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A discussão continua; Rafael M treplicou no Idelber e no blog dele, eu respondi no Idelber e transcrevo aqui:

“Muito bons argumentos, Rafael M. Vamos lá:

a) Você foi ao ponto: no espírito da gestão moderna, esta é uma discussão que sem dúvida traz à baila o assunto “relação custo/benefício”. O próprio conceito de “custo/benefício” é um tanto controverso nas ciências sociais (menos, é claro, na Economia), mas vamos por agora adotar uma postura benevolente para com a técnica. Problema: entra aí o Princípio Precaucionário. Há muitas formas de enunciá-lo, mas a mais comum é esta: se existe uma ação, ou política, cuja adoção pode significar um dano irreparável à comunidade, o ônus da prova de que esse risco é inexistente está com os proponentes da ação e não com seus opositores.

O Princípio, é lógico, causa uma controvérsia por si só no mundo dos tomadores de decisão; por isso, por enquanto, a não ser que provocado, vou deixar a coisa nesse pé. Só aduzo que mesmo intelectuais públicos insuspeitos de “progressismo”, como o Juiz Richard Posner, tido com um dos criadores da law&economics, acham o seguinte:

Question: … Nothing in the Constitution does (or could) provide a guarantee of safety. I suspect that I am statistically much more at risk of being run over by a car than of being killed by a terrorist (even though I live within five miles of the White House). Should the government ban all automobiles to protect me?

Richard Posner: If your premise were correct, your conclusion would follow. But how do you know you’re at less risk of being killed by a terrorist than being run down by a car? The risk in the sense of probability of being killed by a nuclear bomb attack on Washington, a dirty-bomb attack, an attack using bioengineered smallpox virus, a sarin attack on the Washington Metro (do you ever take the metro?), etc., etc., cannot be quantified. That doesn’t mean it’s small. For all we know, it’s great. Better safe than sorry.”

“Better safe than sorry” é uma das leituras possíveis do princípio precaucionário (embora em seu livro Catastrophe:Risk and Evidence Posner não admita que usa o princípio, mas uma variante moderada que preserva o núcleo da análise custo/benefício _ apenas, com a “aversão ao risco” inteiramente assumida).

Bem, eu acho que sendo a raça humana uma espécie totalmente social e dependente da ação coordenada e da interação social para sobreviver enquanto espécie, qualquer tecnologia que altere radicalmente os termos da interação dentro dos grupamentos humanos pode ser equiparada a uma catástrofe. E nesse caso acho que o princípio precaucionário tem validade total.

b) Incidentalmente, acho que sua avaliação do custo do controle social da pesquisa está chutadíssimo para o alto. Ele seria, provavelmente, uma fração insignicante do próprio custo da pesquisa – até porque poderia se beneficiar de efeitos de escala.

c) Sua consulta ao Proquest foi prejudicada pelo fato de que poucos pesquisadores dignos de ser chamados assim submeteriam um projeto de pesquisa com o nome “Neuromarketing” a um agente financiador público (que é responsável pela maior parte da pesquisa básica e não-protegida ou secreta). Você teria muito mais êxito utilizando outros termos, tais como “neuroeconomics”. “Neuromarketing“, por exemplo, produz 325 hits no Google Scholar, contra 1490 de “Neuroeconomics“. Para não falarmos de outros termos que poderiam ser usados; “neural correlates” mais “moral reasoning” traz mais 189 resultados, por exemplo.”

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Bondage, James Bondage

Uma explicação para o título do novo filme, a que me referi em outro post:

The crux of the story is the emotional phenomenon the Governor calls the Quantum of Solace, the smallest unit of human compassion that two people can have. As long as that compassion exists, people can survive, but when it is gone, when your partner no longer cares about your essential humanity, the relationship is over.

ResearchBlogging.

Um blog só para peer-reviewing:

About

Do you like to read about new developments in science and other fields? Are you tired of “science by press release”? Research Blogging is your place. Research Blogging allows readers to easily find blog posts about serious peer-reviewed research, instead of just news reports and press releases.

Deu no Globo:

Menina australiana troca de tipo sangüíneo após transplante de fígado

Uma garota australiana teve seu tipo sangüíneo alterado após um transplante de fígado, o que, segundo os médicos, é um caso inédito na literatura científica e poderá ajudar, no futuro, a combater a rejeição de órgãos transplantados.

Demi-Lee Brennan tinha 9 anos e estava seriamente doente, com falência do fígado, quando recebeu o transplante. Nove meses depois, os médicos descobriram que ela tinha trocado de tipo sangüíneo, e seu sistema imunológico agora era igual ao do doador do fígado que ela recebeu. Aparentemente, isso aconteceu depois que células-tronco de seu novo fígado migraram para sua medula óssea.(…)

O que não deixa de ser um tipo de vampirismo.

Tio Rei tem um post chamado “Um caso escandaloso de infiltração na Igreja Católica“. É um dos seus posts-denúncia, e no caso as vítimas são o CDD (a ONG “Católicas pelo Direito de Decidir”) e o ex-padre Nelson Tyski. O barraco é o seguinte: segundo Tio Rei, o CDD conseguiu inserir uma mensagem em um DVD da CNBB sobre a Campanha da Fraternidade deste ano. E embora segundo Reinaldo a campanha, intitulada “Fraternidade e Defesa da Vida”, seja anti-aborto, a mensagem (de cinco minutos) do CDD no DVD é pró-escolha.

O interessante é que ele faz uma escolha bastante criteriosa dos trechos do texto-base da Campanha (que ele defende) para colocar em seu post. São eles:

Lêem-se coisas como:
- Com o individualismo, o utilitarismo e o desenvolvimento científico, novas violações à vida não só são praticadas, mas consideradas lícitas e até desejáveis.
– A consciência tem cada vez mais dificuldade em perceber a distinção entre o bem e o mal .
– No aborto, uma nova vida torna-se sinal de desesperança. Na eutanásia, matar é visto como ato de amor.
– Quem defenderá a justiça e o bem comum quando não se tiver mais a noção do que é o bem e do que é o mal?

Ou ainda:
- Numa visão tecnicista em relação à vida sexual e afetiva, as técnicas contraceptivas definem as condutas sexuais:
– Para uns a liberdade sexual e o controle da natalidade acontecem com o uso de preservativos, o aborto, etc.
– Outros atribuem à propaganda e ao uso de tais métodos a desordem afetivo-sexual da atualidade.
– Nessa perspectiva, o problema fica reduzido à questão da informação e distribuição dos recursos contraceptivos.
– Para quem tem uma visão não-tecnicista, o problema reside na correta compreensão da relação entre afetividade e sexualidade. O problema central passa a ser o da educação para uma vida afetivo-sexual integral.

No que escolhe ignorar trechos como:

Em nossa sociedade, uma das principais estratégias de dominação é fazer com que não olhemos para nós mesmos com realismo.

O poder quer que pensemos que nossos desejos e necessidades são aqueles determinados pela mídia e repetidos pela maioria.

Desejo de felicidade: uma experiência unitária e apaixonada que engloba toda a realidade.

A dominação na sociedade burguesa procura fragmentar essa experiência unitária, pulverizando-a em necessidades particulares.

Dois contra-valores básicos:

Autonomia individualista.
Êxito individual.

Em função desses contra-valores, a pessoa tem uma dificuldade cada vez maior de olhar o outro, cultivar o afeto e a solidariedade.

Pessoas e coisas passam a ter valor apenas enquanto nos servem. Os outros passam a ser descartados quando não nos interessam mais.
A partir daí crescem outros contra-valores, como o consumismo, o materialismo, o imediatismo, etc.

Ele escolhe ignorá-los porque, evidentemente, se não o fizesse teria sérios problemas não só para compatibilizar sua fé livremercadista com sua fé religiosa ( já que, como “reservoir dog” da Veja, fica meio difícil para ele ter que admitir as últimas consequências do drive medieval da fé que pretende abraçar) como também para justificar seus ataques a um certo petismo que usa teses muito parecidas à da CNBB pró-vida.

Mas digrido. O que é realmente interessante é que lá pelo final do post Tio Rei dá um “furo de reportagem”:

As “católicas” do tal CDD não se meteram no vídeo à revelia, não. Segundo o que consta em um grupo de discussão que abriram no Yahoo, com troca pública de mensagens, elas foram convidadas a participar.

No dia 12 de setembro, Dulce escrevia:
Companheiras,
Em anexo o texto da CF 2008. O Nelson – da Verbo Filmes – quer nos incluir num vídeo que eles vão fazer sobre o tema da CF. Vou ligar para saber mais sobre o vídeo, qual vai ser o roteiro – se terá perguntas, quais, etc. e que condições teremos de acompanhara produção do mesmo para saber o que vai ser editado da nossa fala. Vou repassando estas conversas, certo?
Dulce

No dia 17 de setembro, outra mensagem:
Meninas,
Lembram que eu falei sobre a nossa participação num vídeo sobre a CF 2008 da Verbo Filmes ??? Pois é, o Nelson está solicitando quando podemos fazer isso. Isso deve levar no mínimo uma hora. Conversei com a Zeca e a Yury e elas acham que é importante CDD participar. Quem poderia dar um depoimento? Precisamos definir quem e ver a disponibilidade de tempo. O que acham?
Dulce

Quem é o “Nelson”? É o ex-padre Nelson Tyski. Ele deixou o sacerdócio e trabalha na Verbo Filmes, que, atenção!, pertence à Congregação do Verbo Divino — e, pois, à própria Igreja Católica. O trabalho de Bento 16 é bem mais árduo do que parece. E temo que ele, embora brilhante, esteja sendo lento e condescendente.

Ele teria sido mais honesto se dissesse qual a fonte real dessa informação. É o Mídia Sem Máscara que, por sua vez, chupou a história de um blog intitulado “O Possível e o Extraordinário“, de autoria de um certo Wagner Moura.

Coisa feia, Tio Rei, chupar matéria alheia sem dar o crédito.

***

Mas a coisa não pára aí.

Em seu post, Tio Rei vem com aquela desculpa de praxe do conservadorismo católico:

Pois bem. Ninguém é obrigado é ser católico. Todo indivíduo, nas democracias, têm o direito de decidir.

É a aquele velho papo para boi dormir de que o discurso retrógrado da Igreja se dirige apenas ao seu rebanho.

Mas vamos dar uma olhada mais de perto na presumida inocência dessa afirmação.

O autor do blog “O Possível e o Extraordinário” aparentemente é vinculado à Renovação Carismática. Ele é fã de uma estrela emergente desse movimento, o líder carismático Ironi Spuldaro. Em um post especial para Spuldaro, Wagner Moura afirma:

Ele enfrentou políticos. Ironi Spuldaro já declarou publicamente qual a alternativa para livrar o Brasil dos políticos corruptos.

Sabidamente um blogueiro curioso, fui checar o link pois gostaria de conhecer a receita de Spuldaro para livrar o Brasil de políticos corruptos. Eis a pista:

O Ministro da Saúde disse que o aborto é muito mais que questão de saúde, é uma questão de doença. Só que muito mais que cuidar dessa saúde, nós deveríamos abortar os políticos que enchem de corrupção o nosso país; abortar os traficantes que estão matando nossos filhos.

Ironi fez um apelo ao povo, convidando todo eleitor a ficar atento na hora de votar, seja para prefeito, deputado ou presidente. Todo cristão batizado, antes de votar, deve procurar saber se o seu candidato é contra ou a favor do aborto. “Se ele for a favor, você vai abortá-lo da carreira política”, completou o pregador.

Francamente: até aí tudo bem. O pastor está pregando para o seu rebanho, e desde que ele não esteja utilizando o neuromarketing, cada um segue as palavras que lhe convém. Porém o finalzinho do texto contém palavras um pouco mais ameaçadoras:

A marcha do exército de Cristo

No encerramento da primeira pregação, todo o povo se levantou e começou a marchar, como um grande exército, assim como o povo do Senhor que, no Antigo Testamento, marchava rumo à Terra Prometida.

Ao lado de Ironi, Kátia Roldi Zavaris, membro do Conselho Nacional da RCC, convidou todo esse exército a pisar sobre o mal, sobre a cabeça do inimigo, para que a promessa do Senhor se cumprisse na vida de cada um e, enfim, todos pudessem entrar na Terra Prometida, proclamando em oração: “eu tomo posse da Terra Prometida, da promessa do Pai, desta unção de Pentecostes que o Pai e o Filho derramaram em plenitude sobre nós”.

Dado que nós que não temos a dádiva de participar da Renovação Carismática não temos, por isso mesmo, chance de participar da definição de quem é o inimigo, suponho que somos fortes candidatos a ser classificados como tal. Isso significa que o fato de alguém “não ser obrigado a ser católico”, na mente dessas pessoas, está muito mais próximo de legitimar uma fatwa do que uma sociedade pluralista.

Devo confessar que desde o início dessa história, havia uma lembrancinha no fundo do meu cérebro martelando minha memória.

Pois agora tive um estalo.

Já há coisa de alguns anos, uns cinco para falar a verdade, tive conhecimento de um grupo do Rio de Janeiro que desenvolve pesquisas sobre emoções morais usando técnicas de ressonância magnética funcional (técnica que faz parte do ferramental da pesquisa do Zamora).  Trata-se da  Unidade de Neurociência Cognitiva e Comportamental da Rede D’Or, um grupo hospitalar privado baseado no Rio, cujo Projeto BEM (sic), e seu fundador e coordenador é o Prof. Jorge Moll Neto.  E algumas das pesquisas do grupo são bem semelhantes às do Zamora, como o demonstra estre trecho de uma matéria que saiu na Veja em janeiro do ano passado:

Os estudos científicos modernos têm concentrado esforços na análise de questões bem mais intangíveis, como a psicopatia, distúrbio psiquiátrico de diagnóstico complexo. O psicopata não é um deficiente mental e tampouco sofre de alucinações ou problemas de identidade, como pode ocorrer com as vítimas da esquizofrenia. É um sujeito, muitas vezes, com inteligência acima da média. Pode ainda ser simpático e sedutor – e usar essas qualidades para mentir e enganar os outros. Embora no plano intelectual entenda perfeitamente a diferença entre o certo e o errado, o psicopata não é dotado de emoções morais: não tem arrependimento, culpa, piedade nem vergonha. É incapaz de nutrir qualquer empatia pelo próximo. “Para um psicopata, atirar em uma pessoa e jogar fora um copo plástico são atos muito parecidos”, diz o neurologista Ricardo de Oliveira-Souza, da Unirio. Oliveira-Souza e seu colega Jorge Moll – coordenador da Unidade de Neurociência Cognitiva e Comportamental da Rede Labs D’Or, no Rio de Janeiro, e pesquisador dos Institutos Nacionais de Saúde, nos Estados Unidos – têm feito mapeamentos do cérebro de psicopatas com técnicas de ressonância magnética de alta resolução. Em comparação com uma pessoa normal, o psicopata mostra menor atividade cerebral em uma série de áreas envolvidas no julgamento moral. As causas dessas diferenças, porém, ainda são desconhecidas. Supõe-se que um componente genético esteja envolvido. Quanto aos componentes sociais que determinam o surgimento da psicopatia, os cientistas consideram que a ocorrência de abuso infantil, por exemplo, pode ter influência no distúrbio. “Seja na forma de espancamento, seja na de estupro, o abuso é um fator de risco para a psicopatia, embora, por si só, não possa causá-la”, afirma Oliveira-Souza. (grifo meu)

Também há outra matéria na Época sobre o mesmo assunto:

Oliveira vai compartilhar com colegas do mundo todo os resultados preliminares de seus estudos sobre o mapeamento das emoções no cérebro, realizado em parceria com o neurorradiologista Jorge Moll Neto. O trabalho é inédito e foi mostrado a ÉPOCA com exclusividade. Oliveira vai apresentar o conceito de ‘psicopata comunitário’, aquele indivíduo que pode não ser um serial killer, mas causa estrago por onde passa. ‘É gente que nunca foi presa, mas que tem muito em comum com os psicopatas mais perigosos, desde traços de comportamento até o funcionamento de circuitos cerebrais’, alerta. Podem estar nessa categoria tipos como o malandro golpista 171, o sujeito que não tem emprego e vive de rolo, aquele que cultiva amizades por interesse e descarta as pessoas depois de obter o que deseja, o sujeito que vive de explorar a tia velhinha, o executivo inescrupuloso que desfalca a firma. Este último, também conhecido como psicopata corporativo ou do colarinho-branco, será o tema da conferência, no Rio, de um dos maiores especialistas do mundo, o canadense Robert Hare.

(…)Nos últimos cinco anos, Oliveira e Moll avançaram nesse mapeamento. Os dois classificaram os principais tipos de agressividade encontrados em 279 pessoas com distúrbios neuropsiquiátricos. Por meio de um teste desenvolvido por Moll, batizado de Bateria de Emoções Morais (BEM), e com a tecnologia da ressonância magnética funcional, concluíram que o cérebro de alguns indivíduos responde de forma diferente da de uma pessoa normal quando levado a fazer julgamentos morais, que envolvem emoções sociais, como arrependimento, culpa e compaixão. Diferentes das emoções primárias, como o medo, que dividimos com os animais, as sociais são mais sofisticadas, exclusivas dos humanos – têm a ver com nossa interação com os outros. Os resultados preliminares do estudo sugerem que os psicopatas têm muito pouca pena ou culpa, dois alicerces da capacidade de cooperação humana. Mas sentem desprezo e desejo de vingança. ‘As imagens mostram que há pouca atividade nas estruturas cerebrais ligadas às emoções morais e às primárias e um aumento da atividade nos circuitos cognitivos. Ou seja: os psicopatas comunitários, assim como os clássicos, funcionam com muita razão e pouca emoção’, traduz Oliveira.” (grifo meu)

Ou seja, parece que a declaração do Milton Ribeiro sobre o Zamora lá no blog do Idelber _ de que “sua maior característica é a inata perspicácia para identificar o que causa escândalo” _ está coberta de razão, pois já tem gente fazendo mais ou menos a mesma coisa, só que sem chamar tanta atenção.

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