“Cognitive surplus”

Deu no blog do Daniel Pizza:

Novelas da Globo perdem mais jovens e mais pobres

O público das novelas da Globo encolheu, envelheceu e “enriqueceu” nos últimos anos. Dados do Ibope obtidos com exclusividade pela Folha permitem concluir que a queda de audiência das novelas da emissora está relacionada ao maior acesso de jovens a novas mídias, como a internet, e ao crescimento econômico.
Em 2004, a novela das oito da Globo, “Senhora do Destino”, tinha média de 50,4 pontos no Ibope da Grande São Paulo. O atual título do horário, “Duas Caras”, do mesmo autor, Aguinaldo Silva, terminará nesta semana com média de 41. Em 2004, a novela das seis, “Cabocla”, marcava 34,6 pontos. Em 2008, “Ciranda de Pedra” sofre com 22 pontos.
Em comum, as duas faixas registram a mesma mudança no perfil de audiência.
De cada cem telespectadores de “Senhora do Destino”, 11 tinham de 12 a 17 anos. Em “Duas Caras”, de cada cem telespectadores, só oito estão nessa faixa etária. Por outro lado, as pessoas com mais de 50 anos representavam 24% da audiência de “Senhora”. Hoje, elas são 32% de “Duas Caras”.
Isso quer dizer que as pessoas mais “idosas” permaneceram fiéis ao gênero, diferentemente dos mais jovens.
Mais surpreendente é a mudança no perfil econômico.
De cada cem telespectadores de “Senhora do Destino”, 30 eram das classes A e B, 43 da C e 28 das D e E. Hoje, de cada cem telespectadores de “Duas Caras”, 35 são A e B, 50, C e 15, D e E. Ou seja, aumentou o peso dos telespectadores A, B e C. Já a importância dos mais pobres (D e E) caiu quase à metade, de 28% para 15%.
Segundo a Associação Brasileira de Empresas de Pesquisa (Abep), o crescimento econômico fez parte da classe D migrar para a C, mas não em proporção tão grande quanto à registrada nas novelas. Em 2003, 28% da população da Grande SP eram D e E. Em 2008, os mais pobres são 21,4%.
Uma das explicações para o êxodo dos mais pobres na audiência da Globo pode ser a de Aguinaldo Silva. Ele acredita que parte do público trocou as novelas por DVDs piratas.”

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E a gente fica sem saber o óbvio, isto é, se a queda de audiência da Globo foi acompanhada pelo aumento da audiência de outras emissoras.

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Pode ser, por outro lado, que esse pessoal todo esteja escrevendo blogs ou colaborando para a Wikipedia. Ou pelo menos é a tese do professor Clay Shirky, que acha que durante o período pós-Segunda Guerra a televisão engolfou o “superavit cognitivo” da população, que agora estaria sendo liberado pela Web 2.0. A idéia é criticada pelo Nick Carr neste post, lembrando que antes da Internet as pessoas consumiam seu tempo livre em muitas outras coisas além de ver televisão, como hobbys, música, etc. Mas mesmo hipotecando certa compreensão à crítica do Carr, eu ainda acho que no tocante ao que vem acontecendo com a TV o Shirky está no caminho certo. Pelo menos é o que parece mostrar o fluxo da publicidade, que está indo cada vez mais para a internet.

(hat tip pelo discurso do Shirky: Marcos Messer)