Ali mais abaixo, no post Surpreendente!, o Paulo aproveitou para deixar no blog mais algumas palavras de autoengano. Como esta é uma grande oportunidade didática, também vou aproveitar para tentar levar alguma luz àquela alma desgarrada. Vamos lá.

O que Paulo disse está em azul; respondo em preto.

Se um cara como o Saddam, que foi provavelmente um dos piores ditadores pos 2WW, diz que tem WMDs e que vai usa-las quando bem quiser contra seu pais, vc tem que lever a serio.

Concordo. Mas China e Rússia certamente têm WMDs, podem usá-las contra qualquer país inclusive os EUA e não parece que este último esteja disposto a invadi-los. É para isso, aliás, que existe o conceito de “deterrence”. Por outro lado, qualquer analista militar minimamente competente sabia que mesmo que o Iraque estivesse desenvolvendo WMD’s à todo pano (o que não só não era verdade como também se sabe que era uma acusação forjada), o país não tinha a menor condição de efetuar algum ataque aos EUA, muito menos o histórico de atacar alguém que pudesse retaliar duramente.

Se esse mesmo cara anuncia para Deus e o mundo que paga 20 mil doletas por cada suicide bomber que mata israelenses, eh logico que ele seja um bom candidato a ter influencia em outros ataques terroristas como o de 9/11.

Não necessariamente. Os sauditas também fizeram pagamentos às famílias de terroristas suicidas, a Arábia Saudita é o berço da Al-Qaeda e nem por isso mereceu semelhante “tratamento”.

Eu nao estou dizendo que nao houve erros de inteligencia ou que nao seria melhor ter melhores dados antes da guerra. O que eu estou dizendo eh que eh simplesmente impossivel ter esses dados em varias situacoes, e que considerando a historia do Saddam, o erro foi justificavel.

Nesse caso seria bom saber por que motivos os EUA possuem tantas agências de inteligência (CIA, NSA, DIA, para não falar das militares), se você prontamente admite que é “impossível” saber se uma atividade tão prosaica quanto o desenvolvimento de armas nucleares é “impossível” de ser detectada. Mas não precisa tentar explicar, pois já sabemos que a ordem dos fatores foi a inversa: havia a vontade política de invadir e portanto as evidências foram fabricadas (sim, pois não é verdade que em algum momento a CIA tenha dito que “é impossível saber” _ ela disse que sim, que era absolutamente certo que elas existiam).

Bom, primeiro que existem varios tipos de inferno. Um eh o atual, com brigas sectarias e atentados a bomba. O outro era aquele em que Uday fazia visitas a casamentos e roubava noivas, presos politicos eram atirados de cima de predios e um milhao de soldados morriam em guerras inuteis.”

É um pouco de cinismo de sua parte falar do um milhão de soldados mortos na guerra Irã-Iraque quando se sabe que ela foi causada pelo desejo norte-americano de conter o Irã e dar o troco à Revolução Islâmica, inclusive apoiando o próprio Saddam. E de qualquer forma, entre mortos, feridos e refugiados, é evidente que o sofrimento impingido ao povo iraquiano é muito pior agora.

Quanto a ‘consideracao’ americana, eu nunca disse que os EUA estavam fazendo um favor aos iraquianos. Pelo menos nao em primeira instancia. A preocupacao americana eh e sempre sera consigo mesmo. Agora, se vc ano consegue enxergar as diferencas morais entre os que morrem antes e os que morrem agora, nao vai ser num simples comment que eu vou te explicar.

Se você quer falar de diferenças morais, comece por explicar porque então os EUA venderam a invasão como uma tentativa humanitária de exportar a democracia quando você mesmo reconhece que eles apenas estão preocupados consigo mesmos.  Eu, do meu lado, sempre achei que era isso mesmo _ e que o interesse é o petróleo.

O calculo “valeu a pena ou nao” eh sempre complicado. Tem um texto la no Townhall (preciso achar o link) em que se especulava como uma guerra antes do 9/11 contra o Afeganistao seria ‘justificada’ e vista pelo mundo. Ninguem sabe o que seria ou nao seria o Iraque se o que aconteceu fosse diferente. Esse tipo de exercicio nao eh so dificil, eh impossivel.

Paulo, na boa: isso é um festival de desculpas esfarrapadas. Se é essa a defesa dos atos dos EUA no Iraque, só posso dizer que conheço gente que foi presa e condenada por contar histórias com muito maior credibilidade.