Fizeram alguém de palhaço
No NYT:
“Oh, By the Way, There Was No Al Qaeda Link
Remember those weapons of mass destruction that could not be found in Iraq? Well, the supposed tight links between Saddam Hussein and the Al Qaeda terrorist network have evaporated as well.
That, according to McClatchy newspapers, is the conclusion of a Pentagon-sponsored study of more than 600,000 documents captured in Iraq after the American invasion. Since both the weapons and terrorist links were used by the administration to justify the war against Iraq, the results of the report are considered a bit touchy. In fact, military officials would be just as happy if no one paid any attention to it, though the blogosphere already has.
So the report will not be posted on the Internet, as originally planned, and no one will conduct any briefings on its conclusions. Anyone wanting to read it will have to ask the United States Joint Forces Command in Norfolk, Va., for a copy. Officials promise to send it by mail.
The study, entitled “Saddam and Terrorism: Emerging Insights from Captured Iraqi Documents,” concludes that while Saddam’s regime provided some support for groups in the Middle East that have been labeled as terrorist, his main efforts were directed against Israel and against groups he considered enemies of his government, including Shiite Muslims, Kurds and Iraqi exiles.
The study comes as the fifth anniversary of the war approaches on March 19.
Update: An executive summary of the report is available as a pdf document. The Washington Independent is promising to post the entire thing, after they receive it in the mail and get it scanned and up onto the Web.“



10 comments
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Março 13, 2008 às 9:16 pm
Me
Assim como no ponto das WMD, o ponto eh que antes da invasao esse tipo de conclusao era impossivel.
Ainda mais porque esses mesmos documentos mostram que uma cooperacao nao era nada impossivel. O Uday encontrou com representantes da Al Qaeda na epoca da invasao do Afeganistao para dar suporte, e os documentos mostram que o Saddam ajudava outros grupos terroristas.
Enfim, isso so prova que os EUA agiram na hora certa. A nao ser que vc tenha a cara de pau de achar que o Saddam era um sujeito bonzinho incapaz de ajudar quem quer que seja a destruir os EUA.
Março 13, 2008 às 9:21 pm
ohermenauta
Se o seu problema é esse, Paulo, eu posso te dar uma resposta bem rápida: desde 1989, ninguém é capaz de destruir os EUA. A própria China vai ter que comer muito feijão antes de dizer que pode fazer isso.
Por outro lado, esse tipo de raciocínio é bastante interessante, já que como qualquer país pode estar tramando o fim dos Estados Unidos, os EUA estão obrigados a invadí-los e destruí-los, um por um, todos eles, se quer ter mesmo a certeza de que nenhum país do Terceiro Mundo está fabricando armas nucleares no quintal.
Lembre-se de votar em algum senador que prometa acabar com o inútil e perdulário aparato de inteligência norte-americano, Paulo. Um que tenha como lema o velho adágio da Tenente Ripley: “Nuke the entire site from orbit. It’s the only way to be sure”…
Março 13, 2008 às 10:43 pm
Me
Nao eh so ‘tramando’. Eh tomando certas acoes que sejam suficientes para que vc considere X ou Y seu inimigo. A partir desse ponto all bets are off my friend. Se um cara como o Saddam, que foi provavelmente um dos piores ditadores pos 2WW, diz que tem WMDs e que vai usa-las quando bem quiser contra seu pais, vc tem que lever a serio. Se esse mesmo cara anuncia para Deus e o mundo que paga 20 mil doletas por cada suicide bomber que mata israelenses, eh logico que ele seja um bom candidato a ter influencia em outros ataques terroristas como o de 9/11.
Eu nao estou dizendo que nao houve erros de inteligencia ou que nao seria melhor ter melhores dados antes da guerra. O que eu estou dizendo eh que eh simplesmente impossivel ter esses dados em varias situacoes, e que considerando a historia do Saddam, o erro foi justificavel.
Março 13, 2008 às 11:27 pm
Kitagawa
Paulo, considerando o inferno que virou o Iraque,
o tanto de civis inocentes que morreram desde a
invasão, o erro, pelo contrário, se mostra injustificável.
Como é possível vc achar justo os EUA ter se safado de um
suposto ataque ao custo de dezenas de milhares
de inocentes que nem são americanos? Só falta
voce dizer que eles iam morrer mesmo nas mãos do
Saddam. Quanta consideração.
Por esse raciocinio, o Irã estaria plenamente justificado
em construir uma bomba ou mesmo fazer um ataque
preventivo aos EUA, já que estes são inimigos declarados
do Irã e com certeza já tem um plano de invasão pronto.
Março 14, 2008 às 12:39 am
Me
Kitagawa
Bom, primeiro que existem varios tipos de inferno. Um eh o atual, com brigas sectarias e atentados a bomba. O outro era aquele em que Uday fazia visitas a casamentos e roubava noivas, presos politicos eram atirados de cima de predios e um milhao de soldados morriam em guerras inuteis.
Quanto a ‘consideracao’ americana, eu nunca disse que os EUA estavam fazendo um favor aos iraquianos. Pelo menos nao em primeira instancia. A preocupacao americana eh e sempre sera consigo mesmo. Agora, se vc ano consegue enxergar as diferencas morais entre os que morrem antes e os que morrem agora, nao vai ser num simples comment que eu vou te explicar.
O calculo “valeu a pena ou nao” eh sempre complicado. Tem um texto la no Townhall (preciso achar o link) em que se especulava como uma guerra antes do 9/11 contra o Afeganistao seria ‘justificada’ e vista pelo mundo. Ninguem sabe o que seria ou nao seria o Iraque se o que aconteceu fosse diferente. Esse tipo de exercicio nao eh so dificil, eh impossivel.
O que eu sei eh que pelo que se sabia naquela epoca a decisao foi acertada. E pelo que se sabe agora, nao se pode sair de la por enquanto. O resto eh resto.
Março 14, 2008 às 11:16 am
Rogério
“…desde 1989, ninguém é capaz de destruir os EUA. A própria China vai ter que comer muito feijão antes de dizer que pode fazer isso.”
Mas os fundamentos de MAD não estão no lugar? Na verdade, qualquer potência nuclear pode “destruir” os EUA (os mísseis russos não derreteram ou desapareceram no ar). O que um Estado não pode fazer é atacar impunemente, mas isso é verdade desde muito antes de 1989. E a China pode destruir os EUA do mesmo jeito que a velha URSS
Março 14, 2008 às 12:22 pm
ohermenauta
Paulo,
Você sempre me oferece oportunidades muito didáticas. Seus comentários serão respondidos em um post à parte.
Rogério,
Mísseis nucleares, e suas ogivas, não são coisas que se pode guardar e esquecer para usar quando for preciso. São sistemas complexos que exigem manutenção cara e constante. Com o fim da União Soviética, reduziram-se fortemente os recursos para esse tipo de coisa (embora Putin esteja modernizando as forças armadas russas nos últimos anos).
Na verdade, após o fim da URSS o que ficou claro é que devido a várias ineficiências ela sempre foi um desafio muito menor do que os falcões da guerra fria vendiam. E hoje, a maior preocupação não é bem saber se a Rússia vai usar o que lhe restou de capacidade nuclear, mas evitar que artefatos nucleares sejam roubados por outros países, gangs criminais ou movimentos terroristas.
O nível de prontidão das forças nucleares soviéticas é quase inexistente hoje em dia. A frota de submarinos estratégicos, por exemplo, foi quase totalmente sucateada e pode ser encontrada facilmente até mesmo no Google Earth, se você der uma olhadinha no porto de Murmansk. Submarinos nucleares estratégicos, que sempre foram o pé mais confiável do tripé da MAD (silos em terra, bombardeiros estratégicos, submarinos lança-mísseis), têm que estar em constante prontidão no oceano para serem úteis. A antiga União Soviética utilizava, em seu auge, cerca de 50 a 100 patrulhas por ano; a Rússia recentemente conseguiu chegar a 3 patrulhas (em 2005). Evidentemente, um submarino solitário saindo de seu porto para fazer uma patrulha em algum lugar do oceano ártico ou pacífico é facilmente traqueável pelos submarinos anti-submarinos americanos. Isto significa que provavelmente toda a força estratégica russa pode ser anulada por munição americana assim que mostrar algum sinal de que há intenção de utilizá-la.
Tudo o que eu disse se aplica muito mais à China, cujo arsenal é incomensuravelmente menor do que o da Rússia.
“Destruir” é um termo complicado. Mesmo Rússia e China, se se aventurassem a tentar um “first strike”, provavelmente não conseguiriam incapacitar os EUA: primeiro, porque sua capacidade de promover um “first strike” é muito reduzida hoje, seja pela redução do tamanho de suas forças, seja porque a tecnologia de monitoramento americana hoje é muito mais avançada e capaz (satélites capazes de detectar a assinatura dos sistemas de ativação de armas estratégicas, por exemplo, ou a pura e simples vigilância constante sobre submarinos), ou ainda porque a taxa de êxito de armas russas e chinesas é provavelmente muito menor do que esses próprios países alardeiam (principalmente porque conduzem muito menos testes do que os EUA). A hipótese levantada pelo Paulo é ainda mais ridícula: mesmo que o Iraque conseguisse entrar com uma “bomba mala” dentro dos EUA, poderia destruir uma grande cidade (ou parte dela). É claro que isso seria um choque, mas não chegaria nem perto de “destruir os EUA”.
Março 14, 2008 às 12:32 pm
Rogério
OK, então concordamos nisso. Mas mesmo não podendo ajudar a “destruir os EUA”, ele poderia estar ajudando a “destruir parte de uma grande cidade americana” o que, aliás, é crime em muitos estados americanos. Não tenho certeza se tudo era tão claro assim antes de se declarar a guerra. Pós-fato, fica claro que foi um erro terrível e enfraqueceu muito a posição do Ocidente.
Obrigado pelas explicações, Hermenauta.
Março 14, 2008 às 12:36 pm
ohermenauta
Resta saber porque motivo os EUA invadiram o Iraque, que poderia hipoteticamente quem sabe talvez estar tentando construir uma bomba (a suitcase bomb, por acaso, sempre esteve e continua estando longe da capacidade tecnológica da maioria dos países, e estima-se que apenas EUA e a antiga URSS tenham tal capacidade), e não tenham invadido ainda Índia, China, Paquistão…
Março 15, 2008 às 10:06 am
Uma resposta ao Paulo «
[...] 15, 2008 in the mighty reality distortion field, the world out there Ali mais abaixo, no post Surpreendente!, o Paulo aproveitou para deixar no blog mais algumas palavras de autoengano. Como esta é uma [...]