Deu no, entre todos os lugares, Financial Times:
“China’s champions: Why state ownership is no longer proving a dead hand
What we are witnessing, in other words, is an experiment in capitalism that could challenge much of the conventional wisdom about state ownership. Plenty of countries have strong state-owned companies in semi-monopolies such as telecommunications or heavily regulated sectors such as energy and mining. Yet China is trying to create a series of leading public companies in industries exposed to cut-throat competition, where technology, design and marketing are crucial features – just the sort in which state-owned companies have typically suffered at the hands of private rivals.
At a time of growing discussion about whether there is a genuine “China model” for economic development that involves a much bigger role for the state, the fate of China’s public companies could help change the terms of the debate.“


35 comments
Comments feed for this article
Março 17, 2008 às 6:04 pm
F. Arranhaponte
O segredo do capitalismo de Estado chinês está na própria matéria do FT que você linkou:
decade ago, China’s state-owned sector looked like an economic disaster waiting to happen. In the aftermath of the 1997 Asian financial crisis, average profit margins in Chinese state companies fell to close to zero, and many reported huge losses. The government felt it had no option but to embark on a brutal programme of closures that left tens of millions without jobs.
Vê se no Brasil dá para entrar num programa brutal de fechamento de empresas estataios com demissões de dezenas de milhares de trabalhadores.
Então só resta privatizar. Pro capitalismo de Estado à la chinesa funcionar, é preciso ditadura e a não-existência de qualquer direito dos trabalhadores. Acho que niguém quer isso porraqui, ou será que estou enganado?
Março 17, 2008 às 6:22 pm
ohermenauta
E por acaso nas empresas estatais brasileiras privatizadas ninguém ouviu falar em demissões??
Por outro lado, é estranho você dizer que o segredo do capitalismo de estado chinês é sua capacidade de falir com suas empresas. Para afirmar isso você tem que virar o artigo do FT de cabeça pra baixo, já que o tópico principal ali é justamente o sucesso da gerência estatal, a contrasenso da sabedoria ortodoxa.
Março 17, 2008 às 7:05 pm
Rafael Figueira
Acho q ele quis dizer q existem dois tipos de gerencia estatal: a chinesa, onde o Partidao nao tem medo de fechar empresas q reportam perdas e demitir dezenas de milhoes (em essencia agindo como um CEO), e a brasileira, onde as estatais reportam perdas mas ninguem perde o emprego (agindo como um paizao). No caso brasileiro, a alternativa e’ tirar das maos do Estado para q a iniciativa privada tome as decisoes desagradaveis, como as demissoes de q vc falou.
De fato, o surgimento desse “setor concursal”, como vc ja’ comentou aqui num interessantissimo post anterior, mostra bem isso: trabalhar pro Governo brasileiro e’ tao seguro e tranquilo q milhares de pessoas se dedicam apenas a entrar no clube dos concursados.
Março 17, 2008 às 7:15 pm
Me
Nao so isso. Na China o governo ainda decide quem mora aonde, quem pode explorar o que e aonde, e por ai vai. O fato eh que num pais daquele tamanho e recursos muito do avanco atual eh simplesmente derivado do enorme atraso que a revolucao causou.
Mas eh uma ideia que de alguma maneira valida essa fantasia de capitalismo de estado. Quem sabe o querido smartonauta deveria passar uns tempos na china para nos contar o quao maravilhoso o pais eh.
Março 17, 2008 às 7:24 pm
ohermenauta
Rafael,
Não, penso que o Arranhaponte estava assestando uma crítica à própria idéia de capitalismo de Estado, sem fazer alguma diferenciação entre a que dá certo e a que não dá. Pra ele nenhuma dá certo, ou pelo menos foi isso o que eu entendi.
Ademais, é preciso lembrar que as estatais brasileiras andam dando lucro também.
Paulo,
Fale dessa “fantasia” para as empresas ocidentais que estão sentindo na nuca o bafo da competição chinesa.
Março 17, 2008 às 7:38 pm
F. Arranhaponte
Hermenauta, Hermenauta, vamos cultivar a leitura acurada. Eu disse que, no Brasil, exatamente porque estatais não demitem nem são fechada em massa, você parte para a privatização.
Eu não sei daonde você tirou que eu disse que ” o segredo do capitalismo de estado chinês é sua capacidade de falir com suas empresas”. Estou perplexo. O que eu disse é que o governo chinês faz, com empresas estatais (fechamento e demissões em massa) o que no Brasil só se faz com empresas privadas. Ao me referir aos direitos dos trabalhadores, eu quis dizer que o tratamento conferido aos trabalhadores estatais na China é ainda pior (provavelmente bem pior) do que o dos trabalhadores brasileiros em estatais privatizadas.
Março 17, 2008 às 7:49 pm
ohermenauta
Arranhaponte,
Hum.
“O segredo do capitalismo de Estado chinês está na própria matéria do FT que você linkou:
(…)The government felt it had no option but to embark on a brutal programme of closures that left tens of millions without jobs.”
Considerando que:
a) quem escreveu o trecho acima, exemplificando, foi você;
b) quem enfiou empresas estatais brasileiras na história também foi você;
c) que no segundo tempo do jogo você diz que “Eu não sei daonde você tirou que eu disse que ” o segredo do capitalismo de estado chinês é sua capacidade de falir com suas empresas”. Estou perplexo.“…
Me pergunto o que realmente é preciso para ler acuradamente o que você escreve, além de ser você mesmo.
Março 17, 2008 às 8:01 pm
F. Arranhaponte
quer dizer; quando eu digo que o segredo do capitalismo do Estado chinês está na frase “the government felt it had no option but to embark on a brutal programme of closures that left ten of millions without jobs”, você conclui que eu disse que “o segredo do capitalismo de estado chin~es é sua capacidade de falir com suas empresas” e não que o segredo do capitalismo chinês está em “to embark on a brutal programme of closures that left ten of millions without jobs”.
É a lógica eviscerativa. Você elimina o conteúdo explítico da minha citação, e coloca outra coisa no lugar. Então eu acho que para ler acuradamente o que eu escrevo não é preciso ser eu mesmo, basta não eviscerar o conteúdo das minhas citações
Março 17, 2008 às 8:14 pm
ohermenauta
Arranhaponte,
Você seria capaz de fazer uma distinção fundamental entre uma coisa e outra?
Na economia de mercado, uma empresa ineficiente apela à lei de falências.
Na economia chinesa, o Estado fecha empresas que reportam perdas.
Qual é a diferença? Do ponto de vista econômico cumpre-se o desiderato de promover a eficiência alocativa.
Março 17, 2008 às 8:25 pm
F. Arranhaponte
Ok, só que no Brasil o Estado não fecha empresas que reportam perdas. Por isto, o modelo chinês é inaplicável aqui. Foi o que quis dizer
Março 17, 2008 às 8:28 pm
ohermenauta
O título do post é “capitalismo À CHINESA”. Sem Brasil na jogada.
Próxima veiz faça uma leitura acurada do post, faiz favoire!
Março 17, 2008 às 8:39 pm
F. Arranhaponte
Ué, não vale direcionar comentários
Março 17, 2008 às 10:21 pm
Me
Quando comeca muita
o negocio ta esquentando.
Smartonauta me ajuda a entender seu ponto: vc ta dizendo que o “sistema chines” eh exportavel ou nao? Quer que seja tentado no Brasil ou nao?
Março 17, 2008 às 10:51 pm
ohermenauta
Paulo,
Bem…quando você lê o post, o que está escrito nele?
Que o Financial Times tem um artigo falando sobre o sucesso do capitalismo de Estado chinês.
Me parece que “o meu ponto” foi apenas o de dizer que o Financial Times tem um artigo falando sobre o sucesso do capitalismo de Estado chinês, ora pois.
O resto, me parece, é fruto de excessivo entusiasmo de alguns senhores leitores, que lêem entrelinhas demais.
Março 18, 2008 às 8:11 am
Rafael M
Para contribuir ao debate, de exemplo de capitalismo estatal (entendido como empresas estatais dominando setores significativos da economia) já temos a França. As estatais de lá são normalmente reconhecidas como eficientes.
O argumento em favor da economia livre de mercado (um capitalismo não-estatal) é que a competição “força” as empresas a tomarem decisões que são eficientes — ou então, ir a falência.
No “capitalismo estatal” perde-se um pouco desta força por conta de influências políticas, compadrios, raciocínios nada econômicos, burrice pura, etc. Não quer dizer que o capitalismo estatal não possa ser eficiente — se você livrar as empresas dessa influência não econômica. Não há nada que impeça empresas estatais de tomarem decisões eficientes. Só que (para deixar o argumento simples) não há também muito incentivo.
Falando sobre o Brasil, na minha opinião é meio inocente falar de capitalismo estatal eficiente. Sempre penso nisso quando leio coisas assim: http://trpz.org/2007/12/06/argumento-a-favor-de-privatizacoes/
Indo ao ponto central de uma discussão como essas, o objetivo de empresas é (deveria ser) a geração de riquezas. A distribuição das riquezas geradas vai depender de várias coisas, incluindo o volume de impostos, as condições do mercado de trabalho, a disponibilidade de capital, etc. Quanto mais riqueza gerada, melhor para todo o mundo (se você acha que os capitalistas estão ganhando demais, aumente impostos).
Na China, o artigo faz querer crer que os burocratas estão sendo pragmáticos e tomando decisões eficientes, com o objetivo de gerar mais riquezas. Sensacional para eles. Há outros exemplos. No Brasil, infelizmente, não parecemos ser capazes desse tipo de decisões.
Março 18, 2008 às 8:26 am
ohermenauta
Bem,
Na minha opinião, é plenamente possível construir-se estruturas de incentivo que produzam estatais eficientes. Aliás, é mais fácil fazê-lo na atividade empresarial do que em outras atividades governamentais onde o output é mais difícil de ser mensurado.
O problema não é que estatais sejam inerentemente ineficientes, mas sim que muitas vezes o governo começa a utilizar as estatais, principalmente as maiores e mais poderosas, para atingir objetivos de política econômica (ou para aninhar aliados políticos). Mas esta é uma possibilidade que pode ser contrabalançada por melhores graus de governança das estatais (que idealmente deveriam ser de capital misto, com minoritários poderosos).
Um outro aspecto é pensar em termos de estágios de desenvolvimento. Acho que em países em desenvolvimento muitas vezes a atividade estatal é necessária para alavancar oportunidades de negócio desempenhando um papel que normalmente a iniciativa privada nào ocuparia, devido ao risco elevado ou à pouca apropriabilidade dos resultados (externalidades).
Março 18, 2008 às 8:58 am
Rafael M
“Na minha opinião, é plenamente possível construir-se estruturas de incentivo que produzam estatais eficientes. Aliás, é mais fácil fazê-lo na atividade empresarial do que em outras atividades governamentais onde o output é mais difícil de ser mensurado.”
Perfeitamente. Possível (idealmente) é.
Mas o que você tem ouvido a respeito do problema “empresas estatais ineficientes”, nos últimos 20 anos no Brasil? A única coisa proposta e implementada até agora foram as privatizações (com bons acertos em relação a Vale, Embraer, Telefonia e outros).
Você vê alguma grande iniciativa recente no sentido de melhorar os “graus de governança das estatais”? Eu só ando vendo besteiras e bobagens.
“Acho que em países em desenvolvimento muitas vezes a atividade estatal é necessária para alavancar oportunidades de negócio desempenhando um papel que normalmente a iniciativa privada nào ocuparia, devido ao risco elevado ou à pouca apropriabilidade dos resultados (externalidades).”
Há controvérsias. Mas va lá. O Brasil mesmo se beneficiou desse processo. Não quer dizer que a solução “livre iniciativa” não pudesse chegar ao mesmo resultado, mas talvez demorasse mais, vai saber.
Mas acho que esse argumento talvez sirva ao Panamá, ao Egito. O Brasil já é (ou deveria ser) suficientemente crescidinho para resolver essas questões com a iniciativa privada somente. Acho que seria mais fácil, mais barato e mais eficiente.
Março 18, 2008 às 9:44 am
ohermenauta
Ô Rafael,
Acho que você está sofrendo da mesma entrelinhite aguda que o Arranhaponte e o Paulo.
Eu comecei o post apenas informando sobre uma matéria no FT. Depois aceitei sua proposta de discutir, em tese, a questão da eficiência das empresas estatais. Ainda não entendi de onde vocês estão tirando a idéia de que eu estou defendendo as estatais brasileiras. Posso até chegar lá futuramente, se me convencer disso, mas não é o assunto do post.
Eu não sou o Geraldo Alckmin, pessoal.
Março 18, 2008 às 10:56 am
Rafael M
Vá lá. Mas é que em princípio todas as discussões são sobre o Brasil. Se eu fosse psicólogo, aposto que conseguiria provar que todas as discussões são sobre mim, mas isso é assunto para meu futuro terapêuta.
Enfim.
Já que estou numa tarde aborrecida, comendo pistache aqui em Barcelona, proponho um tema: A Vale foi vendida na bacia das almas ou não? Tentei ver se conseguia formar minha opinião a respeito mas minhas pesquisas foram infrutíferas.
O máximo que eu consegui achar foram artigos de sites de esquerda argumentando que o Morgan Stanley esqueceu de colocar na conta o valor das reservas da Vale, o que não faz muito sentido porque as reservas são brasileiras e a Vale tem no máximo uma concessão (para a qual o governo recebe remuneração).
O que você acha?
Março 18, 2008 às 12:50 pm
ohermenauta
Minha opinião é a de que a Vale nunca foi totalmente privatizada, em matéria de controle, já que o governo federal ainda tem influência relevante na empresa.
Quanto à questão patrimonial, são questões difíceis para um mero observador descomprometido. Acho que se trata de um tema onde um pouco de jornalismo investigativo obraria maravilhas seguindo aquela regra simples: “follow the money”.
Quanto ao processo de privatização em si, por exemplo, me parece que a alegada metodologia adotada pela Merril Lynch de achar o valor da empresa pela mera multiplicação do valor base da ação pelo número de ações é extremamente exótica diante da prática usual de mercado. Mas eu não sou favorável à sua reestatização.
Finalmente, é preciso observar que os “direitos minerários” inclusive figuram nas demonstrações financeiras da Vale, quantificados.
Março 18, 2008 às 2:14 pm
Rafael M
Em relação ao controle, nada a dizer.
Quanto à metodologia de avaliação, o valor base da ação no mercado é um bom começo para qualquer empresa. Teoricamente vai dar a melhor estimativa do mercado sobre a soma dos fluxos de caixa futuros descontados da empresa. Não digo que seja sofisticada, ou que não poderia ser mais detalhada. Mas tecnicamante, errada não é.
Além disso, imagino que a empresa tenha sido vendida em leilão. Depende um pouco do formato do leilão, mas em geral o mecanismo é que a empresa que tem a maior estimativa do valor do troço sendo leiloado compra o troço pelo preço dado pela segunda maior estimativa de valor. Nesse caso, não importa muito a avaliação anterior do Merrill Lynch, mas sim a disputa pelo ativo. Ou então não haveriam empresas sendo vendidas com um ágio significativo (como o Banespa, se não me engano).
De qualquer forma, não encontrei nada que me convencesse de que o método usado pelo Merrill Lynch na avaliação da Vale tenha sido tão simples. Nenhum artigo de jornal de época, nenhum relatório público, nada.
Estava querendo formar minha opinião a respeito mas é difícil.
Quanto aos direitos minerários, ficamos sem saber se foi um problema ou não na época. Há quem ache que sim: http://www.pstu.org.br/nacional_materia.asp?id=7261&ida=0
Março 18, 2008 às 3:19 pm
Rafael Figueira
Sua descricao e’ correta para leiloes fechados, q foram a maioria dos casos. Mas se ha’ apenas um interessado, o preco oferecido e’ o preco final. Foi assim com a maior parte das concessoes no setor eletrico.
No caso da Vale o leilao foi aberto, tradicional, com ofertas ao vivo; havia apenas dois grupos interessados e se nao me engano o grupo perdedor incluia a Votorantin. O fato de haver concorrencia ao vivo pelo preco da acao joga o argumento contra a Merril Lynch pelo ralo, mesmo q a ML tivesse realmente avaliado a Vale pela metade do valor “real”.
Março 18, 2008 às 4:52 pm
ohermenauta
Avaliação via ações:
Apenas para início de conversa, e olhe lá. O que se faz realmente é avaliar o fluxo de caixa dos prováveis lucros futuros. Não é à toa que quando vemos M&A por aí o que acontece é que o comprador oferece um preço por ação que embute o valor que ele está antecipando tirar da empresa.
Problemas na avaliação:
“A pedido da Câmara dos Deputados, a Coordenação dos Programas de Pós-Graduação (Coppe) da Universidade Federal do Rio de Janeiro elaborou um relatório sobre a privatização da empresa. A comunidade científica brasileira denuncia irregularidades na avaliação feita pela Merril Lynch, grupo que lidera um dos consórcios escolhidos para fazer o modelo da privatização, junto com a Projeta, Rothschild, KPMG e bancos Bradesco e Graphus. Diz o relatório da Coppe “que foram encontradas deficiências de abordagem e de método adotado pela Merril Lynch na avaliação da companhia, o que prejudica a União Federal na venda da CVRD, já que subvaloriza o seu preço”.
Depois de estudar durante 50 dias toda a documentação disponível nos arquivos da Vale no BNDES e fazer uma viagem de inspeção a Carajás, no Pará, os 22 especialistas do Grupo de Assessoramento Técnico (GAT) da Coppe detectaram diferenças substanciais no volume de tonelagem de reserva mineral calculado pela empresa estrangeira Mineral Resouces Development Inc (MRDI) para a Merril Lynch, em relação aos números apresentados pela própria Vale. No caso específico de Carajás, por exemplo, esta diferença do volume de minério de ferro chegou a 65%, o que, traduzindo em cifras, significa que deixou de constar do preço mínimo da Vale um valor de R$ 1,3 bilhão. No total, incluindo todas as jazidas da Vale, a diferença de preço entre as duas avaliações chega a R$ 2,05 bilhões.”
IstoÉ de 12/01/1997;
Direitos minerários:
“- O Governo federal adiou para abril a privatização da Companhia Vale do Rio Doce. Quer tempo para avaliar uma nova mina de ouro e cobre descoberta no Pará. (pág. 1 e 17)”
Correio Braziliense de 23/01/1997.
Março 18, 2008 às 5:05 pm
Rafael Figueira
“a diferença de preço entre as duas avaliações chega a R$ 2,05 bilhões”
Pelo jeito os interessados acreditaram: a Vale foi vendida a R$32/acao qd o grupo concorrente nao quis oferecer mais. O valor ficou em 12.4 bi, 2.1 bi a mais q o preco minimo, justamente a diferenca q a COPPE estimou.
Março 18, 2008 às 5:12 pm
ohermenauta
Ué.
Um patamar mínimo dois bilhões pra lá ou pra cá não fazem diferença?
Você mesmo está concluindo que afinal a empresa foi comprada pelo que DEVERIA TER SIDO o patamar mínimo. Se ele tivesse sido mesmo o mínimo, o preço de arremate não deveria forçosamente ter sido muito mais alto?
Março 18, 2008 às 5:31 pm
Rafael Figueira
Sobre o patamar: nao faz diferenca desde q o preco final va’ alem do valor real estimado. Se o leilao tivesse comecado em 1 real mas terminou em 32, q diferenca faria se tivesse comecado em 31 (alem de poupar tempo ao leiloeiro, claro)?
“o preço de arremate não deveria forçosamente ter sido muito mais alto?”
Claro q nao. No caso de um leilao aberto com mais de um interessado, o preco de arremate e’ ligeiramente maior do q o maximo q todos os outros estao dispostos a pagar, nao faz diferenca em quanto o leilao iniciou. A Votorantin *nao quis pagar* mais q 32: teve a oportunidade para tal, mas se recusou. Ninguem quis pagar mais q 32.
A situacao e’ diferente no caso de leiloes fechados, onde cada um faz uma unica oferta num envelope selado, e nao ha’ chance de responder. Ai sim o valor inicial publicado e’ muito importante.
Março 18, 2008 às 6:20 pm
ohermenauta
Você estaria até certo, SE a história tivesse sido assim tão simples. Devo adiantar inclusive que eu mesmo já defendi o processo de privatização da Vale usando o mesmíssimo argumento que você usa agora. Mas hoje não estou tão certo.
O problema é que até pouco tempo antes do leilão somente havia UM consórcio disposto a fazer a compra, que reunia Benjamin Steinbruch, o Bradesco e Antonio Ermírio de Moraes. Steinbruch desentendeu-se com Antonio Ermírio quando este começou a negociar a entrada da Anglo American na parada, saiu do consórcio levando o Bradesco junto e depois conseguiu mais poder de fogo aliando-se aos fundos de pensão.
Se o negócio estava montado para um grupo só, fazia todo o sentido jogar o preço para baixo.
Mais interessante ainda, você chamou a atenção para um aspecto da coisa que já estava me intrigando há tempos. Infelizmente, não consegui achar em lugar nenhum o Edital do leilão. Mas é exatamente como você disse: há formatos e formatos de leilão, alguns muito mais interessantes do ponto de vista de quem está leiloando do que outros. Porque será que o BNDES e o Conselho Nacional de Desestatização preferiram uma modelagem menos eficiente, se o objetivo declarado, como se dizia na época, era auferir recursos para sanar o problema da dívida??
Março 18, 2008 às 7:27 pm
Rafael Figueira
Eu quis dizer e’ q mesmo q tenham jogado “o preco para baixo”, ainda assim o preco final foi compativel com o valor real q fora avaliado de forma independente e antes do leilao. Coincidencia ou nao, isso garantiu q nao houve prejuizo ao vendedor.
Leiloes fechados sao usados qd o pagamento e’ heterogeneo, qd nao ha’ como comparar ofertas diretamente 1×1; por exemplo, eu te pago 100 agora enquanto fulano te paga 110 em dez parcelas. No caso brasileiro foram usados varios tipos de combinacoes incluindo os titulos da divida, a famosa “moeda podre” como se dizia na epoca. Apesar do nome, isso era bom negocio para o governo: livrava-se de empresas deficientes e ao mesmo tempo de dividas, melhorando o portfolio.
A verdade e’ q nao tinha muita gente com cacife/interesse/peito de comprar nossas estatais. Muitos segmentos no setor eletrico foram privatizadas com apenas uma oferta.
Março 18, 2008 às 8:25 pm
ohermenauta
Discordo.
O preço mínimo, mesmo no leilão aberto, poderia embutir um ágio.
Além disso, se o leilão tivesse sido modelado de forma diferente, o ágio poderia ter sido maior, logo pode ter havido, sim, potencial prejuízo ao vendedor.
Março 18, 2008 às 10:30 pm
Rafael Figueira
Quem e’ q compra algo com agio?
Se alguem comprar, entao por definicao aquele passa a ser o preco real, q foi o q a COPPE avaliou e q bate com quanto pagaram.
Acho q nao te entendi. Digamos q teu amigo quer vender um Fusca, ninguem sabe o valor daquilo, alguns dizem q vale 20, outros q vale 30. Teu amigo coloca em leilao com preco minimo 18, eu ofereco 18, vc 22, eu 24, vc 28, eu 29, vc 30, eu desisto e vc leva o Fusca.
Esta’ dizendo q se o preco minimo embutisse um agio de, por exemplo, 5, entao minha ultima oferta seria 34 e eu so’ teria desistido qd chegasse em 35?
Março 19, 2008 às 12:36 am
ohermenauta
Rafael,
Não há motivo algum para que o preço de avaliação de um bem seja igual ao preço de reserva do vendedor. Este último depende da avaliação que o vendedor faz do mercado.
Março 19, 2008 às 9:51 am
Rafael M
Interessante. Obrigado aos dois. Não posso declarar que me convenci totalmente, mas já tenho uma opinião melhor sobre o assunto.
Se o leilão foi aberto e houve concorrência, e ainda por cima, se o preço final da venda teve um certo ágio, se este ágio cobria o que alguns diziam ser a diferença entre o preço mínimo e o valor real da empresa, não dá para falar que a Vale foi vendida na bacia das almas.
Se o preço mínimo fosse muito maior, dificilmente isso alteraria os valores de reserva dos compradores. O único efeito crível seria que menos grupos entrariam para concorrer, diminuindo a competição — que é fundamental para a eficiência do processo. Se já estava difícil atrair compradores antes, dificilmente aumentar o preço mínimo melhoraria a questão.
Duas questões restam:
1. Digamos que o preço de reserva do grupo ganhador fosse muito maior do que o do segundo melhor lance. US$ 10 bilhões, para chutar um número.
Nesse caso, seria melhor ou pior para o governo aumentar o preço mínimo para — digamos — US$ 5 bilhões, e então ter uma única oferta do grupo vencedor (de US$ 5 milhões, já que a Votorantim parou antes disso)?
Por um lado, o governo ganharia mais, por outro, o processo seria ainda mais questionado porque a empresa teria sido vendida pelo preço mínimo, com um único lance, porque US$ 5 bilhões e não US$ 6 bilhões, etc.
O que interessava mais ao governo e ao país?
2. Outra pergunta: Há alguma evidência indicando que o preço de reserva do grupo ganhador era muito superior ao valor pago efetivamente?
Duas referências interessantes sobre o tema em geral:
http://www.nuff.ox.ac.uk/users/klemperer/hownot.pdf
http://www.nuff.ox.ac.uk/users/klemperer/wrm6.pdf
Março 19, 2008 às 10:18 am
ohermenauta
Li em algum lugar que o leilào se resolveu em 5 minutos. Convenhamos, ninguém estava se importando muito com questionamentos.
Um dos grandes problemas para os que desenham leilões é criar incentivos para desincentivar a formaçào de “cartéis” (na literatura: bid-rigging). O leilão da Vale não se beneficiou dessas características. Logo, é uma tremenda bobagem, nesse contexto, afirmar que tanto faz o preço mínimo, mesmo havendo mais de um participante no leilão.
Além do mais, se por acaso o governo “errasse a mão” no preço mínimo e ninguém se dispusesse a pagar o preço estipulado, sempre se poderia fazer outro leilão. Porque tanta urgência?
Março 19, 2008 às 2:59 pm
Rafael M
Bueno… Um leilão não precisa durar muito para ser um leilão eficiente. Estranharia se o leilão durasse uma hora.
Quanto aos cartéis, que imagino ser o equivalente a conluios, a Votorantim teria que ter concordado com o grupo vencedor a respeito de algum preço. Um dos mecanismos para evitar isso é ter muitos concorrentes. Um dos mecanismos para ter muitos concorrentes é baixar o preço mínimo.
Baixar o preço mínimo para aumentar o número de concorrentes não faria sentido em um leilão de envelope fechado. Num leilão aberto, sim.
Agora há a questão de se houve conluio ou não. Se houve, a falta de outros mecanismos para evitá-lo poderia ser importante. Se não houve, dificilmente alguém pode reclamar do resultado.
Mas não achei ninguém argumentando pelo concluio.
Março 19, 2008 às 3:22 pm
ohermenauta
Há formatos de leilão que duram muito mais.
Quanto mais penso na história, mais acho imprevidente que o BNDES, à época, aparentemente tenha modelado o leilão sem a preocupação de haver conluio. Não sei se houve conluio efetivamente; meu argumento foi de que é uma bobagem dizer que o preço mínimo não importa (ie, a competição levará o preço ao “preço justo”
diante da possibilidade de conluio.
Infelizmente, como a coisa foi em 97, parece que a internets não registrou muita coisa. Em particular não consegui achar o edital de jeito nenhum.
“Baixar o preço” para aumentar o número de compradores é sempre uma possibilidade, em qualquer ato de comércio, mas nem por isso se vende algo a preço venal.