Paper novo no NBER:
“National Cultures and Soccer Violence
by Edward Miguel, Sebastián M. Saiegh, Shanker Satyanath - #13968 (EFG LE POL)
Abstract:
Can some acts of violence be explained by a society’s “culture”? Scholars have found it hard to empirically disentangle the effects of culture, legal institutions, and poverty in driving violence. We address this problem by exploiting a natural experiment offered by the presence of thousands of international soccer (football) players in the European professional leagues. We find a strong relationship between the history of civil conflict in a player’s home country and his propensity to behave violently on the soccer field, as measured by yellow and red cards. This link is robust to region fixed effects, country characteristics (e.g., rule of law, per capita income), player characteristics (e.g., age, field position, quality), outliers, and team fixed effects. Reinforcing our claim that we isolate cultures of violence rather than simple rule-breaking or something else entirely, there is no meaningful correlation between a player’s home country civil war history and soccer performance measures not closely related to violent conduct. “
É impressão minha ou ele está dizendo que nas sociedades violentas, os indivíduos são violentos, isto é, o todo é a soma das partes?


9 comments
Comments feed for this article
Maio 1, 2008 às 1:28 pm
Luiz
De fato, isso deve explicar os hooligans holandeses, por exemplo.
Maio 1, 2008 às 3:54 pm
LM
‘nauta,
acho que o que eles quiseram dizer é que em países com uma história de violência, os indivíduos tendem a ser violentos.
Não sei se entendi o você quis dizer com “o todo é a soma das partes”; se foi que eles estavam tentando explicar a violência da cultura pela soma das violências individuais, acho que você está errado. O texto parece querer mostrar justamente o inverso, como culturas violentas engendram indivíduos violentos (ou, mais modestamente, como culturas com história de violência tendem a engendrar indivíduos com tendências violentas).
É claro, o texto tem muito de questionável: por que tratar (apenas) confitos civis como índices de violência? Como medir o nível de violência de um conflito civil? Pelo número de batalhas? Pelo número de mortos? Pela duração? Ou por critérios qualitativos - por exemplo, com que requinte de crueldade os mortos foram mortos? Sem falar que guerras podem ser mais, ou menos, justas, e aí é questionável se as ações deveriam, de fato, ser consideradas violentas (se seu país está se defendendo de um ataque, isso conta como violência?)…
Alguém poderia questionar também em que medida cartões amarelos e vermelhos são índices de violência: afinal, cartões amarelos podem ser dados quando um jogador faz cera, ou finge contusão; e cartões vermelhos são ainda mais complicados, porque eles podem significar desde dois cartões amarelos (i. é, duas ofensas “menores”
até uma falta brutal - e talvez, aqui, critérios qualitativos sejam mais importantes.
Mas o principal é que quem dá cartões é o juiz - e não é claro que isso é levado em conta pela pesquisa. Afinal, um juiz tem de interpretar o jogo e a regra; em suma, decidir se a regra recai sobre a situação. Aqui, há muita latitude: juízes mais severos podem aplicar mais cartões; juízes mais permissivos podem ser mais lenientes. Em suma, minha questão é: se a cultura de violência influencia os jogadores, não deveria influenciar também os juízes - por exemplo, tornando-os menos sensíveis (e, portanto, menos propensos a aplicar cartões)?
OK, OK - desculpa levar a sério demais o que provavelmente foi apenas uma pergunta retórica…
(Se isso alivia minha barra, dormi muito pouco nas últimas 72 horas, provavelmente tanto quanto eu normalmente dormiria em 24. Quando eu durmo pouco, partes do meu cérebro desligam: primeiro, o senso de humor; em seguida, o senso de ridículo)
Maio 1, 2008 às 6:11 pm
ohermenauta
“acho que o que eles quiseram dizer é que em países com uma história de violência, os indivíduos tendem a ser violentos.”
Ou quem em um país de indivíduos violentos, a sociedade tende a ser violenta…
O artigo tem vários buracos, alguns dos quais você apontou muito bem, e conclusão sofrível. Ao meu ver trata-se de apenas mais um exercício de pretensa virtuosidade em métodos quantitativos, coisa da qual o NBER anda cheio _ uma tendência cujo exagero acho um tanto prejudicial à ciência econômica, hoje em dia.
Maio 1, 2008 às 7:06 pm
Cássio Borges
Esse é daqueles artigos que eu não li e já não concordo, de saída. Como diz um amigo economista, a confiança que alguns médicos e sociólogos têm na estatística é de meter medo. Com uma regressão logística bem escolhida e boa vontade, pode-se provar (quase) tudo.
Maio 1, 2008 às 7:31 pm
F. Arranhaponte
Bem, não li o artigo, mas acho que faz sentido (alguém tem que entrar na ponta contrária aqui, pô!). A violência é evidentemente um fenômeno em grande parte cultural. Uma das principais razões pelas quais uma favela no Rio tem um nível de violência incrivelmente maior do que uma favela bem pior na Índia é que existe uma cultura de violência na favela do Rio que não existe na favela da Índia. E tenho dito!
Maio 1, 2008 às 7:32 pm
F. Arranhaponte
Hermenauta, que que está havendo com esta caixa de comentário. Tem horas que entra, tem horas que não. Eu comentei em favor do artigo (que não li nem vou ler, he he), vou dar um tempo para ver se entra. Se tiver aí e for entrar, corta este aqui
Maio 2, 2008 às 8:58 am
ohermenauta
O índice de criminalidade na Índia vem aumentando, e há quem explique isto pela disseminação da televisão, capaz de mostrar às multidões de deserdados tudo aquilo que eles não têm. Claro que você pode dizer que a televisão está alterando a cultura, mas acho mais rigoroso dizer que “mais informação está alterando a cultura”. Aposto que em mais uma ou duas décadas veremos tanta violência urbana na Índia quanto no Rio, e isto porque apesar das variáveis culturais, a natureza humana que lhes dá suporte é a mesma, e ela embute um certo senso de “justiça”.
Infelizmente teremos que esperar que os autores do presente estudo façam um outro equivalente para o criquet, se quisermos fatorar a experiência indiana…
ps: não sei o que há com os comentários, só sei que é um problema constante com você e com o Matamoros, principalmente. Às vezes o Akismet antispam os captura, às vezes não, e eu não tenho o menor controle sobre isso.
Maio 2, 2008 às 11:01 pm
LM
“existe uma cultura de violência na favela do Rio”
Então é melhor nem jogar futebol lá, né?
Maio 2, 2008 às 11:08 pm
LM
F. Arranhaponte,
falando sério agora, sou simpático à tese que o artigo gostaria de ter provado - a de que culturas influenciam no comportamento das pessoas. Só não acho que ele a prova.
Dito isso, seu exemplo também é problemático, por motivos que os autores do texto alertam (mesmo no abstract): em favelas, outros fatores podem importar mais, como pobreza, ausência de instituições legais, etc. Não é claro que a cultura seja o mais relevante, neste caso.