Leila Lopes, quem diria, acabou no Irajá

Há muito tempo atrás, em outra encarnação blogueira, fiz um post sobre o lento, mas inevitável, processo de guindagem do pornô à normalidade. Na época, disse que o processo seria coroado no momento em que personalidades do mundo “respeitável” começassem a aderir ao pornô.

Não dá pra dizer que Alexandre Frota, Rita Cadillac ou Gretchen sejam personalidades “respeitáveis”, mas também não se pode dizer que a participação dos três em produções pornôs do selo nacional Brasileirinhas não seja um marco. O processo dá mais um passo este ano: Leila Lopes, que já foi atriz global de relativa nomeada (chegou a fazer papéis de sucesso em novelas globais, como a “professorinha Lu” em “Renascer” e “Suzane” em “O Rei do Gado”) faz um arriscado “career move” e resolveu ingressar no mundo do filme pornô. Segundo ela, por sua exigência, um “pornô com história“:

A história gira em torno de Marlene, uma moça que “viaja vários anos para fora” e, quando volta para casa, encontra uma “família muito fechada”. Seu primo (vivido pelo ator pornô Carlão Bazuca) tornou-se seminarista, e a personagem de Leila Lopes “o fará ter que escolher entre Deus e Marlene”. Outro casal também participa da trama, e é vivido por Thamiry Chivari (a irmã de Marlene) e Vitor Gaúcho (seu cunhado, que também é atraído por Marlene).

A exigência de uma história de época obrigou a produção a encontrar locações dos anos 50 no bairro de Santa Teresa, no Rio de Janeiro. Outros atores sem experiência no pornô também participam do filme, no que Leila Lopes classificou como um “encontro de universos”.

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Há um vídeo estranhíssimo no YouTube onde ela narra a um programa religioso um grave acidente que teria tido em 1999. Se o vídeo não é algo fake, a impressão é de que a moça não bate muito bem da cabeça. De fato, é estranho que de uma trajetória aparente normal na TV ela tenha caído no ostracismo e reaparecido no pornô, o que parece mesmo indicar a existência de alguma tragédia pessoal na vida da menina _ talvez o acidente ao qual ela se refere. Fica o registro de certa incongruência entre a Leila do YouTube e a Leila das Brasileirinhas. No fundo a história da Leila é algo cômica e algo triste, o que me faz pensar que a tal da “normalização” do pornô ainda vai demorar um pouquinho enquanto tiver que depender de ruínas humanas.

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