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Eu não costumo ter pesadelos. Mas tenho uma experiência mais ou menos frequente que pode passar por um pesadelo: a de acordar e ver o mundo com novos olhos _ como se tivesse passado a noite passeando em territórios inefáveis, não-humanos, experimentando sensações indescritíveis em palavras. Nessas manhãs acordo entendendo aquela frase do Millôr segundo a qual “é melhor ter mau hálito do que hálito algum” em toda a sua terrível ambiguidade, porque é como se eu tivesse estado morto _ ou menos que isso: perdido para este mundo.
Ontem à noite, porém, tive daqueles momentos que são antípodas do que descrevi acima _ aquele tipo de ocasião capaz de provar que apesar de todas as divergências e multiplicidades, nós humanos somos mesmo uma imensa fraternidade. Obrigado, blogueiros amigos.
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PS: teve uma turma que ficou preocupada com este post, achando que havia me acontecido alguma coisa. Explico: ontem à noite estive em São Paulo e participei de um encontro de blogueiros organizado (ao que tudo indica) pela Lucia Malla. Daí o estilo neofofo do post, que é, confesso, inabitual neste blog. Eu tenho outro blog com motivos de Hello Kitty que uso para descarregar estes momentos, mas hoje eu não aguentei.
Um artigo no NYT de hoje fala das diferenças entre as culturas de negócios do Vale do Silício e de Hollywood. Este trecho sumariza a questão, eu acho:
““If a successful director has a flop, his peers and colleagues question whether he has lost his touch,” Mr. Kvamme said. “By contrast, in the Valley, if you have a failure, that usually means that you have learned something. There are very few successful serial entrepreneurs. Failure is almost a rite of passage.”
Acho bem possível que isso aconteça em outras instâncias também.
Um argumento muito comum em discussões com anaeróbicos é o argumento da desimportância, ou seja, de que nossas teorias conspiratórias não se justificam já que os EUA não têm o menor interesse no Brasil. Matéria no Valor de hoje, porém, mostra que não é bem assim:
“Numa reunião no dia 26 de junho de 2002, quatro meses antes do primeiro turno das eleições presidenciais brasileiras, o então presidente do Fed, Alan Greenspan, manifestou preocupação com o avanço da esquerda na América Latina e os riscos que ela poderia criar na região.
O então presidente do Fed regional de Nova York, William McDonough, que também participou dessa reunião, era o mais assustado com o que estava acontecendo. Ele classificou a situação do Brasil como um “perigo sempre crescente” e disse que o avanço de Lula nas pesquisas eleitorais criava o risco de uma “fuga maciça de capitais”.
(…)
As transcrições das reuniões mostram que as autoridades americanas temiam que o medo que os investidores tinham de Lula deflagrasse uma crise financeira internacional, atingindo outros países emergentes e alimentando pressões sobre o dólar e a economia americana, que ainda parecia estar se recuperando dos efeitos dos atentados terroristas de setembro de 2001.”
Transcrevo na íntegra, abaixo, para os sem-Valor.



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