Post patético do Tio Rei, que deveria guardar um estilo melhorzinho para a sexta-feira, que é santa. Trechos:
“Um mapa de Roraima feito pelo serviço geológico do Brasil, do Governo Federal, mostra que as principais reservas minerais do estado ficam localizadas sobre as reservas Yanomami e Raposa Serra do Sol. Tem ouro, diamante, nióbio e outros minerais nobres.“
Até aí morreu Neves. Sim, a área é montanhosa. Perfeita para populações em fuga se esconderem. Eu se fosse índio iria parar lá mesmo, no extremo norte do país, amparado em amplas serras onde ninguém entra.
“Com a demarcação em área contínua, fazendeiros e não índios terão que sair da reserva. Fato que preocupa o governador de Roraima. José de Anchieta Filho acredita que a fronteira ficará desprotegida. “Nós temos aqui cerca de 960 quilômetros de fronteira com a Venezuela e mais 960 quilômetros com a Guiana Inglesa. Se permitirmos que isso aconteça, o que vai acontecer? Daqui a pouco toda a fronteira está demarcada como área indígena, tirando toda a presença de não índio, de militares dessa área e deixando apenas sob a jurisdição apenas dos índios de manter a soberania e a vigilância dessa fronteira. Esse é o perigo”, afirma o governador.”
Engraçado, porque o texto “Roraima, a última fronteira agrícola do Brasil”, disponível no site do governo do Estado de Roraima, dá uma outra impressão da situação:
“Ingressando numa nova era, muito em breve Roraima será um destaque, também, na produção etanol. Entendimentos nesse sentido estão bem adiantados com duas grandes agroindústrias. A proximidade com os mercados consumidores, principalmente a Venezuela, o relevo e o clima favorecem a produção de cana-de-açúcar. Um dos aspectos que mais favorecem a isso é a terra plana, ideal para o uso de tratores e colheitadeiras, além disso, o clima bem definido, com temporadas de chuvas e de seca, favorece a aceleração da produção.
As distâncias que separam Roraima do resto do Brasil são imensas. Aliás, o Brasil mede-se não a partir do Oiapoque (AP) ao Chuí (RS), mas como ficou comprovado por expedição do Exército Brasileiro, a partir do Monte Caburaí – fronteira com a Venezuela, País que garante o suprimento de eletricidade, livrando o estado do racionamento, e de fertilizantes. Estradas para o escoamento da produção não é problema. A BR-174 é a linha de saída, tanto para Manaus (AM), como para a Venezuela e a BR-401 liga o Estado de Roraima à República da Guiana.
Do lado do Amazonas, o porto de Itacoatiara é uma nova porta para a exportação de grãos. Com isso, ganha valor a vasta área de savanas localizada em Roraima, os lavrados, que, como os cerrados do Centro-Oeste, oferecem condições de topografia propícias às culturas de grãos. A área de cerrado adequada à agricultura no estado chega a 1,5 milhão de hectares, de acordo com pesquisas da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária – Embrapa.“
Diz ainda o post do Tio Rei:
“Apesar da presença de pelotões dentro da reserva, oficiais dizem que estrangeiros podem circular sem controle na terra indígena e atravessar livremente o rio Maú, que faz divisa com a Guiana, onde o barqueiro faz a viagem sem qualquer fiscalização.“
Pois é. Como eu mesmo postei aqui no blog, vasculhando jornais da Guiana, é comum brasileiros irem lá vender diamantes e pedras preciosas _ evidentemente evadindo-se dos controles brasileiros. Quer dizer, o Exército brasileiro e a Polícia Federal já não fazem aquilo que dizem que seriam impedidos de fazer por causa da reserva. Papo para boi dormir, como se vê. O post continua, agora como caixa de ressonância das preocupações do generalato:
““O que está em jogo é o fato de se estar criando uma situação de risco, que pode vir a se transformar numa ameaça concreta a soberania do país”, acredita o general Alberto Cardoso. O general, ex-chefe do gabinete militar da presidência, reflete uma corrente de opinião dentro do exército. Assim como muitos oficiais, ele acredita que num cenário de radicalização, os índios possam ser estimulados a criar um estado independente.
“Basta que se decida, que ali tem um território, tem uma nação, vamos criar um estado e transformar esse estado em algo independente. Um ente político independente e aí já se foi a nossa soberania e vai se criar uma situação conflituosa”, dia o general.“
Interessante, porque justamente um dos pontos mais frisados pelos que se opõem à reserva é o fato de uma área tão grande ficar entregue a apenas 17.000 índios. Ora, se dezessete mil índios (contando crianças, velhos e mulheres) são uma ameaça tão grande ao Exército brasileiro, acho bom a gente desistir logo de ter um exército.


13 comments
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Maio 16, 2008 às 6:59 pm
Sales
Os Generais e os RAs deveriam elaborar argumentos melhores. A fronteira norte é fracamente protegida? E a fronteira sul, então? Por lá entram armas, drogas e todos os produtos fabricados na China, inclusive os de carne e osso, sem pagar impostos. Lá não tem reserva indígena. O que propõem os sábios? Talvez proponham retirar as cidades e transformar aquilo em plantação de arroz.
Os índios poderiam reivindicar a transformação de sua reserva em nação independente? Essa é ainda melhor. Se é assim, qual a diferença entre transformar uma reserva contínua e uma descontínua em nação soberana? São 17 mil índios. Distribuem-se nelas e reivindicam duas nações soberanas. A Nação Indígena oriental e a ocidental. Dizem também que as ONGs estrangeiras poderiam incitar os índios a reclamar independência e criar a tal nação soberana. Que jóia de preocupação (igual a se preocupar hoje com a partida final do campeonato carioca 2009). Aí eu repito o argumento do hermenauta, se a inteligência do exército não consegue monitorar as atividades de 50 gatos pingados das ONGs que vivem com os índios, então: PEDE PRA SAIR!!
A verdade é que tem muita gente de olho naquelas terras, mas os olhos que mais preocupam são os de cá mesmo.
Maio 16, 2008 às 7:32 pm
s leo
Essa de que as reservas minerais estão “sobre” as reservas indígenas é bacana. Eu acahava que ficavam sob o solo. O governo devia contratar a indiada para coletar o minério, e fazer disso fonte de renda para eles e a Funai.
Numa coisa os militares têm razão (e não têm jurisdição): é rpeciso um controle melhor sobre as ONG s na Amazônia, para quem o governo terceirizou ot rabalho com os índios e que nem sempre reúnem só abnegados militantes alternativos. Noutra coisa a preocupação deles não é tão ridícula assim: você tendo um povo com língua, costumes e etnias diferenciados, vivendo em um território único e delimitado, o que impede esse povo de buscar ajuda internacional (ou, mais provavelmente, “receber ajuda” de países desinteressados) para declarar independência?
Bom a resposta, que os militares não dão, seria : a manutenção de postos militares nas fronteiras do país (coisa possível e muito provvelmente já existente) e uma presença constante e de qualidade do estado brasileiro na reserva, com a Funai e órgãos públicos (coisa, aliás, reivindicada pelos índios e vetada pelo orçamento minguado).
Esse material do governo de Roraima mata a charada, e conta outra coisa que tem o apoio dos militares: a turma lá quer botar a floresta e o cerrado abaixo para plantar cana e soja. E a indiada e suas ongs só atrapalham esses planos.
Maio 16, 2008 às 9:28 pm
João da Luz
Quem e quando esta reserva foi demarcada?
Os arrozeiros tem título de propriedade?
Quantos são os arrozeiros?
Estão preocupados em dar toda esta terra para 17000 índios. Será que tem mais arrozeiro que índio?
Não podem colocar um quartel lá fronteira e mandar prá lá todos os generais que reclamam da soberania ameaçada pra ficarem jogando pif?
São dúvidas que não calam.
Maio 16, 2008 às 9:42 pm
Rafael Figueira
“O general, ex-chefe do gabinete militar da presidência, reflete uma corrente de opinião dentro do exército. Assim como muitos oficiais, ele acredita que num cenário de radicalização, os índios possam ser estimulados a criar um estado independente.”
Mas general brasileiro serve pra isso mesmo: criar conspiracoes.
Qd comunas sao eleitos e ditam leis, aos nossos estrelados milicos restam apenas os indios.
Maio 16, 2008 às 10:37 pm
marcos
E para não entender nada de direito internacional pelo jeito… “Basta que se decida, que ali tem um território, tem uma nação, vamos criar um estado e transformar esse estado em algo independente.” Hhuahauha
O General esqueceu um elementozinho aí na equação do estado, que é justamente a soberania…
Sem contar, que também não tem território, já que seria bem da União.
No fim, é muita desinformação e muita má vontade.
ps: sério no dia que os Yanomamis começarem a instaurar representação diplomática em outros países, o generalato teria até razão para se preocupar. Mas se alguém me perguntar, eu se fosse índio fazia de tudo para fugir do Brasil mesmo.
pps: lembrando também que pela constituição o direito dos índios é originário, ou seja, teoricamente independe de reconhecimento oficial; não teria a mínima chance de os arrozeiros conseguirem dizer que a possa da terra é deles.
Maio 16, 2008 às 10:51 pm
A.
Proteção exagerada a índios safados e generais e “arrozeiros”* sacanas, os males do Brasil são.
* Os senhores têm certeza que essa é a palavra? Soa tão estranho. Parece até que arrozeiro é sinônimo de arrozal. (:
Maio 16, 2008 às 10:53 pm
Japajato
Mas aí é que está, será que não existe nenhum projeto oficial para a exploração econômica da região? Não que fosse algo ruim, longe disso, mas parece que ao se omitir sobre qual o destino de tantos recursos naturais o governo está comendo uma bola imensa.
Maio 16, 2008 às 11:09 pm
André
Olha, sinceramente, tem desvio de foco nos dois lados da discussão sobre Raposa Serra do Sol. O principal desvio é, obviamente, da galera que fala do atentado à soberania que seria a demarcação em terra contínua. Bullshit. Aquilo é terra de ninguém há muito tempo e a demarcação contínua não impede que o exército brasileiro instale bases e vigie a fronteira da maneira como bem entender. Aliás, duvido muito que os arrozeiros “defensores” da fronteira nacional tenham lá seus documentos de propriedade das terras.
Agora devemos levar em conta o que o Japajato comentou também. Pô, tem recurso natural lá e o governo fará o que com eles? Poderá explorar também? Desta informação eu já não sei… Acharia estranho se, por exemplo, houvesse petróleo lá e a Petrobras não pudesse perfurar um poço sequer.
Agora, RA se supera a cada dia. Tsc, tsc, tsc…
Abraços,
Maio 17, 2008 às 9:02 am
ohermenauta
Desde 1996 tramita no Congresso um Projeto de Lei regulamentando a exploração mineral em áreas indígenas, da autoria de Romero Jucá. Em abril desse ano o governo enviou um substitutivo.
Aqui tem uma análise do troço feita pela Socioambiental.
Maio 17, 2008 às 10:51 am
João Paulo Rodrigues
Tipo assim… no comments about the FARC´s notebook affair? Why is everyone tan callados?
Maio 17, 2008 às 7:19 pm
ohermenauta
Que assunto mais chato.
Maio 17, 2008 às 10:18 pm
outro Edson
Eu li em algum lugar que os arrozeiros já foram indenizados pela terra que não era deles há 2 anos. Receberam e aceitaram o dinheiro. Não sei se é verdade, mas gostaria de saber. E por que é que os índios não podem criar um Estado soberano? Não seria algo como o Departamento de Santa Cruz, que decidiu democraticamente separar-se da Bolívia? No Jornal Nacional eu vi que era uma coisa boa, um plebiscito democrático. Aliás, plebiscito não é aquele negócio que fizeram outro dia no Brasil p’ra decidir se a gente devia pagar a dívida externa ou não? Não lembro de ter ouvido a palavra “democrático” em nenhum telejornal. Mas tegiverso. O negócio é tirar os 17.000 índios dali e deixar os 8 arrozeiros, p’ra guardar a nossa soberania.
Maio 18, 2008 às 1:41 pm
João Paulo Rodrigues
¿Aburrido? Por supuesto. Cuando uno se siente mal puesto por las noticias que demuestran que, al fin y al cabo, Uribe podría tener razón, el tema se vuelve, mágicamente, aburrido…