
A tabela acima mostra o crescimento médio do PIB durante o mandato de cada Presidente da República desde Sarney.
Vemos que o Eneadáctilo já superou confortavelmente todos os presidentes eleitos da Nova República, com a notável exceção de Itamar Franco (que aliás não foi eleito, como lembra o Diego _ o que o torna mais excepcional ainda _ não bastasse o fato de ter posado para uma foto ao lado de uma mulher sem calcinha, é claro). Itamar governou por dois anos, com um crescimento bastante alto tanto em 93 quanto em 94.
Para superá-lo, o Eneadáctilo teria que entregar um crescimento maior que 9% em cada um dos dois anos que lhe restam de mandato. Acho que babau, essa corrida ele não vai ganhar.
(mesmo se considerássemos o crescimento do último ano de Itamar como sendo devido a FHC, já que ele era o Ministro da Fazenda, ele chegaria a apenas 2,7% de crescimento médio)


15 comments
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Março 14, 2008 às 10:34 am
André
O incrível desta tabela que você mostrou é que o crescimento médio no governo Sarney, que, mesmo com toda aquela várzea existente, foi de 3,53% (média que acho que Lula não baterá, pois no triênio 2008-10 creio que o crescimento do país será menor - aliás o Bacen inclusive já sinalizou que aumentará os juros na próxima reunião do Copom).
Ou seja, mesmo com toda aquela instabilidade dos planos Cruzado, Bresser e Verão, o país ainda conseguiu crescer a níveis razoáveis e com a crise da dívida externa batendo a nossas portas. Vale ressaltar que o número de anos de FHC no governo foi maior (8 a 5 contra Sarney) e que no governo do FH se consolidou a estabilidade monetária, que foi o calcanhar de Aquiles do bigodinho do Maranhão.
Deixo uma pergunta no ar: será que Sarney ainda conseguiu ter um crescimento razoável por ter “gastado” a infra-estrutura criada na época dos milicos e FHC ficou no pífio crescimento por que não investiu quase nada? (Vale lembrar que no ano de 2000, quando o Brasil cresceu 4,4%, o sistema elétrico do país abriu o bico pois não aguentou o aumento da demanda por energia…
Na comparação dos dois governos (FHC x Sarney), não vale usar a desqualificação que se faz ao crescimento do governo Lula (segundo alguns, obra dos bons ventos internacionais e da falta de crises recorrentes na economia mundial). Ambos (FHC e Sarney) passaram por bravas crises nos países emergentes.
Abraços,
Março 14, 2008 às 11:33 am
Marcos Matamoros
Caro Hermenauta,
O desempenho do governo Itamar tem que ser relativizado pelo desastre econômico do governo Collor. Como você mesmo coloca, o crescimento médio foi de -1,27%. Entre 1990 e 1992, a formação bruta de capital fixo caiu 23,8%. Acho que o desempenho do governo Lula fica ainda melhor quando se lembra disso - e explica a popularidade dele, etc. etc. etc.
Um abraço,
Marcos
Março 14, 2008 às 12:32 pm
Rafael M
Como é que você calculou essa média? Curiosidade só.
Março 14, 2008 às 12:41 pm
ohermenauta
André,
O crescimento da era Sarney foi irregular, mas muito concentrado nos primeiros anos. É possível mesmo que ele ainda estivesse pegando o embalo do fim do governo militar.
Matamoros,
Decerto. Aliás, comparar esses números com outros, como a formação bruta de capital fixo, o saldo da conta corrente, a inflação etc. seria também um exercício interessante, mas eu estou com preguiça.
Rafael,
Ué, peguei os números do crescimento do PIB para cada ano e fiz a média dos anos dos mandatos.
Março 14, 2008 às 12:55 pm
Japajato
Quem diria que o revival do Fusca acabaria sendo uma boa idéia…
Março 14, 2008 às 1:12 pm
João da Luz
Hermenauta
Acha o resultado da balança comercial destes governos e faz uma tabelinha “prá nóis”.
Mostra bem a política do FHC.
Março 14, 2008 às 1:15 pm
João da Luz
Hermenauta
Acha o resultado da balança comercial destes governos e faz uma tabelinha “prá nóis”.
Mostra bem a política do FHC.
Outra: A média é geométrica, certo?
Março 14, 2008 às 1:56 pm
F. Arranhaponte
Eu conheço um cara que teve leucemia e foi tratado por quatro médicos sucessivamente. Aí vão os resultados:
Médico 1: Bom. O sujeito viveu normalmente a maior parte do tempo, os exames tinham apenas alguns poucos indicadores estranhos, mas o médico não viu nada demais. A média do período foi muito razoável, e apenas no fim os indicadores pioraram dramaticamente, quando se constatou que o paciente estava com leucemia não-diagnosticada já há algum tempo.
Médico número 2: Medíocre, o pior de todos. Os indicadores médicos foram péssimos o tempo todo, e o paciente entrou em estado terminal. Com este médico incompetente, o paciente apenas saiu do estado terminal, mas manteve-se na UTI. A contagem de partículas no sangue teve um crescimento muito pequeno, só o suficiente para salvar a vida do sujeito.
Médico número 3: Já foi bem melhor. O paciente saiu da UTI para o quarto do hospital, a contagem subiu bem mais, e ele retomou a vida consciente.
Médico número 4: Este foi o melhor. O cara mudou inteiramente, saiu do quarto do hospital para uma vida normal, trabalho, esportes, alimentação livre, sexo à vontade. Os indicadores exames médicos deram um salto espetacular e hoje estão totalmente normalizados
Março 14, 2008 às 4:40 pm
Kitagawa
Acho que não é coincidencia que
o lanterninha tenha sido o unico
defenestrado do poder.
Março 14, 2008 às 4:49 pm
Diego
Opa! Itamar não foi um presidente eleito… ele era vice!
Março 14, 2008 às 4:57 pm
ohermenauta
João da Luz,
Pô, rapaz…se sobrar tempo no fim de semana eu faço. Mas não prometo não. Pregui…
Arranha,
Boa história, mas é só uma história.
Kitagawa,
Who knows…acho que isso contribuiu, mas não foi o fator definitivo na queda de Collor.
Diego,
Really!
Março 15, 2008 às 1:29 am
Rafael Figueira
Compare com a media de crescimento do GDP de outros paises nos periodos 1985-1989, 1990-1992, 1993-1994, 1995-2002 e 2003-2007. Vc vai ver q nao fez muita diferenca quem era o presidente, o Brasil apenas acompanhou com exageros as economias americana e europeia. Se quiser, eu tenho os dados.
Março 15, 2008 às 11:58 am
ohermenauta
Rafael,
Será que dá pra levar esse papo assim de modo tão simplificado?
a) o Brasil se abriu um pouco mais ao comércio internacional, mas durante uma parte razoável desse período aí era bem mais fechado, logo, teoricamente menos influenciável pelos movimentos da economia mundial (sim, a coisa complica um pouco se olharmos a balança de pagamentos e não a comercial apenas);
b) também não devemos olhar para TODOS os países, mas sim para aqueles que tem mais impacto sobre nossa corrente de comércio;
c) acho que no final sobra um espaço de manobra para saber como é que a equipe econômica, em cada determinado momento, trabalhou para 1) expandir o produto potencial e 2) fazer o produto real chegar perto do potencial.
Seria um levantamento interessante. Alguém já deve ter feito isso.
Março 15, 2008 às 3:09 pm
João da Luz
http://www.desenvolvimento.gov.br/arquivos/dwnl_1201271354.doc
Divirta-se
Março 16, 2008 às 4:13 pm
Rafael Figueira
Hermeneuta, o papo ficou simplificado qd se analisou apenas as medias aritmeticas entre 5 governos. Desculpe pelo post curto, faltou tempo para postar os dados.
Se agruparmos os anos pelos governos brasileiros, o Brasil acompanha o crescimento/retracao americano e europeu, com exageros (ou “dilatacao de amplitude” como dizem os estatisticos) principalmente em epocas de rebound, e com a separacao (”decoupling” como ja’ se comentou aqui) durante FHC-Lula. Ainda assim, a influencia do mercado global e’ obvia.
Crescimento do GDP real em relacao ao ano anterior. Blocos sao media aritmetica. Western Europe nao inclui Alemanha pre-89 nem Eastern Europe pre-89.
ano w eur usa+can aus+nz east eur jap+sk
1985 2.70% 4.01% 4.39% 4.61%
1986 3.12% 3.37% 2.08% 3.76%
1987 3.44% 3.56% 4.26% 4.95%
1988 4.25% 4.27% 3.80% 6.77%
1989 3.00% 3.37% 3.91% 5.02%
1990 2.82% 1.62% 1.28% -7.24% 5.62%
1991 1.32% -0.36% -0.10% -10.71% 4.11%
1992 1.37% 3.13% 3.32% -4.58% 1.62%
1993 0.05% 2.66% 4.41% 0.22% 1.05%
1994 2.51% 4.12% 4.60% 3.59% 2.17%
1995 2.73% 2.56% 4.12% 5.60% 3.06%
1996 1.96% 3.57% 3.87% 3.94% 3.43%
1997 2.92% 4.48% 4.09% 2.77% 2.09%
1998 2.96% 4.17% 4.56% 2.46% -2.87%
1999 2.71% 4.54% 4.14% 2.43% 1.44%
2000 3.99% 3.79% 1.97% 3.88% 3.86%
2001 1.59% 0.84% 3.75% 3.07% 0.86%
2002 1.36% 1.71% 3.33% 3.20% 1.54%
2003 1.30% 2.45% 3.97% 4.44% 1.75%
2004 2.63% 3.61% 2.80% 5.70% 3.15%
2005 1.91% 3.06% 2.70% 4.71% 2.38%
2006 2.98% 2.86% 2.40% 6.40% 2.78%
2007 2.85% 2.32% 4.16% 6.13% 2.52%