You are currently browsing the daily archive for Março 16th, 2008.
No Alon, um post sobre a entrevista dada pelo nosso Chanceler a respeito do ataque da Colômbia à base das FARC no Equador. O enfoque é partisan:
Fred Melo Paiva entrevistou Celso Amorim para o Estadão. O chanceler deu um baile. Transcrevo alguns trechos. Se você prefere ler na íntegra, clique aqui para ir ao site do Itamaraty.”
Talvez alguns dos meus 4,5 leitores tenha acompanhado minha discussão com Arranhaponte e outros lá no Torre de Marfim sobre a questão das FARC. Lá, sumarizei minha posição a respeito do conflito da seguinte forma:
“Eu estou menos interessado em fazer uma “defesa” das FARC do que entender suas motivações e objetivos políticos, bem como o da parcela da população que os apóia. É mais que evidente _ até para eles mesmos _ que as FARC não têm nenhuma capacidade de derrubar o poder central na Colômbia. Por outro lado, dificilmente eles seriam capazes de sobreviver sem algum apoio das populações da região onde são hegemônicos. Esse é um problema político da Colômbia que tem que ser resolvido. Eu não sou ingênuo a ponto de desconsiderar soluções de força _ e acho que um governo democraticamente eleito poderia ter legitimidade, sim, para esmagar um movimento armado radical para depois tentar sanar as feridas. Só acho, pessoalmente, que com seu passado Uribe dificilmente será o homem capaz disso. Como eu já disse, e você poderá confirmar facilmente no Google, as FARC já tentaram participar do processo político formal só para terem seus candidatos assassinados pelos pára[militares]. Acho que isso revela um pouco sobre com quem se está lidando ali.“
Isso não me impede, porém, de verificar certas inconsistências no discurso brasileiro. Por isso escrevi o seguinte no supracitado post do Alon:
“Baile? Acho que ele dançou, isso sim. Exemplo:
“Por que não classificamos as Farc como movimento terrorista? Porque o Brasil não tem a prática de fazer classificações desse tipo, a não ser que tenha antes sido feita pela ONU.”
ISSO é uma desculpa das mais esfarrapadas, creio, para um país que pretende ter um assento permanente no Conselho de Segurança da ONU, não? Porque um país assim deve liderar e moldar a opinião dentro da ONU, e não segui-la passivamente, creio eu.“
Francamente, não dá para pleitear um assento no CS da ONU com uma política dessas.
Eu continuo acreditando que a timidez brasileira em relação às FARC deve-se muito menos às proclamadas afinidades ideológicas do atual governo brasileiro com o movimento guerrilheiro do que com a preocupação há anos existente, entre os meios militares, com um eventual trasnbordo das FARC para dentro do território brasileiro se as forças armadas colombianas conseguirem desalojar as FARC de seus atuais santuários ao sul do país. Reflexos desse temor podem ser captados, por exemplo, nesta entrevista concedida pelo general Augusto Heleno Ribeiro, responsável pelo Comando Militar da Amazônia, à Agência Brasil, dia 11 de março deste ano:
“Agência Brasil: Qual é a extensão da fronteira que está sob sua responsabilidade?
Augusto Heleno Ribeiro: A nossa fronteira na Amazônia é de 11,5 mil quilômetros. É uma fronteira de características muito especiais, porque a grande parte é área de selva, de mata fechada, algumas balizadas por cursos d’água, outras sem nenhum balizamento, a não ser marcos de fronteiras que são instalados mas não são vistos. Nessa área de 11,5 mil quilômetros temos um dispositivo que consideramos razoável para a vigilância dessa fronteira. É uma fronteira de pontos nítidos de penetração, principalmente os rios que vêm dos outros países, entram na Amazônia brasileira, e temos na maioria das calhas desses rios mais importantes os nossos Pelotões Especiais de Fronteira, que têm de 40 a 60 militares e que são tenentes e sargentos especialistas em operações na selva e cabos e soldados da área, que conhecem profundamente a selva amazônica, e que têm a selva como aliada. Eu tenho dito que o nosso grande poder de dissuasão é a qualidade do nosso combatente de selva, que é inegavelmente o melhor combatente de selva do mundo. É baseado nisso que nós confiamos no nosso poder de dissuasão.
ABr: Quantos homens existem para defender a região?
Ribeiro: Nós temos hoje na Amazônia 25 mil militares, mas não estão todos na fronteira. Na fronteira, nós temos 28 organizações militares: 26 Pelotões Especiais de Fronteira, duas Companhias Especiais de Fronteira, que têm de 150 a 180 militares, e três destacamentos, com um efetivo um pouco menor, e que mais tarde serão transformados em Pelotões Especiais de Fronteira. (…).ABr: As condições de trabalho são satisfatórias?
Ribeiro: As condições de trabalho na Amazônia são sempre muito difíceis. É uma área especial, onde o calor, a umidade e a própria selva, para quem não está habituado são adversários poderosos, então tem que considerar que as condições climáticas exigem muito do homem daqui. A gente quando chega aqui precisa de um período de adaptação para o organismo poder se habituar àquela perda de líquido que é natural numa umidade muito alta, um calor intenso. Esses nossos militares já têm essa adaptação, são homens, a maioria gente da área, que não têm nenhum problema dentro da selva. Mas os Pelotões Especiais de Fronteira são clareiras na selva, onde as condições de vida são bastante precárias. Ainda hoje, no início do século 21, eles não têm luz 24 horas por dia, precisam ter um apoio mais efetivo do ponto de vista de recursos de comando e controle, capacidade de se ligar aos seus comandantes de brigada e mesmo a Manaus ou a Belém com mais facilidade.ABr: É preciso um reaparelhamento?
Ribeiro: É interessante que a gente se preocupe em reaparelhar essa unidades com equipamentos individuais. Nosso fuzil, que é o armamento individual do combatente, tem 43 anos de uso, as nossas lanchas voadeiras podem ser melhores, mais rápidas, mais potentes, nós precisamos ter mais meios aéreos aqui na Amazônia, principalmente helicópteros, que me permitem um deslocamento rápido e quase sempre com qualquer condição meteorológica. E não é só para efeito de guerra. Eles são extremamente importantes como auxílio à população, porque toda vez que tem uma situação de calamidade na Amazônia nós somos requisitados imediatamente, seja seca, enchente, gente que precisa ser evacuada para um atendimento médico melhor, então eu preciso de meios que me permitam deslocar rapidamente na área amazônica. Os rios são as grandes estradas da Amazônia, mas o transporte fluvial é lento. O transporte que funciona melhor é o aéreo. Então, os meios de transporte aéreos aqui na Amazônia são fundamentais, não só para operações militares mas também para o que chamamos de ‘mão amiga’, para que o Exército possa atuar em todos os momentos de crise ou de calamidade.(…)
Agência Brasil: Existe algum tipo de infiltração das Farc no Brasil?
Augusto Heleno Ribeiro: Nós tivemos um incidente com as Farc em 1991, conhecido como incidente do Traíra, onde uma patrulha das Farc atacou uma posição nossa, completamente de surpresa, como acontece com ações de um grupo guerrilheiro com tendência terrorista. Houve uma reação imediata, bastante robusta, em que nós mostramos a eles que não éramos um alvo compensador. A partir daí, não tivemos mais nenhum problema com as Farc. Hoje, temos consciência de que alguns elementos das Farc vêm ao Brasil para adquirir suprimentos, porque é mais perto das posições que eles ocupam no interior do território colombiano do que qualquer outro lugar. Só que eles não vêm ao Brasil nem armados, nem uniformizados, nem com carteirinha de guerrilheiros. Eles entram no Brasil legalmente, com passaporte colombiano, legalizado, têm todo o direito de transitar no território brasileiro. Nós somos um país que sempre acolhemos todos os estrangeiros com muita fidalguia, muita cordialidade. Eles vêm ao Brasil, compram e levam para o seu país, pagando os impostos, pagando o preço que é cobrado, e não podemos impedir esse tipo de comércio. Apesar de nós imaginarmos que esses mantimentos façam parte do suporte logístico das Farc.
ABr: E, nesse caso, não há o que fazer?
Ribeiro: É muito difícil, porque como você vai coibir o direito de ir e vir? Você vai acabar fazendo os inocentes pagarem pelos pecadores. Ninguém tem escrito na testa que é guerrilheiro, então fica muito difícil.
ABr: E o que é feito para evitar a entrada de drogas das Farc no país?
Ribeiro: Aí já é um problema mais complexo, porque a droga também não é carimbada com nada das Farc. As drogas vêm de diversas origens, o narcotráfico é uma realidade, extremamente difícil de ser controlado. As nossas fronteiras na Amazônia são de 11,5 mil quilômetros, a maior parte é área de selva fechada. Então, a permeabilidade de indivíduos e de pequenas canoas por rios pequenos, e o trânsito que existe na Amazônia de pequenas embarcações favorece esse tipo de vai-e-vem na fronteira. E, se consideramos que a fronteira entre o México e os Estados Unidos tem 2,5 mil quilômetros, praticamente a quinta parte da nossa e que eles não conseguem controlar essa fronteira, pode imaginar a dificuldade que é uma fronteira de 11,5 mil quilômetros. É extremamente difícil esse controle. Então, não se sabe exatamente se o tóxico é das Farc, se é do produtor independente, se vem de outros países. Nós sabemos que hoje o tráfico aéreo diminuiu, por conta da vigilância exercida pelo Sipam e o Sivam [Sistema de Proteção da Amazônia e Sistema de Vigilância da Amazônia] e as calhas dos rios estão sendo mais utilizadas como meio de introdução de drogas no país. O esforço da Polícia Federal é considerável, nós temos feito um trabalho enorme para nos aproximar da Polícia Federal nesse trabalho, para podermos trabalhar juntos.“
Não que o Brasil esteja totalmente desprovido de meios para oferecer resistência as FARC. A figura abaixo mostra o raio de alcance dos SuperTucano brasileiros estacionados na base aérea de Porto Velho, Rondônia [ o raio mostrado é de 2.200Km, o alcance máximo do SuperTucano é 4.800Km - portanto o raio pressupõe a capacidade de ida e volta, mais uma folga de 400Km para manobras no teatro de operações]:

Como vemos, os SuperTucano, aviões ideais para ataque ao solo em ações de contra-insurgência, têm a capacidade de patrulhar toda a região amazônica, com especial destaque para as regiões de fronteira com a Colômbia. Isso dá ao Brasil algum poder de ataque direto, por exemplo, a eventuais acampamentos das FARC em território brasileiro (uma vez localizados, o que não é necessariamente fácil), mas não facilita muito a capacidade de negar “staying power” a destacamentos menores e mais móveis das FARC.
Na Folha de hoje:
“Mato Grosso “divide” com Justiça receita de tributos
Acordo, de 2003, dava 20% do valor de execuções fiscais convertidas em receita ao TJ
De cada R$ 100 que o governo de Mato Grosso arrecadou nos últimos dois anos em ações judiciais para a cobrança de tributos, R$ 20 foram para os cofres da própria Justiça.
Um protocolo de intenções, assinado em 2003 pelo governador Blairo Maggi (PR) e o então presidente do TJ (Tribunal de Justiça), o desembargador José Ferreira Leite, estabeleceu uma participação de 20% sobre “o valor total das execuções efetivamente convertidas em receita aos cofres públicos”.
Às 20h35 de sexta-feira, a assessoria de imprensa do TJ avisou a reportagem que o acordo havia sido cancelado por iniciativa do atual presidente, o desembargador Paulo Lessa, e que uma nota sobre o assunto fora divulgada no portal do TJ na internet. A nota, sob o título “TJ cancela protocolo de intenções”, foi publicada às 19h20. Por volta das 21h, o portal saiu do ar, com informação de que estava em manutenção.“
Poderes “independentes, mas harmônicos” é isso aí.
***
O NYT traz uma matéria sobre o drive pro-business da atual Suprema Corte norte-americana:
“Supreme Court Inc.
The headquarters of the U.S. Chamber of Commerce, located across from Lafayette Park in Washington, is a limestone structure that looks almost as majestic as the Supreme Court. The similarity is no coincidence: both buildings were designed by the same architect, Cass Gilbert. Lately, however, the affinities between the court and the chamber, a lavishly financed business-advocacy organization, seem to be more than just architectural. The Supreme Court term that ended last June was, by all measures, exceptionally good for American business. The chamber’s litigation center filed briefs in 15 cases and its side won in 13 of them — the highest percentage of victories in the center’s 30-year history. The current term, which ends this summer, has also been shaping up nicely for business interests.
(…)Could it be, then, that the court is reflecting an elite consensus while contravening the sentiments of most Americans? Only history will ultimately make this clear. One thing, however, is certain already: the transformation of the court was no accident. It represents the culmination of a carefully planned, behind-the-scenes campaign over several decades to change not only the courts but also the country’s political culture.“
Daí vemos que o esforço republicano em construir uma Suprema Corte conservadora vai muito além de Roe vs. Wade:
“Exactly how successful has the Chamber of Commerce been at the Supreme Court? Although the court is currently accepting less than 2 percent of the 10,000 petitions it receives each year, the Chamber of Commerce’s petitions between 2004 and 2007 were granted at a rate of 26 percent, according to Scotusblog. And persuading the Supreme Court to hear a case is more than half the battle: Richard Lazarus, a law professor at Georgetown who also represents environmental clients before the court, recently ran the numbers and found that the court reverses the lower court in 65 percent of the cases it agrees to hear; and when the petitioner is represented by the elite Supreme Court advocates routinely hired by the chamber, the success rate rises to 75 percent.
Faced with these daunting numbers, the progressive antagonists of big business are understandably feeling beleaguered and outgunned. “The fight before the court is generally not an even one,” said David Vladeck, who once worked for the Public Citizen Litigation Group and now teaches law at Georgetown. “There’s us on one side, with a brief or two, and industry on the other side, with a well-coordinated campaign of 10 or 12 briefs, with each one written by a member of the elite Supreme Court bar that address an issue in enormous depth.” He added, ruefully, “You admire their handiwork, but it’s frustrating as hell to deal with.”
Tio Rei hoje faz um ataque a Obama baseado em um vídeo que mostra o pastor da Igreja que ele frequenta vituperando contra Hillary. Da retórica inflamada do pastor, Reinaldo retira conclusões (seriam melhor dizer “calúnias”) contra o próprio Obama:
“É… Aos poucos, vai-se vendo que Obama não surgiu do éter. A exemplo de qualquer outro indivíduo, tem história, afinidades, foi estabelecendo compromissos. Ora aparece o sujeito que ajudou a comprar a casa. Agora, o pastor que faz um discurso delirantemente racista e que, não há uma segunda interpretação possível, prega o confronto entre negros e brancos. Clicando no vídeo acima (ou aqui), você tem acesso aos ataques virulentos feitos a Hillary Clinton. Ah, sim: esse é o discurso de Natal. Imaginem um outro num dia em que não se estivesse celebrando o nascimento de Cristo, mas pranteando a sua morte. Obama se batizou, batizou as filhas e se casou na igreja de Wright, que estava em seu comitê de campanha.”
Pois ainda este ano, em 8 de janeiro, Tio Rei dizia:
“Osama, Obama
Ah, tenham dó. Fiquem calmos os mais exaltadinhos. Fiz uma brincadeirinha quase inocente ao escrever o trocadilho “Obama-Osama”. Sei bem que é uma piada que também circula nos EUA. E daí? É só um pouco de humor. Não quis atribuir vocação terrorista a Barack Hussein Obama ou sugerir que o fato de ter estudado numa madraçal na Indonésia faça dele um cavalo-de-tróia do terrorismo muçulmano na política americana.
Não. Ele não é um cavalo-de-tróia por causa do seu passado ou de sua origem. Ele o é num sentido mais amplo, mais geral, que nada tem a ver com a sua trajetória.“
Tio Rei precisa aprender que a internet guarda tudo.

E já que estamos falando nisso, eis o top da profissão:
“Não faz tanto tempo assim que Mônica Monteiro da Silva, 24, perdeu a virgindade. Ela tinha 17. Mas parece bem mais longínquo, dada a quantidade de eventos que sucederam a efeméride. A partir dos 19, depois de adotar o nome artístico de Mônica Mattos, ela transou com homens, mulheres, travestis, anões, com Alexandre Frota e até com um cavalo de verdade. Em janeiro, ela foi eleita no AVN Awards, o “Oscar da pornografia”, realizado em Las Vegas, a melhor atriz pornô estrangeira de 2007.
Primeira pergunta: como se avalia o talento de uma atriz pornô? A organização do evento, que acontece desde 1983 e tem cerca de cem categorias, é evasiva. Diz que cada jurado usa seu critério.
Pitt Garcia, 25, ator, afirma: “A Mônica se concentra na cena, atua com vontade, entra no personagem. Tem menina que faz pelo dinheiro e só pensa em acabar logo pra ir embora”.
Personagem?
“Nem sempre é preciso um texto para haver personagem. Às vezes, basta agir”, acredita.
Segundo o diretor José Gaspar, 37, “Mônica é muito profissional, chega na hora, não causa tumulto no set e mergulha de cabeça na cena”.
Ela seria, assim, uma “Irene Ravache do cinema pornô”.
A própria Mônica sugere algo mais simples: “Eu gosto de fazer sexo. Ouço de muitas pessoas: “Tão bonita, não precisava estar nessa vida”. Mas ninguém pensa que tem gente que simplesmente gosta. Comigo é assim: quando ligam a câmera, eu enlouqueço”.
Camisinha, nem pensar. “A gente faz exames antes de “contracenar’”, diz ela, que desconhece a expressão “janela imunológica”, ou o período de cerca de 12 dias em que o indivíduo infectado pelo vírus da Aids ainda não apresenta um número de anticorpos detectáveis pelo exame.“
Não pude deixar de lembrar de uma passagem do Tio Rei, outro dia, comentando reportagem da Economist sobre o crescimento da AIDS no Brasil:
“Voltarei a um tema debatido aqui outras tantas vezes. Respondam:
- Vocês acham que falta informação aos brasileiros?
- Vocês acham que eles não sabem que o risco existe?
- Vocês acham que, a esta altura, alguém ignora como se dá o contágio?
Vá lá. Pode ser que existam um ou outro ignorantes, estatisticamente irrelevante.“
Se até os profissionais da coisa ignoram os riscos, que dirá o resto…
***
Indicador de desemprego em Guaianases, segundo o Observatório Nossa São Paulo:

Cidades sem futuro massacram gente.
Abaixo do fold, na íntegra, para os sem-UOL.
Na Folha de hoje, matéria relacionada ao “causo” das deportações de brasileiros na Espanha:
“Conhecida como grande exportadora de pessoas para a Espanha, principalmente mulheres que supostamente se prostituem, a pequena Uruaçu (GO) já sente os efeitos do maior rigor para a entrada em território espanhol e do grande número de brasileiros deportados.
“Eu ia pra lá, mas vou esperar passar essa crise” foi uma das frases ouvidas pela Folha. Como na maioria das conversas, a moça se negou a dizer o nome.
O município de 33 mil habitantes é, segundo estimativa de Luciano Dornelas, delegado da Polícia Federal em Goiás, o terceiro do Estado que mais manda mulheres para prostituição na Europa -principalmente para Espanha e Portugal. O primeiro, segundo ele, é Anápolis (população de 300 mil) e o segundo, Goiânia (1,2 milhão).Os goianos são maioria na Europa, diz o governo do Estado -cerca de 250 mil.
Não é apenas a prostituição que atrai as uruaçuenses. Uma outra mulher que também pediu para não ser identificada disse que morou parte do ano passado na Espanha trabalhando como babá. Em dezembro, quando tentou voltar à Europa a passeio, via Portugal, foi barrada. “Eles acham que tudo quanto é brasileiro é para prostituição mesmo, não pode ser uma viagem para passear.”“
As mulheres goianas têm ampla fama, em Brasília, de serem muito bonitas. Houve época _ não sei se ainda é assim _ que ir aos puteiros de Goiânia era um ritual de iniciação para os jovens classe-média brasilienses.
Eu conheço Goiânia de passagem, nunca pernoitei lá, mas uma vez fiquei dois dias em Anápolis. Trata-se de uma cidade “grande” para os padrões do interior brasileiro _ talvez seja a segunda maior cidade do estado de Goiás, não sei. Era difícil achar um restaurante aberto à noite. Cidades sem futuro exportam gente.
Na íntegra abaixo do fold, para os sem-UOL.

Sonhos de batata
Matéria interessante no UOL, reproduzida do Le Monde, sobre a batata andina:
“(…)Aterrissei no quarto 410 porque 2008 foi declarado o Ano da Batata pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO). Lima, como ninguém sabe, é na verdade a capital mundial da “papa”, homenageada todos os 30 de maio, “Dia da Batata”. Esta teria nascido nas margens do lago Titicaca quando o primeiro inca, Manco Capac, mandou sua mulher, Mama Ocllo, “plantar milho nas planícies e batata nas elevações”. O apelo foi ouvido. Mais de 4 mil variedades são conservadas hoje no Peru no maior banco mundial dedicado ao famoso tubérculo, no Centro Internacional de la Papa (CIP) -uma primeira etapa obrigatória na rota da batata.
Cultivada e consumida há séculos pelos quíchuas e os aimaras, é um alimento de pobres, mal adaptado aos moradores do litoral, que preferem o arroz e as massas. Para gostar dela, é preciso viver no Altiplano e não ter outra coisa para comer.“
Confesso que foi um banho de água fria. Nunca fui ao Peru, mas já havia visto outras matérias de jornal e televisão sobre a enorme diversidade da batata andina e, como grande apreciador da culinária batatal que sou, sonhava com as delícias que estariam escondidas entre as estranhas batatas dos Andes…mais um sonho que acaba.
Reproduzo na íntegra abaixo do fold para os sem-UOL.
Motti: This paleoconservative media group is now the ultimate power in the universe. I suggest we use it!
Vader: Don’t be too proud of this rhetorical terror you’ve constructed. The ability to destroy any perfectly sound argument is insignificant next to the power of the neoconservative, religious, and very charming blogging.
Motti: Don’t try to frighten us with your sorcerer’s ways, Lord Vader. Your sad devotion to that blogging activity has not helped you conjure up the stolen posts, or given you clairvoyance enough to find the Rebel commentator’s hidden blog…
(Vader plays the old, but efficient, “pull the invisible strings” trick)
Vader: I find your lack of faith disturbing.
<fevereiro de 2005>
Philip K. Dick:
Reality is that which, when you stop believing in it, doesn’t go away.
Byron Katie:
When you argue with reality, you lose - but only 100% of the time.
Groucho Marx:
I’m not crazy about reality, but it’s still the only place to get a decent meal.
Mason Cooley:
Reality is the name we give to our disappointments.
Tom Clancy:
The difference between fiction and reality? Fiction has to make sense.
Jane Wagner:
Reality is the leading cause of stress amongst those in touch with it.
Johann Wolfgang von Goethe:
Few people have the imagination for reality.
Jim Fraser:
A cause a day keeps reality away.
<fevereiro de 2005>
Entrevista com Lévi-Strauss:
Le Monde - O que o senhor diria do futuro?
Lévi-Strauss - Não me pergunte nada desse tipo. Nós estamos num mundo ao qual eu já não pertenço mais. Aquele que eu conheci, aquele que eu amei, tinha 1,5 bilhão de habitantes. O mundo atual conta 6 bilhões de humanos. Ele não é mais o meu. E aquele de amanhã, que estará povoado por 9 bilhões de homens e de mulheres –mesmo que esta seja uma estimativa máxima de população, conforme nos garantem para nos consolar - me impede arriscar toda e qualquer previsão…
Lèvi-Strauss nasceu em 1908. Levou portanto 97 anos para sobreviver até um mundo ao qual ele sente que não pertence mais.
E no entanto nos quase mil anos entre o Século de Péricles e a queda de Roma, pode-se dizer que o mundo era essencialmente o mesmo, e que Péricles não acharia muito estranhos ou diferentes ou incompreensíveis os tempos de Rômulo Augústulo.
Mas e quem nasce hoje, o que achará do mundo de daqui a 90 anos ? E se o progresso se acelerar tanto a ponto de tornar obsoleto um homem de 30, 40 anos ?
Saudades do Instituto Universal Brasileiro. Da formação continuada…



Comentários Recentes