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Vai um acarajé?
Estão fazendo furor na blogoseira anaeróbica essas fotos de Obama em trajes típicos tiradas na Somália em 2006.
O GOP (e Hillary) só estão em dúvida se chamam Obama de “islamofacista” ou de “baiana”.
On the other hand…
Na Economist:
“THE past year has seen a lively debate among economists about China’s rapid economic growth. Some, such as Brad Setser from the Council on Foreign Relations, believe that exports have been the main generator; others, like UBS’s Jonathan Anderson and The Economist, think that domestic demand—spending on roads and railways, cars and clothes, and the like—has been the driving force. Just now, a lot turns on this argument: both how badly China’s economy could be hurt by an American recession and also the extent to which Chinese spending could help to prop up the rest of the world economy. Some new figures suggest Chinese demand is rising strongly enough to help offset the increasing weakness in China’s export markets. That could be good news for the world at large.
(…)
In 2008 China will probably suffer its first slowdown in growth for seven years. But strong domestic demand should mean that an American recession would not bring the Chinese economy to a screeching halt. Indeed, to the extent that the economy was starting to overheat, a slowdown will be welcomed by Chinese policymakers. And if almost all of the slowdown comes from net exports, while domestic spending remains robust, then the whole world can cheer, too.“
Aqui no Hermenauta nós já tínhamos apontado, há um tempo atrás, um post do All Roads Lead to China aventando a hipótese de que realmente parte expressiva do crescimento daquele país já seja devido, hoje, à dinâmica interna da economia chinesa e não apenas devido às exportações.
Isso seria uma tremenda sorte para Pindorama. Hoje, a demanda por alimentos na China é enorme (o RGE tem um post interessante sobre isso), e o Brasil está muito bem posicionado para continuar se aproveitando disso. Se, além disso, de fato chegarmos ao investment grade este ano, 2008 promete ser bom para o país, mesmo diante de uma maré turbulenta castigando as margens do Atlântico Norte.
(clique para ampliar)
Deu no NYT: americanos mudam de fé como quem muda de marca de detergente.
Bom, não é bem assim. Mas as taxas de mudança são altas, segundo estudo recém divulgado do Pew Institute:
“WASHINGTON — More than a quarter of adult Americans have left the faith of their childhood to join another religion or no religion, according to a new survey of religious affiliation by the Pew Forum on Religion and Public Life.
The report, titled “U.S. Religious Landscape Survey,” depicts a highly fluid and diverse national religious life. If shifts among Protestant denominations are included, then it appears that 44 percent of Americans have switched religious affiliations.
For at least a generation, scholars have noted that more Americans are moving among faiths, as denominational loyalty erodes. But the survey, based on interviews with more than 35,000 Americans, offers one of the clearest views yet of that trend, scholars said. The United States Census does not track religious affiliation.“
Todas as denominações perdem fiéis para o único item da pesquisa que cresce: os sem afiliação religiosa. Este rótulo, porém, é um saco de gatos que a Pew ainda não investigou como devia:
“The rise of the unaffiliated does not mean that Americans are becoming less religious, however. Contrary to assumptions that most of the unaffiliated are atheists or agnostics, most described their religion “as nothing in particular.” Pew researchers said that later projects would delve more deeply into the beliefs and practices of the unaffiliated and would try to determine if they remain so as they age.“
***
Enters Mara Einstein.
Ela tem um blog intitulado “Brands of Faith“, o qual por sua vez é homônimo do seu último livro. Como não poderia deixar de ser, o assunto favorito do blog (mas não o único) é justamente a fé tratada como mercadoria _ não só no Ocidente mas inclusive na China.
Eis aqui um recente review do “Brands of Faith”, o livro (cujo título completo é “”Brands of Faith: Marketing Religion in a Commercial Age”). Ela é fã do Pew, mas não chegou a comentar essa última pesquisa. Vou ficar de olho.
***
Eu ainda não comprei o livro _ está na minha mira _ mas segundo este trecho do review, ele promete:
“In exploring the symbiotic relationship between religion and marketing, Ms. Einstein highlights the irony that “marketers have learned their craft from religion — turning diehard product users into evangelists, for example.” Not surprisingly, she argues whether loyalists are just returning the favor. Is the burgeoning of evangelicals “simply a situation of religion re-assimilating what is rightfully theirs”?“
Quem nunca teve um amigo ou amiga abduzido pela Amway que atire a primeira pedra.
Via Inagaki, achei um vídeo no YouTube onde aparece a cena final de Cloverfield sugerindo o momento em que o bicho chega à terra, caindo no mar.
Não foi à toa que eu não vi o negócio no cinema, mesmo sabendo. O splash no oceano é quase imperceptível.
***
E eis aí o motivo de tanto mistério sobre a imagem do monstro Cloverfield, o qual até agora é bem difícil de encontrar no Google: a Hasbro (grande fabricante de brinquedos) acaba de lançar a “action figure” do monstro. Ou seja, rolou um contrato entre a produção do filme e a Hasbro para “turbinar” as vendas de mais um produtinho do filme. Muito esperto.



Bom, eu vi o filme.
Terão sido merecidos os prêmios?
Minhas especulações aqui são guiadas, em sua maioria, apenas pelas qualidades intrínsecas do filme, já que ainda não vi nenhum dos outros filmes que competiam com OFNTV _ logo, fica difícil fazer um exercício comparativo.
O de Javier Bardem, seguramente. Ele é sem sombra de dúvidas o melhor ator do filme _ e olhe que o filme tem outros ótimos atores, embora a atuação de Tommy Lee Jones tenha me feito esperar pela aparição repentina de alguns alienígenas, em certos momentos (ou de um poço de petróleo, com aquele sotaque). Bom, não que o personagem de Bardem já não fosse suficientemente estranho.
O dos irmãos Coen pela direção…provavelmente, pois o filme realmente me prendeu na cadeira, ainda que empregando vários truques sujos, dos quais o mais sujo ocorre logo no início e justifica toda a trama _ que é a volta de Llewelyn Moss ao deserto para levar água a um mexicano moribundo. De qualquer forma os Coen são mestres no que fazem, o que está excessivamente demonstrado na cena em que o assassino psicopata finalmente encontra Moss no hotel.
O de melhor filme…bem, essa é uma categoria onde sinto que o fato de não ter visto os outros filmes pode viesar bastante meu julgamento. Não há a menor dúvida que OFNTV é um filme acima da média, entretanto.
Minha maior bronca talvez viesse a ser com o prêmio de melhor roteiro adaptado, pois apesar de ter gostado de vários elementos do filme, confesso que fiquei um tanto desapontado _ se é este o termo _ com o final. Filmes devem contar histórias, mesmo que sejam histórias niilistas, e OFNTV deixa um sabor algo insipido ao terminar. Duas observações importantes, porém: segundo o review do NYT, OFNTV é a primeira incursão dos irmãos Coen no mundo das adaptações literárias; além disso o review diz também que o filme é uma adaptação fiel, cena a cena, do livro que lhe deu origem. Como não li o livro, reconheço que há uma possibilidade de que a aparente inconclusão do filme seja também ela uma reprodução fiel do livro. Isso poderia deixar alguma dúvida sobre a escolha da obra a ser adaptada, é claro, mas gostei o suficiente do filme para ignorar este pormenor.
Mas apesar dessa inconclusão, não é possível deixar de perceber o ethos de cada um dos 3 principais personagens: Llewelyn Moss é o homem comum, um pseudo esperto que termina encontrando suas limitações; Anton Chigurh, o psicopata maravilhosamente descrito pelo NYT como “o Beatle do Inferno” anda pelo mundo distribuindo sua justiça particular, mediada pelos ditames aleatórios de uma moeda _ mas quem diz que o próprio destino funciona de forma diferente? Finalmente, o xerife Ed Tom Bell, o homem correto, experimentado, cada vez menos adaptado a este mundo e por isso mesmo sempre o último a chegar ao lugar do crime.
O que fica é uma grande vontade de ler o livro. Quanto ao filme, talvez a melhor definição seja esta mesma proposta pelo reviewer do NYT:
“Mostly, though, “No Country for Old Men” leaves behind the jangled, stunned sensation of having witnessed a ruthless application of craft.“
Preservar a Natureza não é só cuidar de tartaruga, ué
Deu no Estadão:
“Funcionária usa R$ 23 mil do Ibama para tratamento de beleza
Desvio de recursos da União é investigado pelo MPF; fraude ocorre desde 2005 em Goiás
GOIÂNIA - A unidade de Goiás do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) está sob suspeita de ter desviado recursos públicos para o pagamento de clínicas de estética. Uma funcionária da área contábil teria usado R$ 23 mil, desde 2005, para tratamentos de rejuvenescimento facial e corporal. Os dados foram retirados do Sistema Integrado de Administração Financeira do Governo Federal (Siafi). O Ministério Público Federal (MPF) investiga o caso. A Superintendência do Ibama em Goiás diz que a funcionária foi afastada e que abriu sindicância interna para apurar o desvio de recursos da União. Já foi confirmado, de acordo com uma pré-auditoria, que houve pagamentos indevidos.“
Eis assim como o “cartão corporativo” se transforma em “rejuvenescimento corporal”. A menos que alguém prove que a funcionária do Ibama de Goiás estava pagando um tratamento de beleza para D. Marisa…


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