Lá no blog da Ordem Unida Livre, o Diogo Costa tem um post comentando o artigo de Gustavo Ioshpe na Veja sobre preservação ambiental. Não causa surpresa que ele diga o seguinte:

(…) não (…) existe um jogo de soma zero entre economia e ecologia. Ioschpe dá a entender que, se regulamentações ambientais prejudicam o desenvolvimento econômico, logo, defender o desenvolvimento econômico significa sacrificar o meio-ambiente: “Enquanto uma massa de brasileiros vive em condições sub-humanas, sinto-me moralmente impedido de defender a preservação do mico-leão dourado”. Esse dilema só faz sentido se pensarmos exclusivamente nos gastos públicos. Quando as pessoas possuem propriedade dos recursos naturais, em vez da mera licença para a captura ou exploração, há incentivos para a preservação desses mesmos recursos. Um incentivo de força similar ao que há para a destruição irresponsável que vemos na ausência de propriedade privada, quando um animal não capturado ou uma árvore não derrubada é um recurso perdido (às vezes para a competição). Ao fugirmos da mentalidade estatista binária de licença e proibição, percebemos que, porque a fauna e flora são valorizadas pela sociedade, a instituição que promove o crescimento econômico é a mesma que pode garantir uma utilização responsável do meio-ambiente: a propriedade privada. Não há dilema. É a preservação eficiente.

Eu realmente não canso de me admirar de o quanto certas pessoas conseguem desenvolver raciocínios aparentemente lógicos demonstrando soluções que já foram tão completamente desmentidas pela realidade.  Mas eu gostei do comentário do Fernando Sampaio lá no post:

Vide a política alemã de preservação dos recursos hídricos, (adotada voluntariamente pela Bayer no Brasil) de eliminar diversas proibições de despejo de resíduos químicos para estabelecer penas (sic) uma: a empresa deve depejar (sic) os resíduos à montante do rio. Portanto, a qualidade da água a ser usada no processo produtivo (e os custos para trata-la) vão  depender fundamentalmente da disposição da empresa em empregar métodos menos agressivos.

Eu não conhecia a política alemã, mas não posso deixar de notar que aparentemente ela é determinada pelo Estado (tanto é que ele diz que ela é adotada voluntariamente pela Bayer no Brasil).  Não sei se o comentarista percebe, mas o comentário dele é justamente a contraprova da tese do post: primeiro, porque afinal a política é estatal; segundo, porque seu objetivo é justamente a de fazer com que o poluidor internalize os custos dos seus atos _ o que não é sempre possivel e é justamente a raiz do problema das externalidades negativas.