Sérgio Leo sumarizou em um parágrafo uma parte da situação ao norte das nossas fronteiras da qual não devemos nos esquecer:

Tente imaginar guerrilheiros anti-Chávez escondidos na floresta amazônica, para lá da serra do Caparaó, em algum lugar de Roraima. Imagine se, por isso, o presidente venezuelano ordenasse uma incursão de tropas da Venezuela através da fronteira, usando seus recém-comprados jatos Sukhoi para dizimar a oposição armada, em pleno Brasil. Que grita não haveria por aqui, hein? E com razão.

Assino embaixo.  Não posso deixar de notar, porém, que a mesma grita, com a mesma razão, se colocaria se descobríssemos que Chávez andou doando 300 milhões de dólares para algum hipotético movimento guerrilheiro amazonense.  A meu ver esta é a acusação mais grave no imbroglio, mas ao mesmo tempo também a mais frágil.  Não só por ter sido gerada “a posteriori” como também pelo fato de que afinal uma das pedras de toque do discurso anti-FARC é sua caracterização como “narco-” alguma coisa, com blogs anaeróbicos como o de Reinaldo Azevedo fazendo todas as composições possíveis da palavra, de forma bastante imaginativa: até agora já colecionei narcoguerrilheiros, narcocomunistas, narcoterroristas, narcotraficantes, narcobandoleiros.  Tudo isso sempre para enfatizar que as FARC não são “evil” apenas por serem “de esquerda”, mas também por se manterem através do tráfico de drogas.  Bem, quem vive do tráfico de drogas não vai precisar desse dinheiro miúdo do Chávez, não é mesmo?