido de Jordan e Kerr. Mas Kobe é Kobe, pure Jordan, the real thing)
Junho 11, 2008 às 10:44 pm
Ollie McGee
Needle and line, Herme.
Junho 12, 2008 às 2:04 am
maristela
Ah, meus deuses! Prá quê eu vim aqui? só pra babar de inveja? França!!!!
(cuidado com o que conversar nos restaurantes – tem uma penca de garção português que se faz passar por francês e, lá pela terceira ou quarta visita ao lugar, “se revela”, respondendo a seu pedido com um “pois não, senhor”!
Junho 12, 2008 às 10:27 am
Debbie
“Needle and line”.
DEUS DO CÉU. Ollie McGee, se tu não sabe inglês, não paga de quem sabe, é feio.
Needle and THREAD.
Junho 12, 2008 às 12:40 pm
João da Luz
Pô, eu pedi “line” uma vez e eles entenderam.
Acho que foi por causa do needle.
Junho 12, 2008 às 9:31 pm
Ollie McGee
Debbie, como você é… “dramática”.
Pena que no seu comentário, a falta de uma letra “S” estragou todo o efeito.☺
Faz o seguinte: “eu vou aprender inglês e você o português”.
Simata!
Junho 13, 2008 às 2:49 am
Maguila
“O trabalho danifica o homem”
Junho 13, 2008 às 8:06 pm
O global e o local « samurai no outono
[...] num post chamado Babel, meu amigo Hermê mostra a sua ignorância não só futebolística como geográfica. Basicamente, [...]
Junho 15, 2008 às 12:00 pm
Debbie
Ollie McGee, sou do sul. Aqui todo mundo fala a segunda pessoa sem s. Se tu acha feio, é porque, como todo brasileiro (o nominho não engana) tu acha que a língua é aquilo que tu aprendeu na gramática, né? Minha mãe é inglesa, meu pai é argentino e eu nasci no sul do Brasil. Sei três línguas. O falante manipular a própria língua não tem NENHUM problema, só na cabeça do povo tacanho do Brasil. Já pagar pau de quem fala outra língua, tentar ajudar o amigo e piorar pro lado dele… foda, hein.
Junho 15, 2008 às 12:32 pm
Dinha
”e uma tentativa de demonstração de que eu estava diante de um homem do mundo, um cosmopolita.”
Um dia serei sutil assim!
Junho 16, 2008 às 12:35 am
Thomas
Needle and line = google translate?
Segundo o que é ensinado no curso de Letras, um idioma não é só aquilo que consta nos livros, mas também a língua falada. Isso não quer dizer que é correto escrever ’serto’ [certo], por exemplo, mas sim que as variantes locais de determinada língua não devem ser consideradas como erradas.
Tá bom, eu não curso Letras e não consigo explicar melhor do que isso.
Junho 16, 2008 às 10:20 pm
Ollie McGee
Putz (que menina pedante…)
Debbie, deixa eu te explicar uma coisa (embora já saiba de antemão q não vai adiantar de NADA). Quando eu escrevi “Needle and Line, Herme”, era uma tentativa de fazer graça com os já famosos ‘falsos cognatos’ (já ouviu falar sobre eles?). Um ‘erro’ q muitos de nós (pobres mortais) cometemos ao longo de nossa vida na tentativa de aprender novos termos e expressões em línguas não nativas. NÃO ERA uma tentativa de colocar termos corretos aqui, NÃO ERA uma tentativa de ensinar nada a ninguém.
O problema da internet é q às vezes a gente tem que escrever as palavras e frases entre as tags “ironia”, “graça” e “humor negro”, senão CHOVE Trolls de comentários pegando no nosso pé. [/suspiro]
Voltando ao assunto, para pessoas normais, o processo de aprendizado de outro idioma, funciona basicamente assim: Quando NÃO SABEMOS um termo ou expressão e precisamos nos comunicar, nós recorremos a ‘translators’, a dicionários e uso de cognatos para fazer associações entre palavras de diferentes línguas. É aí que podemos cometer a confusão e usar um falso cognato e blá, blá, blá…
Agora…Qual o problema (ou vergonha, ou ‘feiúra’) de se fazer isso? Nenhum. Porque, qualquer pessoa (normal) que aprendeu e que fala mais de um idioma sabe que o processo de aprendizado de uma língua é contínuo e se prorroga durante TODA vida. Até mesmo o de nossa língua materna.
PS: Nem vou perder meu tempo respondendo a sua provocação gratuíta (e preconceituosa) sobre eu ser ‘como todo brasileiro’, porque… putz… Isso é que é phoda, né nega
? Obviamente, pela nominação de sua genealogia (mãe inglesa, pai argentino, etc) e local de nascimento, você se acha acima da média nacional, composta de gente tacanha, como eu e o resto do país. ☺
PS2: Realmente ‘Ollie McGee’ não engana ninguém, acho que vou mudar meu nickname para Debbie.
Junho 16, 2008 às 10:28 pm
Ollie McGee
Ah, sim…
Debbie, eu não usei esse excesso de “carinhas piscantes”. Só na última para dar ênfase na ironia.
Pegou?