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Podcasts com filósofos sobre temas instigantes.

O Noblat saiu-se com essa hoje:

Lula, o adepto da tese de levar vantagem em tudo

A lei nº 11.300 proíbe a distribuição gratuita por parte da administração pública de “bens, valores ou benefícios” em ano eleitoral.

Por que? Para evitar que a a administração pública beneficie partidos ou candidatos em detrimento de outros. É o princípio da igualdade de oportunidades para todos.

O que fez Lula o esperto, o malandro, o interessado em levar vantagem em tudo?

A três dias do final do ano passado, editou uma Medida Provisória para ampliar o programa Bolsa Família. Ele passará a conceder a partir de agora um bônus de R$ 30,00 para adolescentes de 16 e 17 anos.

No caso de uma família inscrita no programa e que tenha três filhos de até 15 anos e dois de 16 ou 17, por exemplo, ela passará a receber R$ 172,00 ao invés dos atuais R$ 112,00.

2008 é ano de eleição de prefeitos e vereadores. Daí a pressa de Lula em se valer do recurso da Medida Provisória.

Haverá alguma alma no Congresso com coragem para se opor a mais um reajuste da mesada paga pelo Bolsa Família? Duvido. Quem se arriscará a ser execrado como inimigo dos pobres?

E assim Lula forra a cama para aconchegar sua popularidade e facilitar a vida dos que lhe dizem amém.

Que é malandragem eu até concordo.  Mas acho a análise um tanto tosca.  Tem gente por aí falando inclusive em inconstitucionalidade.

Ué, se o legislador tivesse tido a intenção de vedar este tipo de expediente, teria falado em  “um ano antes da eleição”, ou outro período como um ano e meio ou dois.  Mas ele vedou este tipo de coisa apenas no ano eleitoral.  Acho que não dá para castigar o cidadão, incluindo o Presidente da República, por um ato que o legislador, por imperícia, incúria ou outra razão qualquer decidiu não vedar na lei.

Em outras palavras, ou o Estado é de Direito ou é de palpite.

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E é a alma penada do bom e velho Malthus:

(…)We Americans may think of China’s growing consumption as a problem. But the Chinese are only reaching for the consumption rate we already have. To tell them not to try would be futile.

The only approach that China and other developing countries will accept is to aim to make consumption rates and living standards more equal around the world. But the world doesn’t have enough resources to allow for raising China’s consumption rates, let alone those of the rest of the world, to our levels. Does this mean we’re headed for disaster?

No, we could have a stable outcome in which all countries converge on consumption rates considerably below the current highest levels. Americans might object: there is no way we would sacrifice our living standards for the benefit of people in the rest of the world. Nevertheless, whether we get there willingly or not, we shall soon have lower consumption rates, because our present rates are unsustainable.

Real sacrifice wouldn’t be required, however, because living standards are not tightly coupled to consumption rates. Much American consumption is wasteful and contributes little or nothing to quality of life. For example, per capita oil consumption in Western Europe is about half of ours, yet Western Europe’s standard of living is higher by any reasonable criterion, including life expectancy, health, infant mortality, access to medical care, financial security after retirement, vacation time, quality of public schools and support for the arts. Ask yourself whether Americans’ wasteful use of gasoline contributes positively to any of those measures.

Jared Diamond no NYT.

(hat tip: PMF)

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Podem dizer qualquer coisa de Caetano Veloso.

Menos que ele seja um sujeito de mau gosto.

Cravo:

No Estadão:

Entrada de dólares no País em 2007 é recorde histórico

Fluxo cambial brasileiro fecha o ano com saldo positivo de US$ 87,454 bilhões, o maior da série do BC

BRASÍLIA – O fluxo cambial – entrada e saída de dólares no País – terminou o ano de 2007 com resultado positivo de US$ 87,454 bilhões, o maior da série histórica iniciada em 1982. Conforme dados divulgados nesta quinta-feira, 3, pelo Banco Central, o número foi gerado pelo resultado positivo de US$ 76,746 bilhões da conta comercial e também pelo ingresso de US$ 10,708 bilhões no fluxo financeiro. Segundo o BC, as exportações somaram US$ 184,764 bilhões no ano e as importações atingiram US$ 108,018 bilhões, o que gerou o saldo de US$ 76,746 bilhões. No fluxo positivo, as compras de dólar acumularam US$ 348,281 bilhões e as vendas, US$ 337,573 bilhões. Nesse caso, o resultado anual ficou positivo em US$ 10,708 bilhões.

Essa é a primeira vez desde 2000 que o fluxo financeiro termina o ano com resultado positivo. Em 2006, por exemplo, o saldo ficou negativo em US$ 20,328 bilhões. Um ano antes, em 2005, o resultado foi ainda pior, com saída de US$ 32,462 bilhões na conta financeira.

Com a entrada de dólares gerada pelo fluxo cambial em 2007, o Brasil completa ciclo de cinco anos seguidos com saldo cambial positivo nesse indicador. Nesse período, o País recebeu US$ 150,622 bilhões.

Ferradura:

No Naked Capitalism:

Goldman Predicts 20 Years of Agricultural Commodity Inflation, Um, Appreciation

Jan. 2 (Bloomberg) — Selling soybeans at their highest prices in three decades and corn while it flirts with the 1996 peak is a money-losing trade, according to Goldman Sachs Group Inc. and Deutsche Bank AG.

(…)

Rising wealth from Shanghai to Sao Paulo is leading to better diets and straining corn and soybean supplies just as record energy prices boost sales of biofuels. Even after rising 17 percent in 2007, corn costs about $2 a bushel after adjusting for inflation, compared with a $7.80 high in 1974.

We are in the early stages of a rally that could last 20 years” in agriculture, said Christopher Wyke, product manager at London-based Schroders Plc, which manages $3.5 billion in commodities and is buying more corn and soybean contracts while reducing energy holdings. “Prices are historically cheap.”

(…)The biggest winners from the U.S. energy bill signed by President George W. Bush on Dec. 20 may be companies including Archer Daniels Midland Co. of Decatur, Illinois, and Sacramento- based Pacific Ethanol Inc. The legislation requires biofuels production to increase to 36 billion gallons in 2022 from 7.5 billion in 2012….

***

É, parece que a maré mansa ainda vai durar um tempão.

(hat tip: PMF)

The Center

In some ways, the biggest difference between the latest Pew Research Center typology and those in the Clinton era concerns the groups in the middle of the political spectrum. During the 1990s, the typology groups in the center were not particularly partisan, but today they lean decidedly to the GOP.
The middle groups include Upbeats, relatively moderate voters who have positive views of their financial situation, government performance, business, and the state of the nation in general. They are generally well-educated and
fairly engaged in political news. While most Upbeats do not formally identify with either political party, they voted for Bush by more than four-to-one last November.
A second, very different group of centrist voters, the Disaffecteds, is much less affluent and educated than the Upbeats. Consequently, they have a distinctly different outlook on life and political matters. They are deeply cynical about government and unsatisfied with their financial situation. Even so, Disaffecteds lean toward the Republican Party and, though many did not vote in the presidential election, most of those who did supported Bush’s reelection.
In effect, Republicans have succeeded in attracting two types of swing voters who could not be more different. The common threads are a highly favorable opinion of President Bush personally and support for an aggressive military stance against potential enemies of the U.S.
A third group in the center, Bystanders, largely consign themselves to the political sidelines.
This category of mostly young people, few of whom voted in 2004, has been included in all four of the Center’s political typologies.

The Right

The Republican Party’s current advantage with the center makes up for the fact that the GOP-oriented groups, when taken together, account for only 29% of the public. By contrast, the three Democratic groups constitute 41% of the public. But the imbalance shifts to the GOP’s favor then the inclinations of the two major groups in the center are taken into account – many of whom lean Republican and most of whom voted for George W. Bush.

Beyound Red vs. Blue, Pew Research Center

Tio Rei agora resolveu exercer seus extraordinários dons de analista político internacional no continente africano:

Cobram-me que fale sobre a tragédia que se seguiu ao resultado eleitoral no Quênia. Dizer o quê? É o produto da falta de democracia. Nada além. Qual democracia? Ora, aquela vigente na África do Sul, por exemplo: um homem, um voto. O Quênia, como boa parte da África não-islâmica, está envolvido numa guerra tribal, pré-democrática, em que as questões étnicas, tão prezadas pelos multiculturalistas, se sobrepõem aos valores universais da democracia. Não é o que tanto prezam estes gênios? Não é o que vêem como a expressão da mais genuína vontade popular na Bolívia?

Hoje, na África, qual é a única nação que vive, a despeito de todas as dificuldades e problemas, a democracia plena? A África do Sul. E por quê? Porque se universalizaram, para toda a população, as regras que só vigiam para os brancos. Sim, o apartheid, vejam que interessante, era “democrático” para os que eram acolhidos por ele. Eliminado, o que passou a proteger o conjunto dos sul-africanos não foram as regras tribais dos negros, mas a democracia dos brancos. Como se trata de um regime político que independe de cor, está dando certo. Os zulus reivindicaram e obtiveram leis especiais. Mas não podem impor aos outros a sua vontade.

O que estou dizendo, sim, com todas as letras é que a democracia de perfil ocidental já havia chegado e se consolidado entre os brancos da África do Sul. E foi adotada como modelo de governo pelos negros, com todos os seus problemas, com todas as suas deficiências. As demais nações africanas resolveram “inventar” seus próprios meios, adaptando o regime democrático às culturas locais, sobrepondo questões étnicas aos valores universais do regime democrático. Deu no que deu: em morticínio.(…)” (grifo meu)

O trecho suscita várias boas perguntas.

Por exemplo, Tio Rei parece pensar que o Quênia surgiu, repentinamente, do fundo do Oceano Índico, para protagonizar histórias de genocídio entre negros tão ao gosto do “schadenfreude” não tão implícito assim de nossos garbosos articulistas. Lamentavelmente, o fato é que o Quênia era colônia inglesa até 1963, ostentando assim a pouco invejável condição de ter sido um dos últimos frutos da descolonização no continente (ao passo que a África do Sul consumou sua independência em 1910 ou em 1931 a depender do gosto do historiador).

Na reta final do processo de descolonização no Quênia, houve a revolta dos Mau-Maus, uma insurgência contra o domínio britânico. Os Mau-Maus eram, em sua grande maioria, membros do grupo étnico Kikuyu, e a rebelião foi dominada quando os britânicos resolveram usar contra eles não o exército britânico, mas “outros africanos leais à Coroa”. A despeito disso, o primeiro presidente queniano, Jomo Kenyatta, era Kikuyu, bem como o atual presidente, cuja reeleição, posta sob suspeição, está levando o país a um estado de guerra civil. Então vamos deixar claro: em certa medida o atual conflito está acontecendo justamente porque o país está tentando implantar processos democráticos, e não o contrário. E o principal problema é a falta de confiança entre etnias _ que como vimos já haviam sido insufladas pelo colonialismo britânico, no melhor modelo “divide e impera”.

Também é interessante notar como Tio Rei pede a países cujas fronteiras foram traçadas pelas potências imperiais do Ocidente sem muita consideração pela distribuição territorial das etnias africanas que abracem com vontade e num átimo a democracia, sem levar em conta os longos séculos que uma região como as ilhas britânicas levaram para resolver uma coisinha ou outra entre ingleses, galeses, escoceses e irlandeses, por exemplo.

Outro ponto digno de nota é que Tio Rei inventa uma África do Sul utópica para poder fazer a comparação. Mas a verdade é que nos anos 90 o país esteve à beira de um confronto étnico de consequências imprevisíveis entre zulus e xhosas, os primeiros agregados em torno da organização Inkhata, que durante anos assegurou privilégios a membros da etnia zulu em colaboração com o governo segregacionista do Partido Nacional, e os segundos agregados em torno do partido ANC, Congresso Nacional Africano.

O conflito étnico só foi evitado na África do Sul, até agora, porque o governo adotou um enorme conjunto de medidas para sanear e curar as cicatrizes do processo de desapartheidização, incluindo políticas de ação afirmativa (que são ferozmente combatidas pela minoria branca, é claro).

Tio Rei, porém, conhece o seu ofício de “reservoir dog” e publicista anaeróbico muito bem. Eis como termina seu texto de “análise internacional”:

Aliás, esse contraste entre a África do Sul e seus vizinhos – que, volta e meia, protagonizam carnificinas – deveria servir de exemplo aos neo-racistas brasileiros, que pretendem transformar cor de pele em categoria política. Vejam lá: na democracia sul-africana, brancos e negros aprenderam a conviver; nos demais países, negros não conseguem se entender com negros.

Pronto, tá explicado, né?

Islam is our faith, democracy is our policy, socialism is our economy. All power to the people.

_ Zulfikar Ali Bhuto, pai de Benazir

O Pew Research Center fez um relatório intitulado “Two Decades of American News Preferences“, sobre o tipo de notícias que mais interessa aos norte-americanos nos últimos 20 anos. O resultado da última pesquisa pode ser visto abaixo:

pewresearch-news.jpg

Nota-se que no período notícias sobre “desastres” (sejam naturais, sejam de origem na atividade humana) tiveram mau desempenho, bem como o interesse sobre notícias de Ciência e Tecnologia.

Por outro lado, o interesse em notícias referentes a “dinheiro” aumentou bastante nas últimas duas décadas. E, curiosamente, notícias sobre o clima continuam atraindo muita atenção, em estáveis 40% desde 1986.

Razão pelo qual, talvez, o anunciado leilão do Weather Channel pela companhia mãe, a Landmark Communications, esteja gerando tanto entusiasmo entre os grandes grupos de mídia. O Weather Channel é um dos últimos canais “independentes”, e uma brilhante sacada criada em 1982 por Frank Batten, CEO da Landmark, uma empresa familiar cujos outros ativos são majoritariamente ligados a pequenos jornais diários, broadcasting e internet.

Entre os possíveis participantes do leilão estão os principais grupos de mídia, como a News Corp, a NBC, a Comcast e até o Yahoo.

O Weather Channel tem tido, até hoje, uma política de reconhecimento do problema representado pelo aquecimento global induzido por atividades humanas (como mostra esse press release de novembro passado). Vejamos se essa política permanecerá com a venda _ especialmente se o adquirente for a Fox News.

Por outro lado, parece que nem mesmo será necessário tanto empreendedorismo assim para se compreender que, no quesito de material para notícias, o Weather Channel pode ter um brilhante futuro pela frente.

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