You are currently browsing the daily archive for Maio 13th, 2008.

Depois de ficar depositada por 50 anos em uma coleção privada, uma carta de Einstein que traz algumas revelações sobre sua relação com o divino será leiloada. O bicho vai pegar:
“…The word God is for me nothing more than the expression and product of human weaknesses, the Bible a collection of honourable, but still primitive legends which are nevertheless pretty childish. No interpretation no matter how subtle can (for me) change this. These subtilised interpretations are highly manifold according to their nature and have almost nothing to do with the original text. For me the Jewish religion like all other religions is an incarnation of the most childish superstitions. And the Jewish people to whom I gladly belong and with whose mentality I have a deep affinity have no different quality for me than all other people. As far as my experience goes, they are also no better than other human groups, although they are protected from the worst cancers by a lack of power. Otherwise I cannot see anything ‘chosen’ about them.“
Mangabeira Unger, hoje, na página de opinião da Folha, defendendo “a segunda abolição da escravatura”. Transcrevo o último parágrafo:
“Nosso país está predestinado a se engrandecer sem imperar. Para que esse destino se consume, porém, terá a nação de unir-se. E, para unir-se, aprender a enfrentar, sem medo nem rancor, e por sucessivos atos de despojamento e de desassombro, o legado da escravatura africana. Se fizer isso, o povo brasileiro fará justiça a si mesmo. Passará a aceitar-se pelo que é e pelo que pode vir a ser. Deixará de temer sua própria grandeza.“
Fiquei pensando aí na frase em vermelho e não estou certo de que exista precedente histórico. Mesmo o Japão pós-IIWW é um caso especialíssimo, artefato de sua associação com os EUA para deter o comunismo na Ásia.
Alguém se lembra de algo assim?
***
UPDATE
Artigo na íntegra abaixo.
Deu no Terra:
“Lula quer diária “para acabar com a sacanagem”
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que quer a volta do pagamento de diárias no governo federal “para acabar com a sacanagem”. O ministro-chefe da Controladoria-Geral da União, Jorge Hage, afirmou no dia 19 de março, durante reunião da CPI mista dos Cartões Corporativos, que os ministros voltarão a ter diárias para quando fizerem viagens oficiais dentro do País, com um valor fixo estabelecido.“
***
Sacanagem mesmo é fazer isso apenas no sexto ano de mandato, mas antes agora que nunca, né?
***
O detalhe é que este tipo de coisa fazia parte das inovações gerenciais propostas no pacote da Reforma do Estado dos próprios tucanos, no primeiro mandato FHC, porque, no dizer de Bresser Pereira,
“…o controle a priori é ineficiente. A forma moderna de obter bons resultados é garantindo liberdade às organizações e controlando a posteriori os resultados alcançados, através da avaliação. O controle a priori – o controle dos processos – esse sim é burocrático, autoritário, além de ineficiente. É a forma generalizadamente adotada no Brasil do passado. Resulta no descontrole e no desperdício. É um sistema de esconder ou disfarçar a incompetência e o mal desempenho, que é incompatível com o Brasil novo que os brasileiros querem construir com Fernando Henrique Cardoso.“
Deu no que deu. Embora, para sermos totalmente sinceros, eu acredito piamente que tudo o que foi gasto em cartões corporativos da sua criação até hoje, mesmo que consideremos que 100% dos gastos são injustificados, é uma migalha perante apenas uma licitação rodoviária “bem feita”.
***
Não sei como o Tio Rei perdeu esta oportunidade de fazer um comentário sobre o vocabulário político do Eneadáctilo. “Sacanagem“, segundo o Houaiss, vem de “sacana“, palavra que apresenta a seguinte etimologia:
Etimologia
orig.duv., Nascentes propõe o ár. açaccá ‘aguadeiro’, que Nei Lopes contesta, propondo o quicg. sàkana ‘brincar, divertir-se, brincadeiras recíprocas, jogo, divertimento’, da mesma raiz em quicg. sakanesa ‘acariciar’ e em quimb. disokana ‘copular’
“Quicg.” é “quicongo”, uma língua dos bantus africanos.
Então, “acabar com a sacanagem” é o mesmo que “acabar com a brincadeira”. Na, er, melhor das hipóteses.
Notícia interessante hoje nos jornais: o IBGE lança hoje, no Palácio do Planalto, o Mapa da Distribuição Espacial da População Negra. Algumas curiosidades:
- Segundo o estudo, nas regiões Norte e Nordeste, em praticamente todos os trechos – com exceção das áreas de reservas indígenas – as auto-declarações apontam para mais de 75% de negros.
- A população negra no Sudeste e Sul do País fica abaixo dos 40% – com destaque para o Rio Grande do Sul e Santa Catarina, onde ela fica abaixo dos 25%.
- Em grandes trechos do Amazonas, do Pará, do Amapá e em pontos diversos da Bahia, Maranhão, Piauí e Tocantins o mapa aponta que os negros são mais de 85% da população.
O Bom Dia Brasil de hoje de manhã foi uma aula de como se faz jornalismo “independente”.
No dia seguite ao anúncio das medidas da política industrial _ que na verdade apenas têm “uso tópico”, isto é, tentar barrar o aprofundamento do déficit da balança de pagamentos _ o jornal matutino da Rede Globo me sai com uma reportagem no melhor estilo despeitado: olha, tudo muito bem, mas o problema é outro.
E qual é o problema? Ora, o trânsito!
Diz Miriam Leitão:
“Todo esse caos no trânsito, além de prejuízos, causa também danos à saúde das pessoas. Como, na vida real, isso afeta, de fato, a vida das pessoas nas empresas? Isso que o Jornal Nacional mostrou ontem e o que o Bom Dia Brasil está mostrando hoje e que a gente vê em todas as grandes cidades que a gente vai. Brasília está assim, São Paulo está assim.
O trabalhador faz este esforço todo para chegar à empresa. Quando ele chega lá, já está tão estressado, tão nervoso, que ele produz menos. Isso já é uma perda para a empresa, para a economia – olhando assim pela janela da economia. Claro que temos que pensar nas pessoas.
(…)
Na verdade, não é um aborrecimento para quem está indo ao trabalho. Virou um problema do país. Tem que se enfrentar isso, porque tem efeitos colaterais na saúde, na produtividade, na economia e na vida das pessoas. Quanto custa deixar tudo como está? Muito caro.
Política industrial
Os empresários comemoraram as medidas do pacote, mas a gente sabe que o gargalo, o problema mesmo está em dois pontos fundamentais: educação e infra-estrutura. Existem muitas barreiras atrasando o Brasil na corrida mundial: Muitos impostos, trânsito caótico, estradas ruins, portos entupidos, falta de trabalhador qualificado.
O governo acha que a melhor forma de enfrentar isso é escolher alguns setores e empresas para dar a eles a vantagem de pagar menos impostos. Ao todo, o governo vai deixar de cobrar R$ 21 bilhões de impostos de 24 setores. Será que essa é a melhor forma de atingir esse objetivo?”
Não, dona Míriam, a senhora está enganada, o governo não acha que a política industrial vai resolver o problema do trânsito. Ele acha que vai resolver o problema do câmbio. Se a senhora não comprou sua carteira, sabe que um câmbio é uma coisa, outro câmbio é outra coisa. E era bom saber também, acima de tudo, que o trânsito em São Paulo é problema do PSDB, no Rio, do PMDB, e em Brasília, do DEM.
Mas a pérola do jornal ficou com Alexandre Garcia, o peladão da Ele&Ela, cuja matéria reproduzo na íntegra para não descontextualizar:
“Alexandre Garcia: Além de tempo e dinheiro, está a perda irreparável e gigantesca de mais de 200 vidas por dia. É mais do que uma guerra.
O senhor José Cruz, que foi entrevistado pelo Bom Dia Brasil, carrega uma outra cruz além do nome dele: é o próprio carro. À medida em que os anos vão passando, o carro passa a ser um ônus, não só para ele, como para os outros. O carro dele ocupa mais ou menos seis metros quadrados de via de trânsito. É mais um para congestionar.
Aí fica a pergunta: por que não ir de transporte de massa? Essa é a grande questão. Para os milhões de brasileiros que perdem tempo nos congestionamentos, como o Giovane mostrado ontem no Jornal Nacional, que perde cinco horas e meia todos os dias no trajeto entre a casa e o trabalho, quando sobra o descanso e os brasileiros querem saber o que aconteceu no país e ficam se perguntando quanto tem perdido o Brasil com essas questões que atrasam a sua chegada ao futuro, como a falta de trilhos no continente de oito milhões e meio de quilômetros quadrados.
A falta de trem é o maior atestado da burrice estratégica dos governos. Mas não é só isso. É o dia-a-dia do que puxa para baixo. Como no dia de ontem, em que se soube que o remetente da lista da triagem dos gastos da presidência no governo Fernando Henrique pediu para deixar o cargo de confiança no gabinete civil. Quer dizer, nem foi exonerado pelo governo que exigia descobrir o inconfidente.
O PDT se movimentou o dia todo para evitar que o deputado Paulinho fosse mandado para o conselho de ética. Alega que o procurador-geral ainda não se pronunciou, como se ética ficasse submetida a formalidades jurídicas, e não o inverso.
E por aí vai. Os Giovanis, vivendo 80 anos, perdem 17 anos de vida no trânsito. Quantos anos de história tem perdido o Brasil nesses caminhos tortuosos e esburacados da política?“
Não é fantástico? Em um dos possivelmente mais gratuitos parágrafos jamais narrados em um noticiáiro televisivo, assim como quem não quer nada, o sujeito passa do trem ao dossiê do Planalto, na mesma frase. Acho que ele tomou lições de “efeito aura” mas não sabe onde a aura canta…
Faixa colocada na grama, em frente à entrada de uma cidade-satélite de Brasília:
“Parabéns, amor, sucesso!
Que todos os seus planos se realizem, principalmente se eu estiver neles.
Sueli“
No Blog do Servidor, ligado ao Correio Braziliense, Bresser Pereira, ex-Ministro da Adinistração e Reforma do Estado, fala sobre o tema _ que certamente voltará à tona se não ainda nesse governo, no próximo. Excerto:
“Tem alguma coisa que o senhor gostaria de ter feito e não fez enquanto estava no governo?
O trabalho que eu fiz no ministério, de todas as coisas que fiz na vida pública, foi a que me deu mais satisfação. Acho que comecei uma grande reforma, fiz no momento certo, o Estado brasileiro começou a se tornar mais eficiente, melhor. Não concordo, em absoluto, com essas teses neoliberais de que o Estado é isso, é aquilo. É uma bobagem. O Estado brasileiro é grande porque tem uma área social grande. Somos um Estado bem estruturado, bem organizado, com bom quadro de servidores. Não é muito eficiente, mas é efetivo. A eficiência é a busca de todos os dias. É um bom Estado.“
Na íntegra, abaixo do fold.



Comentários