Deu no Financial Times:
“American pays $50,000 to clone dead dog
The prospect of having nine lives is no longer the preserve of cats.
In a happy mix of science and commerce, man’s best friend can now live again and again – if the owner is besotted and rich enough.
The South Korean stem cell scientists who produced Snuppy, a cloned Afghan hound, have received the world’s first commercial order to clone a dog and are preparing to recreate Booger, a pitbull terrier from California.
It is an order they hope will lead to the production of as many as 500 born-again pets each year.“
***
Eu até entendo que algumas pessoas sintam uma incrível saudade dos seus animais de estimação, e paguem para voltar a conviver com eles.
Mas o problema vai começar é quando as pessoas quiserem clonar o pai, a mãe e os filhos queridos que morreram.
Ao que consta, há espécies animais que não morrem. Logo, a morte deve estar conosco por um bom motivo.


20 comments
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Fevereiro 27, 2008 às 6:38 pm
Guilevy
“Ao que consta, há espécies animais que não morrem.(???) Logo, a morte deve estar conosco por um bom motivo.” (?)
Não entendi a piada…e não sou loiro.
Fevereiro 27, 2008 às 6:56 pm
Kitagawa
“Mas o problema vai começar é quando as pessoas quiserem clonar o pai, a mãe e os filhos queridos que morreram.”
Acho que clonar uma pessoa em qualquer circunstancia já é intrinsecamente problemático.
“a morte deve estar conosco por um bom motivo.”
Hmmm, me pareceu uma declaração meio, digamos, teísta.
Fevereiro 27, 2008 às 7:15 pm
ohermenauta
Guilevy,
Não é piada.
Desculpe, fui impreciso: quis dizer que existem espécies animais que não conhecem o processo de envelhecimento. Não há senescência. É claro que não há animais que não morrem, se dermos uma boa bordoada na cuca deles.
Kitagawa,
Não, nada de teísmo aí. O que quis dizer (algo cripticamente, reconheço) é que a morte acontece por bons motivos naturais. Por exemplo, sem cópia com alteração não há evolução. Se eu fosse um gene egoísta, gostaria que minha probabilidade de me reproduzir fosse potencializada por mutações NOS OUTROS genes que aumentassem a probabilidade do organismo como um todo se reproduzir, por exemplo.
Fevereiro 27, 2008 às 9:56 pm
Japajato
Mas pra quê clonar? A cópia não vai ter as memórias do original, então é mais simples adotar um novo.
Aí seria até mais “racional” defender a clonagem de um filho perdido do que a de um animal de estimação, já que a perpetuação do próprio material genético é uma das bases da noção de família (ou era).
Fevereiro 27, 2008 às 10:34 pm
Rogério
Pode dar um exemplo de espécie animal que não conhece a senescência, por favor?
Fevereiro 27, 2008 às 11:13 pm
ohermenauta
Japajato,
Você está certo, mas lembre-se: seres humanos não são muito racionais às vezes.
Rogério,
Lagostas. Algumas tartarugas. Vários peixes.
Fevereiro 28, 2008 às 5:13 am
Kitagawa
O fato dos seres vivos morrerem, claro, é fundamental para a evolução, pois podem assim serem substituidos.
Mas não acho que seja por isso que eles morrem, acho que é por impossibilidade física. Simplesmente não dá pra “fabricar” um ser vivo que não se desgaste, que consiga durar para sempre (com exceção dos virus). Ou será que os seres vivos são “intencionalmente” programados para morrerem? Me desculpe se estiver falando besteira, sou ignorante no assunto.
mas o problema da clonagem, acho que não tem a ver com o que vc falou. A evolução dos seres humanos já era. Não acho que haja um padrão de seleção muito positivo. Não acho que haja hoje um constante aprimoramento da raça, qualquer um se reproduz e passa seus genes pra frente. Até feios se reproduzem ás pencas.
O problema da clonagem é acabar com o paradigma da individualidade. Uma cópia do pai não é o pai, é outro ser, mesmo que com o mesmo dna. Mas a sombra do original smpre rondará a existencia da cópia. Não gostaria de crescer sabendo que existe ou que já existiu um clone meu. Que um clone meu fez isso e aquilo. Que teve essa aparencia aos 50 anos. Que se matou aos 60. Ninguém merece.
Fevereiro 28, 2008 às 9:23 am
ohermenauta
Kitagawa,
Pois é, você tocou em um ponto interessante. Uma das teorias sobre o envelhecimento é justamente a de que somos realmente “programados” para envelhecer. Por razões totalmente evolucionárias - um fenômeno chamado “pleiotropia negativa”. Por esta teoria, mutações que conferem vantagens adaptativas na fase inicial da vida de um organismo, mas desvantagens adaptativas (coletivamente denominadas “envelhecimento”
nas fases posteriores, têm alta probabilidade de se difundirem na população _ porque, justamente, a presença de vantagens adaptativas na fase inicial de sua vida significa que esse organismo se multiplicará muito rápido.
Quanto ao outro ponto, o de saber se continuamos evoluindo ou não, bem, é um tema clássico. E que recentemente ganhou as páginas dos jornais por causa do trabalho de John Hawks, um antropólogo que publicou um paper recente defendendo a hipótese de que contrariamente ao que se pensava, a taxa de evolução da espécie humana vem aumentando nos últimos milênios.
Quanto aos pontos éticos que você coloca, eu até concordo. Mas acho que se tratam de questões culturais, que podem mudar rápido com o avanço da tecnologia. Basta imaginar o quanto os usos e costumes mudaram, por exemplo, nos últimos cem anos.
abçs!
Fevereiro 28, 2008 às 9:36 am
Rogério
Muito obrigado pela resposta. Por falar nisso, você se lembra de de um conto chamado Hostess (não me lembro qual era o título em português) de Asimov? Se eu não me engano a personagem principal diz que os peixes não param de crescer e não sofrem “morte natural”.
Fevereiro 28, 2008 às 9:39 am
ohermenauta
Rogério,
Gozado, não lembro não, e olhe que eu li bastante Asimov.
Mas sim, parece que o mesmo acontece com as lagostas.
Fevereiro 28, 2008 às 11:21 am
Rogério
Quando eu li, achei estranhíssimo e nunca tinha achado uma confirmação até agora. Obrigado pelos links também.
Ah, e o conto é bem interessante: se tiver uma recaída de Asimovite, é um bom lugar para começar.
Fevereiro 28, 2008 às 12:17 pm
caliban
Ué, sempre achei que a seleção natural não nos seleciona para nada depois da idade de reprodução, por isso envelhecemos, contraímos mais doenças (câncer, por exemplo) e ao final morremos. Depois de reproduzirmo-nos, encerramos nosso papel na evolução de passar pra frente nosso material genético, por isso o quer que venha depois é irrelevante (pelo menos do ponto de vista da sobrevivência da espécie), portanto não selecionável.
Quanto à ausência de senescência, ou mais precisamete a “senescência precoce”, o caso clássico é o salmão, que sobe o rio se reproduz e morre em seguida. Provando o dito acima.
Fevereiro 28, 2008 às 3:07 pm
caliban
Ih, o negócio é mais complicado….
http://www.geriatriahcusp.org.br/aulas/evolucaolongevidade.pdf
Fevereiro 28, 2008 às 7:03 pm
Kitagawa
Nos ultimo milenios, claro que houve seleção. Em outras épocas, ser mais forte, mais esperto, ou mais resistente às doenças garantia alguma coisa ou era fundamental para a sobrevivencia. Mas estou falando hoje. Hoje o padrão da seleção não aprimora em nada a espécie pois é só observar que tipo de humano está passando mais seus genes adiante. São os mais sadios? Os mais inteligentes? Os mais ricos e prósperos? Os mais cultos? Não vejo padrão nehum que mostre que os “melhores” espécimes tendem a deixar mais descendentes. Até mesmo se pensarmos numa “seleção cultural”, individuos de culturas avançadas são capazes até de optar em não deixar descendentes.
Fevereiro 28, 2008 às 7:18 pm
ohermenauta
Kitagawa,
Você está incorrendo em um erro muito comum, e o nome dele é Darwinismo Social. A idéia de que os mais bonitos ou mais inteligentes deveriam ter direito ao sucesso evolutivo não procede. A evolução seleciona os mais aptos a se reproduzirem, e só.
Março 2, 2008 às 7:31 am
Kitagawa
Hermenauta, só dei exemplos dispares de padrões de seleção que hipoteticamente poderiam incorrer sobre a raça humana. Não só sociais, mas fisiologicos também. Só pra reforçar a tese de que não há padrão definido, pelo menos não como poderia haver há 3000 anos, quando, sei lá, um hemofilico ou um anão certamente tenderiam a não se reproduzir. Mas hoje… Voce diz que a evolução seleciona os mais aptos a se reproduzirem. Hoje isso não é verdade, pois o sujeito pode estar apto a se reproduzir, mas optar por não ter filho, ou ter apenas um. Com o avanço da medicina, com recursos de saneamento, com alimentação, com o conforto e a segurança que a vida moderna propicia, quase todos chegam a ser aptos a se reproduzir.
Março 2, 2008 às 9:42 am
ohermenauta
Kitagawa,
Ocorre que nós humanos somos hardware+software.
Se a pessoa é saudável, tem boas condições financeiras, mas OPTA por não ter filhos, a razão pela qual ela preferiu optar por não tê-los (seja ela existencial, filosófica, etc.) é um meme que o torna INAPTO para reproduzir-se.
Os memes existem porque temos cérebros capazes de mantê-los. Teoricamente, se um meme como este se espalhasse por toda a humanidade, a característica biológica “ter cérebro capaz de produzir memes” _ e o complexo de genes que a possibilita _ seriam extintos.
Se isso ainda não aconteceu, é porque provavelmente o valor adaptativo (e reprodutivo) de ter um cérebro ainda é maior do que situações como a que você hipotetizou. Isto é, o número de rapazes e moças dispostos e capazes de usar seus cérebros apenas para bolar formas de colocar “a coisa na coisa” ainda é bem maior do que o número daqueles cujas convicções existenciais os fez decidir a não se reproduzirem.
Ou seja, o seu argumento não é suficiente para decidir pela estase evolutiva da espécie humana.
Março 2, 2008 às 8:14 pm
Kitagawa
Tem uma comédia, meio ficção cientifica, dirigida pelo cara que criou o Beavis e Butthead (não é desenho). Chama-se Idiocracy. A tese do filme é que as pessoas inteligentes estão tendo cada vez menos filhos enquanto os idiotas se reproduzem às pencas. Então pinta-se um cenario futuro onde o mundo é totalmente dominado por idiotas, inclusive o presidente dos EUA, um boçal. E um cara do nosso tempo, um tipo mediocre, é congelado e acorda nesse futuro, se tornando o cara mais inteligente da terra. Claro que a tese falah em supor que a inteligencia é transmissivel geneticametne, mas vale a pena ver esse filme, pois como comédia é até boa.
Março 2, 2008 às 8:41 pm
ohermenauta
“Então pinta-se um cenario futuro onde o mundo é totalmente dominado por idiotas, inclusive o presidente dos EUA, um boçal.”
Ué, mas é um documentário??
Março 2, 2008 às 8:59 pm
Kitagawa
ó, a intro do filme: http://br.youtube.com/watch?v=upyewL0oaWA
Toda ficção se refere ao presente