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Pedro Sette Câmara tem um artigo com nome bonitinho lá no site do Ordem Unida Livre: “Contra a Ditadura do Gosto“.

O texto começa assim:

É possível, a qualquer momento, ler um texto fresquinho de alguém que reclama da tirania do consumismo e do mercado sobre o gosto. Aparentemente somos todos obrigados a ouvir as músicas da Madonna e a assistir ao Big Brother, quando deveríamos estar ouvindo Bach e vendo o canal educativo.

Bom, eu até diria que como ouvinte passivo sou obrigado, frequentemente, a ouvir muitas coisas que não gosto. Mas não é esse o meu ponto aqui. Pedro Sette continua:

Ainda assim, não vejo como não observar: terá havido alguma época em toda a história na qual é possível viver num mundo de referências culturais absolutamente próprias? Em todas as épocas houve uma certa – ênfase em “uma certa” – tirania do gosto. Se você vivesse na Inglaterra elizabetana, provavelmente ouviria muito John Dowland, e a alternativa eram canções um tanto folclóricas. Em termos de literatura, havia Spenser, talvez edições de Chaucer, alguns clássicos greco-latinos. Se adiantarmos o calendário em uns 150 anos, veremos Rousseau como autor de best-sellers vendidos em toda a Europa e um leque de opções um tanto mais ampliado – mas nada que se compare ao que oferece uma única loja da Livraria Cultura, isso para não falar no cosmos paralelo representado pela Amazon.com.

Bem, aí a porca começa a torcer o rabo. Porque imaginar que qualquer um pode acessar o “cosmos paralelo” da Amazon _ ou mesmo que qualquer um “pode” entrar em uma loja da Livraria Cultura _ é quase tão extravagante quanto achar que alguém que vivesse na Inglaterra elizabetana “provavelmente ouviria muito John Dowland”. Exceto, é claro, pelo fato de que provavelmente todos os leitores do site Ordem Unida Livre teriam todas essas facilidades _ mas então há um problema entre o argumento e a realidade na qual ele está sendo articulado.

Pedro prossegue:

Por isso é que fico impressionado: com o aumento do mercado, da atividade capitalista, da aceleração das trocas, isto é, das compras e vendas, ficou infinitamente mais fácil escapar da “tirania do gosto” da sua própria época.

Voilá! Eis o ponto onde ele queria chegar, evidentemente _ mais um encômio ao mercado.

Uma pequena digressão: não deixa de ser curioso que entre os próprios anaeróbicos se cultive a tese de que existe, sim, uma tirania do gosto _ só que de esquerda. Vejamos esse texto do Tio Rei aqui:

Assisti ontem, excepcionalmente, a um capítulo da minissérie Amazônia. Foi dica de uma internauta. Proselitismo petista em estado puro. A Globo, aparelhada pela esquerda, como qualquer emissora, faz pelos “companheiros” muito mais do que toda a imprensa esquerdista somada. Também vi dois capítulos da novela Paraíso Tropical. Em conflito, um rapaz mau-caráter, que só se veste de preto e recita mantras da boa administração, e um bacana, humanista, de terno claro, que toma decisão estratégicas depois de ouvir os garçons. Quem educa mais os sentidos da massa (…)? A imprensa de esquerda ou a infiltração militante no que vocês chamam de “mídia de direita”? Sabem o que vocês não entendem? As publicações esquerdistas experimentam a obsolescência porque são desnecessárias. Há modos muito mais eficientes de fazer as coisas.

Esse trecho é importante porque em uma coisa Tio Rei até está certo _ mas falarei mais sobre isto à frente.

Pedro Sette continua, e produz o seguinte parágrafo, aparentemente sem nenhuma intenção irônica:

Sentado em meu apartamento no Rio de Janeiro, sem levantar da minha cadeira, ponho os fones de ouvido ligados ao meu computador, que me oferece minhas interpretações favoritas de Wagner e Schubert, de canções medievais e renascentistas (adoro o grupo La Reverdie), de canções brasileiras, americanas e francesas. Posso em um segundo passar de “O tu qui servas”, a mais antiga canção (com letra em latim) conhecida da cidade italiana de Modena ao álbum mais recente de Bruce Springsteen. Quando alguém fala que o rádio só toca o artista X, não tenho como não pensar: “mas você pode desligar o rádio e ouvir o que quiser”.

Corta para o mundo real:

Sentado aqui em minha laje em Duque de Caxias, sem levantar da minha cadeira, posso ouvir o vizinho tocando um proibidão em sua virtola, que me oferece minhas interpretações favoritas do Créu. Meu vizinho em um segundo pode passar de “A Dança do Bumbum”, a mais antiga canção conhecida do “É o Tchan”, ao álbum mais recente de Tati Quebra Barraco. Quando alguém fala que o rádio só toca o artista X, não tenho como não pensar: “podia ser pior, você podia não ter rádio”.

É claro que só existe o rádio por causa do capitalismo, sim, sim. Enfim:

Por isso é que penso que, quando alguém reclama contra a tirania do gosto comum, tenho a impressão de que essa pessoa gostaria de ver o seu gosto pessoal replicado pelas massas. Afinal, nada impede ninguém de ter as suas referências pessoais, de viver em busca da imitação dos mestres do passado e do presente ou de arriscar uma síntese absolutamente original (com ou sem o risco da ingenuidade). E isto não se deve a uma suposta tirania do marketing e do capitalismo, mas à libertação do gosto que é proporcionada pelo próprio capitalismo. É muito melhor deixar o meu tributo voluntário e agradecido às caixas da Livraria Cultura e da Amazon.com, que apresentam opções, do que pagar por algo que parece uma opção mas é na verdade uma falta de opção.” (grifo meu)

O que Pedro Sette não percebeu é que a tirania do gosto apenas existe na medida em que é preciso pagar para não estar sujeito a ela. Claro que isso não deve ser problema no mundo de Pedro, onde a pirataria é lei, mas whatever.

***

UPDATE:

Descobri que realmente Pedro Sette provavelmente acredita no Slashdot Argument, ou pelo menos em vender camisetas.

The Corporate Scandal Sheet

A new kind of rapture

Ainda sobre a reserva Serra do Sol:

Como se sabe, a maior fronteira da reserva com um país estrangeiro é com a Guiana.  Movido pela curiosidade fui olhar os jornais Guianenses para ver se há alguma coisa sobre a reserva.  Não achei nada _ aparentemente eles não estão dando a menor pelota para o assunto _ porém encontrei uma notícia bem interessante:

Slaying of Brazilian miners…

No diamond transaction was made at Pure Diamonds Inc

The Management of Pure Diamonds Inc. is refuting reports in some sections of the media that, on the day when two Brazilian miners were killed, the men had sold diamonds to the company. According to Arjune John, Director of the company, Pure Diamonds is also refuting reports in the state-owned radio and television and on Channel 65 that, on the day in question, Severino Pequeno Alves Junio, 45, and Francisco Lima, 46, were robbed of $15 M.
Seeking to clarify the erroneous reports, John said that both the now dead Severino Pequeno Alves Junio and Franciso Lima came to the East Street establishment to uplift monies for gold which they had sold to the company earlier.
Additionally, the company is refuting reports that suggest that the miners may have been traced from the East Street location. According to John, the men arrived at the company at 10:30 hours and they were offered cheques as payment, which they refused and requested cash.
John added that it is customary that the customers be paid by cheque because of security reasons. However, the robbery occurred some three hours later.
The company has also stated that, because of the reports carried in the media which stated that diamonds were sold to it, the management is being scrutinized by the Guyana Geology and Mines Commission. While the company has the relevant licence to sell and buy both gold and diamonds, it is only dealing with gold since, to date, management has not yet written to the Geology and Mines Commission for permission to buy and sell diamonds.
On Thursday last, at around 13:00 hours,  Severino Pequeno Alves Junio, 45, and Francisco Lima, 46, were shot and killed by two men armed with handguns at the Regent Guest House.
During the ordeal another Brazilian, Jose Alenor Ovidio D’Oliveira, was injured.
Initial reports are that the two deceased, along with Brazilian miner Jose Alenor Ovidio D’Oliveira and another Brazilian national, had earlier conducted business at Pure Diamonds establishment on East Street, Georgetown, where D’Oliveira collected $1.5 million.
The Police statement continued that the Brazilians later returned to the guest house where they were staying, and were in the bar when one of the bandits entered and ordered an aerated drink.
Meanwhile, this newspaper understands that the bodies of the two slain Brazilians are to be flown back to Brazil today for burial.

Para quem não domina bem o inglês: dois mineiros brasileiros, Severino Pequeno Alves Junio e Francisco Lima, foram mortos na capital Guianense por estes dias.  A razão foi um assalto.

O detalhe é que eles foram roubados em US$1,5 milhão de dólares, em dinheiro vivo, após terem vendido ouro _ ou diamantes _ em um estabelecimento guianense de compra de metais preciosos, a Pure Diamonds.  O dono do lugar, porém, está negando que os brasileiros tivessem vendido diamantes _ diz ele que venderam ouro.

E segundo a matéria não foi a primeira vez que os brasileiros fizeram vendas por lá.

Está claro o que está acontecendo?  Mineiros brasileiros vendem diamantes na Guiana, para não ter que pagar imposto no Brasil.  Estes diamantes certamente são retirados da região amazônica.

Me custa um pouco crer que a reserva Raposa do Sol vá piorar sobremaneira esta situação.

Mostra a agenda do seminário Brasil, ameaças à sua soberania“, disponível em um folheto em PDF no site do Clube Militar:

Porém, eis o que nos diz o boletim ostensivo número 16, do dia 18-04-2008, no site do Exército Brasileiro:

PORTARIA Nº 195, DE 9 DE ABRIL DE 2008.
Designação para participação em viagem de serviço
O COMANDANTE DO EXÉRCITO, no uso da atribuição que lhe confere o inciso VII do
art. 1º do Decreto nº 2.790, de 29 de setembro de 1998, combinado com o art. 19 da Lei Complementar nº
97, de 9 de junho de 1999, resolve
DESIGNAR
o Gen Ex AUGUSTO HELENO RIBEIRO PEREIRA e o Cel Cav ELMAR DE AZEVEDO BURITY,
ambos do Cmdo CMA, para participar de viagem de serviço, a realizar-se nas cidades de Caracas,
República da Venezuela, Paramaribo, República do Suriname, e Georgetown, República Cooperativa da
Guiana, no período de 13 a 16 de abril de 2008, incluindo o deslocamento.
Para fim de aplicação da Lei nº 5.809, de 10 de outubro de 1972, regulamentada pelo
Decreto nº 71.733, de 18 de janeiro de 1973, a missão está enquadrada como eventual, militar, sem
mudança de sede, sem dependentes e será realizada com ônus para o Exército Brasileiro, total no tocante a diárias no exterior e sem qualquer ônus com referência ao deslocamento.

O site do Ministério da Defesa do Brasil mostra que o Ministro Nelson Jobim esteve no dia 14 em Caracas, na Venezuela, apresentando formalmente a Hugo Chaves o plano do Conselho Sul-Americano de Defesa. Quem o acompanhava?

O ministro viajou à Venezuela acompanhado do comandante do Exército, Enzo Martins Peri, do Comandante Militar da Amazônia, General-de-Divisão Augusto Heleno Ribeiro Pereira e do chefe da Secretaria de Política, Estratégia e Assuntos Internacionais do Ministério da Defesa (SPEAI), Tenente-Brigadeiro-do-Ar Gilberto Antonio Saboya Burnier. Além destes, também participou da reunião o embaixador do Brasil na Venezuela, Antônio José Ferreira Simões.

Lembrar que a Venezuela é um dos dois países que fazem fronteira com a reserva Raposa do Sol.

Finalmente, essa é a agenda de Nelson Jobim no fatídico dia 16 de abril:

quarta-feira, 16 de abril de 2008

O ministro da Defesa, Nelson Jobim, passa o dia em Brasília. Participará de almoço oferecido pelo presidente Lula à presidente da Índia, Pratiba Patil, no Itamaraty. Segue a agenda:

13h30 – Almoço oferecido pelo Presidente da República em homenagem a Presidente da Índia, Pratiba Patil.
16h – Receberá, em seu gabinete, o embaixador do Chile no Brasil, Álvaro Diaz.

16h30 – Reunião com Presidente da República, no Palácio do Planalto.

E ontem, segundo o site do governo da Guiana, Jobim já estava lá vendendo o Conselho Sul-Americano de Defesa ao presidente Guianense. Lembrar que a Guiana é o país com a maior fronteira junto à reserva Raposa do Sol.

[the Slashdot argument] says that books, music, films, software and so on ought to be freely distributed to anyone who wants them, simply because they can be freely distributed. What is the writer or musician to do, though, if she can’t earn money from her art? Simple, says the Slashdotter: earn your money playing live (if you’re one of those musicians who plays live),4 or selling T-shirts or merchandise, or providing some other kind of “value-added” service.

Discussão aqui.

Tremei. Eles existem e estão entre nós.

Matéria interessante no Valor de hoje sobre como o Ministério Público tem atuado para proteger os concorrentes, e não a concorrência:

Acordos para proteger economias estaduais são questionados pelo Cade
Juliano Basile

O Ministério Público dos Estados está promovendo a proibição de descontos e o tabelamento de preços em setores populares da economia. As medidas são adotadas por promotores locais com o objetivo de proteger a economia da região, mas acabam prejudicando a concorrência. Várias determinações dos MPs, em setores como medicamentos e combustíveis, contrariam pareceres dos órgãos antitruste dos ministérios da Fazenda e da Justiça, além de decisões do Conselho Administrativo de Defesa Econômico (Cade).

O MP do Ceará, por exemplo, determinou a proibição de descontos nos medicamentos acima de 15%. Os promotores de Fortaleza alegaram que uma empresa recém-chegada ao mercado local – a Drogaria São Paulo – estava promovendo descontos de até 30%, o que, segundo eles, seria preço predatório, capaz de falir as farmácias locais. O MP cearense assinou um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) com o sindicato das farmácias de Fortaleza proibindo descontos maiores de 15%.

O caso chegou à Secretaria de Direito Econômico (SDE) do Ministério da Justiça, que recomendou o fim do TAC. A SDE disse aos promotores que eles não poderiam determinar a margem de lucro dos empresários do setor. Mesmo assim, o TAC foi mantido e o caso chegou ao Cade. O órgão antitruste decidiu, então, que o desconto deveria ser livre nas farmácias do Ceará, pois o consumidor só teria a ganhar com preços menores e com o incentivo à maior competição entre as farmácias.

O relator do caso, conselheiro Luís Fernando Rigato Vasconcellos, explicou que a comprovação de preços predatórios só se dá quando a empresa reduz os preços em níveis suficientes para levar concorrentes à falência e, em seguida, promove aumentos excessivos aos consumidores. “Esse não foi o caso no processo das farmácias do Ceará”, disse Vasconcellos. A Drogaria São Paulo tinha apenas 3% do mercado e, segundo o conselheiro, seria absurdo limitar descontos. “No mercado de farmácias não há grandes barreiras à entrada de novos concorrentes e pedimos ao MP para reavaliar a posição.”

A decisão do Cade no caso das farmácias do Ceará foi tomada há dois anos, mas até hoje não foi implementada na prática. Como o TAC que proibiu descontos foi assinado perante a Justiça, ele só pode ser derrubado pelo próprio Judiciário. O Cade não conseguiu derrubar o TAC na Justiça do Ceará na 1ª e na 2ª instâncias. Agora, o caso chegou ao Superior Tribunal de Justiça (STJ), em Brasília.

O procurador-geral do Cade, Arthur Badin, disse que casos como esse, em que o MP local atua para proibir descontos, são freqüentes. Em vários Estados do Nordeste e no Rio Grande do Sul, foram assinados TACs semelhantes, proibindo descontos no setor de farmácias e o Cade encontra dificuldades para convencer os promotores de que, na tentativa de proteger os empresários locais, eles acabam reduzindo a competição e, em conseqüência, provocam aumento de preços aos consumidores.

Durante um julgamento, um representante de uma farmácia local disse que os descontos poderiam estimular a automedicação entre a população”, afirmou o conselheiro Ricardo Cueva. Segundo ele, a alegação foi tão absurda que várias pessoas que assistiam à sessão começaram a rir.

Cueva lembrou que as reclamações contra os descontos foram muito comuns no setor aéreo, principalmente quando a Gol começou a anunciar descontos de até 50% nas passagens, há seis anos. A Varig – hoje de propriedade da Gol – e a Vasp (hoje falida) chegaram a protestar junto ao Departamento de Aviação Civil (DAC), que suspendeu algumas promoções. O Cade decidiu que se a promoção é por tempo delimitado e para um número determinado de assentos, é válida. “O objetivo dessas promoções era atingir um público que antes viajava de ônibus e, agora, poderia usar o avião”, afirmou o conselheiro. “Então, aceitamos essas promoções, pois beneficiavam os consumidores e aumentavam a competição entre as empresas.”

Para Cueva, muitos promotores usam os TACs porque esse instrumento funciona bem em outras áreas. No meio ambiente, os TACs levam o agente causador de um dano a tomar medidas para restaurar e preservar o local. Com isso, evita-se que o caso fique anos em debates na Justiça e obtém-se solução imediata. “Mas, em se tratando de defesa da concorrência, os TACs podem gerar distorções”, alerta Cueva.

Na área de combustíveis, os promotores também têm assinados TACs para impedir aumentos excessivos nos preços da gasolina. O problema é que o efeito acaba sendo o contrário. Há duas semanas, o órgão antitruste julgou acordo assinado pelo MP de Jataí, no interior de Goiás, com o Procon e donos de postos locais. Pelo TAC, ficou determinado que o preço da gasolina não poderia ultrapassar determinado teto. O resultado, porém, foi que todos os postos passaram a cobrar pelo teto. Ou seja, a gasolina aumentou e acabou a concorrência entre os postos, que passaram a cobrar o mesmo preço.

O representante do Ministério Público Federal junto ao Cade, procurador José Elaeres, lamenta que casos como o de Jataí sejam comuns em vários municípios. “Os promotores fazem os TACs com boa intenção, mas a falta de conhecimento na área de defesa da concorrência faz com que eles errem.

Elaeres admite que há grande dificuldade de compreensão da área antitruste por parte dos integrantes do MP. No MP Federal, Elaeres tem promovido cursos há três anos para aumentar o conhecimento na área. “Nós temos que pensar numa forma de expandir esses cursos nos Estados, porque os problemas começam na mesa do promotor local. Ele recebe uma reclamação e, logo, propõe um TAC na tentativa de resolver o caso. Só que é preciso ter certa cautela quando se vai atuar no mercado, pois qualquer medida que você adote gera repercussões enormes e o prejudicado acaba sendo o consumidor.

***

A meu ver está mais do que na hora de criar varas especiais na Justiça brasileira para julgar casos que envolvam alguns tipos de casos na área econômica, como defesa da concorrência e propriedade intelectual. Essas áreas exigem conhecimento mais qualificado e em geral não convém aplicar o senso comum em tais julgamentos, que é o que os juízes, infelizmente, acabam fazendo.

Recentemente, a Federal Trade Comission norte-americana, que junto com a Antitrust Division do Ministério da Justiça lá deles são as autoridades da concorrência dos EUA em nível federal, apresentaram um texto interessante junto à OCDE, intitulado “Techniques for Presenting Complex Economic Analysis to Judges“. Neste trabalho eles estabelecem 3 princípios básicos que devem ser seguidos na apresentação de casos antitruste junto às cortes:

Although the best practices in any particular case will depend on the particularities of the case and applicable procedural rules, the experience of the U.S. enforcement agencies suggests three general principles for efficiently and effectively presenting complex economic analysis to judges.

First, economic analysis should be fully integrated into the presentation of the case. It generally is counterproductive to treat economic analysis as a separate and discrete element of proof. Second, economic analysis should be fully and carefully explained in terms that are understandable, or a judge is not likely to rely on it. Third, the opinions of economists should be firmly grounded in the models and methods of economics and, when appropriate, be empirically validated. Economists are most persuasive when they do not stray outside their areas of expertise and do not adopt an advocacy posture in particular litigation.

É claro que o grande problema está no segundo princípio, já que por melhor que seja um expositor, dificilmente se chegará a algum lugar se o receptor não tiver a capacidade de receber a mensagem.

Deu no JC Online (sic):

Retomada busca por padre que voava com balões em SC
Publicado em 22.04.2008, às 08h08

Um grupo com mais de 50 pessoas – com o auxílio de um helicóptero da Polícia Militar de Santa Catarina, duas embarcações da Marinha, um avião da Força Aérea Brasileira (FAB) e outro do governo do Paraná, além de vários pescadores voluntários – reinicia, nesta terça-feira (22), a busca ao padre paranaense Adelir De Carli, de 41 anos, que está desaparecido desde a noite de sábado, quando tentava fazer um vôo de 20 horas, sentado em uma cadeira amarrada a mil balões de festas, cheios de gás hélio.

O último contato aconteceu por volta das 21 horas de anteontem (20), quando o padre avisou que estava pousando no mar, a cerca de 15 quilômetros a leste das Ilhas Tamboretes, a 5 quilômetros da costa da Ilha de São Francisco do Sul, litoral norte de Santa Catarina. O que estava prejudicando as buscas na manhã desta terça-feira era uma densa neblina na região para onde provavelmente os balões teriam levado o padre. Assim que a neblina abrandasse, as buscas continuariam com duas embarcações, um avião da FAB e outro do governo do Paraná.

***

Eu supunha que havia maneiras mais ortodoxas de se chegar ao Reino dos Céus…

Göbekli Tepe.

Pouca gente já ouviu falar desse lugar, mas trata-se, nada mais nada menos, do que de uma das mais relevantes descobertas arqueológicas dos últimos anos (décadas? séculos?).

À primeira vista, o conjunto arqueológico parece apenas mais um agregado de menires, formando um círculo. A princípio, algo definitivamente menos impressionante do que Stonehenge, por exemplo.

O único problema é que Göbekli Tepe é mais antiga do que Stonehenge. Bem mais antiga. Na verdade, antecede Stonehenge em 6.000 ou 7.000 anos. A beleza da coisa é que, em sendo assim, Göbekli Tepe foi construída antes do início da agricultura.

Não se conhecem, porém, construções monumentais de antes do início da agricultura. Imaginava-se até bem pouco tempo que apenas a domesticação de espécies vegetais e animais poderia sustentar a quantidade de pessoas necessárias para a construção de grandes obras de engenharia monumental. Göbekli Tepe prova que isso não é bem verdade.

***

A existência de Göbekli Tepe, porém, não é algo que chegaria a surpreender o antropólogo norte-americano Marshall Sahlins. Afinal, foi ele que em 1996 propôs a idéia de que as sociedades de caçadores-coletores seriam, de fato, a “original affluent society“, a sociedade da afluência original. Para resumir, a tese é a de que, longe de estarem sempre a um passo da morte por inanição, as sociedades de caçadores coletores eram sociedades com muito tempo livre dado que suas necessidades de reprodução eram facilmente atendidas.

Em seu livro “Maps of Time“, o historiador David Christian se estende um pouco sobre esse assunto, com base em outros estudos:

Qual era a qualidade de vida das pessoas no Paleolítico? Um morador de uma cidade moderna que fosse transportado para o Paleolítico não acharia a vida fácil, mas o pressuposto popular – o de que a vida de sociedades de caçadores-coletores era intrinsecamente difícil é exagerado. É provavelmente igualmente verdade que um cidadão do Paleolítico Siberiano subitamente transportado para o século XXI iria encontrar dificuldades em viver hoje, ainda que de diferentes formas. Num ensaio deliberadamente provocativo publicado em 1972, o antropólogo Marshall Sahlins descreve o mundo da Idade da Pedra como “a sociedade da afluência original”. Ele argumenta que uma sociedade afluente é “aquela em que todas as necessidades materiais da população sejam facilmente satisfeitas”, e ele sugere que por certos padrões, as sociedades da Idade da Pedra cumpriram este critério melhor do o fazem as modernas sociedades industrializadas. Ele ressalta que a riqueza pode ser alcançada seja pela produção de mais mercadorias para satisfazer mais desejos ou pela limitação dos desejos àquilo que está disponível (a “estrada Zen para a afluência”). Usando dados antropológicos recentes para ganhar algum conhecimento sobre a experiência de vida nas sociedades Paleolíticas, ele admite que os níveis de consumo material, sem dúvida, foram baixos entre os povos da Idade da Pedra. Na verdade, o nomadismo, pela sua própria natureza, desincentiva a acumulação de bens materiais, pois a necessidade de transportar o que se possui impõe limites a qualquer desejo de acumular bens materiais. Estudos sugerem que sociedades nômades modernas podem também deliberadamente controlar o crescimento da população utilizando diferentes métodos, incluindo um prolongado período de amamentação das crianças (o que inibe a ovulação), e também técnicas mais brutais, tais como o abandono de crianças em excesso ou de membros mais velhos já não capazes de se mover com o resto da comunidade. De qualquer maneira, Sahlins argumenta que os níveis normais de consumo nessas comunidades era mais que adequado para suprir as necessidades básicas.” (tradução Hermenauta)

Descobertas recentes, analisando os restos mortais de humanos procedentes das antigas comunidades agrícolas vis a vis os de grupos caçadores-coletores, mostra que estes últimos tendiam a ser maiores, mais fortes e mais saudáveis. De fato, o tempo médio diário de “trabalho”, definido como o tempo dedicado a atividades necessárias para a sobrevivência, subiram de cerca de 6 horas nas sociedades caçadoras-coletoras paleolíticas para 7,5 horas no início da agricultura e cerca de 9 horas nas atuais sociedades industrializadas.

Levando em conta, adicionalmente, o fato de que nosso atual padrão de consumo provavelmente não é sustentável, acho que continua sendo uma boa idéia nos perguntarmos sobre o quão realmente nossa sociedade ocidental industrializada é realmente “superior” às demais.

A propósito da idéia exposta no último parágrafo, reproduzo, abaixo, texto do Paul Krugman no New York Times traduzido pela Folha de São Paulo de hoje.

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Essa aí eu roubei do Blog do Josias.  Vale o registro do aniversário da capitá.

Como era de se esperar, minhas birutas prediletas para entender o que vai pela cabeça da direita anaeróbica apontaram para o mesmo lado.

Tanto Reinaldo Azevedo (em dois posts) quanto Nariz Gelado começaram a “criticar a crítica” ao comportamento da imprensa no caso da garota Isabella, assassinada em São Paulo há algumas semanas.

A razão para este movimento é mais ou menos óbvia: interessa ao “fascismo cívico”, uma vez que a via eleitoral encontrou-se fechada duas vezes seguidas para eles, insuflar um arremedo de movimento de massas com vistas a tentar lançar um movimento que “contamine as massas” _ cujo protótipo, aliás, foi o Cansei. Esse arremedo, que dificilmente pode ser alicerçado em bases populares, no momento, devido ao êxito, provisório ou não, das políticas de renda do Eneadáctilo, tem que ser artificialmente criado pela imprensa. Portanto, qualquer apelo à moderação da imprensa, qualquer crítica ao pré-julgamento, tem que ser combatida, pois o que a direita anaeróbica quer é manter elevada a temperatura da indignação das massas tal como medida em seu Udenômetro.

Vamo nóis:

Nariz Gelado, curiosamente, começa seu post aludindo ao caso Madeleine McCann, a garota inglesa desaparecida em um resort em Portugal:

Na manhã de 7 de setembro de 2007, às portas da Polícia Judiciária de Portimão, Kate McCann foi vaiada por centenas de pessoas que estavam instaladas ali apenas para vê-la passar. Mais cedo, a polícia deixara vazar para a imprensa que Kate McCann estava envolvida na morte da sua filha desaparecida, Madeleine. O trânsito no local fora interrompido num raio de de 100 metros da sede policial devido ao grande número de jornalista e populares que, desde o dia anterior, se amontoavam no local para assistir ao desenrolar dos acontecimentos.

A cena recente – apenas mais uma das inúmeras que a mídia ofereceu durante o ruidoso, e ainda não solucionado, “Caso Madeleine” – deveria servir para acalmar os ânimos de gente afoita como Clóvis Rossi que, na edição de hoje da Folha de São Paulo, chamou de “Talibãs” os populares que se acotovelaram diante da delegacia em que o pai e a madrasta de Isabella Nardoni estavam depondo. Também deveria servir , o caso Madeleine, para deixar constrangidos àqueles que passaram os últimos dias criticando a nossa mídia; dizendo que ela peca – e nisso difere da mídia do hemisfério norte – em dar tanta atenção ao Caso Isabella.

Não deixa de ser uma abordagem ousada, visto que, se o caso McCann nos ensina alguma coisa, é que o excesso de mídia pode transformar um caso criminal em um espetáculo onde o menor dos interesses é a elucidação do crime. Aliás, é patente, no caso de Madeleine (sequestro) que o excesso de mídia pode, pelo contrário, ter assustado o sequestrador, forçando-o a se livrar o mais rapidamente possível da prova do crime _ a sequestrada.

Nariz continua:

É claro que eu não apoio atos de violência. E penso que a polícia tem a obrigação de garantir a integridade física dos suspeitos – papel que, usualmente, ela vem desempenhando com sucesso. Mas defendo o direito de qualquer cidadão a se expressar livremente. E acho muito bom que assassinos potenciais, juízes, policiais e políticos assistam, volta e meia, em suas televisões, o povo revoltado, ao vivo, xingando e clamando por justiça.

Incitados pela mídia sensacionalista? Sim… E daí? Do público que lota o Maracanã ao eleitor que vai às urnas não há, hoje, em qualquer lugar do globo, ajuntamento de pessoas que não seja ‘incitado’ por algum tipo específico de mídia. Portanto deixemos de hipocrisia e partamos para o fato inegável: no teatro democrático, cada um tem um papel determinado a desempenhar. E, às vezes, deve-se desempenhá-lo com maior dramaticidade – a polícia de choque, que bate seus cacetetes contra os escudos em advertência, entende muito bem este jogo.”

Em essência, o que ela defende aí é o recurso à turba assassina e ao linchamento como forma de dissuassão dos criminosos. Infelizmente, pela falta de um “due process of law” e da abolição da presunção de inocência típicos em situações de linchamento, o que ocorre é que a dissuassão ao crime costuma ser mais que compensada pelo chamado “erro tipo II”, o linchamento dos falso-positivos. Nos vemos, assim, mais uma vez diante de uma lição exaustivamente ensinada pela história: como os liberais, incapazes de fazerem o povo apreciar as maravilhas de sua utopia laissez-fairista, apelam de novo ao fascismo, ao golpe, ao putsch _ liberando um monstro que muitas vezes não sabem como controlar. Isso fica patente em uma passagem seguinte:

E se assim é, você terá que admitir que algum tipo de pressão popular explícita – e carregada com uma boa dose de revolta – se faz necessária. Sem isso, sem eventuais demonstrações de indignação popular – com um claro, mas nunca realizado, potencial de violência – as autoridades vão ficando tranqüilas demais, lerdas demais, cínicas demais e corruptas demais.

Evidentemente, o “nunca realizado” é o x da questão – o atenuante que Nariz, entretanto, não tem como garantir.

Mas espero que Nariz não fique chateada com este tratamento que dei ao seu texto. Afinal eu abordei primeiro o seu post porque o seu texto é o melhor, comparado ao de Reinaldo Azevedo.

Pequena digressão: talvez meus 4,5 leitores tenham notado que nas últimas semanas diminuí sensivelmente o número de posts sobre Tio Rei. Isto não se deve, porém, a nenhuma estratégia de marketing de minha parte. Deve-se, isto sim, ao fato de que Tio Rei anda tão chato, tão mistificador, que ando ficando sem estímulo para tratar dos textos dele.

Ele escreveu dois posts sobre o assunto. O primeiro deles é tão primário que entrega o jogo logo no terceiro parágrafo:

E atacar “a mídia” como responsável por aquilo que noticia e/ou denuncia tornou-se um “botão quente”, um instrumento da defesa. Pouco importam evidências, mérito, contradições, absurdos até, o negócio é acusar “a mídia”. Um grupo de subjornalistas também passou a fazê-lo, como se mídia fosse sempre “o outro”. Alexandre e Anna Carolina pareciam, ontem, Tarso Genro ou Dilma Rousseff. Dossiê? Tudo coisa da mídia…”

O que fica mais patente no quinto:

Há uma corrente de opinião — ou melhor: de pressão — que quer transformar “a mídia” na principal suspeita do país. Noto isso, hoje, de forma clara no jornalismo político. E os temores saltaram também para a cobertura de um caso de polícia. E agora comento a entrevista do Fantástico.

Está claro? Ele defende o direito ao denuncismo irresponsável da mídia em casos criminais porque, justamente, defende o denuncismo irresponsável em qualquer instância (no momento, é claro), principalmente a política. Claramente, um movimento pelo comedimento da mídia em casos como esse ameaça o denuncismo. QED.

Tio Rei finaliza o primeiro post assim:

Mas o que vai nos dois parágrafos acima não muda a minha convicção de que é preciso reagir à patrulha, seja cobrindo um assassinato, seja cobrindo uma falcatrua em Brasília. A isenção ou a abertura para todos os lados de uma questão não fazem das evidências, da lógica e, a depender do caso, das provas mera expressão de um dos lados do conflito.

Se a imprensa um dia mergulhar nesse relativismo, perde a razão de existir. Sem o jornalismo, as pessoas já dizem o que bem entendem, já põem as versões para circular livremente na praça. A imprensa pode ser isenta o quanto for, mas tem de ter lado: o da democracia, o do estado de direito, o das liberdades públicas, o das liberdades individuais, o do cumprimento das leis. O “outro lado” disso é a barbárie.

Tio Rei, onde não cabe isenção e abertura para todos os lados é em jogo de futebol. Nunca ninguém jamais disse um “veja bem” no meio da Raça Rubro-Negra durante um gol do Fluminense, e por um bom motivo. No caso de crimes, porém, estamos falando de pessoas pretensamente inocentes, apesar de suspeitas. Bloquear o direito ao contraditório, prejulgar _ isso sim é barbárie.

O segundo texto do Tio Rei é francamente indigente. Eis um parágrafo que o resume:

Agora, noto, há gente achando a “culpa do povo” — coitado! — no caso Isabella. Dadas as informações que tem, que não são muito diferentes das que todos temos, ele está pedindo justiça. Não há nada de doente ou de excepcional nisso. Claro! Terá de ser tratado segundo a lei. Ele tem de saber que será a Justiça a decidir as culpas. E que nada pode ser feito fora dela.

Que eu saiba, ninguém está acusando o povo de nada. Critica-se a imprensa por uma cobertura, a princípio, irresponsável, se ela tem a dimensão de seu poder. Mas fazer o quê, no coração de todo protoditadorzinho dorme um “defensor do povo” cujo conceito de liberdade é tutela…

Tio Rei transcreve em um post um artigo do Francisco Weffort publicado no Globo:

Lula, o pelego?

Leitores me cobram a íntegra do artigo do professor Francisco Weffort, ex-secretário geral do PT e ex-ministro da Cultura do governo FHC, publicado no dia 15 no jornal O Globo. No texto, o professor revela, vamos dizer, uma experiência pessoal, do tempo em que acompanha Lula em viagens, envolvendo prestação de contas. E chega aos nossos dias, quando o PT faz um dossiê para tentar esconder os gastos do presidente da República e seus familiares.

Em essência Weffort, que foi fundador do PT, conta que em uma viagem que fez com Lula em 1989 para angariar apoio ao recém nascido partido, Lula defrontou-se com cobranças sobre a prestação de contas de verbas que sindicalistas alemães e norte-americanos haviam enviado ao partido, em São Bernardo.  Do episódio Weffort retira a tese de que não é de hoje que Lula não gosta de prestar contas a ninguém.

No entanto, não prestar contas é um assunto do qual Weffort entende.  A começar pelo fato de que tendo sido um fundador do PT, importante a ponto de viajar pelo mundo com Lula, Weffort rapidamente soube mudar de lado _ em 1995 mesmo, com a vitória de Fernando Henrique, desfilia-se do PT e aboleta-se no Ministério da Cultura, de onde só saiu mesmo com o fim do segundo mandato do sociólogo em 2002.  E também por esta história que uma edição da Veja do ano 2000 nos conta, sobre os desmandos na Secretaria do Audiovisual daquele Ministério sob o comando intimorato de Weffort:

Onde está o dinheiro?

Governo intervém na área cinematográfica
para tentar responder à pergunta acima

Celso Masson

O cinema brasileiro não é ruim só nas telas. Seus bastidores também são lamentáveis. Na semana passada, estouraram nos jornais dois casos emblemáticos de como o dinheiro que o governo vem gastando para impulsionar a produção nacional é mal-empregado. O primeiro é o da cineasta que aprontou o filme, mas não consegue prestar contas. O segundo, do diretor que aparentemente justifica seus gastos, mas não finaliza o filme. Norma Bengell é a protagonista do thriller do dinheiro desaparecido. (…)

O enredo protagonizado por Guilherme Fontes é mais de novela do que de filme. Ele deveria ter entregue seu Chatô – O Rei do Brasil, baseado no livro de Fernando Morais, no dia 23 de dezembro. Na semana passada, foi a Brasília para pedir uma dilatação de prazo e um incremento no orçamento da produção. As duas solicitações foram negadas. Chatô estava orçado em 11,3 milhões de reais. Desse montante, Fontes conseguiu captar cerca de 9 milhões. Ele queria que o orçamento aumentasse para 13,5 milhões. A Secretaria do Audiovisual deu um ultimato ao diretor. Ele deve entregar o filme imediatamente e apresentar a prestação de contas dentro de noventa dias. “Isso é um absurdo, eu vou falar com o ministro Francisco Weffort na semana que vem e ele, que é um homem de bom senso, irá atender ao meu pedido”, acredita Fontes.

Continua a matéria:

A falta de pulso na fiscalização do dinheiro investido em cinema, por meio de renúncia fiscal, é tanta que o presidente Fernando Henrique Cardoso fez uma “intervenção branca” na Secretaria do Audiovisual. FHC colocou nas mãos do secretário de Comunicação, Andrea Matarazzo, a tarefa de controlar as somas que chegam aos cineastas via Lei Rouanet e Lei do Audiovisual. Há denúncias de que empresas estatais estariam superfaturando quantias destinadas à produção de filmes. Os cineastas estão em polvorosa com a nova determinação. “É preciso jogar fora as maçãs podres que estão envenenando todo o cesto”, ataca Leonardo Monteiro de Barros, um dos sócios da Conspiração Filmes, do Rio de Janeiro. Guilherme Fontes, a mais notória dessas “maçãs podres”, rebate: “O governo e os outros cineastas estão querendo me usar como bode expiatório, para que fique parecendo que o Ministério da Cultura está fazendo alguma coisa. Isso fornece um manto sob o qual outros podem continuar com suas falcatruas“.

Pois é.  O Ministro Weffort deve mesmo ter atendido ao pedido de Guilherme Fontes, já que a pendenga só foi resolvida mesmo, no âmbito administrativo, em fevereiro de 2008.

Como se não bastasse, Weffort também andou envolvido em episódios lastimosos, como o fiasco da “nau-capitânia” durante a comemoração dos 500 anos da descoberta do Brasil em 2000, o nebuloso caso do livro de sua autoria publicado pelo próprio Ministério que dirigia, e uma atitude geral de negligência e aproveitamento de oportunidades, como sugere este texto do jornalista Artur Xexéo , em 2002:

Serra não critica o atual ministro Francisco Weffort. Não ficaria nem bem. Mas como eu não sou candidato a nada, muito menos da situação, permito-me esse direito. Ô ministrinho sem graça. Há oito anos com a pasta, não dá para dizer que ele destruiu a cultura. Mas não dá para dizer também que seja um sujeito legal. Não dá para dizer nada, até porque Weffort não ouviria. Está sempre viajando. Agora mesmo, sua assessoria anuncia que o ministro estará, amanhã e depois, em Istambul, participando da Terceira Mesa-Redonda de Ministros da cultura, que terá como tema central O patrimônio cultural imaterial – Espelho da diversidade cultural. Não é fundamental? E já que estará fora, Weffort aproveitará para, na sexta-feira, ir a Paris para o lançamento do ‘Guia de fontes – Para a história franco-brasileira’. Mais fundamental ainda. Depois vem o fim de semana. Acho que ele vai dar uma esticada porque ninguém é de ferro…

***

Mas esse texto do Weffort, como tudo na vida, tem explicação. Consta que o pessoal que preparou o dossiê sobre FHC e dona Ruth na Casa Civil (como se fosse preciso…) também andou soltando informações sobre gastos exóticos de alguns ministros, entre os quais o próprio Weffort.  Que, é claro, tratou de morder a mão que um dia o alimentou.

Uma das obsessões de nossos diletos colegas do Torre de Marfim é Pedro Malan.  Os caras perigam até de deixar de comer mulher para defender Pedro Malan em uma mesa de bar, sô!

O que é, diga-se de passagem, bastante coerente, já que uma das soluções para o problema da pobreza preferidas de Malan envolvia, justamente, deixar de comer e de ser comida:

eu sei que é um tema que se presta a um debate totalmente emocional, que toca em sentimentos religiosos, pelos quais eu tenho profundo respeito, mas devo dizer que as estatísticas são aterrorizadoras neste contexto. Eu me refiro, aqui, ao problema de gravidez precoce em adolescentes no Brasil. Os dados do Ministério da Saúde mostram que a gravidez, taxa de natalidade, em adolescentes e analfabetas, no Brasil, é treze vezes superior à taxa de gravidez em adolescentes que têm quatro ou cinco anos de escolaridade ou mais. Esse é um dos mais poderosos mecanismos que uma pessoa pode imaginar para perpetuação da pobreza ao longo do tempo. Para fazer com que os filhos dos pobres de hoje sejam os pobres de amanhã, porque a minha sensação, espero não estar equivocado, é a de que uma adolescente, e a partir de dez ou onze anos já pode acontecer, nessa faixa, dez até quinze anos de idade, analfabeta, que tem filho a partir dessa idade, eu diria que essa criança que resultou dessa relação é, provavelmente, a criança que já nasce com uma enorme posição desfavorável em relação ao seu futuro na vida como ser humano. Acho que nós não dedicamos a essa questão, eu vejo que algumas organizações não governamentais estão preocupadas com essa questão. Acho que é uma área extremamente promissora porque a melhor maneira de lidar com a pobreza é ter políticas que procurem evitar que os filhos dos pobres de hoje sejam os pobres de amanhã, perpetuação dos mecanismos de transmissão de pobreza, e esse é um dos mais poderosos que existe, a meu juízo, pelo menos.

Por aí se vê que, para Malan, pobreza talvez fosse mais questão de mira do que de foco.

Se a direita anaeróbica tem um sonho dourado, é o de conseguir criar uma crise militar no governo Lula. A atual pendenga entre o General Heleno, chefe do comando militar da Amazônia, e o governo, por causa da demarcação de uma reserva indígena, ofereceu mais uma oportunidade para isso (a última foi durante a crise aérea e a ameaça de insubordinação dos controladores de vôo).

Obviamente, Tio Rei não iria perder esse barco. Lá no blog dele, botou o endereço de uma petição online a favor do General Heleno:

Petição de apoio ao general

Há uma petição de apoio ao general Augusto Heleno, comandante militar da Amazônia, neste endereço:

http://www.petitiononline.com/xptoxpto/petition.html

Já assinei. Estou lá, nº 439.

Desde então, ele já repetiu o link duas vezes. Eis o texto da petição:

To: Gen.Augusto Heleno

Nós, brasileiras e brasileiros,cidadãos de bem deste País, vimos,através desta missiva,prestar toda nossa solidariedade com relação aos episódios recentes, relativos ao polêmico e delicado tema da defesa das nossas fronteiras,da defesa da soberania nacional, em especial sobre a questão da reserva “Raposa Serra do Sol”.

Apoiamos sua avaliação técnica sobre o objeto em questão,apoiamos seu direito e seu dever de informar aos brasileiros o que está acontecendo, apoiamos a defesa incondicional do nosso patrimônio natural contra a cobiça internacional e apoiamos sua defesa de criação de reservas para os índios,nossos irmãos,de forma a não haver entrega de parte do território nacional,ao contrário,fazer prevalecer o ideal de integração tão bem conduzida pelo grande brasileiro Cândido Rondon.

The Undersigned

Sincerely,

Pelo site, não dá para saber a data em que a petição foi lançada _ por alguém chamado Lia de Souza. Porém, Tio Rei postou pela primeira vez o endereço da petição às 21:00 hs do dia 18/04, e bateu no peito orgulhando-se de ser o apoiador de número 439. Suponho, portanto, que a petição tenha sido criada no próprio dia 18. Pois foi no mesmo dia 18 que o DEM soltou uma nota de apoio ao General:

Comissão Executiva Nacional – Democratas– Nota Oficial

Brasil exige luta contra o crime

A Comissão Executiva Nacional do Democratas vem a público exigir medidas efetivas contra o clima de quase insurreição que temos vivido; alertar a opinião pública para a irresponsabilidade contínua do governo no uso do dinheiro público e manifestar apoio ao comandante militar da Amazônia, general Augusto Heleno Ribeiro Pereira – ameaçado e intimidado depois que solicitou mudanças na política indigenista. Sobre essas questões, o Democratas solicita atenção da sociedade para os seguintes pontos:

1)o general Heleno Ribeiro Pereira advertiu que a questão indígena tornou-se “ameaça interna” à soberania brasileira na Amazônia referindo-se à necessidade de revisão do decreto presidencial que criou a reserva Raposa Serra do Sol, em Roraima. A pretexto de transformar tribos em “supostas nações independentes”, ONGs estrangeiras interessadas em consolidar a invasão do território nacional, agem livremente na reserva, que faz fronteira com a Venezuela e a Guiana;

2) ao invés de levar em conta a advertência do oficial, o governo age no sentido oposto e está exigindo que ele explique afirmações feitas com base em fatos e informações incontestáveis. Com o pedido de explicações, o governo busca intimidar, ameaçar e silenciar o Comandante Militar da Amazônia com o objetivo de enfraquecer a posição de todos os que defendem a revisão da política indigenista do governo porque ela implica ameaça à segurança nacional;

3) ao mesmo tempo que sinaliza com punições contra quem age com seriedade, moderação e respeito às leis, o governo atua com permissividade e leniência ante as ilegalidades de grupos que investem contra a democracia, o estado de direito e a segurança pública. É com apoio, estímulo e financiamento público que o MST, Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra, pratica ações ilegais de Norte a Sul do país e achincalha o direito de propriedade previsto na Constituição sem receber sequer uma advertência dos responsáveis pela ordem pública;

4) é o dinheiro desviado do bolso do trabalhador honrado, que tem a cultura dos direitos e deveres, que financia as ações ilegais do MST, grupo comprometido com a intolerância, a violência e o crime. Com que direito o governo transfere, sem prestar contas ao Congresso e à opinião pública, recursos públicos cada vez mais volumosos para financiar as jornadas de crime e de terror do MST? Qual a justificativa para doar verbas que deveriam acudir problemas de saúde, educação e moradia das pessoas, a quem cria ambiente de insegurança jurídica que resultará na imposição de pesados prejuízos ao país e a todos os brasileiros?

5) o Brasil não construiu a democracia para favorecer ilegalidades, seja a pretexto de proteger os índios, seja com a desculpa de combater injustiças ou sob a alegação de pretensas reparações a comunidades remanescentes de quilombos. A sociedade brasileira lutou para conquistar um Estado democrático de direito onde ninguém pudesse agir ao arrepio da lei. É preciso dar um basta aos que se escondem por trás de supostos movimentos sociais para aumentar o controle estatal da sociedade. Em vez de luta de classes, o país exige luta contra o crime.

Brasília, 18 de abril de 2008

Rodrigo Maia

Presidente

Curiosamente, o líder do PSDB, senador Arthur Virgílio, teve uma reação mais interessante:

Não estou defendendo o governo Lula. [...] Considero que um general da ativa deveria se abster de opinar sobre questões políticas. Quero militares bem armados, bem equipados e bem pagos, mas não os quero determinando os rumos da política nacional.”

O que explica isso? Provavelmente o fato de que enquanto o ex-PFL, atual DEM, rolou na lama com o governo militar, boa parte do PSDB não teve vida fácil durante a ditadura, sendo que muitos de seus atuais líderes tiveram que puxar o carro _ incluindo FHC e José Serra. O próprio Arthur Virgílio, aliás, foi do PCB e deve ter levado suas cacetadas quando participou do Movimento Estudantil na década de 70.

***

Curiosamente, nem o DEM nem Reinaldo Azevedo parecem se incomodar muito com as denúncias de que um oficial reformado do exército da Venezuela esteve dando treinamento de guerrilha aos arrozeiros que serão desalojados da Reserva, muito menos com os fazendeiros norte-americanos que estão comprando milhares de hectares de fazenda no Brasil. Perigosos mesmo são os índios da Raposa do Sol.

O pior é que o próprio General Heleno confessa, no Estadão, a incapacidade do Exército em defender nossas fronteiras, com ou sem reserva indígena:

Amazônia oriental é o ponto mais vulnerável da fronteira

Apenas 17 soldados protegem uma faixa de 1.385 quilômetros de divisa no extremo norte do Pará

José Maria Tomazela

Dos 25 mil homens de que o Exército dispõe para defender a Amazônia de ameaças que vão do tráfico de drogas à cobiça internacional pelas nossas riquezas naturais, apenas 240 vigiam mais de 2 mil quilômetros de fronteira com as Guianas e o Suriname, na chamada Amazônia oriental. Destes, um contingente de 17 soldados tem a missão de proteger uma faixa de 1.385 quilômetros de fronteira seca no extremo norte do Pará. Se fossem distribuídos nesse território, caberia a cada homem a vigilância sobre 12.150 quilômetros quadrados, dez vezes a área da cidade do Rio de Janeiro.

A região é vista como o ponto fraco do sistema brasileiro de defesa e preocupa o chefe do Comando Militar da Amazônia, general Augusto Heleno Ribeiro Pereira. “O contingente é muito pequeno. A distância entre dois pelotões passa de 400 quilômetros sem ligação por terra.

Bom, qualquer um que tenha morado no Rio sabe do enorme contingente do Exército estacionado naquele estado da federação, sem razão aparente já que o Rio não é mais a capital do país há quase cinquenta anos. Então porque diabos o Exército não realoca esse pessoal?

Soldado da 173rd Aerotransportada monta guarda no campo petrolífero de Kirkuk, Iraque.

Um texto bem interessante no NYT de hoje sobre a “sede de petróleo”. Eis o link e alguns trechos traduzidos:

Considere alguns números: A população do planeta deverá crescer em 50 por cento para nove bilhões de pessoas em algum momento no meio deste século. O número de carros e caminhões irá duplicar em 30 anos – para mais de dois bilhões – à medida em que as nações em desenvolvimento modernizam-se rapidamente. E duas vezes mais aviões passageiros, mais de 36.000, irão com toda a probabilidade estar cruzando os céus em 20 anos.

Tudo isso vai exigir muito mais petróleo – o suficiente para que o consumo global de petróleo salte cerca de 35 por cento até ao ano 2030, de acordo com a Agência Internacional de Energia, uma líder mundial em projeções energéticas para os Estados Unidos e outras nações desenvolvidas. Para os produtores, isto significa a necessidade de encontrar e bombear mais 11 bilhões de barris de petróleo a cada ano.

E esse cenário está a apenas 22 anos de distância, um piscar de olhos para a indústria do petróleo, onde o ritmo para localizar e desenvolver novos fornecimentos é medido em décadas.

A procura de petróleo vai ser apenas parte do desafio da energia. A demanda total de energia do mundo – incluindo petróleo, carvão, gás natural, a energia nuclear, bem como as fontes de energia renováveis como a energia eólica, solar e energia hidroeléctrica – irá aumentar 65 por cento ao longo das próximas duas décadas, de acordo com a AIE.

(…)

Ao mesmo tempo, as principais empresas petrolíferas como a Exxon Mobil, BP e Chevron estão encontrando mais dificuldades de competir a nível mundial, com as empresas petrolíferas nacionais a corroer suas posições uma vez dominantes. Quatorze das Top 20 companhias petrolíferas do mundo hoje são gigantes estatais, como a saudita Aramco e a russa Gazprom. Isso deixa as empresas petrolíferas ocidentais no controle de menos de 10 por cento das reservas mundiais de petróleo e gás.

Enfrentando custos mais elevados, essas empresas também estão tendo mais dificuldade em localizar novas jazidas de petróleo. Apesar de gastos mais de US $ 100 bilhões em exploração no ano passado, as cinco maiores companhias petrolíferas internacionais encontraram menos petróleo no ano passado do que aquele que elas bombearam para fora do solo.

(…)

Assim como nos Estados Unidos, grande parte do aumento da demanda de petróleo da China provém da paixão deste país pelos automóveis. O número de veículos na China aumentou sete vezes entre 1990 e 2006, para 37 milhões. A China já ultrapassou o Japão e Alemanha, para se tornar o segundo maior mercado de automóveis do mundo, e prevê-se que irá ultrapassar os Estados Unidos próximo a 2015. A China poderá vir a ter 300 milhões de veículos em 2030.

William Chandler, um especialista em energia do Carnegie Endowment for International Peace, estima que, se os chineses usassem tanta energia como os americanos, a utilização de energia global iria duplicar de um dia para o outro e mais cinco Arábias Sauditas seriam necessárias apenas para atender a demanda de petróleo. A Índia não está muito para trás. Até 2030, os dois países vão importar tanto petróleo quanto os Estados Unidos e o Japão hoje.

E oque se passa com os Estados Unidos? O país tem demonstrado pouca disponibilidade para enfrentar suas necessidades energéticas de uma maneira racional. James Schlesinger, o primeiro secretário de energia do país, na década de 1970, disse uma vez os Estados Unidos foram capazes de apenas duas abordagens para a sua política energética: “complacência ou crise”.

Os Estados Unidos são o único grande país industrializado a ver o seu consumo de petróleo crescer desde os choques petrolíferos de 1970 e 1980. Isto pode ser parcialmente explicado pelo fato de que os Estados Unidos têm sua gasolina a um dos preços mais baixos do mundo, têm os carros menos eficientes em termos de combustível nas estradas, os menores impostos sobre energia, bem como o tempo de comutação para o trabalho de qualquer nação industrializada. O resultado: cerca de um quarto do petróleo mundial vai para os Estados Unidos, todos os dias, dos quais mais de metade vai para os seus carros e caminhões.

(…)

“O país vive além dos seus meios”, disse Vaclav Smil, um proeminente energia especialista da Universidade de Manitoba. “A situação é preocupante. Precisamos de fazer certos sacrifícios. Mas as pessoas não percebem o quão difícil é a situação.

***

Na verdade, os EUA, ou pelo menos sua elite neocon e seu presidente texano, reconhecem o quão difícil é a situação, sim. Mas preferiram exportar os sacrifícios do ajuste _ ou melhor dizendo, do não-ajuste. Como disse Alan Greenspan em suas memórias:

I am saddened that it is politically inconvenient to acknowledge what everyone knows: the Iraq war is largely about oil“.

Coisa que qualquer Objetivista devia saber…

Written and directed by Richard Kelly; director of photography, Steven Poster; edited by Sam Bauer; music by Moby; production designer, Alexander Hammond; produced by Sean McKittrick, Bo Hyde, Kendall Morgan and Matthew Rhodes; released by Samuel Goldwyn Pictures. Running time: 144 minutes.

WITH: Dwayne Johnson (Boxer Santaros), Seann William Scott (Roland Taverner/Ronald Taverner), Sarah Michelle Gellar (Krysta Kapowski/Krysta Now), Curtis Armstrong (Dr. Soberin Exx), Joe Campana (Brandt Huntington) and Nora Dunn (Cyndi Pinziki).

Perdível?  Dificilmente.

Southland Tales.

José Gregori, presidente da Comissão Municipal de Direitos Humanos de São Paulo, hoje na Folha:

Tenho acompanhado o caso do assassinato da menina Isabella de forma ansiosa, mas ao mesmo tempo tenho refletido sobre a cobertura dada ao caso pela imprensa e pela mídia de nossa sociedade do espetáculo.
Sim, porque embora os veículos de comunicação devam cumprir o seu dever/ dogma de reportar a notícia, verificamos que a violência inominável contra uma criança serve como desculpa para a montagem de um show em capítulos.
A verdade objetiva manda dizer que o fato das instituições, cujo caso está afeto, terem demorado em demasia na apuração dos fatos contribuiu para isso.
Conforme as investigações prosseguem, novos indícios apontam para esta ou aquela direção -negligência, barbarismo ou fatalidade-, mas uma coisa é certa: o inquérito não está concluído.
Até quando teremos que ouvir no Brasil -“o laudo técnico estará concluído em 15 dias”? E enquanto isso, muitos foram julgados em praça pública. Infelizmente, o sigilo na investigação nunca existiu, apesar da tentativa de um juiz em fazer respeitá-lo.
Não se trata de privar os cidadãos do direito à informação -repito, dogma da democracia-, mas de tratar um tema tão delicado da forma correta. Causa choque ler e ouvir nos meios eletrônicos supostos detalhes do estado do corpo da criança e de como foi a sua queda. A cada instante, uma nova especulação é noticiada por um veículo, seguida de um desmentido. Tem razão o cientista social Sergio Miceli, que afirma que o jornalismo televisivo está cada vez mais próximo das novelas, mas talvez possamos ampliar essa conceituação para os demais. A notícia é tratada como um enredo que o público ávido acompanha a cada instante, com diversos atores buscando o seu lugar ao sol: a suposta testemunha aqui, o promotor lá, a teatralidade de uma delegada acolá.(…)

Notícia na mesma Folha, por Daniel Castro:

Caso derruba comerciais por 3 h na Globo

O caso Isabella derrubou ontem um dos pilares da política de qualidade da Globo: o respeito aos intervalos comerciais.
Para transmitir o deslocamento de Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá, pai e madrasta da menina, até uma delegacia, a Globo jogou fora na Grande SP toda a sua programação infantil e exibiu um “SP TV” “especial” com três horas e 16 minutos de duração.
A emissora derrubou todos os intervalos comerciais das 9h30 às 12h31. Na sexta anterior, a “TV Globinho” (programação infantil) teve três intervalos.
A Globo argumenta que o corte da “TV Globinho” se justifica porque foi “um dia jornalisticamente relevante”. A emissora avaliou que o caso Isabella seria esclarecido ontem.
A Globo informa que os anúncios da “TV Globinho”, por serem segmentados, não entraram no “SP TV”. Os anunciantes serão compensados.

Não é reação
A emissora nega que a transmissão de mais de três horas ininterruptas de um caso policial seja reação às recentes derrotas para a Record, no mesmo horário. A opção por Isabella deu certo: o longo “SP TV” marcou 13 pontos, contra 9 da Record, segundo dados preliminares.

Com a suspensão da “TV Globinho”, a Globo igualou o caso Isabella a coberturas de alta relevância, como o 11 de Setembro, os ataques do PCC (2006) e a visita do papa (2007).

Em seu livro “The Big Switch”, Nicholas Carr, o blogueiro do Rough Type, alerta para os efeitos econômicos da Web 2.0 (a qual pode ser razoavelmente equacionada como “disseminação da banda larga” + “ferramentas cooperativas”).  Entre outros,  estão o aumento da produtividade e o fato de que ferramentas colaborativas permitem às empresas prescindir de empregados (pense bem: o YouTube é o que é porque é você quem entra com o conteúdo, não o Google).  Na prática, porém, o efeito líquido até agora tem sido o de aumentar a desigualdade, concentrando cada vez mais renda nas mãos de poucos.  No seu livro, o próprio Nick mostra algumas estatísticas interessantes sobre desemprego causado pela internets _ e não é de se admirar que boa parte dele, no momento, se concentre nas redações de jornais.  Segundo Carr, um estudo da American Society of Newspapers Editors descobriu que entre 2001 e 2005 o staff dos jornais nos EUA declinou em 4%, com uma perda líquida de 1.000 repórteres, 1.000 editores e 300 fotógrafos e artistas.  Curiosamente, no mesmo período, o emprego das redações online também declinou em 29% _ o que motivou o seguinte comentário sarcástico de Floyd Norris, comentarista econômico do New York Times:  “a internet é a onda do futuro, mas não tente arrumar um emprego ali“.

Neste início de 2008 começaram a pipocar na rede notícias de que mais uma classe dos artistas da pena assalariados está encontrando sua nêmesis na internets: os críticos de cinema.  Aparentemente, há uma onda de demissões de críticos nos jornais americanos _ e a preocupação não aflige apenas os próprios críticos. Hollywood também está preocupada, pois julga que essa onda pode impactar diferencialmente os filmes.  Explica-se:  grandes blockbusters, com uma enorme estrutura publicitária por trás deles, não serão afetados.  Mas filmes “sérios”, mais intelectuais, podem sofrer, pois sua ecologia depende basicamente da opinião dos outros.

Mais a fundo: filmes são “bens de experiência”.  Tecnicamente, você só pode saber se gostou ou não de um filme após vê-lo.  Hollywood, porém, criou um “gênero”, o blockbuster, que praticamente deixa de ser um “bem de experiência”: são filmes-espetáculo, de estrutura quase ritualística (grandes efeitos especiais, vilão-mocinho-mocinha, o bem vence no final, aqui e ali toques cômicos para relaxar a trama dramática), aquilo que os gringos chamam de “formulaic”.  No fundo, o que acontece é que todo mundo, ou quase todo mundo, se obriga a vê-los (eu, por exemplo, gostei de Homem Aranha Um, não gostei do segundo e detestei o terceiro, mas provavelmente irei ver um quarto.  E sei que não vou resistir ao “Homem de Ferro” e ao “Cavaleiro das Trevas”).

Com filmes “sérios”, porém, é diferente – justamente por causa de sua extrema variabilidade.  Não há uma “fórmula” para um filme sério.  Assim, cada filme impactará de forma diferente o grande público.  Por isso, os filmes sérios dependem do chamado “efeito cascata” _ o boca a boca, que acontece quando seu amigo ou amiga disse que viu o filme tal e gostou muito, o que te estimula a ir ver o filme.  O problema é: hoje, as salas de exibição são um prêmio cobiçado.  Regras estranhas determinam se um filme fica mais uma semana ou não em um determinado cinema.  Isso faz com que a bilheteria da primeira semana seja muito importante na história do filme _ se ele não se sustentar na primeira semana, não haverá tempo para que o “boca a boca ” se alastre e motive as platéias a vê-lo.  É aí que entra o crítico: o crítico essencialmente é um sujeito que já viu o filme (razão das avant-premiéres) e é alguém em que você confia (porque já leu críticas de sua autoria sobre filmes de que você gostou).

Para muita gente, porém, a crítica não acabou _ apenas migrou para canais de nicho, os blogs e sites na internet especializados em crítica.  O que não importa muito para quem perdeu o emprego.

***

Por falar nisso, toda essa longa digressão, porém, foi apenas para dizer que eu acho que alguns críticos merecem mesmo o seu destino, o olho da rua.  Vejam estes dois parágrafos finais da crítica de “Os Reis da Rua” feita por Neusa Barbosa, do Cineweb, para o UOL:

Frequentando os círculos mais perigosos de gângsters e traficantes de Los Angeles, os dois encaram a morte de frente. Ludlow, com um instinto suicida e que não inspira muita simpatia, parece mais um vingador desajustado, chefiado por um capitão à altura.

Neste papel, aliás, Forest Whitaker está mais do que nunca parecido com o papel que lhe deu o Oscar em 2007, em “O Último Rei da Escócia”. Parece um Idi Amin de terno, para se encaixar na paisagem de Los Angeles.

O pior é que a chamada para a crítica, na página do UOL, é: “Os Reis da Rua trava diálogo com Tropa de Elite“.  Céus.

Vendo a foto da Dilma repaginada para a cerimônia de casamento da filha, tive uma idéia para turbinar ainda mais sua candidatura.

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Deu na Folha:

Conar suspende 2 propagandas da Petrobras

Ação, acatada pelo conselho, afirma que empresa faz publicidade enganosa ao divulgar ações de preservação ambiental

Segundo a ação, empresa mantém no mercado um diesel extremamente poluente, que afeta a saúde da população

AFRA BALAZINA
DA REPORTAGEM LOCAL

O Conar (Conselho Nacional de Auto-Regulamentação Publicitária) decidiu ontem suspender a veiculação de duas campanhas publicitárias da Petrobras em que a empresa destacava suas ações de preservação do meio ambiente. O conselho acatou o argumento de que se tratava de propaganda enganosa da empresa.
A decisão ocorreu em razão de uma ação movida pelos governos estaduais de São Paulo e de Minas Gerais, pela Prefeitura de São Paulo e por ONGs.
De acordo com a ação, a Petrobras faz propaganda enganosa ao manter no mercado um diesel extremamente poluente -com alta concentração de enxofre, que é cancerígeno e afeta a saúde da população.
A ação pede que o Conar “suste a divulgação de todas as campanhas que abordem sua sustentabilidade empresarial e responsabilidade socioambiental, vez que como demonstrado estes compromissos não existem na prática”.
No site do Conar, a única menção à decisão diz que a suspensão foi decidida “por maioria de votos”. Não há justificativa para a decisão.
As entidades afirmam que a empresa fala recorrentemente em suas campanhas e anúncios publicitários sobre seu compromisso com a qualidade ambiental e com o desenvolvimento sustentável. “Entretanto, essa postura que é transmitida por meio da publicidade não condiz com os esforços para uma atuação social e ambientalmente correta”.
O secretário municipal de São Paulo, Eduardo Jorge (Verde e Meio Ambiente), que desde 2005 insiste para que a Petrobras coloque no mercado um diesel menos poluente, disse que “a decisão foi exemplar”.
O secretário estadual Xico Graziano (Meio Ambiente) concorda. Para ele, a decisão é “uma vitória ética fundamental porque o Conar, no fundo, defende o consumidor”. “Ficou comprovado que a Petrobras tem uma conduta inadequada.”
Marcelo Furtado, do Greenpeace, afirma que o Conar ontem “repudiou a maquiagem verde”. “Isso é fundamental para estimular as empresas que querem fazer sustentabilidade com seriedade a continuarem. E dá um sinal para aquelas que querem arriscar enganar o público e não cumprir leis de que não há mais espaço para picaretagem”, afirmou.
Na opinião de Oded Grajew, do Movimento Nossa São Paulo, a decisão é histórica na área da responsabilidade social e vai criar jurisprudência. “A decisão indica que para se mostrar socialmente responsável a empresa precisa agir da mesma forma em relação a todos os seus públicos”, diz.
O Conar não se manifestou sobre a decisão. A assessoria de imprensa do conselho apenas informou que a decisão ocorreu por maioria dos votos.

Deu na Folha:

Em Taubaté, concurso para escriturário tem questões sobre BBB e casal “global”

FÁBIO AMATO
DA AGÊNCIA FOLHA, EM SÃO JOSÉ DOS CAMPOS

Quem não acompanhou a última edição do Big Brother Brasil nem o fim do relacionamento de um casal de atores da TV Globo pode ter ficado de fora da seleção para escriturário da Prefeitura de Taubaté (130 km de SP).
Esses assuntos, entre outros, foram tema da prova do concurso público promovido pelo município no último domingo para a contratação de 40 escriturários (servidor encarregado da escrituração de registros ou expediente em repartição pública).
Ao todo, 1.600 pessoas concorreram às vagas. O resultado sai na próxima semana. Os classificados serão contratados para desempenhar trabalhos burocráticos, por R$ 450 mensais.
“Alexandre, Bianca e Fernando participaram de que edição do programa Big Brother Brasil?” e “Que famoso casal “global” anunciou, recentemente, o fim do casamento?” foram duas das questões. O teste teve 80 perguntas optativas, divididas em português, matemática, informática e atualidades.
Uma das perguntas foi anulada por erro da organização. Questionava o nome do presidente da Câmara Municipal de Taubaté, mas a opção correta -vereador Luiz Gonzaga Soares (PR)- não constava entre as alternativas.
A seção de atualidades incluiu também questões sobre política (“Quem é o atual prefeito de São Paulo?”), saúde (“Qual é a doença transmitida através do mosquito Aedes aegypti?”) e esportes (“Quais são os três pilotos brasileiros que disputam a temporada 2008 da Fórmula 1?”).
O diretor do departamento de administração da prefeitura, Julio Cesar Oliveira, disse não ver problemas na inclusão das questões na prova. “Diga por que não pode pôr? Isso é uma coisa da administração. Ela resolveu colocar essa questão e pronto.”
O presidente da Câmara Municipal criticou a prova. “Esse tipo de pergunta me parece mais relacionada a fofoca do que a conhecimentos gerais. As pessoas poderiam ter sido questionadas, por exemplo, sobre Monteiro Lobato ou Mazzaropi, que fazem parte da cultura de nossa cidade”, disse Soares.
Ele afirmou que enviou requerimento ao prefeito Roberto Peixoto (PMDB) solicitando explicações. O documento pede ainda que o prefeito cancele o concurso.

Any tendency to treat religion as a private matter must be resisted“.

_ Ratzinger, ontem nos EUA

Imagem que o Henry do Crooked Timber jura ter fotografado durante a visita do Papa aos EUA:

Finally, I was intrigued by this sign (apologies for blurriness of photo; the camera on my phone is garbage), which seemed to me to have dark undertones that were presumably not intended by the person who was waving it about.

O Kenneth Maxwell descreve o seu domingo em São Paulo, na Folha de hoje:

Um bom domingo

SÃO PAULO pode ser divertida.
De fato, eu recomendaria abrir mão da praia por pelo menos um final de semana e dedicar o domingo a explorar o centro vazio da cidade.
A última vez que o fiz foi em novembro. Ver os edifícios municipais de perto foi maravilhoso. Contemplar as obras de Aleijadinho em exposição no esmerado e antigo edifício do Banco do Brasil. O passeio pela mansão da marquesa de Santos. O almoço no Pátio do Colégio. Até mesmo a algo bizarra descoberta de que um osso da coxa do padre José de Anchieta está exposto no oratório que fica ao lado da entrada principal da igreja. E tudo isso sem virtualmente ninguém por perto, o que propiciava tempo suficiente para desfrutar de todas as atrações.
O domingo passado começou com uma longa caminhada pelo parque Ibirapuera, lotado de paulistanos felizes e cachorros e skatistas, ciclistas e corredores. O Exército também estava presente.
Soldados demonstravam diversos aparatos de carga que usam cordas e roldanas, imensamente populares entre as crianças. Depois, o Museu Afro-Brasileiro: que coleção extraordinária, um acúmulo quase exagerado de maravilhas.
Houve recentemente uma exposição enorme em Washington, e enormemente dispendiosa, sobre os encontros globais dos portugueses. As galerias dedicadas à Índia, à China e ao Japão eram excelentes.
Mas a seção sobre o Brasil decepcionava e se concentrava nas conhecidas pinturas dos holandeses Post e Eckhout sobre o Pernambuco do século 17 e no barroco colonial brasileiro, um período que sofre de exposição excessiva. O conteúdo de qualquer uma das seções do Museu Afro-Brasileiro do Ibirapuera teria sido infinitamente mais interessante.
Na final da tarde, um soberbo concerto na Sala São Paulo, instalada na renovada estação ferroviária Júlio Prestes: Bach, Bartók e Bottesini, e uma platéia de centenas de entusiastas da música clássica apreciando o espetáculo. Depois, da sala de concertos eruditos para as ruas: largo do Arouche e avenida Vieira de Carvalho, para um delicioso galeto desossado e chope.
Do lado de fora do restaurante, uma parada informal e bem-humorada de gays musculosos (e nem tão musculosos), travestis e lésbicas, de todas as classes, etnias e idades, caminhando de lá para cá, de modo semelhante ao que costumava caracterizar o “footing” ao longo da avenida Nossa Senhora de Copacabana no Rio de Janeiro dos anos 60, um hábito que desapareceu há muito.
Em resumo, um domingo delicioso em São Paulo.”

***

Já eu levei uma hora e meia para ir do hotel ao aeroporto, ou seja, o mesmo tempo que o avião leva para ir de São Paulo a Brasília.

Mas ok, não era domingo.

***

Só não entendi esse final apoteótico do domingo do Maxwell no Largo do Arouche.  Será que ele é simpatizante?

Eu não costumo ter pesadelos.  Mas tenho uma experiência mais ou menos frequente que pode passar por um pesadelo: a de acordar e ver o mundo com novos olhos _ como se tivesse passado a noite passeando em territórios inefáveis, não-humanos, experimentando sensações indescritíveis em palavras.  Nessas manhãs acordo entendendo aquela frase do Millôr segundo a qual “é melhor ter mau hálito do que hálito algum” em toda a sua terrível ambiguidade, porque é como se eu tivesse estado morto _ ou menos que isso: perdido para este mundo.

Ontem à noite, porém, tive daqueles momentos que são antípodas do que descrevi acima _ aquele tipo de ocasião capaz de provar que apesar de todas as divergências e multiplicidades, nós humanos somos mesmo uma imensa fraternidade.  Obrigado, blogueiros amigos.

***

PS: teve uma turma que ficou preocupada com este post, achando que havia me acontecido alguma coisa.  Explico: ontem à noite estive em São Paulo e participei de um encontro de blogueiros organizado (ao que tudo indica) pela Lucia Malla.  Daí o estilo neofofo do post, que é, confesso, inabitual neste blog.  Eu tenho outro blog com motivos de Hello Kitty que uso para descarregar estes momentos, mas hoje eu não aguentei.  :)

Um artigo no NYT de hoje  fala das diferenças entre as culturas de negócios do Vale do Silício e de Hollywood.  Este trecho sumariza a questão, eu acho:

““If a successful director has a flop, his peers and colleagues question whether he has lost his touch,” Mr. Kvamme said. “By contrast, in the Valley, if you have a failure, that usually means that you have learned something. There are very few successful serial entrepreneurs. Failure is almost a rite of passage.”

Acho bem possível que isso aconteça em outras instâncias também.

Um argumento muito comum em discussões com anaeróbicos é o argumento da desimportância, ou seja, de que nossas teorias conspiratórias não se justificam já que os EUA não têm o menor interesse no Brasil.  Matéria no Valor de hoje, porém, mostra que não é bem assim:

Numa reunião no dia 26 de junho de 2002, quatro meses antes do primeiro turno das eleições presidenciais brasileiras, o então presidente do Fed, Alan Greenspan, manifestou preocupação com o avanço da esquerda na América Latina e os riscos que ela poderia criar na região.

O então presidente do Fed regional de Nova York, William McDonough, que também participou dessa reunião, era o mais assustado com o que estava acontecendo. Ele classificou a situação do Brasil como um “perigo sempre crescente” e disse que o avanço de Lula nas pesquisas eleitorais criava o risco de uma “fuga maciça de capitais”.

(…)

As transcrições das reuniões mostram que as autoridades americanas temiam que o medo que os investidores tinham de Lula deflagrasse uma crise financeira internacional, atingindo outros países emergentes e alimentando pressões sobre o dólar e a economia americana, que ainda parecia estar se recuperando dos efeitos dos atentados terroristas de setembro de 2001.”

Transcrevo na íntegra, abaixo, para os sem-Valor.

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Luciano Coutinho é o entrevistado da 2a na Folha, hoje:

FOLHA – Quais são os três principais entraves da economia brasileira?
LUCIANO COUTINHO
- Nós temos um desafio importante que é sustentar o processo de expansão do investimento. É fundamental compatibilizar crescimento acelerado e estabilidade de preço, por meio da criação de oferta suficiente. Para isso, temos de elevar a capacidade de poupança e investimento da economia e sustentá-la. Esse é um desafio, não é um entrave.
Segundo desafio importante é fazer isso incorporando capacidade inovadora. É preciso transmitir e enraizar a inovação no sistema empresarial brasileiro de uma maneira muito mais forte e afirmativa.
Um terceiro desafio é melhorar a capacidade de planejamento, regulação e desenvolvimento institucional. É preciso retomar a capacidade de planejar e pensar o médio e o longo prazo. Algo que foi perdido por conta de vicissitudes do processo inflacionário que obscurecia a capacidade de olhar de longe.

FOLHA – Ainda é válida a regra de bolso citada por economistas de que, para termos expansão sustentável acima de 5%, só com taxa de investimento de 20% a 25% do PIB?
COUTINHO
- Essa regra depende do grau de inovação e de produtividade. Você pode pensar numa faixa. Estou apenas relativizando porque existe todo um debate a partir do qual se pensa na idéia de produto potencial e se diz “eu não posso crescer mais de tanto”…

FOLHA – Mas dá para crescer 5% com a atual taxa de investimento na casa dos 18%?
COUTINHO
- Acho que dá para crescer. Para crescermos a 5%, 5,5%, temos que puxar a formação de capital para perto de 21%, 21,5% do PIB e mantê-la.
Se faço ganhos de produtividade mais firmes e mais sustentáveis, posso crescer não a 5%, mas a 5,5% ou 6%. É perfeitamente possível que o país possa crescer mais, sustentadamente. Tem de aumentar o esforço de poupança e investimento e sustentá-lo persistentemente ao longo do tempo.

FOLHA – Mas o problema hoje é que estamos numa velocidade de crescimento de 6%, o que estaria gerando pressões inflacionárias pelo aquecimento da demanda. Isso sinaliza que a taxa de investimento ainda não sustenta esse ritmo?
COUTINHO
- As pressões inflacionárias têm vindo mais de fatores externos e acidentalidades. Veio de produtos agrícolas, entressafra e commodities por conta da excitação do preço no exterior. Os elementos internos de formação do preço não mostram excitação alarmante.
A formação de capital tem avançado fortemente. Um sintoma inequívoco do amadurecimento dos investimentos é que o nível de uso da capacidade industrial, que havia subido para 83% e tanto, caiu. Está cedendo nas últimas leituras e nossa percepção é que vai continuar caindo devagarinho. A formação de capital na esmagadora maioria dos setores da indústria tem permitido evitar a formação de gargalos de inflação por conta de uso de capacidade estourado.
O nível de uso de capacidade está alto o suficiente para estimular o investimento e numa faixa ainda confortável para não produzir estresse inflacionário, daí o desafio de continuar mantendo a formação de capital em ascensão para criar capacidade de oferta.
Há uma arte de calibrar no curto prazo a demanda agregada, os estímulos fiscais e monetários da economia que não está na minha esfera. Toda a análise que fiz foi estrutural, não queira colocar na minha boca uma avaliação crítica à política macroeconômica. O BC e o Ministério da Fazenda têm de cuidar da inflação, da calibragem da economia para manter a estabilidade e o controle sobre as expectativas de inflação.
Tenho uma tarefa importante que é ajudar a sustentação do investimento, de tal maneira que não se formem pressões inflacionárias generalizadas.
Mantida a confiança e a sustentação do crescimento, em algum momento futuro o BNDES poderá repensar o seu perfil de financiar coisas que tipicamente o mercado não financia bem. Neste momento, o BNDES está sobrecarregado.

FOLHA – Neste momento o BNDES precisa atuar na função de manter essa taxa de investimento subindo para evitar gargalos inflacionários. Quais os setores que o senhor identifica em que o BNDES precisa atuar?
COUTINHO
- Os setores-chave são os chamados de insumos de amplo uso industrial, os insumos básicos, porque eles têm um peso importante na formação de custos de vários setores.

FOLHA – Há uma grande dúvida se vocês terão condições de ter os recursos necessários, como para bancar as metas da política industrial. O ministro Miguel Jorge (Desenvolvimento) disse que o banco terá até R$ 250 bilhões para financiá-la.
COUTINHO
- Bom, acho que ele está incluindo nosso orçamento de R$ 80 bilhões nos próximos três anos. Não é uma conta discrepante. Conto com a ajuda do ministro Miguel Jorge para ajudar o banco a chegar nos duzentos e tantos bilhões de reais.
Existem mecanismos para chegar, mas não posso falar de mecanismos que ainda estão em estudo. Uma parte disso pode vir de “funding” de mercado.

FOLHA – O banco pode fazer um grande desinvestimento?
COUTINHO
- Uma parte pode vir de captação de mercado, pode vir de captação externa, de desinvestimento. Parte pode vir de desinvestimento da carteira, parte pode vir de outras fontes.

FOLHA – Quando se observa o balanço do banco nos últimos meses, as exportações caem sucessivamente. A nova política industrial vai criar algum mecanismo no banco de estímulo à exportação?
COUTINHO
- Não posso falar sobre a nova política industrial, mas posso dizer que a política industrial tem entre seus componentes o apoio a exportação.

FOLHA – A queda no superávit da balança comercial preocupa num cenário de médio e longo prazo, podendo reverter o quadro atual?
COUTINHO
- Assustou a velocidade de deterioração da conta comercial. E há uma certa percepção nossa de que existiram fatores conjunturais que deram uma impressão mais alarmante do que de fato imagino. Mas isso no curto prazo. Obviamente no médio e longo prazo é importante não permitir uma expansão do déficit em conta corrente para níveis que representem uma retomada de um processo de endividamento em moeda forte acelerado. Porque isso irá, a médio prazo, desfazer a robustez externa recém-conquistada. Se ingressar num processo acelerado de endividamento continuado, vai desfazer a robustez externa, que foi crucial para estabilizar a taxa de câmbio, para o controle das próprias condições de operação da política monetária.
Então, há uma cautela que deve ser pensada. Um dos fatores será reforçar a capacidade competitiva, exportadora do Brasil por meio de medidas da política industrial. Outras medidas deverão ser pensadas, como evitar que o déficit de conta corrente cresça de forma continuada e exagerada. Aí há um antídoto que é o próprio regime de câmbio flutuante. Ele tem a grande vantagem de estabelecer um piso para a apreciação do câmbio na medida em que o déficit em conta corrente aumente. O próprio mercado tende a corrigir.

FOLHA – O FMI alertou de que o Brasil deveria se preocupar com suas contas externas, diante do risco de juros mais altos criarem um problema maior para o câmbio. Como o sr. disse, o câmbio flutuante tende a ajustar a taxa cambial, mas com juros elevados isso pode levar mais tempo do que o necessário?
COUTINHO
- Eu tenho idéias a respeito, mas não vou me estender sobre elas. Eu acho essa uma boa pergunta para o ministro Guido Mantega e para Henrique Meirelles.

FOLHA – Qual é a sua boa resposta?
COUTINHO
- O que eu posso dizer é que nós estaremos remando com toda nossa força para ajudar no sentido de mitigar o problema, para evitá-lo. O que podemos fazer? Apoiar fortemente a exportação.

FOLHA – No Palácio do Planalto, já há quem lembre aquela frase do economista Mário Henrique Simonsen, “inflação aleija, mas câmbio mata”. Está chegando a esse risco?
COUTINHO
- Não, estamos longe. O déficit em conta corrente projetado para este ano vai chegar no máximo a 1%. É um déficit pequeno, não pode é deixar ele ficar aumentando.

FOLHA – Mas, quando o sr. disse que ele assustou…
COUTINHO
- Foi mais pela velocidade. O que acho é que a médio e longo prazos não é bom permitir uma abertura continuada do déficit. Um déficit crescente, que represente um processo crescente e continuado de necessidade de endividamento externo, é perigoso.

FOLHA – Em que estágio da crise financeira americana ainda estamos?
COUTINHO
- Ainda há um rescaldo que durará um bom tempo. O que está mais ou menos claro é que a economia americana já se desacelerou, vai passar por um período de desaquecimento, de recessão talvez. A dúvida fundamental é calcular o rebatimento da crise sobre o resto da economia internacional. Algum rebatimento haverá, na medida em que 20% da economia chinesa depende de exportação. Acho que um desaquecimento moderado pode ser até bom para a economia brasileira porque vai moderar as pressões das commodities, que têm sido um fator preocupante de controle inflacionário.
É possível que tenhamos um cenário global menos favorável, mas não é catastrófico. Nesse cenário, o quadro de liquidez internacional será muito favorável, porque, para administrar a crise americana, será necessário a sustentação de juros muito baixos. Isso significa que a liquidez pode passar por ciclos muito seletivos, de estresse, mas estruturalmente o mundo será de grande liquidez.
Nesse contexto, a economia que demonstrar capacidade de crescimento vai atrair capitais e se descolar. Tenho a percepção de que o Brasil pode se descolar do ciclo, como a China. E por quê? Por uma coisa relativamente intuitiva, depois de 25 anos de investimento travado, criamos uma carteira de investimentos necessários, de alto retorno e risco relativamente baixo.

FOLHA – Qual a expectativa do sr. para a decisão do Copom?
COUTINHO
- É um prognóstico difícil. Como colega de governo, eu acho que o Copom tem toda autonomia para decidir e eu não devo opinar sobre isso.

Artigo do Renato Janine Ribeiro na Folha de hoje:

Superávit etário

AUMENTO DA EXPECTATIVA DE VIDA TORNARÁ PRIORITÁRIO, NO SÉCULO 21, O DEBATE SOBRE O SENTIDO DA EXISTÊNCIA

RENATO JANINE RIBEIRO
ESPECIAL PARA A FOLHA

Questões de valor são eminentemente filosóficas: constituem a matéria-prima da ética. Nos últimos anos, boa parte da discussão pública sobre o bem agir tratou de temas que colocam em foco a própria vida. Isso pode ter começado com a proposta de descriminar o aborto e depois passou para a pergunta sobre a boa morte.
Se há um ponto em comum entre as discussões sobre o aborto, a eutanásia (e as formas de morte voluntária digna) e o uso das células-tronco para pesquisa, é este: a vida se tornou objeto de intensa discussão ética.
Esse debate não é fácil, porque coloca em cena a vida que não virá à luz, no caso do aborto ou talvez dos embriões, ou a vida que tenha fim abreviado. Em outras palavras, é um debate sobre a vida que inclui a morte ou a não-vida. Daí que seja muito delicado, fácil de tomar pelas paixões.

Transcrevo o resto da matéria abaixo do fold, para os sem-Folha.

É um texto com algumas boas questões, creio eu. Curiosamente, hoje mesmo, ao ver uma velhinha na fila do açougue, aparentemente bastante idosa mas ao mesmo tempo bastante saudável e lúcida, eu pensava sobre estas coisas. Por exemplo: suponho que em não mais que vinte anos será possível suprir a falência de órgãos a partir de transplantes feitos a partir de células do próprio doente. Isso provavelmente aumentará a sobrevida humana em muitas décadas. Muito antigamente, antes da invenção dos antibióticos, morria-se de infecções e septicemias; depois foi a era da morte por problemas cardíacos; e hoje vivemos a era do câncer. Talvez em mais algum tempo vivamos na era da morte por Alzeheimer ou de pura senilidade, ou falta de vitalidade do sistema nervoso central. O texto do Janine coloca alguns pontos interessantes:

Simone de Beauvoir tem um belo romance, “Todos os Homens São Mortais”. Um personagem vive séculos. Cansa-se. Estaremos perto disso? Vivemos uma situação em que o estoque de vida possível ultrapassa a possibilidade de lhe atribuirmos valor, sentido, dignidade?

Será possível cansar de viver? Depende. Em primeiro lugar, depende de em que condições físicas e mentais se dá essa sobrevivência, é claro: não parece haver grande vantagem em viver por longo tempo, mas em más condições de saúde. Evidentemente essa afirmativa deve ser relativizada à luz de certos resultados dos estudos sobre “felicidade”. Por exemplo, recentemente ficou claro que pessoas que são submetidas a amputações retornam rapidamente a um estado de felicidade subjetiva comparável ao que tinham antes. Um novo estado de saúde pode ser muito menos suportável quando pensamos nele antes de efetivamente estarmos nele.

Hoje, já a herança perdeu sentido. É rara a pessoa que, com a herança proveniente da morte dos pais, constrói sua vida. Geralmente, herda-se quando já não se precisa disso.

Isso é interessante. De fato, o instituto da herança faz sentido em um mundo onde se morre cedo, antes de os filhos serem capazes de viver por si próprios. Depois disso ele passa a ser, de fato, um instrumento de concentração de rendas. Mas que grau de concentração de renda é possível em um mundo onde o envelhecimento é bloqueado? Há uma novela de Bruce Sterling chamada “Holy Fire” onde a sociedade é uma gerontocracia, e pessoas muito velhas acumulam enormes quantidades de dinheiro, que lhes permite pagar por métodos cada vez mais sofisticados de prolongar a vida _ o que lhes permite acumular ainda mais dinheiro _ em um ciclo infindável, onde os jovens são poucos e não têm muita esperança.

Há espaço para todos? Emprego, ar, água, comida? Questões sociais, sim, de intendência, sim, mas que repercutem em nossas escolhas.”

Outro dia escutei pela primeira vez o termo “Deep Green”. Ele refere-se ao termo correlato “deep ecology“, e trata-se de uma facção do movimento ecologista (criada pelo ecologista e filósofo norueguês Arne Næss) que acredita que nossa civilização é inerentemente inimiga do meio ambiente e que sua expansão será insustentável.  Genericamente, trata-se de saber se há limites ao crescimento; na medida em que se defina “crescimento” como a agregação de mais e mais mercadorias, bens de capital, equipamentos e infra-estrutura para mais e mais pessoas, parece claro que sim, há limites ao crescimento.

Há quem advogue que o advento dos “bens de informação” altere tudo isso.  Façamos um experimento mental.

Imaginemos que mais e mais pessoas se conectem ao “Second Life“, e que se descubram maneiras de tornar a experiência virtual mais e mais realista.  Suponha que no limite seja possível recriar o mundo real com tal detalhe, e promover um tipo de conexão entre a pessoa e o mundo virtual, a ponto de ambos, mundo real e virtual se tornarem indistinguíveis um do outro.  Nessas condições, poderíamos facilmente migrar para o mundo virtual a maior parte do dia _ trabalhar, estudar e se divertir no mundo virtual, “voltando” ao mundo real apenas para realizar as atividades básicas de manutenção do corpo físico.

Isso teria muitas vantagens.  Por exemplo, poderíamos ter cada vez menos bens materiais “reais”, e cada vez mais bens materiais “virtuais”.  Poderíamos viajar instantaneamente por inumeráveis mundos virtuais.  Talvez pudéssemos ter até sexo virtual.

A questão é: mesmo nesse mundo, haveria limites para o crescimento?

A resposta a esta pergunta depende de darmos uma boa olhada no funcionamento do Linden Labs, a empresa onde funciona o Second Life atualmente.  Eis um trecho do livro “The Big Switch“, do Nick Carr, sobre o Second Life:

O programa (que gera o mundo virtual) roda em centenas de servidores que estão abrigados em dois data centers, um em São Francisco e o outro em Dallas, que não são de propriedade do Linden Labs e sim por companhias que prestam serviços de computação para terceiros.  Cada servidor contém, por sua vez, quatro computadores virtuais, cada um dos quais controlando 16 acres de território no Second Life.  Todos esses computadores virtuais e reais trabalham em conjunto para criar o vasto mundo que os residentes experimentam ao jogar o jogo.

Segundo o site da empresa, no dia 10 de abril, última estatística disponível, existiam 13,243,675 avatares (isto é, jogadores, ou habitantes) no Second Life.  É bastante gente, mas muito menos gente do que estamos falando em minha utopia virtual.  Ainda assim, Nick Carr calculou que um avatar do Second Life consome tanta energia quanto um brasileiro médio.  Wow.

De fato, apenas um dos gigantescos data centers do Google, o localizado em The Dalles, consome 103 megawatts de energia _ o suficiente para alimentar uma cidade (americana) de 82.000 habitações. Mais sobre isso aqui e aqui.  Li que recentemente o Departamento de Energia norte-americano chamou os grandes proprietários de data centers para conversar, pois seu crescimento exponencial já começa a botar pressão na geração de energia dos EUA.  E a Matrix ainda está só esquentando…

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Podia ser pior. Deu na Folha:

Berlusconi deve vencer eleições na Itália, diz analista

Em meio à crise econômica e ao descontentamento da população com o atual governo, a Itália realiza neste domingo e nesta segunda-feira as suas eleições parlamentares. O cargo de prêmie é disputado por Silvio Berlusconi, líder do partido conservador Povo da Liberdade (PDL), e Walter Veltroni, do Partido Democrático (PD).

Para Giovani Orsina, professor de Ciência Política da Universidade Livre Luiss Guido Carli (Roma), Berlusconi é o favorito na disputa. “Mesmo que ele não obtenha a maioria no Senado, deve vencer as eleições”, disse o analista em entrevista à Folha Online.

Edson Alves Jr. me envia uma obra de arte que apareceu no Orkut.  Acho que merece reprodução aqui:

O circo

Madame, o grande circo da opinião
foi armado no Orkut. Bem podias
ir comigo até lá num desses dias,
para assistir a uma apresentação.

O espetáculo é farto, tem de tudo,
desde lacraus e cobras que são anjos
até lutas no ringue entre marmanjos
para ver quem tem mais razão e estudo.

Gosto dos cachorrinhos excelentes
que saltitam na escada do argumento
e, fingindo possuir entendimento,
fazem malabarismos surpreendentes,

até que alguém suspire: “I rest my case“;
mas não mudam de rota, nem a muque,
porque só sabem mesmo aquele truque
(podendo ser que ignorem o inglês).

Acho os ursos jeitosos quando os vejo
equilibrar-se sobre tábuas longas
de velhas quarteladas e milongas
(seu objeto de culto e de desejo?)

e os camelos, que apenas são mostrados
e com ar de quem veio de outro mundo
se fingem donos de um saber profundo
que adquiriram pastando outros relvados.

Verás uma serpente que se enrola
em torno de uma dama – a Liberdade –,
que não existe nada que lhe agrade
mais do que falar dela ou pressupô-la

como um tipo de presa em que o seu dente
se crava com prazer. E os elefantes!
Como são delicados e elegantes
quando se sentam sobre o tamborete

de um conservadorismo empedernido,
o único em condições de suportar,
sem se abater e sem desmoronar,
seu traseiro pesado e desmedido!

Admirarás também os bailarinos
do trapézio e da corda, habilidosos
em produzir discursos tortuosos
para fundamentar seus desatinos,

o que fazem com arte inigualada;
além, claro, do bom contorcionismo
que converte nazismo em comunismo
e faz da ideologia uma salada –

sem falar da mortal acrobacia
de quem nenhuma conseqüência mede
e se lança no vácuo, sem a rede,
cultivando inimigos noite e dia.

Ouvirás de uma leoa o amplo rugido
e verás como vai, com desafogo,
atravessar um círculo de fogo,
pousando do outro lado do sentido,

com leveza admirável; e um babuíno
que comanda uma orquestra de fulanos
(serão filhos de padres?) cujos planos,
aventados com raivas de menino,

se restringem ao sonho de algum golpe
ou de um tipo específico de assalto
que arranque o presidente do Planalto –
música que executam num galope.

Verás um papagaio que repete
esta frase: “Ninguém me refutou!”
e, já incapacitado para o vôo,
se contenta em bicar uma corrente,

enquanto um tocador de realejo
tenta fazer dançar um periquito,
falando-lhe do cosmo e do infinito
e outras coisas que sabe de sobejo.

E o grão mágico, o gênio da ilusão,
cuja arte incontestável faz milagres
(mais do que Dom Henrique fez em Sagres),
arrastando o juízo e o coração

de tanta gente crédula, disposta
a lhe dar mais que um voto de confiança
e, em meio à indecisão que nos balança,
aceitar o que diz como resposta

a perguntas que não entende bem,
mas que insiste em fazer, porque lhe importa
corrigir a verdade sempre torta
pela qual paga menos que um vintém.

Gosto principalmente dessa dama
que, de pé sobre o lombo de um cavalo,
vai, sem qualquer tremor e sem abalo,
ganhando distinção, ganhando fama,

e de quem não se diz que sabe mais
que o quadrúpede simples e ronceiro
que a conduz através do picadeiro,
dando voltas levianas, liberais –

sempre em nome do povo. E do espetáculo
aprecio o barulho, a confusão,
o sentido de urgência e comoção
(que só encontra no povo o seu obstáculo),

por algum modo novo, sub-reptício –
seja o “Fora-Lulismo” ou o “Cansei” –
de, em defesa da lei, burlar a lei,
enaltecendo o próprio sacrifício

e a própria inteligência cultivada
nos mistérios da história, da justiça
e de uma economia algo postiça
da qual, no entanto, não conhece nada.

Outros, brandindo a Veja – uma família –,
formam uma pirâmide ao redor
de algum costume insípido, incolor,
que entanto não os toca, nem humilha,

porque leram Mainardi e estão seguros
de que o mundo é um clichê que se repete
e de que em meio ao caos só lhes compete
tornar mais e mais altos os seus muros.

Alegres, os palhaços vêm à cena
(não se sabe se sóbrios ou se grogues)
sugerir que leiamos os seus blogues,
onde uma farsa lírica se encena –

sem sentido de início e de final –,
mestres do riso e da fanfarronice,
que transformam qualquer disse-me-disse
num escândalo enorme, colossal.

Verás um homem atirar punhais
contra uma adolescente que sorri
e acredita que a vida gira ali,
toda envolta em notícias de jornais;

e, a defender idéias de aprendiz,
o engolidor de espada, sempre pronto
para mais um embate ou um confronto
com quem mostra as falácias do que diz;

e o homem-elefante, que ficou
tristíssimo depois que foi expulso
de uma comuna que o julgou insulso
apesar dos canhões que disparou;

e também homens-bala, que se vestem
de Churchill, de Saddan, de Napoleão
e se projetam sobre a multidão,
que pasma dos poderes que revestem,

mas que, passado o susto, reconhece
que uma rede de inépcia e anonimato
é que tornou possível esse ato;
e assim, tão logo os viu, logo os esquece.

Verás, madame, o que jamais sonhaste,
nem no teu devaneio mais estranho,
nem nalgum pesadelo sem tamanho
(caso o teu velho tédio não te baste,

caso das emoções busques o pico).
Mas é preciso que tu vás comigo,
que deixes teu conforto e teu abrigo –
e de pronto corramos para o circo.

1. Maple Syrup

Government credit cards reportedly used in shopping frenzy; criminal charges laid


By: Steve Rennie, THE CANADIAN PRESS

OTTAWA – Government credit cards assigned to the Canadian Border Services Agency were used to go on a $230,000 shopping spree, say newly released documents.

The government documents claim the bills were racked up during a nine-month spending frenzy.

A former employee of the Canadian Border Services Agency faces criminal charges.

The CBSA launched an internal affairs investigation after noticing “irregular purchases” on one of its acquisition cards, according to the documents, which were obtained by The Canadian Press under the Access to Information Act.

(…)

2. Apple Pie

GAO: Millions wasted on gov’t cards

By HOPE YEN, Associated Press Writer Tue Apr 8, 7:36 PM ET

WASHINGTON – Federal employees charged millions of dollars for Internet dating, tailor-made suits, lingerie, lavish dinners and other questionable expenses to their government credit cards over a 15-month period, congressional auditors say.

A report by the Government Accountability Office, obtained Tuesday by The Associated Press, examined spending controls across the federal government following reports of credit-card abuse at departments including Defense, Homeland Security and Veterans Affairs.

The review of card spending at more than a dozen departments from 2005 to 2006 found that nearly 41 percent of roughly $14 billion in credit-card purchases, whether legitimate or questionable, did not follow procedure — either because they were not properly authorized or they had not been signed for by an independent third party as called for in federal rules to deter fraud.

For purchases over $2,500, nearly half — or 48 percent — were unauthorized or improperly received.

Out of a sample of purchases totaling $2.7 million, the government could not account for hundreds of laptop computers, iPods and digital cameras worth more than $1.8 million. In one case, the U.S. Army could not say what happened to computer items making up 16 server configurations, each of which cost nearly $100,000.

(…)

Maria Cristina Fernandes, ecoando interessante tese de Werneck Vianna no Valor de hoje:

O árbitro diante da prorrogação

Um governo que abriga no primeiro escalão personagens tão díspares quanto Rolf Hackbart (Incra) e Reinhold Stephanes (Agricultura), ou Henrique Meirelles (BC) e Luiz Marinho (Previdência), estava marcado para cavalgar sobre o vácuo desta discussão do terceiro mandato. A fórmula para dispor esses contrários ao longo da Esplanada dos Ministérios é exclusiva do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. São os riscos resultantes da necessidade de reformular a relação entre os pólos opostos contemplados por este governo que alimentam o qüiproquó da sucessão lulista.

A tese, sustentada por Luiz Werneck Vianna, professor do Iuperj, em artigo disponível na internet ( http://www.acessa.com/gramsci/ ), confronta a versão corrente de que o combustível do terceiro mandato é o espetáculo do crescimento. Não é por comandar a bilheteria que Lula desperta tamanho falatório, mas por arbitrar a guerra das torcidas adversárias.”

O resto abaixo do fold, para os sem-Valor.

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Matéria interessante no Valor de hoje:

Quando o livre mercado pede socorro
Por Cristiane Perini Lucchesi, de São Paulo

“Agora somos todos keynesianos”. A famosa frase – dita pelo monetarista Milton Friedman em 1965 à revista “Time” e pelo ex-presidente americano Richard Nixon ao acabar com o padrão ouro, em 1971 – está de volta à ordem do dia. Afinal, o livre e desregulamentado mercado dá sinais de fraqueza inconteste e tem pedido cada vez mais a ajuda do Estado. A inadimplência nas hipotecas americanas gerou uma crise de solvência entre os bancos dos países ricos que foram, pouco a pouco, socorridos pelos diversos governos.

A necessidade de ampliação dos gastos públicos para evitar uma recessão maior passou a ser defendida por personalidades tão díspares quanto o presidente americano George W. Bush, passando por seu secretário do Tesouro, Henry Paulson, pelo diretor-gerente do Fundo Monetário Internacional, Dominique Strauss-Kahn, e pelos candidatos democratas à presidência dos Estados Unidos, Hillary Clinton e Barack Obama. Bancos centrais, governos e até mesmo instituições financeiras privadas passaram a discursar em favor de mudanças na regulamentação para o sistema financeiro e de melhorias na atuação de entidades regulatórias em todo o mundo.”

O resto abaixo do fold, para os sem-Valor.

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E tudo graças a um menino maluquinho

Deu no Estadão:

Massacre de Virginia Tech rende indenização milionária

WASHINGTON – Os parentes das vítimas mortas por um estudante sul-coreano que atacou há um ano a Universidade de Virginia Tech receberão uma indenização de US$ 11 milhões, informaram hoje fontes judiciais.

Advogados das 21 famílias disseram que o valor foi decidido em um acordo extrajudicial com o estado da Virgínia para evitar processos posteriores.

“Nossos corações estão com nossos clientes que nos confiaram esta importante responsabilidade”, indicaram os advogados em uma declaração.

Em 16 de abril do ano passado, o estudante sul-coreano Seung-hui Cho matou 32 pessoas e feriu mais de dez na Virginia Tech. Após o ataque, cometido em um dos establecimentos do instituto, Cho se suicidou.

Os advogados indicaram que só divulgarão os detalhes do acordo quando forem acertados os detalhes definitivos.

***

Feitas as contas, cada família levou para casa mais ou menos o mesmo que o Ziraldo. Com a vantagem, sobre a família do Ziraldo, que sem o Ziraldo.

Depois dizem que brasileiro não é empreendedor…

O Cleber do Mundus Minor propôs um meme bem simples: eu coloco aqui o desfecho favorito de um determinado livro e vocês têm que adivinhar que livro é _ sem usar o Google, é claro.

Aí vai a minha contribuição soturna; eu só censurei o finzinho, pois isso seria entregar o ouro:

Full circle, he thought while the final lethargy crept into his limbs. Full circle. A new terror born in death, a new superstition entering the unassailable fortress of forever (…)

Transmito a quem interessar possa.  Se quiser me avise e eu listo aqui os que toparam a parada.

The challenging, rewarding life inside a big backwaterish corporation!

Deu no Correio Braziliense:

Dinheiro para saúde indígena pagou jantares e viagens da UnB

10/04/2008
08h51
-
Sopa-creme de abóbora e queijo brie ou quiche de queijo de cabra, abobrinha e amêndoas na entrada. Salmão grelhado ao molho normanda, tirinhas de filé mignon ao molho de manga e tomates como opções de pratos quentes. Frutas frescas, tortinha morna de maçã e passas na sobremesa. Esse é o cardápio de um dos almoços oferecidos pelo reitor da Universidade de Brasília (UnB), Timothy Mulholland, com dinheiro que deveria ser usado em benefício dos índios. O evento, para 39 convidados do reitor, custou R$ 5.172,80. E foi pago com recursos da Fundação Nacional de Saúde (Funasa).

O almoço ocorreu em 16 de julho do ano passado, no restaurante Alice Brasserie, na QI 17 do Lago Sul. A pedido da Reitoria da UnB, o restaurante, um dos mais badalados (e caros) de Brasília, foi fechado naquele dia para Timothy e os convidados dele. (…)

Na lista de convidados do reitor, à qual o Correio teve acesso, há 18 funcionários da UnB. Os outros 21 são integrantes da Embaixada da Espanha no Brasil, do governo espanhol e do Instituto Cervantes. O almoço marcou a assinatura do acordo de intenções entre a UnB e o Instituto Cervantes, organismo público sem fins lucrativos da Espanha. Participou do encontro, como maior autoridade, o ministro de Cultura espanhol, César Antonio Molina. Acompanhado do secretário-geral do Instituto Cervantes, Joaquín de la Infiesta, Molina recebeu uma homenagem do reitor da UnB, que entregou a ele um documento de reconhecimento que a universidade reserva a personalidades internacionais.

Na época da visita dos espanhóis, o site da UnB destacou o encontro em diversas reportagens feitas pela equipe da Secretaria de Comunicação (Secom) da universidade. Mas em nenhuma das matérias informou que o convênio foi assinado em almoço oferecido pelo reitor e pago com recursos da Funsaúde. Muito menos o preço da recepção. Três jornalistas da Secom, nenhum concursado, estavam na lista de convidados oficiais de Timothy.

(…)

Contradição
Para os promotores que investigam os contratos das fundações de apoio ligadas à UnB, almoços e jantares oferecidos pelo reitor com dinheiro da Funasa são ilegais. “É por causa de gastos como esses que o atendimento aos índios fica prejudicado. Está mais do que caracterizado o desvio de dinheiro público”, afirma o promotor Ricardo de Souza, da Promotoria de Fundações e de Entidades de Interesse Social, do MPDF.

Souza considera uma contradição a reserva de espaços para eventos da reitoria. “O Timothy sempre alegou que o apartamento funcional (que ele ocupava) foi decorado de forma luxuosa para receber autoridades”, destaca. Cerca de R$ 470 mil foram usados na decoração do apartamento da UnB, na 310 Norte, ocupado pelo reitor até o começo deste ano, quando os gastos vieram à tona e o MPDF tornou pública a investigação sobre os recursos da Finatec.

***

Declaração de Rosane Mulholland, jovem atriz e filha do Reitor:

Olha, eu conheço meu pai desde que nasci. Ele trabalha na UnB há mais de 30 anos e foi muito dedicado à faculdade. E, obviamente, acho que ele não merece o que está passando.

Infanticídio começa em casa.

A supremacia do Ocidente

O Science Blogs nos informa, hoje, de que a Chita (é, aquela do Tarzan) está fazendo 76 anos hoje.

É o mais velho primata não-humano ainda vivo conhecido atualmente.

Ela vive em uma espécie de “retiro dos artistas” para primatas, a C.H.E.E.T.A. (Creative Habitats and Enrichment for Endangered and Threatened Apes), e sua biografia, Me Cheeta, será publicada por estes dias.

Sem tipos chineses, sem Gutemberg.

Sem Gutemberg, sem Bíblias em massa.

Sem Bíblias em massa, sem protestantismo.

Sem protestantismo, sem capitalismo (bom, foi o que disse Max Weber, vão se queixar lá com ele).

Ou seja:

Europa – China = Feudalismo Papista

Parabéns, Professor! Agora, cospe aqui

Deu no G1:

Um quinto dos cientistas usa drogas para turbinar seu desempenho, diz pesquisa

Levantamento englobando 1.400 pesquisadores de 60 países foi feito pela revista ‘Nature’. Necessidade de melhorar concentração é citado como principal razão do ‘doping’.

A era do doping científico pode ter começado, a julgar pelos resultados de um levantamento feito pela revista especializada britânica “Nature”. Um em cada cinco pesquisadores que responderam um questionário on-line da publicação admitiram o uso de drogas para melhorar seu desempenho intelectual. São medicamentos normalmente empregados contra doenças do sono, hiperatividade e problemas cardíacos, que agora estão sendo colocados a serviço da mente dos cientistas sem prescrição médica.

A “Nature” havia colocado o questionário em seu site no começo deste ano, estimulada por um artigo especulativo de neurocientistas da Universidade de Cambridge. Barbara Sahakian e Sharon Morein-Zamir haviam feito uma enquete de pequena escala com seus colegas a respeito do uso desse tipo de droga e perguntado se estariam dispostos a usar tais substâncias para melhorar seu desempenho. As reações do público da “Nature” foram tão fortes que a revista se viu motivada a realizar sua própria pesquisa.

O questionário foi respondido por 1.400 pessoas de 60 países. Além de perguntas mais genéricas sobre as opiniões pessoais dos cientistas a respeito do uso de “doping”, a revista decidiu enfocar um trio de substâncias já conhecidas por seu uso entre estudantes desesperados.

A tríade abrange o Ritalin (princípio ativo: metilfenidato), normalmente usado para tratar hiperatividade ou distúrbio do déficit de atenção e empregado informalmente; o Provigil (modafinil), que atua contra problemas de sono mas também combate o cansaço e a desregulação do relógio biólogico; e os chamados betabloqueadores, que os médicos recomendam contra arritmia cardíaca, embora tais drogas também possam atuar contra a ansiedade.”

***

Vai rolar exame anti-doping na cerimônia do Prêmio Nobel…

Aiô Silver!

Deu na Folha:

Índio-bomba” diz que agiu em troca de trabalho

DA AGÊNCIA FOLHA

Uma promessa de trabalho em uma lavoura de arroz foi o motivo apontado pelo índio David Conceição para que ele dirigisse um Monza carregado com explosivos e estacionasse o veículo em frente ao posto da PF, em Pacaraima (214 km de Boa Vista, RR), segundo depoimento dele à polícia.
Além disso, a PF disse que Conceição jogou um coquetel molotov no prédio em protestos de anteontem contra a retirada dos arrozeiros da terra indígena Raposa/ Serra do Sol.
O carro acabou não explodindo, e ele permanecia detido até o fechamento desta edição. Em depoimento, Conceição disse que foi “arregimentado” para participar do protesto por um casal que trabalha para um arrozeiro, que não foi localizado ontem pela reportagem.
A versão do índio está sendo investigada pela PF.
Por ser um dos poucos aptos a dirigir entre os manifestantes, ele foi escolhido para levar o carro com explosivos. A Funai (Fundação Nacional do Índio) disse que acompanhará o caso de Conceição e que aguardará um posicionamento do Ministério Público Federal acerca de sua prisão.

***

Em breve vai ter blog chamando pela Sétima Cavalaria…

E naquele que é provavelmente o momento menos inspirado de sua carreira como blogueiro, o Paulo do FYI essencialmente confessa que seus adversários são culpados de terem argumentos.

Civilização ocidental é crítica do infanticídio desde o berço

Já um parricídio…

Brasil, país preparado

Deu no Estadão:

Seremos um imenso Portugal?

“Já se encontra disponível o mais recente Flash Report publicado pelo OberCom. O presente relatório faz uma caracterização dos Bloguers portugueses e da sua actividade de blogging, nas vertentes de consumidores e produtores de conteúdos da blogosfera, e as suas percepções acerca da credibilidade desses mesmos conteúdos comparativamente com os difundidos pelos mass media.

Com base nos dados do inquérito por questionário ‘A Sociedade em Rede em Portugal 2006’, este Flash Report pretende responder às seguintes questões:

  • Em Portugal, quantos são e quem são os utilizadores e os produtores de blogues?
  • Qual a frequência de consumo e produção de blogues pelos internautas portugueses?
  • O que motiva os internautas a navegar e a interagir na blogosfera?
  • Que credibilidade atribuem aos conteúdos que habitam a blogosfera?
  • Que segmentação temática apresenta a blogosfera.pt?
  • Quais as representações que melhor caracterizam a blogosfera.pt, em termos dos seus conteúdos e autoria desses conteúdos?

De entre as principais conclusões, é de destacar que na dieta de novos media dos portugueses, os blogues são ainda um media de introdução recente e pouco difundido, embora em crescimento. Por outro lado, no que respeita à actividade de blogging (consulta, interacção e produção de conteúdos para blogues), os bloguers portugueses têm maioritariamente um perfil jovem (adolescente e jovem adulto), sendo este perfil mais acentuado entre os produtores de conteúdos de blogues, os quais são maioritariamente indivíduos do sexo masculino, estudantes do ensino secundário e superior; enquanto os bloguers-consumidores revelam um perfil mais heterogéneo, incluindo uma maior proporção de indivíduos adultos mas não idosos, um equilíbrio entre homens e mulheres, e graus de escolaridade mais elevados.

Destaca-se ainda neste estudo a existência de vários traços que diferenciam os bloguers-produtores dos bloguers-consumidores portugueses ao nível quer das práticas de blogging quer das percepções sobre a blogosfera. Enquanto que na percepção dos bloguers-consumidores a vertente da agenda noticiosa dos mass media tem uma expressão muito significativa e marca notoriamente a blogosfera, os bloguers-produtores encaram preferencialmente a blogosfera como um espaço composto por linkblogs e lifelogs.

Ainda em contraste, entre os bloguers-produtores sobressai de forma mais acentuada o reconhecimento da blogosfera como um mundo de vozes e autorias plurais, que se consome de forma intensa mas fluida como um contínuo entre modalidades de webjournalism, linklogs e lifelogs, e onde se entrecruzam agendas públicas e privadas. São, também, os bloguers-produtores que atribuem maior grau de credibilidade à informação veiculada nos blogues, o que seria expectável devido ao próprio investimento pessoal que lhe dedicam, e são aqueles que mais utilizam a Internet nas suas várias vertentes como meio de informação e meio de entretenimento. Por último, na relação entre os novos media e os media tradicionais, enquanto os bloguers-produtores apresentam dietas online mais diversificadas e intensivas e os bloguers-consumidores são mais intensivos nas duas dietas offline; a televisão surge para ambos como um denominador comum na estrutura dos consumos mediáticos que é um dos traços mais marcantes da própria sociedade portuguesa.”

Relatório completo aqui [PDF].

Deu no G1:

Acesso a blogs do WordPress no Brasil pode ser bloqueado

Associação de provedores diz que Justiça mandou impedir acesso a um blog.
Segundo a associação, para cumprir a ordem, outras páginas serão bloqueadas.

Uma ordem judicial expedida no final de março pode resultar no bloqueio do acesso no Brasil a todos os blogs hospedados no portal wordpress.com. A ordem tem como objetivo proibir o acesso a um blog. Mas, segundo a Associação Brasileira de Provedores de Internet (Abranet), para que a decisão judicial seja cumprida, os provedores de terão de barrar o acesso a todos os sites oferecidos pelo serviço.

A Justiça não informou o nome do blog e a razão da decisão de bloquear a página.

De acordo com a Abranet, o Brasil responde por cerca de 1 milhão dos blogs hospedados no WordPress.

A ordem de bloqueio foi enviada à Abranet, que a repassou para todos os provedores associados. “Ordem judicial não se discute, se cumpre. Mas, como não é possível bloquear especificamente o endereço solicitado, o acesso a todos os sites com a extensão wordpress.com será impedido no Brasil”, explicou ao G1 Eduardo Parajo, presidente da associação.

Parajo não especificou uma data em que esses blogs ficarão inacessíveis, mas afirmou que os provedores já estão tomando as providências para realizar o bloqueio.

Segundo a companhia de monitoramento de tráfego Alexa, o WordPress ocupa a 27ª posição entre as páginas mais acessadas do país. Se considerados os sites mais acessados de todo o mundo, os blogs do WordPress ficam em 49º lugar. Nos EUA, ele teve crescimento de 310% no período de um ano e terminou 2007 somente atrás do Blogger entre os serviços de blog mais populares do mundo.

Dificuldade técnica em cumprir a ordem

Paralelamente ao cumprimento da ordem, a Abranet pretende enviar um texto ao juiz, explicando as dificuldades técnicas dessa questão. “Nosso objetivo é esclarecer a situação e mostrar que muitas pessoas podem ser prejudicadas. A alternativa que temos para executar o bloqueio de um único blog vai afetar outras pessoas”, disse Parajo.

Uma situação parecida foi registrada no início de 2007, quando um polêmico vídeo causou o bloqueio do YouTube no Brasil – o site ficou inacessível para os brasileiros durante um dia. O arquivo continha imagens picantes da modelo Daniella Cicarelli e seu então namorado, Tato Malzoni, que abriu com um processo para proibir a veiculação do conteúdo.

Pô, Samurai, tu é pé-frio, hein? :)

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