
Após a admissão por parte da CIA, semana passada, de que o “waterboarding” de fato é utilizado como técnica de interrogatório na guerra contra o terror, uma fonte da Agência veio a público dizer que o “waterboarding” não podia ser considerado como uma técnica de tortura, visto que é empregado no treinamento de “dezenas de milhares” de pilotos navais e da força aérea americana. Acrescentou, candidamente, que nesse treinamento “não se mutila” nem “se sodomiza” os soldados, contribuindo de forma didática para esclarecer algumas declarações anteriores de seu grande chefe.
Evidentemente, porém, os pilotos americanos são treinados para resistir ao “waterboarding” justamente porque essa é uma das técnicas de tortura que, antecipa-se, um inimigo pode tentar utilizar contra os soldados americanos. Nada impediria, de fato, que o comando das forças armadas resolvesse dar um passo além e decidir que seria importante que os bravos rapazes do Exército passassem a ser treinados, também, para, hum, “resistir à sodomia”. Afinal, trata-se apenas de uma decisão administrativa interna, e não de uma questão de ética.
O fato de que um contingente dos soldados que se alistam voluntariamente nas Forças Armadas estão dispostos a enfrentar este treinamento não quer dizer que esse seja um padrão de comportamento aceitável para a população como um todo. Quer dizer, apenas, que há um processo de auto-seleção nas Forças Armadas dos EUA que faz com que essa organização encare uma técnica de tortura como algo natural e familiar.
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Tanto o o ministro metodista e teólogo William Schweiker, no ensaio “Baptism by Torture“, quanto o historiador Henry Kamen, em seu livro “The Spanish Inquisition“, mostram que o “waterboarding” era usado já na Inquisição Espanhola. De fato, a “tortura del agua“, pela sua similaridade com a cerimônia do batismo, tinha profundo significado teológico para os inquisidores. Portanto, vemos que o oficial da CIA pode acabar matando dois coelhos com uma só cajadada: não só isentar a CIA do uso da tortura, como também a Igreja Católica _ pois como todos nós sabemos, a Inquisição foi fichinha perto das atrocidades sans-cullotes-leninistas-stalinistas-hitleristas-de-esquerda. É até possível que suas vítimas não vissem muita diferença entre uma coisa e outra, se chamadas a opinar, mas, que diacho, os inquisidores eram bons no que faziam.


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Julho 2, 2008 às 1:48 pm
Efeito Lavoisier «
[...] 2, 2008 in the end of the world as we know it, the world out there Este blog já mostrou alhures que a prática do waterboarding, usado pela CIA na “war on terror”, encontra suas [...]