
Prêmio de consolação
Deu no Valor:
“Brasileiro perde eleição para a direção-geral da Ompi por um voto
Por um mísero voto o candidato brasileiro José Graça Aranha foi derrotado ontem para a direção-geral da Organização Mundial da Propriedade Intelectual (Ompi). E a suspeita foi de que faltou voto justamente do lado de países em desenvolvimento, grupo no qual o governo Lula acredita ter influência. O suspense durou até o último voto, quando o australiano Francis Gurry ganhou por 42 a 41, num racha entre Norte e Sul na entidade que, através de seus tratados, regulamenta a produção, distribuição e uso de tecnologia e do conhecimento no planeta.
A briga foi acirrada entre 14 candidatos pelos votos de 83 países membros. A campanha brasileira foi elogiada de maneira geral. A articulação deu resultado além do previsto: Graça Aranha foi o segundo do começo ao fim, e em cada rodada aumentava seus votos. Mas o resultado foi mais doloroso justamente pela suspeita de onde faltou o apoio no último momento na votação secreta. No penúltimo turno, o australiano ficou com 35 votos, o brasileiro com 29 e o candidato paquistanês com 19. O acerto era de os votos do paquistanês passarem para o brasileiro e assim o Sul obteria a direção de uma organização-chave na área de tecnologia. Só que na rodada final, sete votos foram para o australiano.
“Eles prometeram que iam transferir os votos, mas não fizeram”, admitiu o embaixador brasileiro em Genebra, Clodoaldo Hugueney, numa referência a alguns países africanos, os principais suspeitos. “Tivemos voto de países industrializados, mas perdemos a África”, desabafou um diplomata latino-americano que trabalhou pela candidatura brasileira. Portugal anunciou explicitamente que votou pelo Brasil. Itália e Espanha teriam feito o mesmo, assim como alguns países do Leste Europeu.
Hugueney mencionou “pressões” para países em desenvolvimento concentrarem votos no australiano e reconheceu que o “mundo em desenvolvimento” não está ainda sólido.
Os Estados Unidos, que mandaram carta aos países pedindo votos para o australiano e quatro candidatos - do México, Eslovênia, Japão e Quênia -, minimizaram um confronto Norte-Sul na entidade. Mais tarde, John Dudas, diretor da área de patentes, em Washington, disse que gostaria de ver o Brasil melhorar a proteção de patentes e que os EUA estão dispostos a colaborar com o país.
(…)
A lista de organizações importantes onde o governo Lula perde votação aumenta. Já tinha perdido a direção-geral da Organização Mundial do Comércio (OMC), onde apresentou a candidatura de Seixas Correia. Fracassou na tentativa de obter a presidência do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) para João Sayad. E não conseguiu votos suficientes para obter o comando da Organização Internacional de Telecomunicações para Roberto Blois.
Ontem à noite, o Itamaraty quis contrabalançar esse desempenho com uma lista de “eleições vitoriosas”, como a presidência da Comissão Internacional para a Conservação do Atum Atlântico, que não tem comparação com a OMC ou a Ompi, e a eleição de brasileiros em outros 32 comitês ou comissões.“
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Pô, “atum do atlântico”? O Itamaraty já teve saídas melhores.
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Em todo caso há uma crescente tendência da OMC ir abocanhando a OMPI.


4 comments
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Maio 15, 2008 às 10:25 am
Sales
offtopic, porém não tanto!
esta figura ilustrando o post me fez lembrar de uma rima de minha infância, inspirada na antes onipresente lata de sardinhas Gpmes da Costa. Talvez vcs a conheçam. Dizia: Gomes da Costa, depois do peido vem a bosta!
Maio 15, 2008 às 4:56 pm
luiz franz
Probleminha de coerência: Brasil e Austrália não podem, geoegraficamente, ser os lados digladiantes numa batalha entre Norte e Sul… Industrializados x Emergentes seria mais adequado.
Maio 15, 2008 às 6:08 pm
Márcia W.
Hermê,
licencinha para eu contar ao Luiz aí arriba, que segundo os holandeses, nós brazucas e os down-under não somos ocidentalizados, ao contrário dos japoneses. E nessa classificação Sul-Norte, a Índia é sul, mas quando eu olho no mapa ela continua acima da linha do equador.
De resto, acho que a OMC já engalfinhou a OMPI, só falta oficializar…
Maio 15, 2008 às 8:04 pm
ohermenauta
O gozado é que há quem chame a América de “Extremo Ocidente”…mas deve valer só pra do Norte.