You are currently browsing the monthly archive for Janeiro, 2008.

Developing a taste for engineering
O Inagaki fez uma promoção (só vi agora..) perguntando qual o livro que mais marcou a infância dos seus leitores.
O meu é Vinte Mil Léguas Submarinas, o primeiro livro que li, em uma edição de bolso da Ediouro que meu pai me deu. Meu pai morreu e até hoje eu não sei porque ele me deu esse livro. Eu fantasio que devia ter uns 8 anos. Mas pode ter sido aí pelos 10, 11. Eu fui um leitor voraz desde que aprendi a ler _ e, detalhe, não me lembro do processo de aprendizado, ele foi apagado da minha memória. Só me lembro de ver figurinhas e de “de repente” ser capaz de ler o que estava escrito nelas.
Muitos e muitos anos depois, lendo a série sobre a ditadura militar do Elio Gaspari, fui descobrir que os livros prediletos do pequeno Geisel eram as obras de Júlio Verne _ em sua pobreza riograndense da colônia, que não tem nada a ver com a miséria dos grandes centros de hoje, ele tinha a coleção completa em casa. E parece que Geisel atribuía a isso o seu pendor pela tecnologia e pelo desenvolvimento.
Assino embaixo.

Em termos
Deu no Estadão:
“Schwarzenegger deve anunciar seu apoio a John McCain
Ex-astro de Hollywood decide após Rudy Giuliani desistir de concorrer à candidatura republicanaLOS ANGELES, EUA - O governador da Califórnia, Arnold Schwarzenegger, apoiará a campanha do republicano John McCain para a Presidência dos Estados Unidos, disseram assessores do candidato na quarta-feira, 29. Republicano moderado, o ex-astro de Hollywood deve formalizar o apoio quando os dois aparecerem juntos durante um evento em Los Angeles, nesta quinta.(…)“
***
Diz o Tapped, blog coletivo do American Prospect, embora pinte-o como não suficientemente ousado em termos ambientais, mostra que McCain pelo menos tem um histórico melhorzinho que a média do Great Old Party nessa matéria. McCain declara, por exemplo, que mudança climática será um dos 3 pontos principais de sua agenda (os outros dois são manter a presença americana no Iraque e uma política mais benigna sobre imigração). Com direito a piadinhas _ ele disse que o Arizona (estado dele) é tão seco que as árvores procuram os cachorros.
O problema agora é determinar suas possibilidades. Dos candidatos, ele parece ser o que tem mais chances de angariar algumas simpatias entre independentes e até alguns democratas. Porém, ele aliena parte do eleitorado republicano, para quem McCain é “liberal demais”.
Há quem diga que sua candidatura teria problemas. Primeiro, por ser muito velho para um presidente em primeiro mandato (ele vai fazer 73 anos). Segundo, porque sua agenda não casa bem com as alas do partido republicano _ ele não pode querer manter a carta de “conservador fiscal” mantendo a escalada no Iraque, não pode agradar as corporações (e eu concordo com o Mark Thoma aqui) e ser favorável a uma agenda ambiental mais ousada, etc.
Acho que McCain vai ganhar muito chumbo até levar a candidatura no GOP. E mais ainda depois.
“(…) parece ser uma regra universal o fato de que quanto mais você sofistica o seu gosto, mais cordial você se torna por fora, e mais intolerante por dentro.“
Evelyn, no Valquirianas.

Enquanto estamos todos preocupados com problemas bem mais terrenos, no dia 29 desse mês escapamos de ser alvejados pelo TU24, um asteróide que passou bem próximo à terra para os padrões cósmicos: 538,000 quilometros, o equivalente a 1,4 a distância da Terra à Lua. O TU24 tem cerca de 250 metros de diâmetro, e sua queda teria um impacto equivalente a uma bomba de…1.500 megatons. Para se ter uma idéia, o mais potente artefato nuclear jamais criado, a Bomba Czar soviética, tinha cerca de 100 megatons de potência, e jamais foi detonada com carga total por temor sobre seus reais efeitos.
Se esse asteróide caísse no mar _ o que seria o mais provável dado que 2/3 da superfície terrestre está coberta pelos oceanos _ veríamos um tsunami de proporções desagradáveis, principalmente para as regiões costeiras mais próximas do impacto.
Não é à toa que o juiz Richard Posner, em seu livro sobre riscos e catástrofes, faz um alerta sobre este tipo de risco, que pare ele é subdimensionado pelos políticos.
Aquela velha e surrada metáfora _ ferramentas como extensões das pessoas, instrumentos como extensões dos sentidos etc. _ não é uma metáfora.
Nick Carr do Rough Type comenta um artigo da Science sobre uma pesquisa feita com macacos por um time da Universidade de Parma, na Itália, que mostra que o truque empregado pela evolução para possibilitar aos primatas o uso de ferramentas envolve uma alteração do sentido de propriocepção que faz com que o cérebro interprete as ferramentas como sendo uma parte do próprio corpo. A descoberta envolve usar sensores para descobrir como os neurônios da parte motora do cérebro se comportam; o que a equipe verificou é que os mesmos neurônios que comandam a ação da mão sozinha são ativados, na mesma sequência, quando se usa uma ferramenta.
Aqui, há um artigo interessante do mesmo pesquisador de Parma sobre “mirror neurons”. Em termos simples, os “mirror neurons” é que explicam uma coisa que ocorre com quase qualquer espectador de jogos de futebol _ aquele chute involuntário que damos quando o ponta esquerda de nosso time fica cara a cara com o gol. O motivo é que uma parte importante da percepção que nosso cérebro tem sobre as ações de outras pessoas envolve o funcionamento de neurônios que “simulam” essas ações _ e quando há uma “desinibição” suficientemente forte, a gente se vê repetindo os gestos de outros.
A coisa não pára aí, porém. Há fortes suspeitas de que os “mirror neurons” estão envolvidos em coisa maior: na nossa própria capacidade de “ler mentes“, isto é, adivinhar as intenções alheias _ mesmo a níveis mais abstratos do que o puro movimento físico. A ponto de V.S. Ramachandran, diretor do Center for Brain and Cognition e um dos mais destacados neurocientistas de nossa época, dizer que a descoberta dos “mirror neurons” será para a neurociência e a psicologia o mesmo que a descoberta do DNA foi para a genética.
Como sabem os meus 3,5 leitores, a Internet nasceu de um projeto militar. Nos anos 60, muita gente estava desconfiada quanto à confiabilidade da rede de comunicações da AT&T no caso de um ataque nuclear, e um estudo foi comissionado para fazer um diagnóstico e propor alternativas. Foi aí que nasceu a idéia de transmissão de dados por pacotes, o protocolo IP e a Internet: a idéia básica é que, com um sistema altamente descentralizado, os pacotes podem fluir pela rede e chegar ao seu destinatário rapidamente, aproveitando os vários caminhos possíveis na rede, aumentando a robustez do sistema.
Ontem, uma âncora de navio rompeu dois cabos óticos no Mediterrâneo, próximo a Alexandria. Como resultado, boa parte do Oriente Médio e do sul da Ásia ficaram sem acesso à Internet. O Cairo sofreu um apagão geral, e o tráfego na Índia teve entre 50 a 60% de redução de capacidade. Segundo a Salon, trata-se de um cabo que vai de Alexandria, no Egito, até Palermo, Itália, ligando Europa e Oriente Médio.
O reparo pode demorar até dois dias, porque é preciso enviar navios, achar o cabo, suspendê-lo e consertá-lo, o que evidentemente não é como trocar uma lâmpada.
A reportagem lembre que em 2006 algo semelhante ocorreu na Ásia, quando um terremoto destruiu cabos submarinos próximos a Taiwan.
Tio Rei tem um post tão anaeróbico, hoje, que só pode ser lido de escafandro:
“OS NÚMEROS DA VIOLÊNCIA E POR QUE AS ESQUERDAS FAZEM MAL AO PAÍS
Caros,
O texto que vai abaixo é longo, bem longo, mas está, a meu juízo, entre os mais importantes que escrevi neste blog. Passem-no adiante, divulguem-no, façam panfletagem se necessário. Uma grande trapaça política, intelectual e moral está em curso. Denunciemo-la.“
Deu pra sentir o drama, né?
Lá vai ele:
“O que eles dizem
A Folha foi ouvir especialistas. A USP tem um tal Núcleo de Estudos da Violência (NEV). Jamais o vi reconhecer a eficiência da Polícia paulista. Leiam o que disse ao jornal o pesquisador do NEV Marcelo Batista Nery: “Se você perguntar para o poder público, ele vai dizer que foram as suas intervenções, como o policiamento; outros vão dizer que foram as ações das ONGs, que melhoraram as inter-relações sociais entre as pessoas. Para mim, foi tudo isso junto”. Uma pinóia, meu senhor! Acima, eu exibi dados. E não sou “pesquisador”. Quais são os seus sobre a efetividade do trabalho das “ONGs” para reduzir a violência? Quais trabalhos? Quais organizações? Onde estão os números? (…)
Agora leiam o que diz Paula Miraglia, diretora-executiva do Ilanud, órgão da ONU (aquela entidade de petralhas globais) sobre delitos e tratamento do delinqüente: “Não há uma causa única para essa queda expressiva. Há uma tendência clara de queda em São Paulo desde 1999. Até agora, nenhum trabalho deu uma resposta conclusiva para esse fato”. Não deu porque a moça não quer. Porque as esquerdas adoram odiar a Polícia. ”
Aí Tio Rei apresenta os números:
“A taxa de homicídios na cidade e no estado de São Paulo vem caindo de forma continuada e sustentada desde 1999 (tabela aqui). “Qual será o segredo?”, perguntam-se os especialistas. Eu tenho uma explicação objetiva, material, aritmética:
- São Paulo tem 40% dos presos do país — não prende demais, não; os outros é que prendem de menos;
- Existem 227,63 presos por 100 mil habitantes no Brasil; em São Paulo essa relação salta para 341,98 por 100 mil habitantes;
- Em 2001, o estado de São Paulo tinha 67.649 presos; em 2006, eles eram 143.310 — mais do que o dobro.
- Entre 1996 e 2006 (ano do levantamento divulgado ontem), o número de presos aumentou 10 vezes;
- Até julho de 2006, haviam ingressado no sistema prisional do estado 4.832 pessoas — 800 por mês ou um preso por hora.
Só eu tenho esses números. Não! São públicos. Todo mundo tem.“
E é assim que Tio Rei se transforma na prova viva de que embora todo mundo possa “ter os números”, isso não quer dizer que os entenda. Então, lá vamos nós.

Esse aí é o mapa da taxa de homicídios, por município. Quem olha o mapa, entende que um dos motivos pelos quais São Paulo está tão atrás dos demais municípios em termos de homicídios é porque um grande número de municípios violentos são também aqueles “de fronteira”, onde conflitos fundiários e a ausência do Estado propiciam um clima de faroeste. E, bem, São Paulo deixou de ser fronteira há muito tempo.
A tabela a seguir mostra a evolução dos homicídios por armas de fogo em alguns municípios (e conjuntos de municípios) selecionados:

O que se vê é que realmente o número de óbitos por arma de fogo caiu muito em São Paulo, de 2002 para cá. Na verdade, se tirarmos o estado de São Paulo da amostra, a taxa total até sobe. Mas a coisa não é linear. Por exemplo, o estado do Rio de Janeiro _ logo quem _ teve uma redução bastante pronunciada dos óbitos por arma de fogo, também.
O quê explica isso? Poderíamos pensar que é o crescimento econômico. Vamos ver.
A tabela a seguir mostra a evolução do PIB por estado entre os anos de 2002 e 2005:

Pois é. Como vemos, o desempenho de São Paulo, em termos relativos, não é lá dos melhores, com o Rio de Janeiro apenas ligeiramente melhor. E curiosamente alguns dos estados com municípios mais violentos são também estados com crescimento econômico pujante nesse período, como é o caso do Mato Grosso e de Rondônia.
Finalmente, a tabela a seguir mostra a distribuição dos recursos do Bolsa Família, por estado:

Como vemos, São Paulo é o terceiro maior receptor. Mato Grosso e Rondônia estão lá no fim da fila.
***
Para chegar a alguma conclusão mais sólida, seria preciso muito mais sistematização dos dados, e alguns cálculos mais sofisticados do que simplesmente tabelar números. Essa conclusão é monótona, mas é precisamente aquela a que quero chegar: Tio Rei pega uns números e acha que eles confirmam a sua teoria, sem mostrar nenhuma preocupação com outras variáveis que podem estar impactando o resultado final.
Eu, particularmente, sou da opinião de que MESMO que fosse possível demonstrar inequivocamente a redução da criminalidade em São Paulo pela expansão da população carcerária, não deveríamos basear nossa estratégia de segurança pública na paulatina transformação do país em um Estado de apartheid radical (que é o que o sistema prisional termina sendo). Existem muitas formas de chegar a certos resultados, e algumas delas são mais aceitáveis que outras. Da minha parte continuo me espantando com os conservadores anaeróbicos que acham que o direito à vida começa na concepção e acaba no nascimento.
Lá no Torre de Marfim, uma crítica ao pessimismo:
“O profeta do caos
“The US has already entered into a recession and this recession will be much uglier than the mild recessions of 1990-91 and 2001 as a shopped out, saving less and debt burdened consumer is on the ropes and faltering.
The world will not decouple from the US hard landing; there will be significant recoupling and a sharp global economic slowdown. When the US sneezes the rest of the world catches the cold; and today the US will not experience just a simple common cold but rather a protracted and severe case of pneumonia; thus, the real and financial contagion to other economies will be severe.
Whatever the Fed does now is too little too late; the Fed had a wrong diagnosis of the economy and was behind the curve for over a year. The Fed claimed that the housing slump would bottom out a year ago; instead we have the worst housing recession in US history still getting much worse now.”
As palavras são de Nouriel Roubini*, economista da Universidade de Nova York e criador do RGE Monitor. Roubini vive os seus momentos de glória. Nos últimos anos, enquanto a maioria dos analistas mantinha o otimismo em relação às perspectivas da economia global, Roubini foi um dos poucos, ao lado de Stephen Roach, a traçar quadros pessimistas. Errou o timing da crise, mas pode hoje cantar vitória. Ele vinha alertando há muito tempo para os riscos da bolha imobiliária americana, assim como para o déficit das contas externas dos EUA.
Roubini decidiu dobrar a aposta. Não basta ter acertado que haveria uma crise séria. Ele tem que dizer que não haverá apenas uma recessão, mas uma recessão severa. O descolamento do resto do mundo dos EUA é bobagem. A economia global passará por uma forte desaceleração. Tudo o que o Fed fizer será insuficiente, e será tarde demais. Você acha que o negócio está ruim? Vai piorar muito antes de melhorar.
Eu discuti o apocalipse de Roubini com um economista que admiro. Ele não compra o cenário apocalíptico. Acha que Roubini está aproveitando a onda como profeta do caos. Lembra que ele tem previsto uma recessão nos últimos 10 anos – uma hora ele tinha acertar. “Minha impressão é que, agora que tirou a sorte grande, ele quer quebrar a banca”.“
***
Vá lá que seja. O Roubini até tem direito a ser pessimista: afinal, ele é um judeu que nasceu no Irã.
Porém, em um mundo onde o segundo maior banco de um país desenvolvido tem controles internos que possibilitam que ele perca mais de 7 bilhões de dólares nas mãos de um trader médio, cuja “genial” fraude consistia apenas em inventar operações inexistentes que enganavam o sistema do banco _ bem, em um mundo assim não há mesmo muitas razões para otimismo. Pior: não foi a primeira vez. E nem será a última.
***
E há razões mais fortes para o pessimismo. Já devia estar claro a esta altura, mesmo para as cacholas mais duras, que a mágica do mercado só funciona dentro de determinados limites, limites estes postos por instituições. Isso, de fato, não é nada de mais e economistas velhos de guerra já sabiam, de longa data, que até mesmo os direitos de propriedade são uma invenção, uma convenção social. O diabo, porém, é quando o mercado é deixado a deriva para se virar. E isso não acontece à toa, acontece por construção.
Enters OIRA.
OIRA é a sigla para o Office of Information and Regulatory Affairs, um órgão do governo americano ligado ao Office of Management and Budget, o qual, por sua vez, está dentro da estrutura da Casa Branca. O OIRA foi criado por Ronald Reagan, inicialmente para administrar um programa de redução da burocracia (”paperwork“). Aos poucos, porém, o OIRA foi ganhando poderes especiais através de uma série de decretos presidenciais (alguns deles expedidos por Bill Clinton), e hoje atua como um “watchdog” das agências reguladoras norte-americanas (exceto as criadas pelo Legislativo, como a FCC e a FTC, por exemplo). Por longo tempo avolumam-se as críticas de que a OIRA, sob a hegemonia republicana, converteu-se de algo relativamente benigno em uma forma criativa de desmantelar o Estado. O processo chegou a um paroxismo em 2007, mas o processo foi paralisado pelo novo congresso democrata, como narra o The Gravel, o blog de Nancy Pelosi na condição de “speaker” da Câmara dos Deputados:
“House Committee on Science and Technology Investigations and Oversight Subcommittee Chairman Brad Miller (D-NC) and Chair of the Subcommittee on Commercial and Administrative Law Linda Sanchez (D-CA) introduced an amendment which would prohibit the White House Office of Management (OMB) including OIRA from using funds appropriated in this year’s Financial Services Appropriations Act to implement Executive Order 13422.
This action follows two oversight hearings held by Chairman Miller which concluded that under the Bush order, political appointees would be able to dictate health and safety decisions at federal agencies out of the shadows, even if impartial scientific experts decided otherwise. The Subcommittee concluded the Executive order was another avenue for special interests to slow down and prevent agencies from protecting the public.
“This amendment stops the provisions of the order that flagrantly claim for the President the power to rewrite almost every law Congress passes without answering to Congress or the American people,” said Chairman Miller.
The new executive order revised the rules for federal agencies to use a standard of “market failure,” which means determining whether private markets can correct a social problem like pollution on their own, before deciding if government should step in. A Bush political appointee in each agency would be empowered to stop agencies from even beginning a move towards regulation.
“Under the Bush order, political appointees could have overruled the professionals at each agency in secret with no accountability to anyone,” said Chairman Miller. “Public safety decisions are supposed to be made in the open, not in closed rooms on the basis of improper political considerations.”“
Nesse vídeo, uma discussão sobre o decreto contra o qual os democratas se rebelaram:
Em particular, a OIRA, conjuntamente com o OMB, é responsável por elaborar o Plano Regulatório dos EUA, um documento que estabelece as prioridades para a regulação dos mercados naquele país. Desnecessário é dizer que nos últimos anos o Plano Regulatório perseguiu uma agenda de DESregulação. Eis o que diz o Plano Regulatório de 2003 sobre a questão das hipotecas:
“Strengthening Economic Performance
One of the Administration’s primary goals is to strengthen the country’s economic performance. Agencies across the Federal Government are actively pursuing this goal through regulatory changes.The Department of Housing and Urban Development is undertaking rulemakings on simplifying and improving the process of obtaining mortgages to reduce settlement costs to consumers. The rule simplifies the mortgage application process and allows a greater understanding of the upfront and long-term costs of a mortgage. The rule should strengthen market competition among mortgage providers and ultimately lower costs to consumers.“
Bem, não que tenha havido falta de aviso.
Elizabeth Warren é uma professora de Direito em Harvard que há tempos se bate por um arcabouço regulatório mais eficaz e abrangente, não só para as hipotecas, como também para cartões de crédito. Eis aqui seu “manifesto” (é preciso registrar-se para ler; eu o transcrevi abaixo do fold), e aqui, um bom post do Felix Salmon sobre o assunto.
***
Enquanto isso, no Financial Times…
“Corporate America braced for recession
Leading US companies are shifting into recession mode and preparing to cut costs, freeze hiring and reduce capital spending as they brace for an economic slowdown, senior executives and industry experts said.
Their concerns are likely to be reinforced by the International Monetary Fund, which slashed its forecast for US growth and warned that no country would be completely immune from what it termed a “global slowdown”.
Separately, a US study due out today shows that chief financial officers’ views of the economy are the most pessimistic in nearly four years.
Business leaders say rising oil prices, sagging consumer confidence and the on-going credit crunch are prompting them to put in place contingency plans to protect against the expected economic downturn.“
E o pior é que a senha está dada: se você é pessimista, é porque você quer “aproveitar a onda como profeta do caos”. E ainda é capaz de ser acusado de causar a recessão, com seu pessimismo contagiante agindo como aquele grão de areia na ostra, gerando a pérola da self-fullfilling prophecy…
Read the rest of this entry »
Pois é.
Fui lá no blog do Ordem Livre, babando, esfregando as mãos, pronto para escrever mais um post sob a bandeira tremulante da tag “Fire at Will”, que nem Nelson em Trafalgar. Dei com os burros n´água.
Encontrei este post tremendamente interessante do…Pedro Sette Câmara. Tá bom, o que é mais interessante mesmo é o assunto, mas nem por isso posso deixar de concordar inteiramente com Seu Sette. O tema: o site de Paulo Coelho onde ele “pirateia” suas próprias obras, o Pirate Coelho. Diz o Pedro:
“Sempre que leio algum debate sobre copyrights, tenho a impressão de estar vendo uma batalha entre um modelo de negócios que não aceita sua morte iminente, um modelo em que o provedor de conteúdo tem o controle absoluto, e uma nova geração que já se acostumou a ter controle total sobre a informação que recebe e que está à espera de um novo modelo de negócios. Não se trata, como demonstram os fãs de Paulo Coelho, de uma geração que deseja tudo de graça: se você, como já dizia Ludwig von Mises, atender às expectativas dos consumidores, eles alegremente pagarão por seus produtos e serviços.“
Não há dúvida de que em certa medida a distribuição on-line está a favor do próprio escritor. Aliás, anos atrás o Slashdot pariu um post sobre a experiência online de Stephen King que reproduz exatamente a lição ensinada por Paulo Coelho.
Não que isto seja novidade. Os traficantes já descobriram há muito tempo que dar um pozinho de graça para criar o interesse em futuros clientes é uma “estratégia vencedora”, e antes deles os feirantes já faziam a mesma coisa.
E hoje muitos escritores fazem o mesmo _ e nem todos eles se chamam Biajoni.
A rigor, a estratégia tem nome, embora ele seja pouco conhecido fora de círculos especializados em marketing ou organização industrial: loss-leader.
Raramente vou lá no FYI sem encontrar um motivo para sorrir. Como tive que ir lá para escrever o post abaixo, encontrei esta pérola:
Bem, a maioria dos blogs e sites que discutem aquecimento global a sério já montaram FAQ’s para lidar com estes casos de “serial denying“.
O Grist tem um especialmente bom, que dá esta resposta ao tipo de argumento pouco sofisticado que o Paulo apresenta:
“(Part of the How to Talk to a Global Warming Skeptic guide)Objection: It was way colder than normal today in Wagga Wagga, proof that there is no global warming.
Does this even deserve an answer? If we must …
Answer: The chaotic nature of weather means that no conclusion about climate can ever be drawn from a single data point, hot or cold. The temperature of one place at one time is just weather, and says nothing about climate, much less climate change, much less global climate change.“
Paulo veio aqui e disse, a respeito do post anterior:
“Spertao
First of all, a tag cloud do technorati eh diferente da tag cloud do wordpress. Va la e veja a minha pelo technorati e vera que capitalismo, economia e miscellaneous sao tao promenientes quanto left-wing e Brazil.
Segundo, olha como vc labeled o post sobre meu blog:
“Business, as delícias do mercado”Se vc tivesse um label right-wing e marcasse todos os posts (incluindo do Reinaldo) com essa tag seria sem duvida sua maior.“
***
Certo.
Eu posso estar louco, mas a tag cloud do blog do Paulo no Technorati que eu estou vendo é esta:

Onde, de fato, as tags “Brazil” e “left-wing” continuam aparecendo com maior destaque _ talvez um pouco menos do que no WordPress, mas isso se deve ao fato de que o tamanho de fontes na tag cloud do wordpress é customizável, e o do Technorati, não.
Paulo se esquece do fato de que o post dele que suscitou minha resposta fala sobre…negócios e mercado. Natural que eu apusesse estas tags no meu post, portanto.
Finalmente, que eu saiba jamais jurei sobre a caveira dos meus antepassados que a razão de ser deste blog _ “navegar no oceano dos sentidos” _ não passasse também pela crítica às tontices anaeróbicas. Nem firmei o compromisso de não comentar posts alheios, nem de nunca mais permitir comentários, etc. Além disso, minha tag mais frequente _ “the world out there” _ tem tudo a ver com a minha navegação semântica.
Eu resto o meu caso.
Deu no Estadão:
“Impostos 157% maiores
Carga sobre paulistano fica 120% acima da inflação
Marcos Burghi, marcos.burghi@grupoestado.com.br
Cada morador da Capital pagou em média, no ano passado, o equivalente a R$ 1.918,95 em tributos municipais, como Imposto Predial Territorial Urbano(IPTU) e Imposto sobre Serviços(ISS), entre outros, um valor 157,91% maior que os R$ 744,02 registrados em 2000. Os dados são do Impostômetro, painel instalado na região central da Cidade, numa parceria da Associação Comercial do Estado com o Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário (IBPT) que simula o quanto os contribuintes pagam aos cofres públicos de municípios, Estados e União em impostos, taxas e contribuições. No período, a inflação foi de 72%.“
E no resto do estado de São Paulo?
“Impostos estaduais
Ainda de acordo com os dados do Impostômetro, em relação aos impostos estaduais, como o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) e o Imposto sobre Propriedade de Veículos Automotores (IPVA), cada contribuinte do Estado pagou, em média, em 2007,
R$ 1.835,82, valor 117% maior que o desembolsado em 2000. Para o advogado tributarista Gilberto do Amaral, presidente do IBPT, esses e outros aumentos dos gastos com tributos são reflexos da elevação na carga tributária. Em 2000, afirma ele, a arrecadação representava 30,7% do Produto Interno Bruto (PIB), e o resultado de 2007 deve chegar perto dos 36%. No mesmo período, a inflação medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) foi de 71,96%. “
O que dizem os responsáveis?
“Procurados pela reportagem do Jornal da Tarde , Prefeitura e governo do Estado informaram, por meio de suas assessorias de imprensas, que não falariam sobre o assunto.
Estou ansioso para saber o que o “reservoir dog” da Veja acha disso.
Serão as baleias mais inteligentes que os humanos?
“Of Whales and Men
Call me Ishmael for making conjectures unflattering to humankind, but could Moby Dick have been smarter than captain Ahab? Melville certainly seemed to think so. Moby clipped off one of the captain’s legs and then, years later, in a brilliant move of cetacean jujitsu, drowned poor Ahab by towing him into the abyss by the harpoon rope tangled around Ahab’s remaining leg. “From Hell’s heart I stab at thee!” Gulp.
We humans pride ourselves on our big brains. We never seem to tire of bragging about how our supreme intelligence empowers us to lord over all other animals on the planet. Yet the biological facts don’t quite square with Homo sapiens’ arrogance. The fact is, people do not have the largest brains on the planet, either in absolute size or in proportion to body size. Whales, not people, have the biggest brains of any animal on earth.
Just how smart are whales? Why do they have such big brains? Bigger is not always better; maybe the inflated whale brain is not very sophisticated on a cellular level. We’re closer to answering such questions now, for a couple of recent papers address them squarely. What they find is helping separate fact from fiction.” (artigo integral aqui)
***
Frase preferida no artigo (alusões teleológicas divertidas são permitidas entre darwinistas adultos consentidos):
“Dramatic transformations in physiology and body structure were required to realize the hippo’s dream of roaming supreme in the ocean.“
***
E isto aqui é interessante:
Mark Fisher é um artista californiano com uma paixão por “arte acústica”. Ele tem um site (e também um blog) dedicado a isso. Eis o que ele diz em seu primeiro post, em 2005:
“I do pictures of sounds. For the last five years, pictures of the sounds of whales. Now I’m doing music videos, pictures of the sound of music. And pictures of people’s voices. And pictures of the songs of birds, and so on.“
Como ele mesmo diz, uma das vertentes do seu trabalho é digitalizar sons de cetáceos e trabalhar na sua representação visual, visando chegar a efeitos estéticos interessantes. E também _ é aí que reside o maior interesse _ altamente complexos.
Diz Mark, sobre o seu trabalho com os sons de uma baleia azul:
“Well, simply put, the higher I went in scale with this sound, the clearer the picture got. After analyzing thousands of sounds, I can state categorically that this is a very unusual thing to do. Typically as you went up in scale the image of a sound eventually faded to noise– but the image of the sound of a Blue whale just became more clear! It was puzzling.“
Um exemplo de representação visual dos sons da baleia azul:
(a lista completa está aqui)
***
“A major difficulty in comparing the intelligence of man with that of dolphins is the fact that we have evolved into two such different environments. The so-called “environment factor”, which makes comparisons between even different ethnic groups of men extremely difficult, becomes almost an impenetrable barrier when comparing men and dolphins.”
_ Horace Dobbs in Follow A Wild Dolphin
Sempre gostei da frase de William Churchill segundo a qual “os impérios do futuro serão impérios da mente“. A pergunta é: será que os cetáceos, vivendo em um ambiente tão diferente e não possuindo órgãos manipuladores, possuem uma vida inteligente (ainda que bastante diferente da nossa inteligência), mas puramente mental? Roedy Green, autor de Follow A Wild Dolphin, tem alguns palpites:
“I once asked Dr. John Lilly what he thought dolphins did with their large fore-brains. “Something else“ he replied. I asked if there was any way I could get an inkling of what that “something else” was. He said “Yes, swim with them”. I did. It was “something else”. until you have had that experience you are like a child pontificating on sex.“
Sheldon The Dog Judges My Intelligence
Imagine my beagle/greyhound cross Sheldon (now deceased) trying to judge my intelligence. He would note that I had no ability to remember where bones were buried. He would note I was totally incapable of even detecting when a human or canine female was in heat, even when I was in the same room. I could not jump anywhere near as high as he, or run as fast. He would have no understanding of or appreciation for the long hours I put in front of the computer. He would consider me a pretty pathetic excuse for a creature, were it not for my uncanny ability to beg dog food from the supermarket lady.
Speculation: When you judge whale intelligence by human standards you are doing the same thing.“
Como não podemos entrar na mente de uma baleia, os pesquisadores começaram então a estudar o cérebro dos cetáceos ao nível micro, celular. Eis o que acharam:
“The researchers’ cellular census revealed that the total number of neocortical neurons in the Minke whale was 12.8 billion. This is 13 times that of the rhesus monkey and 500 times more than rats, but only 2/3 that of the human neocortex.
What can account for the fact that whales have bigger brains — and similarly thick neocortexes — but fewer neurons? Eriksen and Pakkenberg found that there were 98.2 billion non-neuronal cells, called glia, in the Minke whale neocortex. This is the highest number of glial cells in neocortex seen in any mammal studied to date. The ratio of neocortical glial cells to neocortical neurons is 7.7 to 1 in Minke whales and only 1.4 to 1 in humans. This finding may indicate a tendency for larger glia/neuron ratios as brain mass increases to support the growing neurons. But when one considers other recent research revealing that glia play an important role in information processing (see “The Other Half of the Brain,” fromn Sci. Am. April 2004), one is left to wonder. Is the whale brain intellectually weaker than the human brain, or just different? They have fewer neurons but more glia, and in traditional views of the glia, the neurons count for much more. But if glia process information too, does the different ratio in Minke whales mean they think not more weakly but just much differently?“
Talvez estudos mais aprofundados, usando ressonância magnética funcional, trouxessem mais luz a esse debate. Como certamente deve ser meio difícil colocar um cetáceo dentro de um aparelho de ressonância magnética, provavelmente isso vai demorar, a menos que você tenha montanhas de dinheiro. Eu disse montanhas de dinheiro?
Enters the Space and Naval Warfare Systems Center, um pessoal que sabe como gastar:
“Functional Imaging of Dolphin Brain Metabolism and Blood Flow
25 MAY 2006Abstract : This report documents the first use of magnetic resonance images (MRls) of living dolphins to register functional brain scans, allowing for the exploration of potential mechanisms of unihemispheric sleep. Diazepam has been shown to induce unihemispheric slow waves (USW), therefore we used functional imaging of dolphins with and without diazepam to observe hemispheric differences in brain metabolism and blood flow. MRIs were used to register functional brain scans with single photon emission computed tomography (SPECT) and positron emission tomography (PET) in trained dolphins. Scans using SPECT revealed unihemispheric blood flow reduction following diazepam doses greater than 0.55mg kg-I for these 180-200 kg animals. Scans using PET revealed hemispheric differences in brain glucose consumption when scans with and without diazepam were compared. The findings suggest that unihemispheric reduction in blood flow and glucose metabolism in the hemisphere showing USW are important features of unihemispheric sleep. Functional scans may also help to elucidate the degree of hemispheric laterality of sensory and motor systems as well as in neurotransmitter or molecular mechanisms of unihemispheric sleep in delphinoid cetaceans. The findings also demonstrate the potential value of functional scans to explore other aspects of dolphin brain physiology as well as pathology.“
Infelizmente, a parte de publicações do site não vai além do ano de 1998. Um site que resume a pesquisa sobre as habilidades cognitivas dos cetáceos informa:
“Research difficulties
Knowledge about the capabilities of the dolphin brain is limited because of major research difficulties. Research of cetacean behaviour in the wild is among the most expensive and difficult to carry out, owing to the nature of the environment they inhabit. There have therefore been relatively few scientific studies of dolphins in the wild, and most direct observations are anecdotal. Studies based on captive dolphins have limits, because it is not clear how natural their behaviour is under those conditions. In addition, the United States Navy has allegedly carried out a substantial amount of research which has not been put in the public domain. The US Navy does acknowledge that its dolphin programme has trained dolphins to search and tag mines and warn of divers approaching installations. Rumours circulate about less benign uses, but these are unsubstantiated.“
***
Um dado interessante da morfologia cerebral dos golfinhos é que eles mostram um padrão de organização bastante diferente de outros mamíferos, e principalmente dos mamíferos que mostram um grau de complexidade cognitiva semelhante _ os primatas, incluindo nós mesmos. Um artigo de Lori Marino, uma pesquisadora de Emory University (hein? hein?) dedicada à cognição em cetáceos (é de sua autoria a pesquisa que determinou a presença de auto-consciência em golfinhos, usando espelhos e marcas corporais), resume:
“The study of cetacean neocortex has been limited to a few species and a subset of neocortical areas. However, there is a certain combination of shared haracteristics that, despite variation across species, can be identified as distinctly cetacean. The cetacean brain has apparently exploited a highly conserved neocortical organizational scheme to evolve an extremely elaborated brain capable of complex cognitive processing. The maintenance of a conservative neocortical theme is thought to be due to the early divergence of cetaceans from other mammal lineages. The large cetacean neocortex represents a striking alternative to the forms of elaboration one sees in other large brains, such as those of primates. For this reason, the cetacean brain is uniquely valuable for revealing the wide range of structural and functional possibilities that the mammalian neocortex can express.” (grifo meu)
Isso é interessante, e me desperta reflexões exobiológicas.
A coisa está feia mesmo.
O Financial Times tem uma seção chamada “Ask the Expert”, onde os leitores podem fazer perguntas a profissionais sobre temas pré-selecionados.
O tema de hoje é: “Essa é a hora certa para fazer um MBA?“
“This month’s worldwide financial volatility has thrown the MBA business into turmoil. Over the past six months applications have been strong and job offers have been flowing in, but it is a brave business school dean who will predict that these trends will continue. Is this the right time to study for an MBA?“
Considerando que a maré baixa é a hora certa para se preparar para a maré cheia, eu até diria que sim. O problema é, em quê?
Da grife Sergio Leo. ![]()
Tio Rei pirou de vez.
Primeiro, ele fez um post sobre a “intolerância dos tolerantes”. Trata-se de um straw man contra a intolerância autoritária daqueles que ele considera “de esquerda”, um libelo construído em cima de…um filme. Sim, o filme “O Último Jantar”, onde um grupo de “liberals” (esquerdistas à americana) chamam direitistas para jantar, discutem questões polêmicas com eles durante a refeição, os envenenam e enterram no quintal.
Bem, não é mesmo preciso ser um observador muito arguto para notar que Tio Rei atravessa a fronteira entre o real e o imaginário com grande facilidade. Mas agora, ao invocar uma obra de ficção como testemunha de acusação, acho que ele se superou.
***
Talvez percebendo a mancada, Tio Rei resolveu achar um exemplo mais concreto:
“Há um episódio da intolerância dos tolerantes que ilustra à perfeição o que quero dizer. No dia 29 de setembro de 2003, o jornalista, poeta e tradutor Nelson Ascher escreveu um artigo sobre o pensamento de Edward Said, o polemista que se dizia refugiado palestino, radicado nos EUA, e que havia morrido dias antes. Ascher concentrou a sua crítica na obra mais famosa de Said: Orientalismo — basicamente, uma coleção de falsas evidências que atribui ao Ocidente a criação do “outro” oriental. Ascher foi duro, sim, mas jamais desrespeitoso. Leiam um trecho do texto (em azul). A íntegra está aqui (link aberto):
Seu “clássico” é uma diatribe confusa, desinformada e raivosa que se resume na aplicação a um caso particular da batida tese genérica de acordo com a qual intelectuais são, em sua maioria, lacaios da classe dominante.“
Etc, etc. (note-se que o texto “duro, mas jamais desrespeitoso” de Ascher chama o texto do outro de “diatribe confusa, desinformada e raivosa” _ não bastasse o fato de ter sido escrita com o cadáver ainda quentinho). A “intolerância” detectada por Tio Rei foi o fato dos esquerdistas terem ido pegar Nelson Ascher de porrada na saída da Folha? Não. Foi o fato dele ser demitido da Folha? Não, ele trabalha lá até hoje. Foi o quê?
“Ah, pra quê! A intolerância dos tolerantes aflorou com uma fúria rara. A malandragem dos “progressistas” se manifestou. Ascher é judeu — e, portanto, estaria proibido de pensar certas coisas só porque ELE ERA ELE — ou ainda: ele NÃO era ele. Deixava de existir como alguém com direito a uma voz e a um texto para ser um JUDEU. Como sujeito “coletivizado”, poderia ter escolhido, segundo a esquerdopatia, ser um PROGRESSISTA ou um REACIONÁRIO, um “judeu da turma do Said” ou um “judeu sionista”. Ascher era, assim, expropriado do seu direito de ser um indivíduo.
Resolveram contestá-lo com artigos, demonstrando, então, que estava errado ou era, vá lá, um sionista delirante? Não! Isso era muito pouco. Fez-se um abaixo-assinado. Sim, isto mesmo: 187 “personalidades”, entre acadêmicos, jornalistas e roqueiros, resolveram acusar Ascher de “racismo” e de se opor aos esforços para celebrar a paz entre palestinos e judeus.“
É isso aí! Esses intolerantes safados perpetraram a indizível violência de ORGANIZAR UM ABAIXO ASSINADO contra as idéias de Ascher. Um absurdo.
Em tempo: ao contrário do que afirma Tio Rei, o manifesto que encima o abaixo assinado não contém uma mísera palavra sobre a etnia de Nelson Ascher.
***
Ser intolerante, para Reinaldo Azevedo, é alguém cometer o erro de acreditar em algo diferente do que ele acredita.
Nas últimas semanas, na esteira da crise das subprimes, vários analistas têm apontado dedos acusadores para os milionários esquemas de remuneração dos executivos das altas finanças. Segundo os críticos, estes esquemas incentivam comportamentos de risco, voltados para o curto prazo.
Pois parece que também há problemas de incentivos errados entre os peixes pequenos. No International Herald Tribune, uma matéria sobre Jerome Kerviel, o operador que detonou o segundo maior banco francês, nos informa que Kerviel parece ter feito o que fez apenas para aumentar seu prestígio como operador e aumentar o seu bônus anual _ as investigações até agora não parecem mostrar que ele tenha auferido algum lucro imediato a partir de suas arrojadas operações.
Kerviel ganhava €100,000, ou cerca de US$147,000, anuais. E ganhou ano passado um bônus (um adicional de produtividade) de cerca de €1,500 _ a despeito de, segundo ele, ter ganho um bilhão e meio de euros para o Societé Generale no mesmo período.
É claro que 12.000 dólares mensais é um bom salário para os padrões brasileiros, mas não é de fato um salário extraordinário na França. Principalmente porque Jerome vivia em um bairro da alta burguesia francesa e, embora sendo um tipo retraído e tímido, devia imaginar que merecia ter um padrão de vida mais adequado.
Abraçando a brisa com suas lágrimas,
límpida, junto ao mar, ela espera.
E o que espera ela? Que o grande céu líquido
se mova, constelações dispostas ao presságio,
ante suas retinas que inteiras se molham?
Que o doce hálito da miragem, desde
a fímbria do Ocidente, venha a sussurrar:
“Está vindo, está vindo…”, é o que ela espera?
Cerrando os olhos, talvez possa ler
os sinais salgados na própria face:
haverá, no sopro oceânico, mensagem?
Esse perfil se esfumando ao longe
é o fruto do trabalho dos seus dias.
Tudo que ela sabe está aqui, condensado
no instante: interrogar os deuses, o Deus,
perder-se. Para que se cumpra o milagre.
Na sua tapeçaria de algas, uma linha prateada
se desmancha no ponto exato
onde o céu se liquefaz:
os nautas lhe chamam “horizonte” .
***
“People are always amazed by how much “free time” I have.
They’re also amazed that I don’t know who Ally McBeal is.
Frankly, I’m amazed that they can’t make the connection.“
— Robert Wenzlaff

Um esclarecimento sobre o post “Califado Apostólico Romano de Olinda e Recife”:
Não estou convencido de que a distribuição gratuita da pílula do dia seguinte no Carnaval seja das melhores idéias que já atravessou as mentes do pessoal da saúde pública. Pelo seguinte motivo: diferentemente da distribuição de camisinhas, ela realmente pode induzir a um aumento das DST’s, inclusive a AIDS.
Pelo seguinte mecanismo: é fato conhecido que, mesmo hoje, muitos homens se recusam a usar camisinha. Uma jovem disposta a agradar esse homem poderá, então, anuir ao seu desejo, achando que pelo menos não correrá o risco de engravidar, graças à pilula do dia seguinte. O que é verdade, mas não significa que ela não possa ser contaminada por uma DST _ coisa que a pílula, diferentemente da camisinha, não tem o poder de evitar.
Claro que em um mundo ideal, onde as pessoas já estivessem suficientemente conscientizadas sobre a necessidade de se proteger contra as DST’s, a distribuição das pílulas poderia de fato ser de alguma utilidade. Duvido, porém, que seja este o caso do carnaval pernambucano.
Por outro lado, minhas razões para um certo ceticismo quanto à razoabilidade da medida nada têm a ver com os motivos, consideravelmente mais retrógrados, da Arquidiocese de Olinda e Recife para ir à justiça contra as Prefeituras.
No The Big Picture, uma discussão sobre otimismo ou pessimismo nos mercados financeiros. O blogueiro comenta uma matéria do The Times crítica aos blogueiros tidos como “bearish”, pessimistas, baseada em um post chamado “Why are Financial Blogs so Bearish?” . E então o blogueiro do BP se sai com esta:
“That post reminds me of this The Daily Show exchange:
Rob Corddry: How does one report the facts in an unbiased way when the facts themselves are biased?
Jon Stewart: I’m sorry, Rob, did you say the facts are biased?
Rob Corddry: That’s right Jon. From the names of our fallen soldiers to the gradual withdrawal of our allies to the growing insurgency, it’s become all too clear that facts in Iraq have an anti-Bush agenda.“
É por essas e outras que eu amo blogs.

Bloco carnavalesco da Arquidiocese de Olinda e Recife
Deu no Globo:
“Pílula do dia seguinte gera crise entre Prefeitura de Recife e a igreja
RECIFE - Polêmica em Recife. A prefeitura da capital resiste à pressão da Igreja Católica e informa que vai manter a iniciativa de disponiblizar a pílula do dia seguinte para mulheres que tenham mantido relações sexuais durante o carnaval sem camisinha ou que tenham sofrido estupro. Duas prefeituras de Pernambuco vão distribuir o medicamento, mas a Pastoral de Saúde da Arquidiocese de Olinda e Recife considera a medida promíscua, quer vetá-la e promete ir até à justiça se as autoridades não desistirem da iniciativa. A Pastoral tem reunião programada para a tarde desta quarta-feira para voltar a discutir o assunto.“
E mais:
“- É uma decisão criminosa porque fere todos os princípios de defesa da vida e da sua concepção. A gente entende que a vida tem início a partir da fecundação. A prefeitura tem que orientar a população a não tomar esse caminho de cultura da morte - disse Vandson Holanda, da Pastoral da Saúde.“
***
Acho que chega daquele discursinho safado de que a Igreja quer apenas orientar os seus fiés, tão caro a anaeróbicos carolas. É evidente que a Arquidiocese de Olinda e Recife tem dificuldade de conviver com um Estado laico, que não aceita suas opiniões como ordem divina e natural das coisas. A Arquidiocese de Olinda e Recife gostaria de ver triunfar a lei de Deus em Pernambuco, o que é a mesma coisa que dizer que ela gostaria de uma sharia só pra ela.
(clique para ampliar)
Hoje no Correio Braziliense, uma matéria sobre a nova sede da Polícia Federal. A sede da autarquia deixará o prédio que hoje a abriga (conhecido em Brasília como o “Máscara Negra”, tristemente famoso no tempo do regime militar) e aportará em um novo complexo constituído por 4 torres de 17 andares. A matéria não traz o quanto custará a novidade.
Bem, tudo bem, não serei eu a discutir que organizações como a PF precisam de fato de boas condições de trabalho, instalações condizentes, etc. A reportagem diz que no complexo haverá um estande de tiro, salas de treinamento, academia de ginástica e musculação, aulas de defesa pessoal etc.
O que me deixou pasmo foi o seguinte. As quatro torres terão nomes retirados da mitologia grega. A primeira se chamará Athena, representando a sabedoria, e abrigará o gabinete do diretor geral e das demais diretorias. A segunda, Ícaro, representará a ousadia e a coragem e será ocupada pela área-meio. A terceira será batizada de Artemis, a deusa da caça, representando “a atitude incasável da perseguição criminal”, abrigará os departamentos operacionais. Finalmente, a quarta torre abrigará as áreas de investigação e inteligência, e se chamará…Aquiles (sic).
O que mostra, penso, que o calcanhar de Aquiles da Polícia Federal continua sendo o seu departamento de criação.

Tag cloud do FYI
Sabem, o Paulo do FYI é um sujeito engraçado.
Em 2006 ele escreveu um post intitulado 5 coisas que eu não entendo onde um dos desentendimentos dele era o seguinte:
“1 - Ateus (de blogueiros à cientistas) que se preocupam com qualquer religião.“
Bem, isso é interessante.
O Paulo é um simpatizante do Objetivismo randiano e é declaradamente um right-winger (ainda que da variedade perna-de-pau). Mora nos EUA e tem um blog chamado For Your Information cuja razão de ser, segundo ele mesmo, é:
“(…) just to list recent news/articles I’ve read for later reference. Another goal was to share those with whoever was interested. But that was it.“
Nesse caso parece curioso que as tags que apareçam com maior destaque em sua tag cloud sejam, justamente, “Brazil” e “left-wing“. Isso me parece muito semelhante ao caso de um ateu que não pára de falar de religião.
Afinal, em setembro de 2006, por razões de “time management“, Paulo tomou as seguintes decisões:
“- Turn off comments: Most of the posts are not a question (for posts that are indeed questions I will enable it). I do try to find alternative point of views for all matters, but I noticed that the (few) people who actually respond a blog post are not interested in debate. They are interested in proving you wrong. That is a huge waste of time. More on that in a later post.
- Write posts in English: I know this will alienate most of the people who come here, but at this point it seems like a good trade-off. I waste enormous amounts of time revising and “acentuando”.
- Get less involved in other blog’s discussions: This is basically point 1 applied to other people’s sites.“
Quem vê o blog dele hoje percebe que ele só conseguiu se manter (mais ou menos) fiel a uma dessas decisões. Vai ver ele ganhou mais tempo livre, sei lá. Mas eu sempre suspeitei que essas medidas foram apenas um ato preventivo para algo que estava por vir e que Paulo não conseguia suportar. Ele é assim, sabem.
***
Em seu último post ele tece algumas reflexões sobre a recente declaração de George Soros de que a atual crise seria a pior em 60 anos. Infiel à sua decisão de “get less involved in other blog’s discussions“, ele citou este post meu. Como um ateu que não consegue parar de falar em religião, o Paulo não consegue parar de criticar quem não compartilha de sua visão de mundo. Ótimo: acho isso muito humano. Quem sabe ele pare de se achar tão olímpico, doravante.
Na caixa de comentários do post que ele citou, ele mesmo chegou a comparar Soros a Fidel e Chavez, alcunhando-o, ainda, como uma das pessoas “mais declaradamente left-wing do mundo” (sic). Isso porque o homem mantém uma fundação de caráter intimamente popperiano chamada, claro, “Open Society”, e teve um papel importante na queda do muro, dando dinheiro a rodo para Lech Walesa e seu sindicato Solidariedade.
O problema do Paulo é que ele é realmente incapaz de análises que precisem de certa sofisticação. Claro, Paulo não gosta de Soros porque Soros não gosta de Bush. Mas há maneiras e maneiras de não gostar de alguém, e a razão pela qual Soros não gosta de Bush não é das mais esquerdistas possíveis, como se pode ver neste perfil do homem:
“So why is he so upset with Bush? The answer is simple. Soros is angry not with Bush’s aims - of extending Pax Americana and making the world safe for global capitalists like himself - but with the crass and blundering way Bush is going about it. By making US ambitions so clear, the Bush gang has committed the cardinal sin of giving the game away. For years, Soros and his NGOs have gone about their work extending the boundaries of the “free world” so skilfully that hardly anyone noticed. Now a Texan redneck and a gang of overzealous neo-cons have blown it.“
É a mesma falta de sofisticação que impede Paulo de ver o que Soros queria dizer quando afirmou que vivemos a pior crise em 60 anos. Paulo deixa claro e transparente que está pensando no curto prazo; pergunta-se qual o motivo de tanta preocupação, quando o crash de 87 deu um tombo maior no mercado do que o havido até agora, etc. Só que Soros não está olhando para o curto prazo. Ele está identificando uma mudança de estado de fase no capitalismo mundial, com o fim de uma era de crédito fácil em cima da bolha consumista americana e do poder do dólar (com as agências de rating, por exemplo, em pandarecos). E, bem, muita gente boa está nessa.
***
Gostaria de fechar com Paulo de 2008 comentando o Paulo de 2004. O Paulo de 2008 diz isso aqui, no mesmo post referido aí em cima:
“It is somewhat ironic to remember that this whole subprime issue became polemic when congress a few years ago forced lenders to not “discriminate” against people with bad credit.“
Já o Paulo de 2004 dizia o seguinte, em um post intitulado, vade retro, “o que falta na economia brasileira“:
“Os EUA oferecem vários outros bons exemplos do que poderia ser feito. Poderia se criar um mercado secundário de hipotecas (é o que faz a empresa que trabalho por aqui, a segunda maior instituição financeira dos EUA)“
Paulo poderia ser um pouquinho mais honesto, portanto, e reconhecer de vez que a origem da cagada foi mesmo a desregulamentação federal (cortesia do Great Old Party) , como por exemplo o fato de uma agência federal do governo Bush, a pedido dos bancos norte-americanos, ter resolvido proibir os estados de construírem legislação dificultando o desenvolvimento de um mercado secundário em cima de créditos podres.
Nessas horas é melhor parecer um Chicken Little do que cantar de galo e ir parar na panela.
Soylent Green passou hoje, no TCM, um canal na Sky. O nome em português é “No Mundo de 2020“. É o mesmo título com que o filme passou no cinema, no Brasil; na época _ o filme é de 73, deve ter estreado no Brasil em 73 ou74 _ eu ainda não tinha idade para ver (a Censura Federal não deixava) e portanto, embora eu conhecesse a história, realmente jamais havia visto o filme.
Eis a sinopse oferecida pela Sky:
“No ano de 2022, a população da Terra vive em desespero. Alimentos naturais como frutas, vegetais e carne estão agora extintas. O planeta está superlotado e a cidade de Nova York está tomada por 40 milhões de pessoas famintas e miseráveis. A única forma de sobrevivência é a água, racionada, e uma comida misteriosa chamada Soylent.
Um detetive investiga o assassinato do presidente da companhia que fornece o Soylent. A verdade que ele descobre é perturbadora, e o caos na Terra aumenta quando vem à tona o ingrediente secreto do tal alimento.“
***
Interessante como o filme, apesar de sua mensagem distópica, parece menos moderno em sua execução do que outras produções anteriores a ele, como por exemplo “Planeta dos Macacos”, que é de 1968 _ tanto em termos dos efeitos especiais como da própria condução da direção, os planos e tomadas, etc.
Em todo caso vale a pena ver. É uma relíquia da década de 70. Cacem-no no TCM, deve passar de novo.
A discussão continua; Rafael M treplicou no Idelber e no blog dele, eu respondi no Idelber e transcrevo aqui:
“Muito bons argumentos, Rafael M. Vamos lá:
a) Você foi ao ponto: no espírito da gestão moderna, esta é uma discussão que sem dúvida traz à baila o assunto “relação custo/benefício”. O próprio conceito de “custo/benefício” é um tanto controverso nas ciências sociais (menos, é claro, na Economia), mas vamos por agora adotar uma postura benevolente para com a técnica. Problema: entra aí o Princípio Precaucionário. Há muitas formas de enunciá-lo, mas a mais comum é esta: se existe uma ação, ou política, cuja adoção pode significar um dano irreparável à comunidade, o ônus da prova de que esse risco é inexistente está com os proponentes da ação e não com seus opositores.
O Princípio, é lógico, causa uma controvérsia por si só no mundo dos tomadores de decisão; por isso, por enquanto, a não ser que provocado, vou deixar a coisa nesse pé. Só aduzo que mesmo intelectuais públicos insuspeitos de “progressismo”, como o Juiz Richard Posner, tido com um dos criadores da law&economics, acham o seguinte:
“Question: … Nothing in the Constitution does (or could) provide a guarantee of safety. I suspect that I am statistically much more at risk of being run over by a car than of being killed by a terrorist (even though I live within five miles of the White House). Should the government ban all automobiles to protect me?
Richard Posner: If your premise were correct, your conclusion would follow. But how do you know you’re at less risk of being killed by a terrorist than being run down by a car? The risk in the sense of probability of being killed by a nuclear bomb attack on Washington, a dirty-bomb attack, an attack using bioengineered smallpox virus, a sarin attack on the Washington Metro (do you ever take the metro?), etc., etc., cannot be quantified. That doesn’t mean it’s small. For all we know, it’s great. Better safe than sorry.”
“Better safe than sorry” é uma das leituras possíveis do princípio precaucionário (embora em seu livro Catastrophe:Risk and Evidence Posner não admita que usa o princípio, mas uma variante moderada que preserva o núcleo da análise custo/benefício _ apenas, com a “aversão ao risco” inteiramente assumida).
Bem, eu acho que sendo a raça humana uma espécie totalmente social e dependente da ação coordenada e da interação social para sobreviver enquanto espécie, qualquer tecnologia que altere radicalmente os termos da interação dentro dos grupamentos humanos pode ser equiparada a uma catástrofe. E nesse caso acho que o princípio precaucionário tem validade total.
b) Incidentalmente, acho que sua avaliação do custo do controle social da pesquisa está chutadíssimo para o alto. Ele seria, provavelmente, uma fração insignicante do próprio custo da pesquisa - até porque poderia se beneficiar de efeitos de escala.
c) Sua consulta ao Proquest foi prejudicada pelo fato de que poucos pesquisadores dignos de ser chamados assim submeteriam um projeto de pesquisa com o nome “Neuromarketing” a um agente financiador público (que é responsável pela maior parte da pesquisa básica e não-protegida ou secreta). Você teria muito mais êxito utilizando outros termos, tais como “neuroeconomics”. “Neuromarketing“, por exemplo, produz 325 hits no Google Scholar, contra 1490 de “Neuroeconomics“. Para não falarmos de outros termos que poderiam ser usados; “neural correlates” mais “moral reasoning” traz mais 189 resultados, por exemplo.”

Bondage, James Bondage
Uma explicação para o título do novo filme, a que me referi em outro post:
“The crux of the story is the emotional phenomenon the Governor calls the Quantum of Solace, the smallest unit of human compassion that two people can have. As long as that compassion exists, people can survive, but when it is gone, when your partner no longer cares about your essential humanity, the relationship is over.“
Um blog só para peer-reviewing:
“About
Do you like to read about new developments in science and other fields? Are you tired of “science by press release”? Research Blogging is your place. Research Blogging allows readers to easily find blog posts about serious peer-reviewed research, instead of just news reports and press releases.“
Deu no Globo:
“Menina australiana troca de tipo sangüíneo após transplante de fígado
Uma garota australiana teve seu tipo sangüíneo alterado após um transplante de fígado, o que, segundo os médicos, é um caso inédito na literatura científica e poderá ajudar, no futuro, a combater a rejeição de órgãos transplantados.
Demi-Lee Brennan tinha 9 anos e estava seriamente doente, com falência do fígado, quando recebeu o transplante. Nove meses depois, os médicos descobriram que ela tinha trocado de tipo sangüíneo, e seu sistema imunológico agora era igual ao do doador do fígado que ela recebeu. Aparentemente, isso aconteceu depois que células-tronco de seu novo fígado migraram para sua medula óssea.(…) “
O que não deixa de ser um tipo de vampirismo.
Tio Rei tem um post chamado “Um caso escandaloso de infiltração na Igreja Católica“. É um dos seus posts-denúncia, e no caso as vítimas são o CDD (a ONG “Católicas pelo Direito de Decidir”) e o ex-padre Nelson Tyski. O barraco é o seguinte: segundo Tio Rei, o CDD conseguiu inserir uma mensagem em um DVD da CNBB sobre a Campanha da Fraternidade deste ano. E embora segundo Reinaldo a campanha, intitulada “Fraternidade e Defesa da Vida”, seja anti-aborto, a mensagem (de cinco minutos) do CDD no DVD é pró-escolha.
O interessante é que ele faz uma escolha bastante criteriosa dos trechos do texto-base da Campanha (que ele defende) para colocar em seu post. São eles:
“Lêem-se coisas como:
- Com o individualismo, o utilitarismo e o desenvolvimento científico, novas violações à vida não só são praticadas, mas consideradas lícitas e até desejáveis.
- A consciência tem cada vez mais dificuldade em perceber a distinção entre o bem e o mal .
- No aborto, uma nova vida torna-se sinal de desesperança. Na eutanásia, matar é visto como ato de amor.
- Quem defenderá a justiça e o bem comum quando não se tiver mais a noção do que é o bem e do que é o mal?
Ou ainda:
- Numa visão tecnicista em relação à vida sexual e afetiva, as técnicas contraceptivas definem as condutas sexuais:
- Para uns a liberdade sexual e o controle da natalidade acontecem com o uso de preservativos, o aborto, etc.
- Outros atribuem à propaganda e ao uso de tais métodos a desordem afetivo-sexual da atualidade.
- Nessa perspectiva, o problema fica reduzido à questão da informação e distribuição dos recursos contraceptivos.
- Para quem tem uma visão não-tecnicista, o problema reside na correta compreensão da relação entre afetividade e sexualidade. O problema central passa a ser o da educação para uma vida afetivo-sexual integral.“
No que escolhe ignorar trechos como:
“Em nossa sociedade, uma das principais estratégias de dominação é fazer com que não olhemos para nós mesmos com realismo.
O poder quer que pensemos que nossos desejos e necessidades são aqueles determinados pela mídia e repetidos pela maioria.
Desejo de felicidade: uma experiência unitária e apaixonada que engloba toda a realidade.
A dominação na sociedade burguesa procura fragmentar essa experiência unitária, pulverizando-a em necessidades particulares.
Dois contra-valores básicos:
Autonomia individualista.
Êxito individual.
Em função desses contra-valores, a pessoa tem uma dificuldade cada vez maior de olhar o outro, cultivar o afeto e a solidariedade.
Pessoas e coisas passam a ter valor apenas enquanto nos servem. Os outros passam a ser descartados quando não nos interessam mais.
A partir daí crescem outros contra-valores, como o consumismo, o materialismo, o imediatismo, etc.“
Ele escolhe ignorá-los porque, evidentemente, se não o fizesse teria sérios problemas não só para compatibilizar sua fé livremercadista com sua fé religiosa ( já que, como “reservoir dog” da Veja, fica meio difícil para ele ter que admitir as últimas consequências do drive medieval da fé que pretende abraçar) como também para justificar seus ataques a um certo petismo que usa teses muito parecidas à da CNBB pró-vida.
Mas digrido. O que é realmente interessante é que lá pelo final do post Tio Rei dá um “furo de reportagem”:
“As “católicas” do tal CDD não se meteram no vídeo à revelia, não. Segundo o que consta em um grupo de discussão que abriram no Yahoo, com troca pública de mensagens, elas foram convidadas a participar.
No dia 12 de setembro, Dulce escrevia:
Companheiras,
Em anexo o texto da CF 2008. O Nelson - da Verbo Filmes - quer nos incluir num vídeo que eles vão fazer sobre o tema da CF. Vou ligar para saber mais sobre o vídeo, qual vai ser o roteiro - se terá perguntas, quais, etc. e que condições teremos de acompanhara produção do mesmo para saber o que vai ser editado da nossa fala. Vou repassando estas conversas, certo?
Dulce
No dia 17 de setembro, outra mensagem:
Meninas,
Lembram que eu falei sobre a nossa participação num vídeo sobre a CF 2008 da Verbo Filmes ??? Pois é, o Nelson está solicitando quando podemos fazer isso. Isso deve levar no mínimo uma hora. Conversei com a Zeca e a Yury e elas acham que é importante CDD participar. Quem poderia dar um depoimento? Precisamos definir quem e ver a disponibilidade de tempo. O que acham?
Dulce
Quem é o “Nelson”? É o ex-padre Nelson Tyski. Ele deixou o sacerdócio e trabalha na Verbo Filmes, que, atenção!, pertence à Congregação do Verbo Divino — e, pois, à própria Igreja Católica. O trabalho de Bento 16 é bem mais árduo do que parece. E temo que ele, embora brilhante, esteja sendo lento e condescendente.“
Ele teria sido mais honesto se dissesse qual a fonte real dessa informação. É o Mídia Sem Máscara que, por sua vez, chupou a história de um blog intitulado “O Possível e o Extraordinário“, de autoria de um certo Wagner Moura.
Coisa feia, Tio Rei, chupar matéria alheia sem dar o crédito.
***
Mas a coisa não pára aí.
Em seu post, Tio Rei vem com aquela desculpa de praxe do conservadorismo católico:
“Pois bem. Ninguém é obrigado é ser católico. Todo indivíduo, nas democracias, têm o direito de decidir.“
É a aquele velho papo para boi dormir de que o discurso retrógrado da Igreja se dirige apenas ao seu rebanho.
Mas vamos dar uma olhada mais de perto na presumida inocência dessa afirmação.
O autor do blog “O Possível e o Extraordinário” aparentemente é vinculado à Renovação Carismática. Ele é fã de uma estrela emergente desse movimento, o líder carismático Ironi Spuldaro. Em um post especial para Spuldaro, Wagner Moura afirma:
“Ele enfrentou políticos. Ironi Spuldaro já declarou publicamente qual a alternativa para livrar o Brasil dos políticos corruptos.“
Sabidamente um blogueiro curioso, fui checar o link pois gostaria de conhecer a receita de Spuldaro para livrar o Brasil de políticos corruptos. Eis a pista:
“O Ministro da Saúde disse que o aborto é muito mais que questão de saúde, é uma questão de doença. Só que muito mais que cuidar dessa saúde, nós deveríamos abortar os políticos que enchem de corrupção o nosso país; abortar os traficantes que estão matando nossos filhos.
Ironi fez um apelo ao povo, convidando todo eleitor a ficar atento na hora de votar, seja para prefeito, deputado ou presidente. Todo cristão batizado, antes de votar, deve procurar saber se o seu candidato é contra ou a favor do aborto. “Se ele for a favor, você vai abortá-lo da carreira política”, completou o pregador.“
Francamente: até aí tudo bem. O pastor está pregando para o seu rebanho, e desde que ele não esteja utilizando o neuromarketing, cada um segue as palavras que lhe convém. Porém o finalzinho do texto contém palavras um pouco mais ameaçadoras:
“A marcha do exército de Cristo
No encerramento da primeira pregação, todo o povo se levantou e começou a marchar, como um grande exército, assim como o po



