
E já que andamos falando tanto de filmes, eis algumas páginas interessantes:
a) Memória da Censura no Cinema Brasileiro
Um verdadeiro tesouro. Eis o texto do parecer 4.799/79, assinado pela Censora Federal Yêda Lúcia Netto Pelas (sim, existia uma carreira de Censor Federal na Polícia Federal) , liberando o filme “Histórias que Nossas Babás Não Contavam”, com Costinha e Adele Fátima:
“Produção nacional desenvolvida segundo resumo em anexo.
Explora, de maneira picante e maliciosa, o tema da conhecida cara (sic) da literatura infantil conhecida como “Branca de Neve e os Sete Anãos .(sic)”.
Contém inúmeras e demoradas cenas de relacionamentos íntimos, entre diferentes casais em todo o decorrer da película além de várias tomadas de nudez masculina e feminina (parcial e total).
A linguagem coaduna-se com a natureza da película, apresentando palavras chulas e vulgares.
Trata-se de mais uma pornochanchada, com os elementos próprios do gênero, cujo objetivo é fornecer ao público um espetáculo erótico. Entretanto, o clima de comicidade, criado, sobretudo, pelo exagêro e deformação da imagem original de cada personagem, torna viável a exibição do filme aos maiores de 18 (DEZOITO) anos.
Brasília, 09 de outubro de 1979.”
Como sabem, existia uma luta de gato e rato entre produtores e censores. Pareceres da Censura criavam “jurisprudência”. Não investiguei, mas é possível que a esta altura (1979) o texto desse parecer já fosse um “padrão” para filmes deste tipo, o que explicaria o porquê dos filmes eróticos terem um viés cômico _ e daí a enorme produção do que chamamos “pornochanchada”, uma forma de driblar a censura, ainda assim produzindo um produto de consumo garantido, o filme erótico.
Um blog com vários fotografamas, pequenos vídeos e fotos raras da pornochanchada nacional (tem até umas raras fotos da supracitada Adele Fátima).



3 comments
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Junho 6, 2008 às 1:13 pm
Guilevy
Interessante também seria “entrar” na mente de uma censora como a senhora Dona Yêda Lúcia Netto Pelas.
Será que ela se excitava ou fechava os olhos nas cenas picantes?
Junho 6, 2008 às 5:02 pm
sleo
Genial. Se fosse sexo a sério, não pasava, mas como era comédia… ou seja, para a Censura, sexo no cinema só se fosse de sacanagem.
Junho 7, 2008 às 4:26 am
Adriano
Leila Lopes e o pornô parte 2.