Um esclarecimento sobre o post “Califado Apostólico Romano de Olinda e Recife”:

Não estou convencido de que a distribuição gratuita da pílula do dia seguinte no Carnaval seja das melhores idéias que já atravessou as mentes do pessoal da saúde pública.  Pelo seguinte motivo: diferentemente da distribuição de camisinhas, ela realmente pode induzir a um aumento das DST’s, inclusive a AIDS.

Pelo seguinte mecanismo: é fato conhecido que, mesmo hoje, muitos homens se recusam a usar camisinha.  Uma jovem disposta a agradar esse homem poderá, então, anuir ao seu desejo, achando que pelo menos não correrá o risco de engravidar, graças à pilula do dia seguinte.  O que é verdade, mas não significa que ela não possa ser contaminada por uma DST _ coisa que a pílula, diferentemente da camisinha, não tem o poder de evitar.

Claro que em um mundo ideal, onde as pessoas já estivessem suficientemente conscientizadas sobre a necessidade de se proteger contra as DST’s, a distribuição das pílulas poderia de fato ser de alguma utilidade.  Duvido, porém, que seja este o caso do carnaval pernambucano.

Por outro lado, minhas razões para um certo ceticismo quanto à razoabilidade da medida nada têm a ver com os motivos, consideravelmente mais retrógrados, da Arquidiocese de Olinda e Recife para ir à justiça contra as Prefeituras.