Deu no Correio Braziliense:

Dinheiro para saúde indígena pagou jantares e viagens da UnB

10/04/2008
08h51
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Sopa-creme de abóbora e queijo brie ou quiche de queijo de cabra, abobrinha e amêndoas na entrada. Salmão grelhado ao molho normanda, tirinhas de filé mignon ao molho de manga e tomates como opções de pratos quentes. Frutas frescas, tortinha morna de maçã e passas na sobremesa. Esse é o cardápio de um dos almoços oferecidos pelo reitor da Universidade de Brasília (UnB), Timothy Mulholland, com dinheiro que deveria ser usado em benefício dos índios. O evento, para 39 convidados do reitor, custou R$ 5.172,80. E foi pago com recursos da Fundação Nacional de Saúde (Funasa).

O almoço ocorreu em 16 de julho do ano passado, no restaurante Alice Brasserie, na QI 17 do Lago Sul. A pedido da Reitoria da UnB, o restaurante, um dos mais badalados (e caros) de Brasília, foi fechado naquele dia para Timothy e os convidados dele. (…)

Na lista de convidados do reitor, à qual o Correio teve acesso, há 18 funcionários da UnB. Os outros 21 são integrantes da Embaixada da Espanha no Brasil, do governo espanhol e do Instituto Cervantes. O almoço marcou a assinatura do acordo de intenções entre a UnB e o Instituto Cervantes, organismo público sem fins lucrativos da Espanha. Participou do encontro, como maior autoridade, o ministro de Cultura espanhol, César Antonio Molina. Acompanhado do secretário-geral do Instituto Cervantes, Joaquín de la Infiesta, Molina recebeu uma homenagem do reitor da UnB, que entregou a ele um documento de reconhecimento que a universidade reserva a personalidades internacionais.

Na época da visita dos espanhóis, o site da UnB destacou o encontro em diversas reportagens feitas pela equipe da Secretaria de Comunicação (Secom) da universidade. Mas em nenhuma das matérias informou que o convênio foi assinado em almoço oferecido pelo reitor e pago com recursos da Funsaúde. Muito menos o preço da recepção. Três jornalistas da Secom, nenhum concursado, estavam na lista de convidados oficiais de Timothy.

(…)

Contradição
Para os promotores que investigam os contratos das fundações de apoio ligadas à UnB, almoços e jantares oferecidos pelo reitor com dinheiro da Funasa são ilegais. “É por causa de gastos como esses que o atendimento aos índios fica prejudicado. Está mais do que caracterizado o desvio de dinheiro público”, afirma o promotor Ricardo de Souza, da Promotoria de Fundações e de Entidades de Interesse Social, do MPDF.

Souza considera uma contradição a reserva de espaços para eventos da reitoria. “O Timothy sempre alegou que o apartamento funcional (que ele ocupava) foi decorado de forma luxuosa para receber autoridades”, destaca. Cerca de R$ 470 mil foram usados na decoração do apartamento da UnB, na 310 Norte, ocupado pelo reitor até o começo deste ano, quando os gastos vieram à tona e o MPDF tornou pública a investigação sobre os recursos da Finatec.

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Declaração de Rosane Mulholland, jovem atriz e filha do Reitor:

Olha, eu conheço meu pai desde que nasci. Ele trabalha na UnB há mais de 30 anos e foi muito dedicado à faculdade. E, obviamente, acho que ele não merece o que está passando.

Infanticídio começa em casa.