Lucia Malla tem um post bacaninha sobre tralhas indispensáveis em uma viagem. Ela fala de várias coisas que ela sempre carrega, mas me pareceu que o traste mais indispensável pra ela é o marido.
Ostentando toda a falta de originalidade que Deus me deu, devo dizer que para mim o equipamento indispensável é o bom e velho canivete suíço. Sim, algo anacrônico em tempos de palms, iPhones, laptops, micronotebooks, etc. etc. Mas o danado sempre me quebrou altos galhos. Exemplo:
Certa feita eu estava atrás das linhas inimigas e parei para tirar a água do joelho em um banheiro situado em lugar remotíssimo. Findo o dever fisiológico, descobri que…a porta do banheiro não abria. Nem a pau (*). O pior: o lugar remoto era remoto mesmo, o banheiro ficava em um subsolo, já estava ficando tarde e não me parecia provável que aparecesse vivalma nas próximas horas. Não tive dúvidas: com o valente apetrecho que, dizem, faz a felicidade das velhinhas prescientes, desmontei a fechadura e vivi mais um dia para ver a luz do sol.
Minha insistência com o raio do apetrecho já me rendeu o apelido de McGiver em certas rodas, especialmente em um certo camping onde os fósforos haviam sido devidamente esquecidos…mas meu valente canivete tinha uma lente de aumento que fez um belo fiat lux.
É claro que essa obsessão por canivetes fez com que vários tombassem no cumprimento do dever. Já perdi um número absurdo de canivetes, e hoje tenho dois, mas nem sei mais dizer em que geração canivetal estou.
Aliás, um dos meus dois canivetes suíços hoje em dia é chinês, o que diz muito sobre o mundo em que vivemos.
(*) on second thoughts: não, não se trata da acepção literal. ![]()


6 comments
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Junho 3, 2008 às 7:20 pm
Catatau
E os canivetes chineses melhoraram?
Junho 3, 2008 às 7:35 pm
sleo
Conta aí. Um dos que v. guarda é o de estimação mesmo, que ganhou, há anos, do chefe dos escoteiros, naquele camping inesquecível na montanha do lombo quebrado…
Junho 3, 2008 às 7:39 pm
ohermenauta
Catatau,
Bom, o bicho continua funcionando até hoje, e já é bem velhinho. O aço, particularmente, é de boa qualidade, não deu pontinhos de ferrugem até hoje _ ah, saudade da boa e velha siderurgia socialista.
S. Leo,
A casa não é dada a essas via(da)gens.
Junho 3, 2008 às 10:45 pm
Lucia Malla
Sr. Malla: traste, não; indispensável, sim.
(Mas que ele é o responsável por mais da metade das tranqueiras de viagem, isso é… hihihihi!!)
Junho 4, 2008 às 1:01 am
tiagón
pô, eu também sempre levo o meu canivete! e uma lanterna.
Junho 4, 2008 às 12:42 pm
Catatau
Poisé, já tive minha série de canivetes chineses, sem a privilegiada “cruzinha”, mas infelizmente me deixaram na mão (tinha aquele negócio q se vc forçar um pouco a faca, ela dobra p trás e arregaça a armação).
Então comprei um tramontina de 1 utilidade, estilo cortador de casca de laranja, e uso até hoje. E acabei ganhando um suíço, mas o negócio é tão bonito que dá dó de usar, heheh
Mas vc viu que a Tramontina lançou um canivete bem desse estilo suíço? Vi por quarentão