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Condoleeza Rice
Com o eleitorado americano brigando mais do que o publico do Big Brother Brasil pra saber se manda o negro ou a mulher para o paredão, não da’ pra entender como os republicanos, sempre tão preocupados em ser o “partido das idéias”, não tiveram a genialidade de lançar Condoleezza Rice, a candidata dois-em-um: mulher, negra, e se fizessem uma forcinha para cavar direitinho a vida dela la’ no Alabama, daquele jeito que so’ os republicanos são capazes, certamente favelada.
Mas não, tinham que escolher o velhote gaga’ que quer ir brincar de Rambo la’ no Nadistao. Vou te contar.
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Enquanto isso Tio Rei defende a Rede Globo, mas acha que distribuir camisinhas nas escolas e’ UM ESCANDALO!
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Enquanto isso Tio Rei defende a Globo, mas acha que distribuir camisinha nas escolas e’ UM ESCANDALO.
O esquecimento, para alguns, ‘e mesmo uma bencao.
Enquanto discute-se aqui (e’, aqui mesmo, nao livro a minha cara nao) e acola’ se o “waterboarding”, afinal, e’ tortura ou nao e’, encontrei esse textinho aqui no site do FAS (Federation of American Scientists) (*). E’ so’ o sumario executivo; o texto integral esta’ aqui, o’.
“EXECUTIVE SUMMARY
In September 1996, the Pentagon released seven training manuals used at the U.S. Army School of Americas in Fort Benning, Georgia. These seven manuals, which taught murder, torture, and extortion, were used to teach courses at the U.S. Army School of the Americas during the 1980s despite explicit U.S. army policy.
This is not the first time that training manuals advocating brutal training methods were used in Central America. Nor is this the first time that U.S. army policy was ignored. In fact, the torture manuals discovered at the U.S. Army School of the Americas (USARSA) represents just one piece of a much larger problem: somehow in the vast and powerful military bureaucracy the message was delivered repeatedly from the upper echelons of power that the rules don’t matter.
The 1983 Honduran Interrogation Manual, the 1984 Contra Manual, and the seven USARSA training manuals, are all examples of such training material. One might imagine that the discovery of just one of the manuals would prompt significant changes in the intelligence community. Based on research conducted by this office, the opposite appears to be true.
In 1984, the CIA Contra Manual — which counseled the proper way to kill inside Nicaragua — was made public. The White House promised that those who developed and approved the manuals would be held responsible and dismissed. No such action was taken.
In 1988 the Senate Select Committee on Intelligence held secret hearings on a 1983 Interrogation Manual, which detailed torture methods used against subversives in Latin America. A declassified 1989 report prepared for the Senate Select Committee says the 1983 manual was developed from notes of a CIA interrogation course in Honduras.
At the 1988 Senate hearing, then-Senator Cohen, now Secretary of Defense, made a key point. He stated:
I am not sure…upon [the 1983 Manual's discovery], why we only sought to revise it and to revise it in a fashion which says these are some of the techniques we think are abhorrent…. There’s a lot in this that troubles me in terms of whether you are sending subliminal signals that say this is improper, but by the way, you ought to be aware of it.1
Once again, no one was held responsible for the production or distribution of the Interrogation Manual. And last week, the Inspector General indicated that no one will be held accountable for the production or distribution of the seven training manuals discovered at the U.S. Army School of the Americas. Once again, it would appear that the upper echelons of power are sending conflicting signals.
The contents of the training manuals, which taught murder, torture, and extortion, were discovered by the Pentagon in 1991. At that time, a full-scale investigation was launched into the development and use of the training materials. On September 30, 1996, the Inspector General (IG), Department of Defense was tasked to review the 1992 Department of Defense internal investigation of the manuals and review whether recommendations for safeguards had been implemented.
However, the Inspector General’s report is inaccurate on some significant points:
- The report claims that army personnel did not realize that the School of the Americas manuals violated standard army policy. However, testimony indicates that at least two instructors questioned the contents of the manuals with their superior officers and were told to teach this material.
- Despite Pentagon insistence that the material was not properly reviewed, the training material was sent to the Pentagon for approval, and it was returned to USARSA from the Pentagon (and elsewhere) approved and unchanged.
- The IG report states that there was no English language version of the manuals. However, all of the materials used in the manuals originated in English, and were approved in English for use at USARSA before being translated into Spanish. Thus, it is misleading to suggest that the English language training materials approved for use at USARSA are different from the Spanish language materials incorporated into the training manuals.
Based on their review, the IG concluded that further investigation to assess individual responsibility is not required.2 Our conclusion is that accountability must be established in order to put a close on this chapter on U.S. policy, and to prevent this chapter from becoming a prologue to future events.
Continued operation of the School of the Americas stands as a barrier to establishing a new and constructive relationship with Latin American militaries after the Cold War. And it continues to associate the United States with the human rights abuses committed by its graduates.
Closing the School of the Americas will not end the important relationship between the U.S. and Latin American militaries. Each year the U.S. trains thousands of foreign soldiers by bringing them here to study alongside U.S. military personnel and by sending U.S. military trainers abroad.
We do not question the good values and the commitment of the U.S. personnel at the School today. But after examining the record of School of the America graduates we cannot help but conclude that the United States needs to make a fresh start, and make a clean break from this dark chapter.”
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OK, agora podemos retomar o vilipendio `aquele sordido ditador, Fidel Castro.
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(*) A FAS foi criada por um grupo de cientistas que trabalhavam no Projeto Manhattan e hoje e’ mantida por um numero impressionante de premios Nobeis.
O gozado vai ser ver Fidel morrendo daqui a uns vinte anos e Nariz Gelado dizendo lá no blog dela que Fidel só renunciou porque já tinha morrido.
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Cá entre nós, o campo de distorção da realidade anda funcionando à toda naquele blog. Primeiro ato:
“”As pessoas escrevem o que querem e depois ouvem o que não querem. Essa é a liberdade de imprensa que nós queremos.”
Este foi Lula, ontem, defendendo os fiéis da Igreja Universal que estão fazendo uso da mais nova forma de coerção da imprensa: a injustificada multiplicação de processos, juridicamente conhecida como litigância de má-fé - para o caso em questão, litigância de má-fé “em massa”. “
A defesa de Lula faz sentido se lembrarmos que, salvo engano, este tipo de estratégia praticamente estreou no Brasil tendo por alvo dois tradicionais críticos do esquerdismo e, mais especificamente, de Lula: Olavo de Carvalho e, em seguida, Diogo Mainardi. É claro que ambos jamais foram processados diretamente por Lula. Mas sofreram e sofrem, até hoje, ataques judiciais desta ordem empreendidos, na sua maioria, por simpatizantes das esquerdas - e, em alguns casos, de gente ligada diretamente a Lula. Basta uma expressão mal colocada, para que eles - Mainardi em especial - sofram uma avalanche de ações. “
Expressão mal colocada? O cara escreve um livro chamado “Lula é minha anta” e a coisa é apenas uma “expressão mal colocada”? O outro chama o Eneadáctilo de “semi-analfabeto empacotado em um terno Armani” e isso é uma mera “expressão mal colocada”? E olhe que nenhum dos dois foi processado por isso.
Mas vejamos quais as sinistras movimentações do campo petista Nariz Gelado arrola como prelúdio do Fim do Mundo Livre:
“Recordemos apenas alguns exemplos.
Governo Lula cancela o visto de jornalista do NYT (11 de maio de 2004) Aqui…. Contra a vontade de Lula, governo é obrigado a recuar. (12 de maio de 2004) Aqui.
“Para Lula, jornalista que não defende Conselho de Jornalismo é “covarde”. (17 de agosto de 2004) Aqui.
José Dirceu emite nota criticando a imprensa (23 de julho de 2005) Aqui.
Relações tensas com a imprensa: “Lula reclama de má educação de repórteres”. ( 2 de novembro de 2005) Aqui
“Depois de ver Lula, petistas agridem jornalistas no Alvorada“. (30 de outubro de 2006) Aqui.
Senadora Ideli Salvatti ataca a imprensa. (22 de novembro de 2006) Aqui
Franklin Martins critica a imprensa ( 24 de março de 2007) Aqui
Ministra Matilde Ribeiro (ela mesma!) acusa a BBC de descontextualizar sua infeliz declaração. (27 de março de 2007) Aqui.“
Peraí um pouquinho: lembro de que Nariz Gelado, alguns meses atrás, estava praticamente convencida de que o Eneadáctilo estava prestes a dar uma “chaveada” e acabar com a concessão da TV Globo. Agora, “criticar a imprensa”, “acusar de descontextualizar”, “reclamar da má educação de repórteres” (coisa que FHC já fazia…), já são o prenúncio do golpe de Estado?
Dia desses tirar meleca no banheiro já vai ser crime hediondo punível com a pena capital…
Monstro de antanho
Pois é, acabei vendo “The Host” (comprei o DVD, finalmente) e “Cloverfield” (na telona).
Os dois bichos são estranhíssimos. Aparentemente os developers andam dando tratos a bola para criar formas esdrúxulas, tão esdrúxulas que o cérebro custa a apreendê-las mesmo quando você está olhando para elas.
Não que os dois filmes te dêem, de fato, ampla oportunidade para dar uma boa olhada no protagonista medonho.
Gostei do “The Host“. No duro. Para ser sincero, pensei que ia gostar mais, tanto pelo que já tinha lido (eu devo ter sido um dos primeiros blogueiros a falar nesse filme, eu acho _ não que isso seja uma grande distinção, apenas mostra o quanto eu sou nerd), quanto pela bola que o Biajoni encheu.
O filme deixa uma suspeita enorme de que você deixou de entender muita coisa, devido às prováveis referências culturais coreanas das quais a maior parte dos ocidentais não entende xongas (Dona Malla poderia nos esclarecer algo sobre este aspecto, caso tenha visto o filme). Em particular (SPOILER À FRENTE), o papel de destaque dos coquetéis molotov na fita não deve ter sido algo fortuito.
Quanto ao Cloverfield…bem, eu havia dito que o filme devia ser uma mistura de Blair Witch Project com Godzilla. E é mesmo. Mas depois de tê-lo visto, acho que ele tem componentes de mais dois filmes: primeiro de algum filme, qualquer um, que seja daqueles que você vê e sai do cinema achando que gastou dinheiro à toa (uma sensação estranha, já que acompanhei o filme com interesse); segundo, de Rashomon, porque a maneira mais óbvia de continuar com a franquia (se ela se revelar lucrativa) é continuar contando a mesma história do ponto de vista de outros protagonistas _ o Exército, um super-herói, quem sabe os alienígenas que jogaram o monstro na Terra, vai ver, vai ver, até do próprio monstro.
(SPOILER! SPOILER!) Eu não sou um cara infenso à arte e à linguagem poética, sabem, mas reconheço que às vezes sou extremamente chato no meu racionalismo. E o Cloverfield teve um detalhe que me deixou irritado, sem capacidade alguma de exercer um certo “suspension of disbelief“: bom, o monstro era ENORME, o bicho derrubava PRÉDIOS, vai dizer? E ainda assim as pessoas fogem como se o negócio deles com o monstro fosse algo assim, íntimo e pessoal. Uma menina chega a dizer, em choque, que o monstro estava “comendo as pessoas”. Bom, pelo que eu percebi, uma das patas do treco, apenas, era BEM maior do que um tanque de guerra (dos grandes). A criatura, quando andava, ficava mais ou menos da metade da altura dos prédios da cidade _ só que a cidade era Manhattan. Ou seja, a menos que o bicho fosse um tamanduá (imagine que aqui entra um tratado sobre a relação entre o tamanho de um predador e suas presas, por favor), seres humanos deveriam ser para ele quando muito uma distração. Seja lá de onde for que ele tenha vindo, ele realmente devia comer alguma outra coisa bem maior que um ser humano.
Aliás, reconhecendo implicitamente este problema de escala (que Spielberg resolveu magistralmente na sua série ao inserir os Velociraptores, um bicho que os diretores dos anos 30 não conheciam, daí seus dinossauros de trezentos metros), o diretor do filme inventou um simbionte do monstro principal, um tipo de crustáceo que caía aos montes do bichão principal e saía por aí mordendo as pessoas _ do contrário, o filme perderia muitos dos seus momentos mais aterrorizantes, como o ataque no túnel escuro do metrô (eu disse que tinha spoiler, pombas).
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Mas digrido. O que eu gostaria de saber mesmo é a origem desses monstros tão disformes. O monstro do “O Hospedeiro” parece um bagre com pernas, mas sua mandíbula não se assemelha à de nenhum animal existente que eu conheça (se bem que lembra um pouco a do “tubarão” que o Kevin Costner pesca em “Waterworld“, é verdade). Já o monstro de Cloverfield, bem, tem uma cena filmada do alto onde ele parece de fato uma alma penada humana se arrastando.
Estamos bem longe do mundo dos lobisomens, múmias e vampiros, seres tenebrosos tão adequados à escala humana, tão compreensíveis. Tenho algumas hipóteses para isso:
a) Red Queen: diretores de filme de monstro entraram em uma corrida armamentista para ver quem cria o monstro mais feio ou diferente do resto.
b) Because I Can: CGI, CGI, meus caros. O computer graphics ficou tão sofisticado e barato que dá pra fazer qualquer coisa, então porque não fazer?
c) Arkham Asylum: os diretores de filme de monstro são seres cada vez mais doentes.
Há pelo menos um contrafatual para b), se a memória não me falha: Alien. O primeiro Alien, e acho que pelo menos o segundo também, foi totalmente feito em animatronics (provavelmente com alguém vestido de monstro em algumas cenas, à la monstro da lagoa negra). Mas o Alien já era um lídimo representante da nascente dinastia dos monstros incompreensíveis _ como aliás seria qualquer coisa saída da mente de HR Giger (aliás, ele devia estar escalado pelo Del Toro para trabalhar em “As Montanhas da Loucura”, hein, hein?).
Embora eu não disponha de nenhuma informação em primeira mão para c) além da anedótica e pessoal (tive alguns amigos na adolescência, fissurados em coisas como “Kripta”, que eram realmente doentes e devem ter acabado ou como “serial killers” ou como desenhistas de quadrinhos, e esta dualidade já me é suficiente), eu apostaria mesmo é em a). Efeitos especiais progridem exponencialmente (provavelmente junto com a Lei de Moore), e embora o custo da “carne de vaca” caia, ninguém quer ficar na “carne de vaca” _ afinal, efeitos especiais que antes eram fabulosos hoje são coisa corrente na televisão e ninguém quer pagar para ir ao cinema e ver o que pode ver em casa.
Hoje estava passando por uma banca de jornal e vi esta pergunta estampada em uma revista. A idéia me chamou a atenção. Portanto…prezados 3,5 leitores, como vocês gostariam de morrer?
a) Procuro não pensar nisso
b) Rápido
c) Rápido, e de forma indolor
d) Entre os entes queridos
e) Na praia, olhando o mar
f) Com uma arma na mão
g) Atropelado. Na chuva. Sozinho.
h) Dormindo
Um texto interessante do José Eli da Veiga no Valor. Depois comento:
“A PRINCIPAL LIÇÃO DA MUDANÇA CLIMÁTICA
Mudanças climáticas são mais determinadas por radiações cósmicas do que por ações humanas. Por isso, o planeta poderá estar mais frio dentro de 20 anos, contrariando a tão alardeada previsão de aquecimento global. Estas duas frases sintetizam a mensagem de um relatório entregue ao ministro de C&T, o físico Sergio Rezende, na última quinta, 14 de fevereiro.
Entre os signatários, três de seus ilustres colegas de profissão: José Carlos Azevedo (ex-reitor da UnB), Fernando Mendonça (primeiro presidente do Inpe), e Luis Carlos Molion, diretor do Instituto de Ciências Atmosféricas da Universidade Federal de Alagoas. Como todos os outros “céticos”, essa trinca considera das mais “alarmistas” a tese consagrada pelo IPCC, o bunker científico da ONU ganhador com Al Gore do último Prêmio Nobel da Paz.
Apesar de ser um debate que não pode sequer ser entendido por quem não tenha capacidade de decifrar os complexos modelos utilizados na ciência do clima, é extremamente comum observar entre leigos grande firmeza no apoio a um dos lados. Desde quem não teve qualquer iniciação científica, até eruditos intelectuais. Alguns chegam a desqualificar a tese oposta, como se nem mais houvesse sombra de dúvida. Posição que os próprios dirigentes do IPCC não poderiam assumir, pois algum grau de incerteza é reconhecido em todos os seus documentos.
É inevitável, então, que se pergunte: o que pode levar alguém a estar tão convicto de uma tese que permanece controversa entre os cientistas da área? O que faz com que se tome como certeza algo que, no limite, permanece uma hipótese?
Qualquer resposta passa necessariamente pelo entendimento dos processos de formação mental da percepção do risco. Sabe-se que ela resulta de cruzamentos entre visões da natureza e visões da condição humana, dos quais emergem três principais propensões: não levar a sério qualquer intenção de reduzir riscos; adotar apenas medidas preventivas que não comprometam liberdades; persuadir a coletividade a adotar medidas drásticas necessárias à sua eliminação, com muralhas institucionais capazes de lidar com eles do jeito que um exército lida com o inimigo. Explicações bem detalhadas desses processos estão no excelente livro “Risk”, do professor britânico John Adams, que felizmente logo terá tradução da Editora Senac.
Todavia, grande parte dos torcedores do IPCC retrucará que, muito pelo contrário, orientam-se por algo bem mais racional do que qualquer tipo de intuição ou pressentimento resultante da combinação de visões pré-analíticas da natureza e da humanidade. Que se guiam pelo “princípio da precaução”, segundo o qual, diante da possibilidade de dano grave e irreversível, não devem ser adiadas medidas que visem evitá-lo, por mais que haja incerteza sobre as reais causas do perigo, ou sua magnitude. Aplicado à questão climática, manda agir conforme a pior hipótese: cortar emissões de gases estufa e preparar adaptação a acelerado aquecimento. Mesmo que haja a possibilidade de tal perigo sequer existir, como pretendem os “céticos”.
Dois sérios problemas dessa forma de pensar merecem mais reflexão pelos entusiastas adeptos da precaução. O primeiro é que qualquer alusão a esse princípio só confirma a prevalência da incerteza. Não serve, portanto, para justificar inabalável convicção sobre o aquecimento. Chega mesmo a ser hilário que tal princípio seja evocado justamente por quem também afirma ter absoluta certeza de que a ação humana está provocando aquecimento global.
O segundo problema, bem mais profundo, resulta do contraste que se estabeleceu entre a boa acolhida dos juristas a um princípio que só lhes poderia ter parecido dos mais sensatos e a crescente contestação que ele provoca entre os teóricos do risco e do seguro (principalmente economistas e engenheiros). Por não enxergarem qualquer diferença substantiva entre prevenção e precaução, reduzem a segunda à primeira. Como conseqüência, é para um plano dos mais filosóficos que se transfere a discussão sobre essa nova retórica que se pretende o supra-sumo da ética. E não deve haver melhor contribuição para esse movimento de idéias do que o “catastrofismo esclarecido” proposto pelo matemático francês Jean-Pierre Dupuy, hoje professor de filosofia na Politécnica de Paris e na Universidade de Stanford.
Baseando-se em seus estudos sobre o processo de dissuasão nuclear, Dupuy insiste que os comportamentos dos agentes com poder de decisão só se alteram se eles realmente acreditarem no pior. Se passarem a crer que a catástrofe é inelutável. Assim, o simples anúncio do futuro pode modificá-lo, desde que seja crível. Como a espécie humana adquiriu meios de destruir a biocapacidade dos ecossistemas dos quais depende, acelerando o processo de sua própria extinção, só haverá esperança se a inevitabilidade da catástrofe for conscientemente assumida pelos políticos.
Nessa perspectiva, foi muito bom saber que a reação do ministro Sergio Rezende foi a de lavar as mãos e se negar a falar com a imprensa após o afável encontro com seus colegas “céticos”. Conforme telegráfico recado transmitido por assessores, “as informações recebidas já foram encaminhadas ao IPCC, que deve debater a validade da teoria apresentada” (Folha de S.Paulo, 15/02/08).
O que mais importa, contudo, é perceber que, sob avalanche de controvérsias a respeito de mudança climática, embriões, energia nuclear, biodiversidade, transgênicos, etc, nada pode ser pior para uma nação do que o analfabetismo científico. É essa a maior tragédia do Brasil, país com o pior índice de interesse por ciência entre os ibero-americanos (Agência Fapesp, 11/02/08).
Qual pode ser o impacto da abnegação de heróis - como os “pais que saíram de férias”, Amélia e Ernest Hamburger - se o aprendizado científico continuar tão calamitoso nas escolas, particularmente no ensino fundamental? E na contramão da Argentina, que até declarou 2008 “o ano do ensino da ciência”, certamente também por ter entendido as implicações de controvérsias como a da mudança climática (José Eli da Veiga professor titular do departamento de economia da FEA/USP; Valor, 19/02/08)
Este vai ser um texto longo.
O comentarista João Paulo Rodrigues surgiu aqui como uma nova espécie na ecologia da blogoseira : o troll-tadista. Não me entendam mal : longas argumentações podem ser interessantes, e é óbvio que não encaro como « troll » qualquer um que entre aqui para discordar de mim. As qualidades trolescas de João Paulo Rodrigues, entretanto, se fazem notar na forma de sua argumentação, muitas vezes oca, na criação de « straw men » a torto e a direito e em outros floreios retóricos aqui e ali. No entanto, apesar disso, acho que ele merece algo mais do que o tratamento corretivo que costumo dispensar à grande confraria dos trolls. Portanto, lá vai.
Quem se dispuser a seguir a argumentação desenvolvida nos comentários do post “Razões da brancura” verá que meu ponto era o de mostrar a hipocrisia de quem mostra os EUA como uma sociedade cujo sucesso se deve unicamente ao tipo de conservadorismo que cortejam, « esquecendo-se » dos eventos históricos progressivos que colaboraram para isso. Neste sentido, um conservador nostálgico da realeza e da nobreza medieval me parece alguém mais honesto do que um conservador disposto a afirmar que o mundo moderno é fruto do conservadorismo. O comentário de JPR de que trato aqui foi, portanto, o último lance nesta discussão, e o ponto em que JPR nos apresenta seu troll-tado deveria ter sido uma resposta a este meu comentário :
“Diga-me, voce conhece alguma colonia que tenha conseguido independencia da sua Metropole antes de 1776? Algum rei que tenha sido decapitado (nao por conquista ou golpe palaciano) antes de 1649? Voce REALMENTE acredita que Carlos foi decapitado por “razoes religiosas”? Nao e’ bastante claro que ele, ao nao reunir o Parlamento por 10 anos, desafiou os outros poderes do seu reino? Nao e’ verdade que as escaramucas “religiosas” sao apenas um casus belli para a acao violenta? Bobagem, meu chapa: as elites so’ reagem `a sombra da guillhotina. A Inglaterra era uma coisa antes da Guerra Civil, e tornou-se outra depois dela _ e’ claro que nao o paraiso na terra para as classes populares, mas como diz FHC, tratava-se de um processo.
Alem disso, falo dos paises que inventaram e aplicaram o Keynesianismo, que fizeram o New Deal, da Inglaterra que estatizou boa parte do seu parque industrial depois da segunda guerra, do pa’is que aboliu a escravidao com uma guerra civil, do pais que deu nome e data ao movimento dos trabalhadores, do pais que botou um milhao de negros em passeata ate a capital por seus direitos…etc. “Nao sei nem por onde comecar”, indeed.”
No que sucede, JPR preferiu abster-se de comentar sobre o Keynesianismo, o New Deal, a Guerra Civil, o Primeiro de Maio, o movimento dos direitos civis….para concentrar-se no argumento de que as elites só se movem à sombra das guilhotinas. É uma estratégia, mas veremos que diante da vacuidade de suas argumentações, não é uma estratégia de boa fé.
Como Jack the Ripper, trato ponto a ponto os comentários de JPR:
“ “As elites só reagem à sombra da Guilhotina”.
Antes de entrar na aplicação da frase a certos contextos históricos, só quero lembrar fatos desagradáveis para sua tese:
1.Guilhotinas geralmente são armas de membros de elites contra outros membros de elites, às expensas de um povo que acaba pagando o pato sem ter maiores recompensas. Se você quiser ser mais preciso, fale de massacres discriminados levados. E lembre-se que inúmeras revoltas populares não deram em nada (ou levaram a ondas de repressão sem precedentes) “
Pelo contrário. No Terror o problema foi justamente NÃO haver uma “elite do lado de cá’” negociando com uma “elite do lado de lá’” _ basta ler a cronologia dos acontecimentos. E o fato de que “inúmeras revoltas populares não deram em nada” pode até ser verdadeiro, mas não é importante. Inúmeras tentativas de ir `a Lua também não deram em nada, provavelmente inúmeras tentativas de cruzar os oceanos também. Se o processo histórico anda por tentativa e erro, bem, então tem de existir o erro.
“2. A “reação” à sombra da Guilhotina foi a Santa Aliança, Metternich, as teses de Gobineau, o trágico destino do liberalismo na Espanha etc. etc. etc. No caso específico da França, é bom lembrar que a República só veio em 1871 - e mesmo assim pelas trapalhadas auto-infligidas pelo Napoleão sobrinho e pelo erro de cálculo de Bismarck, que não previu a resistência popular em Paris. E o que é mais tragicamente irônico, é que a Revolução instaurada como a encarnação da Nação em 71, foi batizada pelos 30 mil mortos da Comuna. Foi uma sombra e tanto...”
A argumentação de JPR só se sustenta, é claro, porque ele escolhe cuidadosamente o time-framing de sua preferência. E’ verdade que a Revolucao causou uma reação, mas o que a Revolução e em seguida Napoleao entregaram não mais se perdeu: o conceito de cidadania, o conceito de direitos inalienáveis. Essas historias do “pagamento em mortos” do processo revolucionário são engraçadas, porque exigem que se esqueça de se perguntar quantos mortos foram POUPADOS graças a algumas conquistas do processo revolucionário. Bismarck, ele mesmo, acabou sendo o primeiro proponente de um germe de rede de proteção social estatal, e não foi porque ele era “bonzinho”.
“Diga-me, voce conhece alguma colonia que tenha conseguido independencia da sua Metropole antes de 1776?”
Não. não conheço. Mas e daí? Canadá e Austrália continuam sob a Coroa e não conseguiram menos do que a América. Eu pergunto: o que isso tem a ver com elites que cedem a demandas populares ou democráticas?! Nem vou entrar no mérito do resto de seu comentário, já que, como você verá, não creio em linearidades históricas, leis do progresso e coisas que tais.”
Aqui temo que JPR confunda a realidade com o que ele pensa que ela é.
Primeiro: não vou realmente me dar ao trabalho de explicar, mas pesquise, João, sobre o Canadá, o significado das rebeliões de 1817, e sobre a Austrália, o quão entregue a si mesma era essa colônia situada no fim do mundo, esparsamente povoada e com poucos produtos que justificassem um contrôle mais rígido sobre seu governo _ a Austrália sempre foi um lugar de povoamento (e de degredo), muito mais uma extensão algo incômoda do Império do que uma colônia no sentido mais lato da palavra.
Observo, também, o straw man de JPR aqui : minha argumentação não tem nada a ver com a idéia de uma linearidade da história ou de leis do progresso. Na verdade, ela se encaixa perfeitamente bem na teoria econômica do individualismo metodológico _ afinal não é de se esperar mesmo que elites abram mão de seus privilégios sem, er, uma “estrutura de incentivos” que leve a isso.
“Recuperemos, portanto, sua linha Maginot argumentativa, e passemos ao caso mencionado acima.
Coutinho afirmou que a civilidade inglesa deriva da previsibilidade de sua vida pública. Você então defendeu que esta previsibilidade (que gera uma vida civilizada) existe ao custo de movimentos populares do passado. A idéia é que o medo de perderem a vida (ou apenas a propriedade, status, o poder, estarei certo?) em movimentos revolucionários (Guilhotina sendo metonimicamente ou sinedocamente um símbolo de revolução) é que move a história. É a velha idéia de que sem violência não há avanço em termos de igualdade, ou mesmo de liberdade.”
Para um conservador _ acho que ele se identificaria com o qualificativo _ JPR agride facilmente o que é “velho”. João devia mostrar mais consideração a teses tão testadas e estabelecidas.
“Dito assim, como uma fórmula tão ampla quanto vazia, sim, vemos na história que a violência foi usada e depois maior igualdade ou liberdade podem ser identificadas em alguns lugares. Ocorre que a legitimidade da violência, as possibilidades de pressão, os significados de liberdade e igualdade, entre otras cositas más, variam muito no tempo e espaço, e julgar que as guerras civis inglesas de meados do XVII representam a bipolaridade que você indica é uma rematada simplificação.”
Bom, isto porque VOCÊ, João, resolveu se fixar no séc. XVII. No meu comentário imediatamente anterior enumerei eventos dos séculos XIX e XX que você achou por bem desconsiderar. E não faça petições de princípio, por favor: lembre-se de que este diálogo só está ocorrendo porque você resolveu provar que minha tese é « ampla e vazia », e até agora, a meu juízo, não está tendo sucesso.
“Para avaliarmos o quanto dessa assertiva é vindicada por processos históricos específicos, é preciso então ver se só a violência jogou papel. O contexto, sempre o contexto.
Assim, chegamos a esta estranha leitura da Revolução de 1776. Sinceramente, me parece uma transposição do modelo francês, e uma péssima transposição aliás. Para começar, não houve uma luta entre “populares” e “a elite”. Nem mesmo entre uma elite inglesa e uma americana, no sentido de que haver conflitos econômicos ou ameaças aos direitos de parte a parte. Muitos comerciantes e políticos britânicos, assim como boa parte dos convencionais de 1775 na Filadélfia, preferiam um acordo dentro daquilo que logo se conheceria por Comunidade Britânica. A ruptura e, mais, A RUPTURA VIOLENTA se deveu muito mais a elementos fortuitos do que a interesses irreconciliáveis.”
O elemento « fortuito » a que você se refere tem nome: taxação sem representação. “Corvéia” quase seria um bom sinônimo.
Aliás, curioso seu anacronismo ao dizer que pretendi fazer da Revolução de 1776 um evento calcado no « modelo francês”, quando se sabe apesar das enormes diferenças o que aconteceu foi mais o contrário. Aliás, diga-nos você o que fazer das ferventes declarações de Thomas Jefferson em prol da revolução francesa, pacientemente varridas para baixo do tapete por incontáveis gerações de «biógrafos » ? Quer uma delas ? Ei-la : « “The tree of liberty must be refreshed from time to time with the blood of patriots and tyrants“. Uhhhhh. E _ agora vai aí um argumento « terra arrasada » _ que tal a famosa “carta de Adão e Eva » ?
“In the struggle which was necessary, many guilty persons fell without the forms of trial, and with them some innocent. These I deplore as much as any body, & shall deplore some of them to the day of my death. But I deplore them as I should have done had they fallen in battle. It was necessary to use the arm of the people, a machine not quite so blind as balls and bombs, but blind to a certain degree. A few of their cordial friends met at their hands the fate of enemies. But time and truth will rescue & embalm their memories, while their posterity will be enjoying that very liberty for which they would never have hesitated to offer up their lives. The liberty of the whole earth was depending on the issue of the contest, and was ever such a prize won with so little innocent blood? My own affections have been deeply wounded by some of the martyrs to this cause, but rather than it should have failed, I would have seen half the earth desolated. Were there but an Adam & an Eve left in every country, & left free, it would be better than as it now is.”
Ú-tererê.
“Alguns dizem até que a Independência já estava dada desde 1754, e vários historiadores lembram que não fosse por rivalidades dentro do Parlamento Britânico, pelas manias do rei George (sim, sim, o indivíduo na história…) e pelo furor paranóico após o “Senso Comum”, a Metrópole estava preparada para aceitar uma liberdade de facto, ou mesmo plena, desde que as relações comerciais fossem mantidas. Um historiador (ou seria Artendt? Estou sem os livros aqui) afirma mesmo que o que surpreende não é que os americanos tenham derrotado a Inglaterra, mas que o tenham feito TÃO FACILMENTE, o que se nota pelo pouco empenho dedicado na defesa da colônia. E a tal ponto a ameaça de violência e a própria violência da Revolução não avançaram “nada” (nos termos que você coloca), que logo, logo os americanos refazem seus laços econômicos com a antiga “pátria mãe”, como se dizia ainda em 1776.”
Se você prefere enveredar pelos caminhos da « alternate history »…e eu com isso ? Vamos voltar à realidade, please.
“Embora a oratória da época fosse carregada, a ameaça às liberdades da colônia eram mínimas, se não nulas (e lembro que sendo À COLÔNIA, ou aos colonos in totto, não poderiam ser vistas como a algum grupo ou classe em particular, o que também neste caso, desarmaria a bomba “elite-com-pressão-não-estoura-e-cede”). “
Bem, aí temos um caso patológico. Se o próprio Thomas Jefferson não for suficiente, vai ler um pouquinho de Lênin. Vá, não faz mal a ninguém.
“Lendo Bernard Baylin, tem-se a nítida noção que havia uma espécie de paranóia (contra a corrupção e o despotismo britânico), e o discurso dissidente (o mesmo que se levantou contra Carlos e marcou a época revolucionária inglesa, notadamente entre 1640 e 49) era um motor maior do que um inexistente medo de violência revolucionária.”
Diga isso ao pessoal anti-Cromwell. Este sim, conhecido pela retórica ameaçadora e candura de ações….
“Aqui cabem, portanto, mais dois comentários, para fechar as possibilidades de que haveria alguma reação da elite americana a demandas “de baixo”. Discutiu-se muito se a Revolução não seria uma forma de preservação da escravidão. Há evidências fortes de que o tema era central, mas o arranjo, sobretudo após a Constituição, mostra justamente que: não havia nenhuma pressão popular pelo fim daquela “peculiar instituição”; se houve alguém que perdeu (além dos escravos, óbvio) foram alguns interesses bancários e comerciais da Nova Inglaterra que queriam maiores restrições aos escravocratas no que tange a novas terras a oeste e às tarifas nacionais. Ou seja, onde algum avanço de direitos, se nem os elementos mais capitalistas se viram plenamente satisfeitos?“
A guerra civil americana foi o segundo capítulo da revolução Americana. Ponto.
Estima-se que 20% da população dos EUA na época da independência era de escravos. Isto era uma « herança maldita » das prioridades econômicas britânicas na colônia, mas não seria possível prescindir dos escravos em um átimo sem quebrar as pernas do país nascente. O próprio Jefferson, aliás, estava atolado em dívidas, e a frequente acusação de que ele era « dono de escravos » em geral escamoteia o fato de que pela Lei da Virgínia qualquer escravo que ele libertasse seria imediatamente reivindicado pelos seus credores.
E tem mais. Leia este parágrafo, João, inserido por Jefferson no esboço da Declaração de Independência Americana, a respeito de George III:
“”He has waged cruel war against nature itself, violating it’s most sacred rights of life &liberty in the persons of a distant people who never offended him, captivating & carrying them to slavery in another hemisphere, or to incur miserable death in their transportations thither. This piratical warfare, the opprobrium of infidel powers, is the warfare of the Christian king of Great Britain. Determined to keep open a market where MEN should be bought & sold, he has prostituted his negative for suppressing every legislative attempt to prohibit or to restrain this execrable commerce and that this assemblage of horrors might want no fact of distinguished die, he is now exciting those very people to rise in arms against us, and to purchase that liberty of which he has deprived them, by murdering the people upon whom he also obtruded them; thus paying off former crimes which he urges them to commit against the lives of another.”
Porém, o trecho teve que sair, porque com ele os estados do Sul se alinhariam aos britânicos e a Revolução não teria existido. Eh, nada como olhar com lupa, hein?
“A Revolução garantia a escravidão (o que invalida seu argumento),”
Como vimos, não é bem assim.
“mas a República e seu equilíbrio de poderes, a centralidade da Justiça, os discursos universalizantes de direitos, e o acento na liberdade (vários deles tópicos de discursos tanto de conservadores quanto de liberais, numa terminologia fora de contexto) trouxeram a tensão que iria marcar as décadas seguintes e, junto com o reavivamento evangélico (que lembra muito a emotividade, o quase-fanatismo e a força moral dos dissidentes anti-anglicanos ingleses que derrubaram Carlos I ou que mudaram para além-mar) dariam ênfase a um novo abolicionismo, o que só reforça a hipótese de que instituições e forças conservadoras, EM CERTOS CONTEXTOS e independente de seus desígnios iniciais ou de seus preconceitos anti-plebe podem garantir civilidade e progresso.”
OK, isto é ridículo.
A visão da cruz, particularmente de uma cruz em chamas, não é exatamente o símbolo dos abolicionistas.
“É bem verdade que a escravidão acabou por motivos menos nobres, mas isso deixamos para outro dia, ok? De qualquer forma, não encontro nenhuma concessão sob nenhuma máquina do Dr. Guillotin (cuja ação, aliás, viria a horrorizar a opinião pública norte-americana dali há alguns anos).”
Leia Jefferson de novo, João. Agora, ajoelhe no milho.
” segundo comentário é que, aquilo que poderia representar a ação das forças que na época poderiam se aproximar de “populares” (escravos e ex-escravos estavam, a não ser em uns poucos estados, fora da parada) jogou um papel ínfimo no processo. Já se defendeu que a revolta de Shays, em Massachussets (1787), não seria o ápice de um processo de pressão popular pela ampliaçao de direitos, que teve sua resposta na Constituição. É nítido que, embora presente, o medo de revoltas populares não teve o condão de dirigir as questões políticas, até por que o que se argumenta, nesta linha, é que a Constituição teria justamente barrado o avanço popular. “
Mas o meu argumento, justamente, é o de que reformas são uma forma de entregar os anéis sem entregar os dedos. No processo, Constituição é melhor que jugo para os destituídos, e melhor que forca, para os excessivamente incluídos. Que JPR pretenda virar meu argumento contra mim é um testemunho ao seu engenho, mas também à sua cara de pau.
“Menos do que insatisfação popular generalizada, o período conhecido como Confederação chegou a este estado de inquietação por outros motivos. Jefferson dizia que a liberdade precisava se lavar no sangue de revoltas periódicas, para que os governo não se desviassem de seu curso. Mas isso é mais uma de suas varias frases de efeito que ele foi o primeiro a não aplicar.”
Imagino que JPR tenha contatado Jefferson em alguma mesa espírita ? De qualquer forma, já expliquei isto.
“O fato é que uma Constituição parte federalista, parte nacional, como argumentava Hamilton, garantia (e a palavra aqui tem o sentido de revalidar situações que remontavam à formação das colônias, não sendo, por isso, uma alteração violenta do status quo) direitos de ricos, pobres, pequenos fazendeiros, escravocratas, comerciantes etc. etc. Enfim, não vejo também aqui como 1776 seria uma cessão das elites, já que não só foi em boa medida um arranjo de elites (embora, para os padrões da época com razoável participação popular), como precisou de 87 para cimentar uma situação que permitia avanços devido sua criatividade institucional (e não por força da violência) SEM QUE ISSO FOSSE UM JOGO DE SOMA ZERO.”
Até aqui repito meu argumento : João vê árvores, e não vê a floresta…ou está sendo cara de pau. À sombra da guilhotina, meu caro João, o que as elites mais fazem são arranjos…
Mas como veremos a coisa piora:
“Portanto, 1776 NÃO representou uma cessão de elites inglesas, nem mesmo uma derrota das mesmas, nem uma conquista popular americana contra qualquer destas duas elites.”
Como assim, «portanto » ? Porque o João quer ? Cadê o « smoking gun » ?
“E em 1776 um dos elementos menos importantes foi, paradoxalmente, a violência - o que não quer dizer que ela não tenha tido outros efeitos.”
Not quite. Estima-se que 25.000 pessoas morreram em decorrência da revolução americana _ o que equivaleria a um milhão de pessoas, comparando com a população atual dos EUA. Qualquer conflito interno naquele país, hoje, que matasse um milhão de pessoas, dificilmente poderia ser considerado não-violento. 5% da população americana, leais ao rei, foram exilados.
A não-violência da Revolução americana, cortejada por muitos, é um mito.
“O fato de ser a primeira colônia a se libertar violentamente de uma metrópole européia (e que estava nos primeiros passos do capitalismo) tem apenas pontos tênues no que tange a questão que você levantou. Creio estar me repetindo, mas lá vai: haver dois lados (colônia x metrópole) não significa que cada lado represente dois polos opostos (pobres x ricos; liberdade x opressão; direitos x ausência de direitos; progresso x conservadorismo; povo x aristocracia).”
Não e nem eu disse isso. Mas a sombra da guilhotina continua lá.
“É até o caso de lançar duas perguntas retóricas que apontam para a inconsistência de sua “tese”:
Se 1776 significasse que a violência assegurou a liberdade americana frente a uma Inglaterra despótica e reacionária, como explicar que a democracia e os direitos sociais e civis tenham avançado quase passo a passo nos dois lados do Atlântico?”
Hummm…deixe-me pensar..a força do exemplo, como mostram as evidências no Canadá e na Inglaterra? …em uma palavra, Whigs revigorados?
“Se 1776 representasse conquistas sociais ou econômicas de um lado em detrimento do outro lado, como explicar que a parceria não só rapidamente tenha se reatado, como se tenha alcançado níveis (falo aqui do “rei algodão” e das indústrias do noroeste inglês) nunca alcançados em tempos coloniais?”
OK, chega de ser bonzinho. Isso é tão fácil que eu realmente deixarei como um dever de casa para o João.
“Ufa! Deixo o caso inglês para lá. Mas se você quiser argumentar que também em Albion a violência e o medo foram o próprio o processo histórico de conquista dos direitos da mão-de-obra… mãos-à-obra!”
E não ????????????
“Desculpe-me, um último comentário:
Parece-me que todo o problema da visão da Guilhotina-enquanto-árvore-dos-frutos-e-das-sombras-da história, está em acreditar que se uma força política deseja algo, é só ela operar por suas regras que este algo se materializará. Assim, um progressista, aplicando seu programa, conseguirá um avanço progressista. Um conservador, aplicando seu programa conservador, só levará à conservação. Isso não só deixa de lado os efeitos imprevistos na história, como é de um mecanicismo pobre. Se assim fosse, a máxima política de que não há nada como um governo de direita para apresentar uma reforma de esquerda ou um governo de esquerda para aplicar um programa de direita nunca se verificaria.”
Isso é só uma construção sua, João. Eu reconheço que a História é algo complicado e que há marchas e contramarchas _ aliás, as necessidades inerentes à revolução americana mostram isso, não só em relação aos escravos quanto mais ainda em relação aos índios, para quem a independência foi em muitos sentidos o beijo da morte. Em nenhum momento disse que a sombra da guilhotina é o motor principal da História, entretanto _ digamos que ela é um « lubrificante »…
Deu na Folha de Sao Paulo:
“Deputado propõe que caveira do Bope se torne patrimônio cultural do RioUm projeto de lei do deputado estadual Flávio Bolsonaro (PP), 26, propõe que a caveira, símbolo do Bope (Batalhão de Operações Especiais), e o uniforme preto do batalhão se tornem patrimônios culturais do Rio de Janeiro. A proposta ainda terá que passar por pelo menos duas comissões para chegar à votação no plenário da Assembléia Legislativa -o que não tem prazo para ocorrer.
Bolsonaro diz que fez o projeto “movido pela tropa”. Segundo o deputado, a idéia não foi dele, mas de integrantes do Bope que se sentiam ameaçados com a informação de que a farda mudará de cor e com o boato de que o símbolo da caveira será substituído.“
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Em breve, aguardem a reivindicação da mesma honraria para o “microondas”.


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