O mito do isolacionismo americano, altaneiro como a água em seu ninho que só desce à Terra para dar umas bicadas nas cabeças dos povos mal-comportados, é também um apanágio do Campo de Distorção da Realidade. Diz o Paulo:
“I bet the US would have no problems leaving that piece of rock for the old commies (…)“
E arremata o Alexandre, nosso velho conhecido troll, que comentou por lá:
“It amazes me how these american hating, inferiority complex ridden morons think the the United States actually cares about Cuba, or any Latin American country for that matter, to the point of “renouncing any form of intervention” or “proposing annexation”
Como vemos, o Campo de Distorção da Realidade, entre seus variados e deletérios efeitos, também impede as pessoas de irem até a biblioteca mais próxima conferir uns livrinhos.
Enters the Platt Amendment:
“The Platt Amendment was a rider appended to the Army Appropriations Act, a United States federal law passed on March 2, 1901 that stipulated the conditions for the withdrawal of United States troops remaining in Cuba since the Spanish-American War, and defined the terms of Cuban-U.S. relations until 1934. Formulated by the American Secretary of War Elihu Root, the amendment was presented to the Senate by, and named for, Connecticut Republican Senator Orville H. Platt (1827-1905). It replaced the earlier Teller Amendment.
The amendment:
-ceded to the United States the naval base in Cuba (Guantánamo Bay),
-stipulated that Cuba would not transfer Cuban land to any power other than the United States,
-mandated that Cuba would contract no foreign debt without guarantees that the interest could be served from ordinary revenues,
-ensured U.S. intervention in Cuban affairs when the United States deemed necessary,
-prohibited Cuba from negotiating treaties with any country other than the United States “which will impair or to impair the independence of Cuba” or “permit any foreign power or powers to obtain … lodgement in or control over any portion” of Cuba, and
-provided for a formal treaty detailing all the foregoing provisions.“
As fontes históricas disponíveis são unânimes em afirmar que não existiam mísseis nucleares estacionados em Cuba, na época.
É claro, é claro, nós entendemos. Afinal, os EUA foram provocados, a Espanha tentava anexar ao seu império colonial as terras que vão desde a Flórida até o estado do Maine, não é mesmo?
Hããã…not quite.
“Los Estados Unidos, que no participaron en el reparto de África ni de Asia, fijaron su área de expansión inicial en la región del Caribe y, en menor medida, en el Pacífico, donde su influencia ya se había dejado sentir en Hawaii y Japón. Tanto en una zona como en otra se encontraban valiosas colonias españolas (Cuba y Puerto Rico en el Caribe, Filipinas, las Carolinas y las Marianas en el Pacífico) que resultarían una presa fácil debido a la fuerte crisis política que sacudía su metrópoli desde el final del reinado de Isabel II. En el caso de Cuba, su fuerte valor económico, agrícola y estratégico ya había provocado numerosas ofertas de compra de la isla por parte de varios presidentes estadounidenses (John Quincy Adams, James Polk, James Buchanan y Ulysses Grant), que el gobierno español siempre rechazó. Cuba no sólo era una cuestión de prestigio para España, sino que se trataba de uno de sus territorios más ricos y el tráfico comercial de su capital, La Habana, era comparable al que registraba en la misma época Barcelona.“
***
Claro que além disso poderíamos desfiar o longo rosário das intervenções norte americanas em Granada, no Panamá, na Nicarágua, e seu apoio desinteressado aos levantes militares em toda a região ao longo das últimas décadas. Mas isso já seria usar um canhão para matar um mosquito.


4 comments
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Fevereiro 27, 2008 às 4:17 pm
Me
Mas quanta bobagem. Sim, os EUA (como todos outros paises do mundo) ja interferiram e guerriaram com outros em varias epocas, pelos mais variados motivos.
O que isso tem a ver com a situacao atual de Cuba? Nada.
Cuba poderia ser tomada facilmente hoje em dia, se nao militarmente, politicamente. Mas nao existe vontade politica nenhuma de se fazer isso, e aconteca o que acontecer com o Raulzinho, isso nao vai mudar.
Fevereiro 27, 2008 às 7:43 pm
ohermenauta
Paulo,
Que cândida afirmação. Sua credibilidade, porém, fica bastante abalada quando se percebe que os EUA são o único país do mundo cujo orçamento militar é maior do que o de todos os outros países juntos, e também provavelmente o único que tem uma doutrina militar expressa de intervenção militar fora da homeland (se é que a manutenção de 11 porta-aviões com suas respectivas frotas ou de 20 bombardeiros stealth B-2 Spirit significa algo para você - e isso porque nem toquei, por exemplo, nos 18 submarinos nucleares com mísseis balísticos, e cerca de 10.000 ogivas nucleares, que alguém como você sempre poderá considerar como “armas defensivas”).
A “situação atual de Cuba” tem a ver, e muito, com o embargo, é claro. Do qual estranhamente os EUA não abrem mão, apesar de comercializarem loucamente com um país como a China, que não é exatamente um exemplo de democracia.
Pode ser que a “vontade política” de invadir Cuba, hoje, esteja alquebrada por alguns outros fatores, como por exemplo a frustrada experiência na Baía dos Porcos, ou as profundidades abissais da popularidade de Bush graças à guerra que ele já tem nas mãos, ou ao fato de que o Pentágono sabe que graças ao Iraque as forças armadas norte-americanas já não tem a capacidade de lutar uma segunda guerra de ocupação neste exato momento. Mas o embargo, pelo menos, tá lá.
Fevereiro 27, 2008 às 8:22 pm
Me
Vc deve saber o porque do orcamento americano ser maior que o dos outros nao? Algo a ver com uma coisinha chamada guerra fria? Aposto que ate 1991 o orcamento da URSS tambem era maior que o dos outros paises combinados.
Isso obviamente nao significa que o pais seja mais inclinado a invadir Cuba. Ate porque, Baia dos Porcos ou nao, qualquer pais desenvolvido conseguiria invadir Cuba sem muitos problemas militarmente. Esse nao era o objetivo then e nao seria um objetivo now. Pelo menos no mundo real, nao no mundinho dos lefty blogs.
Agora, o embargo nao eh uma acao militar. Nao existem Porta avioes guardando o mar do caribe evitando comercio de quem seja com Cuba. Vale lembrar tambem que o embargo comecou quando Fidel tomou propriedade de cidadaos e empresas americanas em Cuba. Pretty fair I would say. E mais, se o que vc quer eh que os EUA fiquem longe de Cuba (e se vc considera Cuba pre-Fidel uma “colonia” dos EUA) vc deveria estar muito contente com o embargo.
Mas tudo isso eh somente tangentes. O negocio eh que seu post inicial dizia que o intervencionismo americano eh a maior preocupacao e causador da ditatura cubana, e isso eh um absurdo. O maior problema de Cuba eh Fidel e seus co-ditadores. O resto eh resto.
Fevereiro 28, 2008 às 12:54 am
ohermenauta
Paulo,
Eu sei que aí dentro do CDR é meio difícil manter o calendário em dia, mas a Guerra Fria acabou em 1989, com a queda do Muro. E você está invertendo a ordem das coisas: no final o orçamento militar soviético equivalia a 25% do PIB da URSS, EM RESPOSTA à escalada armamentista norte-americana.
Seu raciocínio é tão falacioso que nem sei por onde começar. Ué, boa parte do mundo é facílimo de ser invadido por um país desenvolvido. Já com Cuba a coisa não é bem assim. Cuba é um país em armas, tal como Israel. E trata-se de um exército com grande experiëncia em combate, bem mais que a maioria _ lembre-se da presença cubana na África, durante as guerras de libertação. E no mundo real, não no mundinho dos wingnuts blogs, os EUA já têm problemas suficientes no Iraque.
O embargo existe porque, evidentemente, está baseado no poder americano de fazer seu enforcement, ué. Tente você sair de barco da Flórida carregando mercadorias para Cuba para ver o que te acontece. Que besteira.
E sim, a desculpa para o embargo é a desapropriação de propriedades de cidadãos americanos. Mas é engraçado que você não mostre essa mesma compreensão quanto ao ressentimento cubano contra as regras draconianas impostas pelos EUA a Cuba após sua independência.