Lucia Malla tem um post bacaninha sobre tralhas indispensáveis em uma viagem. Ela fala de várias coisas que ela sempre carrega, mas me pareceu que o traste mais indispensável pra ela é o marido. :)

Ostentando toda a falta de originalidade que Deus me deu, devo dizer que para mim o equipamento indispensável é o bom e velho canivete suíço. Sim, algo anacrônico em tempos de palms, iPhones, laptops, micronotebooks, etc. etc. Mas o danado sempre me quebrou altos galhos. Exemplo:

Certa feita eu estava atrás das linhas inimigas e parei para tirar a água do joelho em um banheiro situado em lugar remotíssimo. Findo o dever fisiológico, descobri que…a porta do banheiro não abria. Nem a pau (*). O pior: o lugar remoto era remoto mesmo, o banheiro ficava em um subsolo, já estava ficando tarde e não me parecia provável que aparecesse vivalma nas próximas horas. Não tive dúvidas: com o valente apetrecho que, dizem, faz a felicidade das velhinhas prescientes, desmontei a fechadura e vivi mais um dia para ver a luz do sol.

Minha insistência com o raio do apetrecho já me rendeu o apelido de McGiver em certas rodas, especialmente em um certo camping onde os fósforos haviam sido devidamente esquecidos…mas meu valente canivete tinha uma lente de aumento que fez um belo fiat lux.

É claro que essa obsessão por canivetes fez com que vários tombassem no cumprimento do dever. Já perdi um número absurdo de canivetes, e hoje tenho dois, mas nem sei mais dizer em que geração canivetal estou.

Aliás, um dos meus dois canivetes suíços hoje em dia é chinês, o que diz muito sobre o mundo em que vivemos.

(*) on second thoughts: não, não se trata da acepção literal.   :)