Burraldo Azevedo.

Diz ele lá no blog dele:

Pois é. Os céticos saíram da toca. Ainda bem. Afinal, o planeta está mesmo condenado é a uma nova era glacial… Abaixo, há dois posts relativos a matérias que o Estado deste domingo publica a respeito. Um deles é uma entrevista com o climatologista americano Richard Lindzen, do MIT. Os leitores deste blog já o conhecem. Falei dele num post no dia 6 de fevereiro de 2007, que reproduzo abaixo.

O trecho da entrevista com o Linzen:

Estamos em um caminho sem volta para uma era glacial?
A ignorância sobre o clima é muita para dizer que é inevitável, mas a história de 800 mil anos sugere nova era glacial em 10 mil anos.

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Bem, o fato é que os cientistas que acreditam que a probabilidade de estar ocorrendo um aquecimento global antropogênico é alta NUNCA disseram que novas eras glaciais não estão por vir. Ainda mais, caramba, em um horizonte de tempo como esse.

Vejam, vai passar em breve um filme chamado 10.000 AC. É um filme, pelo que vi, repleto de inconsistências históricas: nele aparece uma civilização que construía pirâmides iguais às do Vale dos Reis no Egito. Bom, a mais antiga pirâmide conhecida, a de Djoser, é de 2750 AC. E acontece que pirâmides não são artefatos fáceis de esconder, principalmente em uma era que conhece a arqueologia por satélite.

Embora eu seja um otimista em matéria de ciência, sou pessimista em relação à capacidade da Humanidade em utilizá-la bem. Eu não colocaria muitas fichas na probabilidade de que exista uma civilização humana cientificamente avançada daqui a 10.000 anos, muito menos que ela seja capaz de criar um novo aquecimento global.

Além disso, eras glaciais têm a ver com ciclos relacionados a fenômenos orbitais que afetam o nosso planeta e sobre os quais temos nenhum controle.

Para resumir: os que estão preocupados com o aquecimento global não negam a realidade das eras glaciais. Nem estão muito preocupados com elas, pois a próxima delas provavelmente está situada ainda muito à frente no futuro. Porém, o aquecimento global obedece a um cronograma muito mais estreito: estamos falando da possibilidade de catástrofes reais até o final do século, com secas, alagamento de zonas litorâneas, tempestades e migrações em massa que muitos países, principalmente os mais pobres, não terão como enfrentar.

Por isso Burraldo Azevedo devia saber que confrontar esta realidade com a de uma futura era glacial a ocorrer daqui a 10.000 anos é uma piada de muito mau gosto.

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UPDATE:

Há uma boa matéria no New York Times sobre o encontro de céticos a que Tio Rei se refere. Ele é promovido pelo Heartland Institute de Chicago, um think tank conservador, e o jornal apropriadamente se refere ao encontro como “o último suspiro dos céticos”.

Tudo isso é muito interessante, principalmente em um momento em que a agência ambiental federal dos EUA acaba de derrubar medidas antipoluição do Estado da Califórnia. Sob qual alegação? A de que o aquecimento global não está ocorrendo só na California, portanto exige uma solução global. Wow.