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Bicho Encontrado no Quintal

É automático: você entra em qualquer lugar modernette, e os antenados e antenadas estão inevitavelmente lá, mostrando uns aos outros as telas de seus iPhones.  Eu achava que era o único que me incomodava com isso.  Ledo engano:

I admit it: I’m a bigot. A hopeless bigot at that: I know my particular prejudice is absurd, but I just can’t control it. It’s Apple. I don’t like Apple products. And the better-designed and more ubiquitous they become, the more I dislike them. I blame the customers. Awful people. Awful. Stop showing me your iPhone. Stop stroking your Macbook. Stop telling me to get one.

Embora eu não ache que empregados da Microsoft, em especial os mais entusiastas, concordarão com isto:

I know Windows is awful. Everyone knows Windows is awful. Windows is like the faint smell of piss in a subway: it’s there, and there’s nothing you can do about it. It’s grim, it’s slow, everything’s badly designed and nothing works properly: using Windows is like living in a communist bloc nation circa 1981. And I wouldn’t change it for the world, because I’m an abject bloody idiot and I hate myself, and this is what I deserve: to be sentenced to Windows for life.”

Se alguém aí já visitou o Mercado Modelo em Salvador, sabe que no subsolo do prédio existe uma ampla galeria com um espelho d´água.  Em reforma recente, acrescentaram pisos de concreto.  O interesse histórico ali, dizem, é que antigamente aquele era o local onde se comercializavam escravos, vindos diretamente da África e aportados ali por canoas vindas dos navios negreiros ancorados na Baía de Todos os Santos (*).

Alguma boa alma, preocupada com a saúde e bem estar dos turistas, afixou sobre o espelho d´água o seguinte cartaz:

watercare

A intenção é boa, mas periga de acontecer o contrário, e algum gringo ou gringa se jogar ali buscando um benfazejo e estimulante “water care” para a pele..ou então achar que se trata de um sistema primitivo de preservação da água.

Cortesia da Prefeitura de Salvador, que, dizem, mantém o prédio…

***

Mais à frente, já no Pelô, havia uma carrocinha vendendo côco gelado, ou no dialeto do inglês falado em Salvador, “Coconut Ice”.

(*) Encontrei tanto a versão de que o prédio foi construído em 1861 para abrigar a Alfândega da cidade, quanto a de que teria sido inaugurado em 1912.  Claro que só uma das versões abrigaria a história dos escravos.  Uma história ainda mais confusa pode ser encontrada aqui. Ou aqui.  O site da Receita Federal, porém, esclarece tudo: existiu um Mercado Modelo construído em 1912 que foi destruído, passando então a abrigar-se no prédio da Alfândega, este sim construído entre 1849 e 1861.  Agora, se a história dos escravos é verdadeira, não sei.  O site da Secretaria de Turismo de Salvadordiz apenas que durante as reformas em 1983 descobriram o subsolo, que era usado para guardar vinhos, classificando como “lenda” a história dos escravos.

Tenho um quadcore há seis meses.  Intermitentemente ele apresenta uma certa instabilidade.  Hoje eu resolvi encarar o negócio a sério e depois de investigar o significado de algumas mensagens de erro, descobri que poderia ser um problema na memória.

Rodei o memtest e o veredicto foi o seguinte:  com apenas 10% de cobertura, eu já tinha colecionado 26 erros de memória.  E isso só no primeiro teste do memtest.

Detalhe: a motherboard é Intel.

Charles Fernando é um jovem conservador evangélico.  Não o conheço pessoalmente, mas seu blog mostra que ele compra o pacote completo, incluindo o selinho do “True Outspeak”.

Pois bem:

Precisamos de mais alunos como os da UniBAN!

Posted by Charles Fernando under Posts | Tags: uniban |

1 Comment

O título acima já prova que não estou tentando ser popular e principalmente ser agradável ao mainstream, não gosto do comportamento de manada nem da opinião induzida, por isso fui buscar provas com sinceridade em duvidar nas absurdas e não provadas acusações de que os alunos da UniBan vem sofrendo em nome da moral de puteiro, no qual toda moça tem o direito de usar mini-saia onde bem entende.

A dúvida nasceu da própria assertiva de que os alunos a quiseram estuprar em público pela moça estar provocando eles. Sim, ao contrário do que se entende, vários depoimentos (Que irei citar sem retoques) mostram que ela provocou diretamente o caso. Você pode imaginar em um relance esses alunos estando tão afobados que se transformaram em atores pornôs praticamente instantaneamente mesmo com tantas moças em sua volta para assistir? Acredita que uma porta trancada iria fazer frente a uma turba em busca de cometer um crime? Portas trancadas não aguentam nem os grevistas da USP, quanto mais a libido reprimida pela religião (sim, a culpa é sempre nossa, acredito piamente que esses alunos não tem uma ponta do ateísmo iluminado para barrar a sua moralidade violenta, um ateu não pode ser contra moças de mini-saias em um ambiente de estudos).

Duvidei, e busquei depoimentos de alunos nos vídeos e blogs que comentaram o assunto, são eles:

Desculpe, mas a noticia está errada => http://g1.globo.com/Noticias/SaoPaulo/0,,MUL1358779-5605,00-ALUNA+COM+POUCA+ROUPA+PROVOCA+TUMULTO+EM+UNIVERSIDADE+E+VIDEO+CAI+NA+WEB.html <=

uma colega minha estuda na UNIBAN, na sala ao lado da garota, e ela afirmou que não houve “tentativa de estupro”, oq houve foi um bando de marmanjos xingando a menina pela forma que ela estava vestida. E afirmou também que a menina ficava se insinuando na frente das outras salas.

Ótimo, e de acordo com outro depoimento no mesmo blog.

Aqui, é muita mentira esta onda de q os alunos iam estuprar a garota. Isto não existiu… Eu estava lá!!!! Estávamos gritando PUTA! PUTA! PUTA!, e ESTUPRA!, ESTUPRA!, ESTUPRA! só de ZOAÇÃO, só de GOZAÇÃO!! Até parece q alguém iria estuprar uma mina no meio de uma universidade com todo mundo vendo!!! Até parece!! Fazer isto seria certeza de ser preso e destruir sua vida!! Ninguém iria fazer isto só porque uma destrambelhada resolveu ir pra aula com uma roupa inadequada. Destruir sua própria vida apenas porque uma mina resolveu ir pra aula mostrando sua bunda e outras partes íntimas seria demais!!!

E esta mina já é conhecida na UNIBAN de outros carnavais… Não é nenhuma santinha q de repente resolveu vestir uma roupa mais ousada!!! Ela sempre se veste de forma a provocar os outros!!

Aquela velha lição q nossa vó nos ensinou vale aqui: se queremos ser respeitados, devemos nos respeitar primeiro. E não foi isto q aconteceu, a mina não se respeitava, então os outros não a respeitaram!!!

Um comentário do vídeo:

Eu estudo lá. A mina ia subindo a rampa e os caras mexiam, daí ela olhava pra trás, jogava o cabelo pro lado, ajeitava o vestido, e ia caminhando rebolando. Subiu, e lá de cima provocava. E não é a 1ª vez isso, só q da outra vez (1 dia antes) não chamaram a polícia, pq ela estava mais comportada.

Então, não há prova sequer que estes alunos encostaram na moça, eu duvido muito disso! E muitos os reprovaram por não permitir uma roupa inadequada ao ambiente de estudo. Mas e o Quico? Por acaso eles são obrigados a aceitar o comportamento da moça só porque os moderninhos politicamente corretos querem? Onde está a liberdade deles de reprovarem a roupa dela assim como ela tem a liberdade de usar o que bem entender desde que em lugar apropriado? Ou eles são obrigados a engolir o desrespeito com a Universidade?

Nos ataques contra os alunos ouvi absurdos do tipo:

“O título do video está errado. O certo deveria ser: Animais humilham liberdade de expressão”

Outro sequer percebe a idiotice de que se está falando:

Por fim, vao ter que emitir a assustadora opiniao de que ninguem pode usar um maio numa universidade, por ser indecente!”

Foram retirados do blog e do vídeo, mas imagina você aluna, você tem todo o direito de ir de maiô na universidade e ninguém pode falar nada…. o indecente é ser decente! No Brasil, o moralista fariseu é o cara que fala mal do Carnaval e do funk, defende a pouca veste nas universidades… e depois chama os religiosos de hipócritas.. haja trave!

Os alunos podem ter errado? Sim… eles admitem isso, admitem também que pouco estavam se importando que esse assunto ia parar na internet e nas mãos dos politicamentes corretos sentirem-se com a consciência mais leve acusando terceiros. Mas se não ocorreu estupro como baseio-me acima para não acreditar nesse absurdo, parabéns aos alunos da UniBAN, que não permite que seu ambiente de ensino seja maculado com as vicitudes de outros ambientes, e isso não é apenas institucional que não pode controlar tudo, é na raíz da UniBAN, os alunos realmente estavam engajados em expulsar a moça de lá independente de uma autoridade universitária, nada mais libertário que não necessitar da aprovação de terceiros para se fazer o que é certo. Eles entenderam o que significa ser um watchdog, um vigia da liberdade que só pode existir com uma moral responsável e madura não imposta, e ninguém impôs moral a esses alunos, exceto o #mimimi da internet. Meu amigo católico dizia que se pode ser conservador e conservar qualquer coisa, ele estava certo. O que há no Brasil são conservadores dos maus costumes e da imoralidade.” [grifos meus]

***

É vem verdade que ele depois lamenta seu isolamento:

Fora o apoio do Julio Bueno, meu amigo Filipe Garcia (Muito conhecedor de Chesterton) não emitiu opinião, não tive apoio nenhum do Reinaldo Azevedo, da comunidade do Olavo de Carvalho e de muitos cristãos conservadores.. eu devo ter me tornado um extremista mesmo… cabe eu e o Julio convivermos na Alcatraz moral junto com os orangos do TaliBan… a ditadura da sexualidade livre é irresistível, só uns poucos não cairam na sedução da mini-saia.

Agora mesmo estive conversando com a Lucilene Soares no twitter, e ela disse bem que nas nossas igrejas as moças se vestem pior… sim, é verdade… e infelizmente quem está do lado de fora e não compartilha de nossa fé consegue enxergar isso melhor do que quem está dentro.”

Essa questão aliás é interessante, e volto a ela.

***

OK, eu admito a existência de uma clivagem entre a direita de talhe economicista e a direita mais preocupada com a questão dos valores, conservadora do ponto de vista social.  Também admito que essas duas vertentes às vezes não se bicam, como mostrou o vitupério entre Olavo de Carvalho e Rodrigo Constantino.

Minha bronca com Reinaldo Azevedo no episódio da Geisy Arruda é que ele está jogando para a platéia.   Porque Tio Rei, pelo menos enquanto “persona” política, é claramente muito mais um representante da direita socialmente conservadora do que propriamente um titã do livre mercado.  Digo isto porque ele, em seus posts, faz muito mais o papel do campeão dos valores conservadores do que de um campeão do livre mercado _ algo que por sinal seu apoio a Serra deveria ensinar aos seus discípulos.

O menino aí pelo menos está na dele.  Discordo totalmente, mas ele ao menos está sendo sincero.

Já Tio Rei, em um longo post “em defesa” da Geisy Arruda, após usa expulsão da Uniban, nos apresenta o seguinte comentário:

Eis o problema

Disse lá no alto: há o sintoma, e há a doença. A doença está na expansão de uma universidade sem vida universitária; de uma universidade que não consegue plasmar valores  que ao menos debatam e questionem o ambiente intelectualmente acanhado de onde provém a nova “clientela” — essa palavra é boa — que usa esse “serviço”. Ela chega ao terceiro grau em razão do farto financiamento público e do barateamento dos cursos — no sentido mais amplo, geral e irrestrito do “barateamento”.

Alguns bocós falam de boca cheia em “democratização” da universidade. Confunde-se “democratização” com vulgarização — que é mais ou menos como confundir “povo” com “vulgo”. Que “universidade” é essa incapaz de transmitir a seus alunos o princípio básico do respeito ao outro — ou, se quiserem, da reação proporcional àquilo que se julgou, então, “desrespeito” do outro? Ao jogar a reputação e o destino de Geisy na arena — aliás, a Uniban lembra mesmo uma arena romana —, que exemplo moral a direção da universidade dá aos alunos? O tal Machado parece não deixar muitas dúvidas de que ele está dando uma satisfação apenas à clientela. Agora já sabemos: na Uniban, ser “insinuante” e “rebolar”, se a turba se exaltar, pode resultar em expulsão. Ameaçar alguém com linchamento e estupro não dá em nada; ao contrário até: parece ser essa uma reação considerada legítima.

(…)

E que se note: exceção feita às profissões que ponham a vida de terceiros em risco, pouco se me dá que essas coisas prosperem por aí. Se há quem queira comprar e quem queira vender — e se o mercado absorve esses profissionais —, virem-se. Garçom administrador de empresas é melhor do que garçom garçom? Não necessariamente — talvez faça bem à sua auto-estima, sei lá. Agora, quando dinheiro público entra na jogada — e o ProUni, por exemplo, é dinheiro público —, aí essas instituições têm de prestar contas do que fazem, sim. E a relação deixa de ser privada do comerciante com o cliente; aí passa a ser uma questão de estado. E o governo tem sido, obviamente, relapso com esse setor da economia. O país inventou uma universidade que não universaliza, mas amesquinha o espírito.”

É mesmo?  Nesse caso ele deveria se perguntar o que o partido do seu candidato tem a ver com isto. Pois a IstoÉ de fevereiro  de 2000 tem algo a acrescentar neste aspecto, em uma matéria pitorescamente intitulada “A Guerra do Canudo“:

O ensino universitário privado no Brasil é um mercado de 1.015 cursos com 1,5 milhão de estudantes, faturamento anual estimado em R$ 5 bilhões e planos para dobrar de tamanho nos próximos quatro anos. Só em 1999, a Câmara de Educação Superior do Conselho Nacional de Educação (CNE) autorizou a abertura de 517 novos cursos País afora, a grande maioria particulares. Esse acelerado aumento de vagas poderia ser apenas uma boa notícia aos milhões de estudantes que pretendem uma melhor qualificação para enfrentar um estreito e cada vez mais exigente mercado de trabalho. A concorrência nesse lucrativo negócio, porém, se transformou numa verdadeira guerra com troca de denúncias entre grandes empresas educacionais que atingem também o CNE e o Ministério da Educação. A Polícia Federal está investigando desde o ano passado uma denúncia de falsificação de pareceres. O caso veio à tona quando o próprio dono da Faculdade Elite de São Paulo foi à sede do CNE para saber se um processo dele já havia sido autorizado. Quando foi informado de que o relator do caso, o conselheiro Roberto Cláudio Bezerra, nem sequer tinha lido o processo, perdeu a paciência e abriu o jogo. “Eu já paguei por isso”, protestou o empresário, que tinha nas mãos cópia de um parecer assinado pelo próprio Bezerra aprovando sua faculdade. O parecer foi comprado de um dos muitos escritórios em Brasília que montam processos para reitores de primeira viagem, alguns comandados por ex-integrantes do conselho. O MEC abriu inquérito administrativo, que concluiu que o parecer falso havia sido digitado dentro do CNE, onde também foi falsificada a assinatura do conselheiro. A investigação ainda não foi concluída.

Outra história estranha ocorreu em agosto do ano passado quando da renovação da autorização para o funcionamento do curso de Direito da Universidade de Guarulhos. Uma comissão de avaliação da Secretaria de Ensino Superior do MEC concluiu que a organização didático-pedagógica da universidade era deficiente e teria sugerido ao reitor Antonio Veronesi a contratação de um consultor para propor providências capazes de suprir as deficiências. Logo após a conversa, Veronesi foi procurado pelo consultor Edmundo Lima de Arruda Júnior que ofereceu seus serviços por R$ 100 mil. A Universidade de Guarulhos seria a 12ª instituição de ensino que, após receber consultoria de Arruda Júnior, receberia reconhecimento do MEC. Em 8 de dezembro, a Câmara de Educação Superior do CNE propôs “a instalação imediata de uma Comissão de Sindicância para averiguar as irregularidades cometidas pela Comissão de Avaliação para a renovação do reconhecimento do curso de Direito da Universidade de Guarulhos”. Os avaliadores do MEC colocados sob suspeição trabalham na Comissão de Ensino Jurídico chefiada pelo professor Silvino Lopes, que está no Ministério desde a gestão do ministro Carlos Chiarelli no governo Fernando Collor. “Tudo indica que ali tem sérios problemas que estão a merecer uma investigação aprofundada”, adverte um reitor de uma universidade privada.

Cabala

Silvino Lopes é subordinado do conselheiro Abílio Afonso Baeta Neves, homem de confiança do ministro Paulo Renato Souza e todo-poderoso comandante da Secretaria de Ensino Superior do MEC. ISTOÉ teve acesso a documentos e fitas de uma reunião do Conselho Nacional da Educação que mostram uma história no mínimo contraditória. Em 4 de outubro do ano passado, os 12 conselheiros do CNE decidiram que a Universidade Bandeirante de São Paulo (Uniban) não poderia abrir cursos em Osasco sem antes cumprir a exigência legal de receber uma autorização do Ministério. “Fazer vestibular, ela pode fazer onde quiser – nos Estados Unidos, no Japão e até no subterrâneo do metrô de Paris. Agora, matricular para cursos lá é uma irregularidade, e nós não teremos nenhuma outra atitude a não ser informar que aquele vestibular é absolutamente ilegal e nulo”, sentenciou Baeta, na ocasião. Tudo letra morta. A Uniban, que tem como dono o reitor Heitor Pinto, simplesmente ignorou a proibição e não foi punida, apesar de expressa recomendação do CNE nesse sentido.

Numa reviravolta surpreendente, em janeiro deste ano Baeta passou a aceitar como regular o comportamento da Uniban e entrou em conflito aberto com seu parecer anterior e os colegas conselheiros. Pela legislação atual, uma universidade, para abrir campus fora da sede, precisa apresentar projeto específico ao conselho – como se estivesse criando uma nova universidade. A Uniban argumentou que não precisava dessa licença prévia porque, ao reconhecer a instituição, em 1993, o CNE aceitou Osasco como uma das áreas de influência da Uniban. O CNE não concordou e pediu ao MEC a abertura de inquérito administrativo para investigar irregularidades praticadas pela Uniban e também a suspensão de todos os processos da instituição em tramitação. O caso Uniban virou o primeiro grande impasse entre o MEC e o CNE. O Ministério considerou as propostas do conselho “extremas e desproporcionais” e rejeitou o pedido, que agora será revisto por uma comissão especial. Para complicar a situação, donos de universidades privadas contaram a ISTOÉ que Baeta Neves extrapolou suas funções de funcionário público e cabalou votos para a chapa articulada por Heitor Pinto, que no ano passado disputou e perdeu a eleição da Associação Nacional de Universidades Privadas.

Se a Uniban mostra força no Ministério da Educação, outro que também chama a atenção pelas excelentes relações no CNE, o órgão que julga, emite pareceres e aprova todas as instituições de ensino superior do País, é João Carlos Di Gênio. No final do ano passado, por exemplo, a Uniban resolveu abrir um novo campus em São Paulo. Depois de muita negociação, feita em sigilo, ofereceu em dezembro R$ 8 milhões por um prédio no bairro do Jaguaré. Ali, seria aberto o campus Marginal Pinheiros. Seria. A Uniban negociava o imóvel quando foi informada pela corretora de que a propriedade não estava mais à venda. Tinha sido negociada com uma de suas maiores concorrentes, a Universidade Paulista (Unip), de Di Gênio, que rapidamente abriu lá um campus e realizou seu vestibular, oferecendo 1.500 vagas para nove cursos. Além do vendedor e do candidato a comprador, o negócio só era conhecido dentro do Conselho Nacional de Educação. “Isso é suspeito”, atacou o reitor Heitor Pinto. “É uma desculpa de quem perdeu um negócio”, contra-ataca Di Gênio, que afirma ter pago R$ 9 milhões pelo prédio pretendido pela Uniban.” [grifos meus]

Ou seja, o Ministério da Educação, então comandado por Paulo Renato Souza, tergiversou e muito na hora de punir a Uniban, e teve um alto funcionário cabalando votos para seu reitor.  Hummmm.

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O Nicholas Carr tem um interessante post discutindo uma entrevista de Frank Schirrmacher (editor de ciência e cultura do Frankfurter Allgemeine Zeitung) no The Edge.  Entre as várias respostas à entrevista, surge um texto (da autoria de John Bargh, chefe do Automaticity in Cognition, Motivation and Evaluation Lab de Yale) que me lembra uma discussão interessante que já tivemos aqui:

Schirrmacher is quite right to worry about the consequences of a universally available digitized knowledge base, especially if it concerns predicting what people will do. And most especially if artificial intelligence agents can begin to search and put together the burgeoning data base about what situation (or prime) X will cause a person to do. The discovery of the pervasiveness of situational priming influences for all of the higher mental processes in humans does say something fundamentally new about human nature (for example, how tightly tied and responsive is our functioning to our particular physical and social surroundings). It removes consciousness or free will as the bottleneck that exclusively generates choices and behavioral impulses, replacing it with the physical and social world itself as the source of these impulses. …

It is because priming studies are so relatively easy to perform that this method has opened up research on the prediction and control of human judgment and behavior, ‘democratized’ it, basically, because studies can be done much more quickly and efficiently, and done well even by relatively untrained undergraduate and graduate students. This has indeed produced (and is still producing) an explosion of knowledge of the IF-THEN contingencies of human responses to the physical and social environment. And so I do worry with Schirrmacher on this score, because we [are] so rapidly building a database or atlas of unconscious influences and effects that could well be exploited by ever-faster computing devices, as the knowledge is accumulating at an exponential rate. …

More frightening to me still is Schirrmacher’s postulated intelligent artificial agents who can, as in the Google Books example, search and access this knowledge base so quickly, and then integrate it to be used in real-time applications to manipulate the target individual to think or feel or behave in ways that suit the agent’s (or its owner’s) agenda of purposes.

Mais gente do que você imagina acredita nisso.  Bem, a conclusão do Carr é frightening:

The Web has been called a “database of intentions.” The bigger that database grows, and the more deeply it is mined, the more difficult it may become to discern whether those intentions are our own or ones that have been implanted in us.”

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…e aí eu ó, top top!

Do Estadão:

Pedaço de pão quase atrasa início das atividades do LHC

GENEBRA – O acelerador de partículas do Laboratório Europeu de Pesquisa Nuclear (Cern) começará a trabalhar em meados deste mês, como estava previsto, apesar de um pequeno incidente causado nesta semana por um pedaço de pão que caiu sobre seu transformador elétrico.

Uma porta-voz do Cern informou à Agência Efe que, na terça-feira passada, “um pedaço de pão, que achamos que era levado por um pássaro, caiu sobre o transformador elétrico do acelerador”.

Isso provocou um curto-circuito no equipamento, que fica na superfície – ao contrário do acelerador em si, que está situado em um túnel circular de 27 quilômetros sob a fronteira entre França e Suíça -, causando o aquecimento de dois de seus setores.

Além disso, o incidente provocou uma interrupção do sistema de resfriamento do acelerador de partículas, acrescentou a porta-voz, a qual destacou que os dois setores afetados já foram resfriados até sua temperatura operacional.”

***

Lembram disto?  Pois é.  :)

***

Só falta o FHC dizer que o governo dele também não funcionou por uma conspiração da Natureza.

capivara(1)

Isso é coisa da Cora Ronai

Deu no Estadão:

Capivara é resgatada de espelho d’água do Congresso Nacional

BRASÍLIA – O resgate de uma capivara nos arredores do Senado animou a manhã desta sexta-feira esvaziada no plenário. O animal tomava banho no espelho d’água localizado na entrada do prédio com vista para o Palácio do Planalto, quando os primeiros funcionários da segurança começaram a chegar ao trabalho, por volta das 6h.”

***

As capivaras são conhecidas retardatárias.  As antas, raposas,  muares e até alguns tucanos já haviam chegado muito tempo antes.

obama-crying

No FT:

Obama calls job losses ‘sobering’

US president Barack Obama sought to allay growing concerns on job losses on Friday, signing a bill extending unemployment benefits, as the jobless rate hit a fresh 26-year high.

The unemployment rate shot up by a greater-than-expected 0.4 percentage points to 10.2 per cent in October and the economy lost an additional 190,000 jobs, according to official data released on Friday.

Mr Obama called the numbers “sobering” and said his administration would continue its efforts to stem job losses.

***

Depois reclama de perder eleição.

***

Bem que o Krugman avisou que para conter a “herança maldita” bushista, o estímulo estava pequeno.

Politicamente incorreto, mas perceptivo

And together, they fight crime!

Vietnamese immigrant, brought from that war-torn country as a tiny child.

A baron, the grandson of a princess, who lives in his family’s five-hundred year old castle.

A widow who once worked for the patent office.

A paraplegic.

A huffy gay man.

A former captain of paratroopers.

A mother of seven.

They are…

…Germany’s new conservative Cabinet.

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Aquisição da linguagem mais cedo do que se pensava:

Newborn Babies Cry in Native Tongue

From their very first days, the cries of newborns already bear the mark of the language their parents speak, scientists now find.

French newborns tend to cry with rising melody patterns, slowly increasing in pitch from the beginning to the end, whereas German newborns seem to prefer falling melody patterns, findings that are both consistent with differences between the languages.

This suggests infants begin picking up elements of language in the womb, long before their first babble or coo.

Fernando Henrique Cardoso, em entrevista à IstoÉDinheiro, em 27 de agosto de 2003:

DINHEIRO – O sr. tem falado com empresários de todos os setores da economia. Como está o clima?

FERNANDO HENRIQUE – O pessoal está com medo. Não há sinais claros de retomada do crescimento, o desemprego é grande e o investimento, baixo. Os empresários ainda estão desconfiados sobre se o atual governo será capaz de seguir uma linha coerente. Há muita discussão dentro do PT e a base política do governo não parece sólida. Há uma torcida a favor e um medo que não dê certo.

DINHEIROComo o sr. se posiciona?

FERNANDO HENRIQUEEste cenário não é irrealista. Há uma indefinição no centro do poder diante da pergunta: o que este governo quer fazer? Eu sei que o presidente Lula pode dizer “ah, mas eu estou há apenas sete meses no governo”. Sim, mas estava há vinte na oposição. Afinal, qual é o seu programa de governo? O País precisa ter rumo, mas hoje não sabemos qual é a direção. Isso é que dá incerteza. O governo está nos levando para onde? Primeiro, o próprio governo tem de saber. Segundo, tem de dizer. Mas não tem feito nem uma coisa nem outra. O governo simplesmente não está andando. Está parado.”

Mendonça de Barros, em seminário no Instituto Fernando Henrique Cardoso, na matéria da Maria Christina Fernandes:

Mendonça de Barros cita as conversas que tem tido com investidores estrangeiros e empresários brasileiros para dizer que seu otimismo com o país é compartilhado. “Um empresário que está vendendo três mil carros por dia, (e dirige-se a Safra, sentado bem à sua frente ) cliente de vocês lá, me disse – ‘Lula é o máximo’”.

***

Deve ser duro pro Fernandão.  :)

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O nascimento de Lula, por Botticelli

Fernando Henrique faz bem em citar Maquiavel e em lembrar do “imprevisível” apagão (vide post abaixo), mas parece que Lula, o voltado pra Lua, não precisa se preocupar com um repeteco de 2002 em 2010:

Nível recorde de reservatórios faz agência temer enchentes

Paulo Victor Braga, de Brasília

O volume de água nos reservatórios de todo o país encontra-se em nível recorde, muito próximo da capacidade máxima, em razão das chuvas intensas de outubro de 2008 a setembro deste ano. O diretor-presidente da Agência Nacional de Águas (ANA), José Machado, afirmou ontem que essa constatação, aliada à alta umidade do solo e à época de chuvas que se aproxima, levaram a ANA a tomar suas precauções. “Existe risco de que venhamos a ter enchentes, mas agora haverá maior eficiência na prevenção”, disse.”

Maria Christina Fernandes, a colunista gatinha do Valor, conta como foi o último seminário no Instituto Fernando Henrique Cardoso:

Um pen drive imperdível

A plateia era formada por alguns dos luminares do governo Fernando Henrique Cardoso – André Lara Resende, Andrea Calabi, Henri Philippe Reichstul e Rubens Barbosa. Todos, inclusive o ex-presidente que dá nome ao instituto onde o evento se realizava, aguardavam um dos palestrantes, Luiz Carlos Mendonça de Barros, preso no trânsito, como descobriria Gilda Portugal ao celular, no meio da audiência – “Ele vem com certeza e traz um pen drive imperdível”.

Abaixo, para os sem-Valor.

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Mas e a Dilma?

Rara foto de um cachalote comendo uma lula gigante.

Agora o Serra já tem um bichinho de estimação para chamar de seu em 2010.  E melhor, se livra daquele mascote do tucaninho.  Ô bichinho enjoado, sô.

(hat tip: PMF)

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Ops!

Bom, se a moda pega

Original Post | 4:07 p.m. Seven people have been killed and twelve wounded in a mass shooting at the Army base at Fort Hood, Texas, on Thursday, according to Lt. Col. Nathan Banks, an Army spokesman. Lt. Col. Nathan Banks told my colleague David Stout that the shootings started at about 1:30 p.m. Eastern Time and that the base has been locked down. He added that one person is in custody but there is believed to be at least one more gunman still at large.”

Espero que nada assim aconteça no NORAD…

O Nick Carr já terminou seu novo livro, “The Shallows: What the Internet Is Doing to Our Brains” _ uma obra que muito me interessa, e que acho que vai ser muito comentada.  Mas eu queria mesmo é chamar a atenção de vocês para esse trecho do post onde o Carr fala dos lugares onde o livro será editado, além dos EUA:

The English version of the book will also be published in the UK by Atlantic Books, and translations are currently in the works from Blessing in Germany, Seido Sha in Japan, Chungrim in Korea, Ediouro in Brazil, and CITIC in China.”

Brasil na área.  Nem França, nem Espanha (nem versão em espanhol…), nem Rússia.  Isso deve querer dizer alguma coisa.

No Twitter do Sérgio Leo:

a oposição,vejo nO Globo, achou discurso: Lula é autoritário e patrimonialista. Rapaz,isso vai dar voto paca. No Grajaú e na Vieira Souto.”

Gozado.  Conhecia a Tijuca como referência a um bastião conservador carioca, mas nunca associei esta postura ao Grajaú, bairro de desinibidas.  Ia pedir que me acorressem, cariocas, quando dei uma folheada no “A Desinibida do Grajaú” e entendi o que o Sérgio Leo quer dizer.  Mas já aí fiquei na dúvida com a Vieira Souto, onde o pessoal pode ser até de direita, mas conservador no sentido grajaújico…menos, menos, como já nos ensinava o Stanislaw Ponte Preta com (mutatis mutandis) “A Grã-Fina de Copacabana“, que divide com a Desinibida o mesmo livro desse autor, “As Cariocas“…

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Qual seria a recepção dela no site do Tio Rei antes do affair Uniban??

Sem brincaderia: às vezes, mesmo eu fico pasmo com a cara de pau do Tio Rei.

Vejam o que ele diz aqui:

A direção da Uniban disse que, até agora, não conseguiu identificar os responsáveis pelo ocorrido. E ousaria dizer que nem vai. Nota-se que há, arraigada por lá, uma cultura da intolerância e uma relação com o curso que está mediada apenas pelo pragmatismo: “Estou aqui para pegar o meu diploma”. Posso compreender esse sentimento e até enxergar nele uma virtude: a clientela está empenhada em obter o grau para, quem sabe?, subir na vida, ter aumentado o seu salário, ser promovida. Em si, isso não é ruim. Todos devemos desejar uma vida melhor. Não há mal nisso.

Temo, no entanto, que boa parte das ditas universidades brasileiras esteja se reduzindo a isso, sem qualquer outro cultivo. Reitero: o respeito à inviolabilidade do outro é questão de princípio, inegociável. Geysi é uma garota pobre, da periferia de Diadema. Trabalha, ou trabalhava, num mercadinho do bairro. É visível que não tem grande traquejo social. Nota-se isso na sua fala, na sua gramática. Vem de um estrato da sociedade em que, atenção!!!, a tolerância com a diferença já não é a marca. E isso vale também para boa parte de seus colegas.

Ela parece ser excepcionalmente jovem para o grupo: 20 anos. Muitos dos que concedem entrevistas dizem ter 26, 27, 28 anos — idade em que as pessoas costumam já estar formadas há uns bons cinco ou seis anos. O fenômeno precisa ser mais bem-estudado, mas intuo que são pessoas que estavam fora do ensino superior e foram sendo incluídas em razão de um conjunto de fatores: políticas públicas de ingresso ao ensino superior; barateamento do valor das mensalidades; facilidade de ingresso, uma vez que basta querer fazer o curso — e poder pagar por ele — para ter acesso, então, ao ambicionado diploma…

Até aí, muito bem. Não serei eu a combater a expansão do ensino universitário. Seria inútil. Os demagogos venceram essa batalha. É evidente que a formação técnica seria mais eficiente e barata. Mas deixemos isso para outra hora. Que se expanda, então, o ensino universitário, hoje com a ajuda do dinheiro público. Mas com que qualidade isso está sendo feito? Eis a questão. NÃO SE ESTÁ BARATEANDO A UNIVERSIDADE EM SENTIDO MAIS AMPLO?

A Uniban — e outras universidades do mesmo nível — estão proporcionando à sua clientela uma vivência estudantil que seja distinta do ambiente de onde vieram? Um ambiente nem sempre tolerante; um ambiente nem sempre respeitador das diferenças; um ambiente nem sempre voltado para o cultivo da reflexão; um ambiente nem sempre afeito a delicadezas e matizes, sem os quais não se respeitam direitos individuais…[grifo dele, pra variar]

Pois é.  Tio Rei escreveu, com indisfarçável regojizo, o seguinte, em julho de 2008:

A JUVENTUDE BRASILEIRA É DE DIREITA

segunda-feira, 28 de julho de 2008 | 5:09

A Folha de S. Paulo publicou no domingo uma ampla pesquisa sobre o que pensam os jovens brasileiros. Rendeu até um caderno especial, de 20 páginas, chamado “Jovem Século 21”. Segundo informa o caderno, a maioria das reportagens “foi feita pelos integrantes da 45ª turma do Programa de Treinamento da Folha”, (…) patrocinada pela Philip Morris Brasil e pela Odebrecht”. Comentarei abaixo alguns dados muito interessantes que a pesquisa revelou e tratarei da seguinte questão: a maioria dos jovens brasileiros, a exemplo da população, é de direita. Boa parte da imprensa e, vejam só, as instituições políticas, incluindo partidos, não se conformam com isso. Estão todos tomados pela patrulha esquerdista.”

E mais:

A nova pesquisa

Sim, senhores: dados os perfis ideológicos que se desenham a partir de certas opiniões, pode-se dizer que a maioria dos jovens brasileiros é de direita. Declaram ter essa posição ideológica, aliás, 37% dos entrevistados (na população como um todo, são 35%). Dizem-se de esquerda apenas 28% (contra 22% do total). No centro, estão 23% (contra 17% no conjunto). Mas notem: não quero me apegar a nominalismos. Parto do princípio de que os jovens possam não ter a exata noção do que tais nomes encerram.

(…)

Valores

E quais são os valores das moças e moços? Qual é a lista das coisas que acham “muito importantes”? Vejam: família (99%), saúde (99%), trabalho (97%), estudo (96%), lazer (88%), amigos (85%), religião (81%), sexo (81%), dinheiro (79%), beleza (74%), casamento (72%).

E então…

E, vejam que surpresa, o levantamento mostra que os nossos jovens querem casa, carro, grana, todas essas malditas coisas do “consumismo”, que deixam os comunistas que já têm todas essas malditas coisas muito decepcionados com a juventude…

Mais uma vez, constata-se o óbvio: há um enorme hiato entre o que pensa o conjunto da população — e, nela, sua fatia mais pretensamente inquieta — e os vários canais que vocalizam a opinião pública. Não, senhores! Não temos a imprensa que representa os valores que vão acima: a nossa, com as exceções de praxe, é majoritariamente “politicamente correta” e experimenta um verdadeiro divórcio em relação ao pensamento da maioria.”

Ué, é como eu disse: quem planta, colhe.

Tio Rei planta o conservadorismo?  Pois colhe o “conjunto de valores” que acha adequado.  Inclusive uma população universitária que “representa os valores que vão acima”.

O fim da picada, senhores, é esse exato sujeito vir depois criticar uma Uniban da vida por não ser “um ambiente nem sempre tolerante; um ambiente nem sempre respeitador das diferenças; um ambiente nem sempre voltado para o cultivo da reflexão; um ambiente nem sempre afeito a delicadezas e matizes, sem os quais não se respeitam direitos individuais“.  Tipo, assim, que nem o blog dele.

***

E por falar nisso…

O leitor Joselito fez o seguinte comentário:

Postei os links para esse post do Hermenauta e o link para essa matéria DA PROPRIA VEJA que o Rodrigo postou acima, em comments DIFERENTES no site do R. Azevedo.

AMBOS foram “moderados”, e não apareceram!

A REVISTA VEJA CENSURA A PROPRIA VEJA!

Patético…

Pré-moderação
Pós-moderação

Não é fantástico??

homestead-stamp

Homesteading the internets

Pois é, criei uma conta.

Mas não fiquem assanhadinhos.  Não pretendo usá-la.

Meu problema foi que depois de ler isso, encontrei isso.  Então decidi demarcar meu real state.

And that´s all folks.

Deu na Folha, alguns dias atrás (reportagem de Flávia Marreiro):

Chávez é motivo para ter base na Colômbia, afirma Pentágono

Ao assinar o acordo militar com a Colômbia e garantir o uso da base área de Palanquero, no centro do país, o governo dos EUA considera ter aproveitado uma “oportunidade única” de obter “acesso e presença regional a custo mínimo” numa área sob ameaças constantes, entre elas as vindas de “governos antiamericanos” como o do venezuelano Hugo Chávez.

O argumento acima consta do documento do Pentágono submetido ao Congresso americano para justificar o Orçamento militar do país no ano fiscal de 2010. O texto, sancionado recentemente pelo presidente Barack Obama, inclui verba de US$ 46 milhões a ser aplicada em Palanquero.

O documento solapa a retórica de Washington e Bogotá, que repetem o mantra de que o pacto militar assinado na sexta-feira –que permitirá aos EUA usar outras seis instalações além de Palanquero– visa atacar só problemas domésticos colombianos, e dá combustível às reclamações de Chávez, que vê no trato uma ameaça a seu país. Tudo isso num momento em que a tensão entre Bogotá e Caracas volta a crescer por conta de incidentes na divisa cada vez mais violenta.

O teor do acordo militar não foi divulgado –a Colômbia promete fazê-lo nesta semana. Só Chávez e Evo Morales (Bolívia) reclamaram de sua consumação. O governo Lula, que cobra “garantias” de Washington e Bogotá, não se pronunciou.

Em entrevista ao jornal colombiano “El Tiempo”, o embaixador americano em Bogotá, William Brownfield, disse que seu governo já deu garantias aos países da região de que o acordo não permite operações conjuntas fora da Colômbia. “Posso dizer que o acordo diz [isso] claramente no artigo 4º, parágrafo 3º.”

No entanto, na avaliação do Conselho de Estado, o órgão jurídico consultivo máximo colombiano, o texto é frouxo e deixa decisões importantes para acertos posteriores, além de ser “desequilibrado” a favor de Washington e potencialmente violador da soberania do país.

Resposta a crises

O documento do Pentágono submetido ao Congresso diz que Palanquero é “inquestionavelmente” o melhor lugar “para conduzir um completo espectro de operações pela América do Sul” –a importância da base já havia aparecido em documento da Força Aérea, que a inclui no esquema global de rotas para transporte estratégico global de carga e pessoal.

Afirma que o investimento na base vai “melhorar a capacidade dos EUA de responder rapidamente a crises, assegurando acesso e presença regional com custo mínimo”. Contribuirá também para “expandir capacidade de guerra aérea”, inteligência e monitoramento.” [grifo meu]

***

Uma olhada em um mapa-múndi gera imediatamente o seguinte quesitonamento:  para quem vem da América do Norte, a América do Sul seria importante no “esquema global de rotas para transporte estratégico global de carga e pessoal” _ para ir aonde mesmo???

***

Se continuar honrando tantos “compromissos” (Pentágono, banca, etc.), Obama e os democratas vão mesmo continuar perdendo eleição atrás de eleição.

Deve ser por isso que o Tio Rei acha que o Valor é um “jornal de negócios esquerdista”.  Eis o editorial de hoje:

Órgão de fiscalização é técnico, não é político

Embora tenha incorporado bons quadros técnicos ao longo dos anos, e os remunerado muito bem, o Tribunal de Contas da União (TCU) jamais se livrou do estigma de ser um órgão político. A profissionalização da instituição é urgente: se sua composição e perfil incomodam esse governo, têm potencial para incomodar qualquer outro. A fiscalização é algo altamente desejável para o país, mas o uso político dos poderes fiscalizatórios para parar obras, sem qualquer tipo de punição na hipótese de abusos serem cometidos, não serve a ninguém.

Matéria publicada pelo jornal “O Estado de S. Paulo” do dia 1º de novembro cita alguns exemplos de como não deve proceder um órgão pretensamente técnico. No início do mês passado, o TCU anunciou o embargo de 15 obras por supostas irregularidades. Segundo a Casa Civil, que faz a gerência do PAC, três já tinham sido excluídas da lista pelo próprio TCU, uma não era do programa, duas já estavam com contratos rescindidos, seis entregaram suas justificativas ao órgão sem que tivessem obtido resposta, duas estavam em processo de nova licitação e em uma delas o problema era a supervisão, e não a obra propriamente dita. O TCU fez uma lista negra, anunciou-a como rol de irregularidades insanáveis e um mês depois, com indiferença, viu-a derrubada por falta de consistência. Isso é preocupante.

O TCU tem, ele mesmo, problemas insanáveis de origem. Pela Constituição, é um órgão auxiliar do Legislativo que deveria dar parâmetros técnicos para fiscalização do Poder Executivo. Se existe hoje uma reclamação em relação ao excessivo poder do presidente da República para nomear ministros do Supremo Tribunal Federal, no entanto, deveria igualmente haver uma grita em relação ao poder concentrado em um órgão de controle cujos integrantes são de nomeação exclusiva do Legislativo e que não está sujeito, ele próprio, a nenhum tipo de fiscalização.

Idealmente, a legitimidade do TCU residiria no fato de ser um órgão de controle técnico cujos integrantes são escolhidos por um poder onde estão representados todos os partidos políticos legalmente constituídos. Mas mostra a experiência que a nomeação torna-se sempre uma prerrogativa das maiorias governistas da ocasião. Na prática, a escolha de um ministro do STF não é tão suprapartidária assim. Ela é, na origem, uma escolha partidária. A nomeação recente do ex-ministro das Relações Institucionais, José Múcio Monteiro, para uma vaga é prova disso. São maiorias parlamentares do momento que aprovam as nomeações; como os cargos são vitalícios, no momento seguinte o pleno do tribunal pode refletir a posição política de uma minoria. Segundo o “O Estado de S. Paulo”, dos nove membros do TCU, cinco são ex-políticos oposicionistas.

A história se reproduz a nível federativo. Se a oposição ganhar no Estado de São Paulo, por exemplo, governará com um Tribunal de Contas do Estado cujos integrantes foram escolhidos ao longo de quatro mandatos do PSDB e outros dois anteriores do PMDB, partido do qual a legenda de José Serra se originou. Na capital, eleita em 1990 pelo PT, a hoje deputada Luiza Erundina (PSB) enfrentou grandes dificuldades, durante todo o seu mandato, com o Tribunal de Contas do Município (TCM). O seu sucessor, Paulo Maluf, e o sucessor do sucessor, Celso Pitta, não tiveram problemas com o órgão, embora respondam a processos na Justiça por atos administrativos desse período.

Despolitizar a administração pública requer despolitizar órgãos de fiscalização e controle. A interrupção de obras públicas sem razões técnicas plausíveis constitui um prejuízo que não é exclusivo do governante do momento. Toda obra pública envolve dinheiro público na sua realização e benefício público na sua conclusão – e isso lança dúvidas sobre a legitimidade da paralisação de obras se elas tiverem razões políticas, e não exclusivamente técnicas. A paralisação de obras desperdiça dinheiro público e obstrui o acesso das populações àqueles benefícios. Não se pode impedir governantes de governar – deve-se impedi-los de se beneficiar privadamente do dinheiro público, mas jamais de exercer mandatos conferidos pelo povo.”

Causa burburinho na rede o “vazamento” de um trecho do filme “Do Começo ao Fim”, do diretor Aluizio Abranches, no YouTube.

A trama conta de forma delicada uma relação de incesto homossexual.   Já posso imaginar a reação de Olavón et caterva.

Matéria no Globo narra a “surpresa” do diretor:

O cineasta Aluizio Abranches recebeu na quinta-feira à tarde um telefonema do produtor Fernando Libonati: “Tá na rede. Vazou.” Ele se referia a um promo – filme promocional – de quatro minutos de “Do começo ao fim”, previsto para estrear no segundo semestre.

- Deu um frio na barriga quando eu soube. Fiquei muito nervoso. É muito cedo – diz Abranches.

A-hã.

Posso ser um paranóico, mas acredito que os cineastas estão aprendendo a usar marketing viral na rede.   :)

Outro detalhe curioso na matéria:

(…)Abranches enfrentou reações de possíveis patrocinadores.

- Foi difícil à beça de vender. Levei vários “nãos”. Diziam que o conselho da empresa não ia aceitar um tema desses, alegavam problema de verba. São assuntos tabus.

Teve quem sugerisse a troca por duas irmãs. Um dos patrocinadores, que disse ter gostado de “O segredo de Brokeback Mountain”, saiu da sala, voltou e falou: “Vem cá, será que não poderiam ser dois primos, em vez de dois irmãos?”. Ele explicou que não teria a mesma força. O empresário acabou patrocinando. Foi um dos dois únicos que o diretor conseguiu, num total de R$ 200 mil. Com um detalhe: exigiram anonimato. Abranches também ganhou um prêmio espanhol de pouco mais de US$ 100 mil, do fundo Ibermedia.

- O resto do dinheiro é nosso mesmo, e empréstimo em banco.” [grifo meu]

O interessante aqui é que toda a lógica por trás do financiamento de filmes pela via dos benefícios fiscais é que as empresas que investem em cinema acabam ganhando um tipo de publicidade em retorno ao patrocínio.  Como nesse caso os empresários em questão exigiram anonimato, das duas uma: ou toparam financiar por amizade ao diretor ou em benefício da “causa”.   Nada demais, mas vale a pena registrar.

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Bruxelas, 28 de novembro de 1908 — Paris, 30 de outubro de 2009

“If you set your goals ridiculously high and it’s a failure, you will fail above everyone else’s success.”

_ James Cameron, cineasta

Tio Rei tem um post vingativo.

Reclamando de que estão dizendo que ele associou a Uniban ao PT, ele retruca que não disse, mas que se quiser é capaz de associar a Uniban ao PT, sim senhor:

A petralhada está dizendo que estou tentando ligar a Uniban aos petistas. Não! Eu não estou. Mas posso lembrar conexões, sim, se eles fazem tanta questão. No dia 29 de março de 2007, publiquei um post aqui em que se lia o trecho que segue. O “Marinho” em questão é o atual prefeito de São Bernardo, ex-presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo e ex-ministro do Trabalho:

É verdade. Marinho é tão competente, que ele e Vicentinho chegaram a ser garotos-propaganda da Uniban, a faculdade privada onde ambos se formaram. O dono da Uniban, Heitor Pinto Filho, que já foi candidato a vice na chapa de Paulo Maluf para a Prefeitura de São Paulo, em 2000, é bastante próximo dos dois sindicalistas e patriotas. Quando ambos fizeram propaganda para a empresa privada, um era deputado (Vicentinho), e o outro, presidente do Conselho Nacional de Segurança Alimentar. Duas funções públicas. Competência é com a Nova Classe.”

Nesse caso eu tenho um testemunho “zero grau de separação” pra mostrar a ele:

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***

UPDATE

O comentarista Rodrigo lembrou uma matéria deliciosa da Veja.

E por falar em imperialismo…do site África 21:

Uma delegação angolana, integrada por governantes e técnicos de distintas áreas, prepara a participação de Angola na IV reunião ministerial do Fórum de Cooperação Sino-Africano (Fofac) a ter lugar de 08 a 09 do presente mês em Sharl el Sheik, no Egipto.

O evento será antecedido pela 7ª reunião de altos funcionários dos ministérios dos Negócios Estrangeiros dos países africanos e da China, que terá lugar entre os dias 06 e 07.

Neste encontro, as delegações dos distintos países africanos e da China irão analisar o cumprimento das decisões saídas da III reunião do fórum, que teve lugar em Beijing, capital deste país asiático, e perspectivar as acções neste domínio para os próximos três anos.

Na IV reunião ministerial do Fórum de Cooperação Sino-Africano, em que se prevê a presença de delegações dos 49 países africanos com quem a China mantém relações, estarão em análise temas como agricultura, segurança alimentar e infra-estruturas.

O IV encontro tem como lema “Aprofundamento da nova parceria estratégica sino-africana do tipo novo para promoção do desenvolvimento durável”.

O fórum sino-africano foi criado em 2000, é uma ocasião para que estes estados analisem os caminhos da cooperação mutuamente vantajosa e igualitária, com base na perspectiva das relações Sul-Sul.

id4

Fui ver Distrito 9.

Gostei muito, apesar dos  furos do roteiro.

Mas fiquei com uma sensação muito forte de que apesar de todas as boas intenções que o roteiro nos força a emular, a história de fato é uma mistura de ID4 com “Guerra dos Mundos”.

Com um quê de “Alien Nation”, aliás.

[spoilers abaixo]

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USCOMMANDS

Para alguém que acha que os EUA não são um país imperialista e apenas “persegue seus próprios interesses“, o Paulo do FYI acha graça em coisas muito estranhas

No Estadão de hoje:

Para onde vamos?

Fernando Henrique Cardoso

A enxurrada de decisões governamentais esdrúxulas, frases presidenciais aparentemente sem sentido e muita propaganda talvez levem as pessoas de bom senso a se perguntarem: afinal, para onde vamos? Coloco o advérbio “talvez” porque alguns estão de tal modo inebriados com “o maior espetáculo da Terra”, de riqueza fácil que beneficia poucos, que tenho dúvidas. Parece mais confortável fazer de conta que tudo vai bem e esquecer as transgressões cotidianas, o discricionarismo das decisões, o atropelo, se não da lei, dos bons costumes. Tornou-se habitual dizer que o governo Lula deu continuidade ao que de bom foi feito pelo governo anterior e ainda por cima melhorou muita coisa. Então, por que e para que questionar os pequenos desvios de conduta ou pequenos arranhões na lei?

A frase “riqueza fácil que beneficia poucos“, da pena de FHC, tem um significado todo especial.  Eis o que diz um estudo sobre a evolução do índice de Gini no Brasil, na época da presidência do Príncipe dos sociólogos:

Desigualdade de renda medida pelo índice de Gini aumenta em 3.654 municípios do Brasil na década de 90; em 23 Unidades da Federação índice é pior em 2000 do que era em 1991; apenas Roraima, cuja renda per capita diminuiu no período, contrariou tendência.”

Seria mais honesto se ele apenas se contentasse em fazer o que faz no restante do texto, que é, obviamente, tentar mudar os termos do debate da economia para os “valores”.  Assim, soa apenas profundamente desonesto.

Só que cada pequena transgressão, cada desvio vai se acumulando até desfigurar o original. Como dizia o famoso príncipe tresloucado, nesta loucura há método. Método que provavelmente não advém do nosso príncipe, apenas vítima, quem sabe, de apoteose verbal. Mas tudo o que o cerca possui um DNA que, mesmo sem conspiração alguma, pode levar o País, devagarzinho, quase sem que se perceba, a moldar-se a um estilo de política e a uma forma de relacionamento entre Estado, economia e sociedade que pouco têm que ver com nossos ideais democráticos.

Seria fácil apelar para o que existe por aí de prêt-à-porter para contestar FHC nessa, em termos das “pequenas transgressões” que seu governo foi acusado de produzir.  Mas vamos ficar apenas em algumas frases do ex-presidente:

Vamos evitar que esse espírito de corvo volte a pousar no país, de ver podridão em tudo.”

O horizonte está bastante positivo e não adianta vir com fracassomania.”

Que diferença de perspectiva fazem 8 anos na chuva, não?

É possível escolher ao acaso os exemplos de “pequenos assassinatos”. Por que fazer o Congresso engolir, sem tempo para respirar, uma mudança na legislação do petróleo mal explicada, mal-ajambrada? Mudança que nem sequer pode ser apresentada como uma bandeira “nacionalista”, pois, se o sistema atual, de concessões, fosse “entreguista”, deveria ter sido banido, e não foi. Apenas se juntou a ele o sistema de partilha, sujeito a três ou quatro instâncias político-burocráticas para dificultar a vida dos empresários e cevar os facilitadores de negócios na máquina pública.

Pois é.  Alguém já ouviu falar da Emenda Constitucional no. 8?  Trata-se, simplesmente, da emenda à Constituição que permitiu a privatização das telecomunicações no governo FHC.  A emenda, aprovada em 15 de agosto de 1995, teve origem em um Projeto de Emenda Constitucional, a PEC 3, enviada ao Congresso em fevereiro de 1995 através da Mensagem Presidencial número 191.   Isto é, a privatização das telecomunicações no Brasil foi resolvida em 4 meses.  Outras modificações de monta tiveram tratamento ainda mais expedito.  Pergunta-se ao ex-Presidente se esse foi um pequeno ou grande assassinato.   E olha que o regime de partilha nem precisa de emenda à Constituição para vigorar.

Por que anunciar quem venceu a concorrência para a compra de aviões militares, se o processo de seleção não terminou?

Talvez…para forçar os interessados a oferecer melhores propostas??

Por que tanto ruído e tanta ingerência governamental numa companhia (a Vale) que, se não é totalmente privada, possui capital misto regido pelo estatuto das empresas privadas? Por que antecipar a campanha eleitoral e, sem nenhum pudor, passear pelo Brasil à custa do Tesouro (tirando dinheiro do seu, do meu, do nosso bolso…) exibindo uma candidata claudicante?

É mesmo verdade que FHC foi extremamente tímido no apoio ao seu candidato em 1998.  Talvez por bons motivos.

Por que, na política externa, esquecer-se de que no Irã há forças democráticas, muçulmanas inclusive, que lutam contra Ahmadinejad e fazer mesuras a quem não se preocupa com a paz ou os direitos humanos?

Pelo mesmo motivo, talvez, que um Fernando Henrique Cardoso presidente visitou a China em 1995 esquecendo-se, também, das forças democráticas daquele país.

Pouco a pouco, por trás do que podem parecer gestos isolados e nem tão graves assim, o DNA do “autoritarismo popular” vai minando o espírito da democracia constitucional. Esta supõe regras, informação, participação, representação e deliberação consciente. Na contramão disso tudo, vamos regressando a formas políticas do tempo do autoritarismo militar, quando os “projetos de impacto” (alguns dos quais viraram “esqueletos”, quer dizer, obras que deixaram penduradas no Tesouro dívidas impagáveis) animavam as empreiteiras e inflavam os corações dos ilusos: “Brasil, ame-o ou deixe-o.” Em pauta temos a Transnordestina, o trem-bala, a Norte-Sul, a transposição do São Francisco e as centenas de pequenas obras do PAC, que, boas algumas, outras nem tanto, jorram aos borbotões no Orçamento e mínguam pela falta de competência operacional ou por desvios barrados pelo Tribunal de Contas da União. Não importa, no alarido da publicidade, é como se o povo já fruísse os benefícios: “Minha Casa, Minha Vida”; biodiesel de mamona, redenção da agricultura familiar; etanol para o mundo e, na voragem de novos slogans, pré-sal para todos.

São dúvidas legítimas, decerto, mas que FHC talvez devesse ter se perguntado em 1994.

Diferentemente do que ocorria com o autoritarismo militar, o atual não põe ninguém na cadeia. Mas da própria boca presidencial saem impropérios para matar moralmente empresários, políticos, jornalistas ou quem quer que seja que ouse discordar do estilo “Brasil potência”. Até mesmo a apologia da bomba atômica como instrumento para que cheguemos ao Conselho de Segurança da ONU – contra a letra expressa da Constituição – vez por outra é defendida por altos funcionários, sem que se pergunte à cidadania qual o melhor rumo para o Brasil. Até porque o presidente já declarou que em matéria de objetivos estratégicos (como a compra dos caças) ele resolve sozinho. Pena que se tenha esquecido de acrescentar: “L”État c”est moi.” Mas não se esqueceu de dar as razões que o levaram a tal decisão estratégica: viu que havia piratas na Somália e, portanto, precisamos de aviões de caça para defender o “nosso pré-sal”. Está bem, tudo muito lógico.

Interessante isso, porque quem afinal iniciou o processo de reaparelhamento da Força Aérea Brasileira, com o Projeto FX, foi o próprio Fernando Henrique Cardoso, em 2002.  Não sei quais eram as razões que ele tinha então _ talvez melhores do que as de Lula _ mas de qualquer modo, ele resolveu não honrá-las.

Pode ser grave, mas, dirão os realistas, o tempo passa e o que fica são os resultados. Entre estes, contudo, há alguns preocupantes. Se há lógica nos despautérios, ela é uma só: a do poder sem limites. Poder presidencial com aplausos do povo, como em toda boa situação autoritária, e poder burocrático-corporativo, sem graça alguma para o povo. Este último tem método. Estado e sindicatos, Estado e movimentos sociais estão cada vez mais fundidos nos altos-fornos do Tesouro. Os partidos estão desmoralizados.

Consigo imaginar poucas situações de maior desmoralização partidária do que o fim do segundo mandato de FHC, com Jader Barbalho engalfinhando-se com Antonio Carlos Magalhães…

Foi no “dedaço” que Lula escolheu a candidata do PT à sucessão, como faziam os presidentes mexicanos nos tempos do predomínio do PRI. Devastados os partidos, se Dilma ganhar as eleições sobrará um subperonismo (o lulismo) contagiando os dóceis fragmentos partidários, uma burocracia sindical aninhada no Estado e, como base do bloco de poder, a força dos fundos de pensão. Estes são “estrelas novas”. Surgiram no firmamento, mudaram de trajetória e nossos vorazes, mas ingênuos capitalistas recebem deles o abraço da morte. Com uma ajudinha do BNDES, então, tudo fica perfeito: temos a aliança entre o Estado, os sindicatos, os fundos de pensão e os felizardos de grandes empresas que a eles se associam.

Pois é, exatamente como nas privatizações feitas por FHC…minto, aquelas só tiveram os felizardos das grandes empresas, sem a presença dos sindicatos.

Ora, dirão (já que falei de estrelas), os fundos de pensão constituem a mola da economia moderna. É certo. Só que os nossos pertencem a funcionários de empresas públicas. Ora, nessas, o PT, que já dominava a representação dos empregados, domina agora a dos empregadores (governo). Com isso os fundos se tornaram instrumentos de poder político, não propriamente de um partido, mas do segmento sindical-corporativo que o domina. No Brasil os fundos de pensão não são apenas acionistas – com a liberdade de vender e comprar em bolsas -, mas gestores: participam dos blocos de controle ou dos conselhos de empresas privadas ou “privatizadas”. Partidos fracos, sindicatos fortes, fundos de pensão convergindo com os interesses de um partido no governo e para eles atraindo sócios privados privilegiados, eis o bloco sobre o qual o subperonismo lulista se sustentará no futuro, se ganhar as eleições. Comecei com para onde vamos? Termino dizendo que é mais do que tempo de dar um basta ao continuísmo, antes que seja tarde.

“Basta ao continuísmo” foi outra frase que FHC se esqueceu de brandir em 1998…

Fernando Henrique Cardoso, sociólogo, foi presidente da República”

E já foi tarde.

Tio Rei aproveita o feriado de Finados para ir visitar o túmulo do pai:

Não tenho data para visitar o túmulo do meu pai. Mas gosto de fazê-lo, em especial, no Dia de Finados. “Datas são meras convenções”, dizem muitos. Falei num dos posts de ontem sobre disciplina. Também há muito de “mera” convenção em seguir normas, regras, padrões.

Há um núcleo decoroso na ordem estabelecida sem o qual a vida se torna impossível. Não havendo um bom motivo para quebrar a norma, é muito mais livre quem a segue do que quem a desrespeita sem saber por quê. Disciplina e decoro podem ser sinônimos de liberdade. A desordem escraviza.” [grifo meu]

***

O que eu acho gozado é o penchant de Tio Rei em transformar a menor das ocorrências em uma ocasião para reafirmar seu credo conservador.

Historicamente, o Dia de Finados, ou Dia dos Defuntos Fiéis, ou ainda a Commemoratio omnium Fidelium Defunctorum, surge como uma oportunidade para interceder pelas almas dos que cometeram pecados veniais e por isso devem purificar-se no Purgatório antes de aceder ao Paraíso.

Me parece que Tio Rei, com essas manifestações constantes de orgulho e porque não dizer vaidade, está conseguindo na melhor das hipóteses comprar um tíquete para uma viagem sem escalas ao Hades.  Depois do que não haverá reza brava capaz de aliviar seus tormentos.

***

Curiosamente, o mesmo Tio Rei que exalta a Norma me vem com essa no caso da garota que quase foi linchada em uma universidade paulista por ter ido frequentar a aula com um vestido curto:

Se a roupa da moça era inadequada, ela deveria ter sido chamada pela direção da escola. Seria até compreensível a manifestação boçal de um ou de outro, embora censurável. Mas a turba exaltada, no pressuposto de que ela destoava do conjunto? O que é que há? Estamos na China da Revolução Cultural? Na Itália ou na Alemanha da década de 30? Não! Estamos no Brasil de 2009!!!” [grifo meu]

Reinaldão, não é possível que você não reconheça sua obra, rapaz!  Se você planta que a desordem _ que é um tipo de liberdade _ é escravidão, então é a ordem intolerante o que você colherá.   Tão simples assim.  Porque querer dar uma de bonzinho numa hora dessas?

Humm, bem, porque a resposta é clara:

Expansão e Barbárie

(…)Demagogos das mais variadas colorações, incluindo aqueles que estão no jornalismo e suas submodalidades, saúdam a chamada “expansão” do ensino universitário no país. É evidente que não estou aqui estabelecendo uma relação de causa e efeito, a saber: não fosse a dita expansão, isso não teria ocorrido. Não! Isso acontece nos ambientes em que a ética não tem grande relevância; em que os membros do grupo não se submetem a um código de conduta; em que vigora a anomia e o salve-se quem puder.

Então, agora sim: o que vai acima define boa parte das ditas universidades brasileiras, em sua desordenada expansão, freqüentemente com o leite de pata do dinheiro público. Se eu escrevesse aqui que aquilo a que se assistiu na Uniban é “inaceitável” numa universidade, muitos poderiam indagar: “Mas seria aceitável em qualquer outro ambiente?” A resposta, obviamente, é “não”. Aquilo é inaceitável numa sociedade civilizada.”

Ah, entendi.  A culpa é do ENEM e do PROUNI, que ficam aí franqueando a universidade a essa malta ignara.  E tem mais, aposto que os que quiseram lapidar a moça eram todos petralhas, essa gente que não aguenta ver um vestido cuja barra não esteja pelo menos abaixo do joelho.

O Lucas Llasch, lá do Ciencia Maldita, tem uma forma curiosa de anunciar que a Argentina está à frente do Brasil no ranking do recente relatório sobre diferença entre gêneros do World Economic Foruml:

“Bueh, y agrego hasta el puesto 100 por si alguno está buscando a Brasil…”

Mas vamos dar uma olhada nos dados detalhados do relatório:

gendergap

(clique para ampliar)

Vemos que o Brasil de fato está à frente da Argentina na maioria dos quesitos.  Onde perdemos feio, mesmo, é na questão da participação em cargos eletivos.

Mais uma razão para eleger a Dilma.  :)

Exhibit A:  Onde foram parar os cortes de impostos da era Bush.

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(clique para ampliar)

Exhibit B: Até Gorbachev tira um sarro do Ocidente.

The real achievement we can celebrate is the fact that the 20th century marked the end of totalitarian ideologies, in particular those that were based on utopian beliefs.

Yet new ideologies are quickly replacing the old ones, both in the east and the west. Many now forget that the fall of the Berlin wall was not the cause of global changes but to a great extent the consequence of deep, popular reform movements that started in the east, and the Soviet Union in particular. After decades of the Bolshevik experiment and the realization that this had led Soviet society down a historical blind alley, a strong impulse for democratic reform evolved in the form of Soviet perestroika, which was also available to the countries of eastern Europe.

But it was soon very clear that western capitalism, too, deprived of its old adversary and imagining itself the undisputed victor and incarnation of global progress, is at risk of leading western society and the rest of the world down another historical blind alley.”

Cientista prova que vampiros são uma impossibilidade matemática:

 

(…)Efthimiou has deduced the vampires are a mathematical impossibility with the following simple logic: if a vampire bit once a month, and all victims became vampires, the vampire population would increase exponentially until it wiped out the human population.

Efthimiou states that if the first vampire appeared on January 1st 1600, when the estimated human population was 536,870,911, everyone would be vampires in just “two and a half years”.

É que ele não viu Daybreakers:

***

Fico matutando se veremos nos próximos anos uma onda de “filmes de lobisomem” ou de “filmes de Frankenstein”, ou se realmente a idéia de vampiros tem um borogodó.

Na verdade, já tivemos as telas infestadas por vampiros antes, mas eram em sua maioria filmes B.  Depois a fixação com zumbis.  E aliás a licantropia também nunca nos abandonou de verdade.

Qualquer que seja o segredo dos dentuços, parece que até o Neil Gaiman já encheu o saco.

Descrição do Distrito 9 na seção “Cinema” do CorreioWeb, versão online do Correio Braziliense:

Distrito 9

(District 9, África do Sul/Nova Zelândia, 2009)

Sinopse: Grupo de extraterrestres transformam-se em refugiados na África do Sul. Inspirado no jogo Halo, da Microsoft.

Descrição do Halo, na Wikipedia (a 2 cliqs de distância da página do Correio):

Halo: Combat Evolved, ou simplesmente “Halo” é um jogo de tiro em primeira pessoa produzido pela subsidiária da Microsoft Game Studios, Bungie. Lançado inicialmente em 2001 para o console da Microsoft Xbox. O Halo é um enorme habitat espacial em forma de anel, que fica em um campo gravitacional entre um planeta e sua lua, o que causa a sua rotação gravitacional. No jogo, o jogador assume o papel de Master Chief, um supersoldado com uma armadura de batalha (Mjolnir Mark IV)para aumento de performance. Em nenhum dos jogos da série Halo foi mostrado o seu rosto. Master Chief é acompanhado por Cortana, uma Inteligência Artificial que está em seu capacete. O jogador enfrenta uma aliança de raças alienígenas durante o jogo, tanto a pé quanto em veículos, enquanto tenta descobrir o segredo de Halo.

Tudo a ver!

***

Ah, nosso jornalismo.

***

É verdade que, de certa forma, Distrito 9 nasceu da malograda tentativa de fazer um filme baseado no jogo Halo.  Porém eis o que diz o próprio produtor, Peter Jackson:

When Halo suddenly died, it was a bit of a shock but we thought: Let’s make an original, low-budget film — something where we won’t have to deal with a lot of studio politics.”

***

(*) copirráite Brad DeLong

Novo normal by Soros:

In response to the policy challenges presented by the economic crisis and the need to develop fresh approaches to economic theory, a group of top academics, policy-makers, and private sector leaders today announced the creation of the Institute for New Economic Thinking (INET)….

The Institute was established with a pledge of $5 million per year for 10 years from Open Society Institute Chairman George Soros, a long-time critic of classical economic theory, who will fund the effort through the Central European University (CEU).

The Institute will make research grants, convene symposia, and establish a journal. A first conference will be at King’s College, Cambridge on April 9-11. Scholars will explore the implications of the financial crisis for regulatory policy. The first round of research grants will be made before the end of the year to cutting-edge scholars working with leading universities around the world. INET’s Executive Director will be Robert Johnson, an economist with long experience in government, academia, and the private sector….

Speaking in Budapest at the CEU, through which INET will be funded and which will be a hub of the INET network, Soros said, “The entire edifice of global financial markets has been erected on the false premise that markets can be left to their own devices, we must find a new paradigm and rebuild from the ground up. I decided to sponsor INET to facilitate the process. I hope others will join me.” Because he is both an INET benefactor and proponent of a particular theory, Reflexivity, Soros will recuse himself from the grant-making process. “While I hope reflexivity will be one of the concepts examined, there are numerous alternatives to the prevailing dogma that must be explored.” Soros added.”

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é dos carecas que elas gostam mais

Nao sei porque, mas acho que essa ideia da Nariz nao vai dar certo…

Estou muito enrolado, mas vou fazer um post jogo rapido…quizz:

Quem quiser justificar nos comentarios, agradeco.  :)

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Se você pensa que a paixão irremovível pela propriedade intelectual viceja apenas no coração das grandes gravadoras e estúdios de Hollywood, está enganado.

Tom Sanford é um artista em NYC e um queridinho por .  Alguém foi dizer pra ele que um sujeito na Dinamarca havia decorado sua cozinha com reproduções de pinturas dele.  Ele foi atrás do sujeito no Facebook e…

This unexpected quasi-honor makes me think perhaps I have a future in home decor or maybe I could get on Top Design (a la Ryan Humphrey). I eagerly await IKEA’s offer to design kitchens. In the mean time, any and all contractors, interior designers, or DIYers are welcome to use my intellectual property in order to liven up that kitchen nook, just let me know first please!

Portanto, de hoje em diante, tenha cuidado com as fotos caseiras que você põe em seus perfis de redes sociais.  Você pode acabar sendo recriminado publicamente por um autor cujas obras você talvez nem reconheça que sejam dele…

Devo reconhecer uma coisa: hoje em dia, visito muito menos blogs nacionais que antigamente.

Não sei bem porque isso aconteceu.  Acho que um motivo é que houve um tempo em que havia uma lista de discussão de blogueiros da qual eu fazia parte.  Essa participação, é claro, gerava um convívio permanente que me incentivava mais a visitar blogs alheios.  Ela, entretanto, morreu (e eu tenho a impressão de que fui parte ativa no seu assassinato).

De vez em quando, porém, dou uma circulada para ver como andam os blogs por aí _ além, obviamente, daqueles dos quais sou fã de carteirinha, como o Rafael Galvão, o Nelson, o Na Prática e alguns outros que prefiro manter em segredo.  :)

Em uma andança recente fui parar no blog do Gravataí Merengue, hoje localizado no Interney.

Levei um susto. O  Gravataí tá irreconhecível.  Onde antigamente existia um blog alegre, irreverente, e não tão politizado, hoje vemos a face carrancuda de mais um clone de Reinaldo Azevedo.

Que eu me lembre houve uma controvérsia pesada envolvendo o Gravataí e o Luís Nassif. A história está mais ou menos contada neste post do Idelber e nos links que ele e seus comentaristas colocam lá.  Nesse post, o Perrusi fez um comentário inadvertidamente profético:

Leio o blog de Gravataí e de Nassif. Sou de esquerda. Politicamente, simpatizo com Nassif, mas leio atentamente as polêmicas de Gravataí. Muitas de suas críticas são perfeitamente justificáveis. Se é um trânsfuga da esquerda, não importa muito, aqui, nessa discussão. O transfúgio e o ressentimento têm uma afinidade eletiva (vide Tio Rei, Olavo Carvalho…), mas o que importa é a mensagem e não o mensageiro. E não considero Gravataí propriamente um ressentido contra a esquerda, em particular os petistas — ele parece ser um polemista, e gosta de uma provocação. Exemplo: num post, definiu o petismo como uma forma de religião. Pra quem não é petista, soou engraçado, embora seja equivocado. Mas seu blog é democrático, liberando os comentários e encarando de frente as críticas às suas posições.

Tenho a impressão de que o Gravataí já ultrapassou a fronteira do ressentimento hoje em dia, mas posso estar enganado, é claro.

***

UPDATE:

Por outro lado…

Descobri um post do Com Fel e Limão, do Vinícius Duarte et alii (o Vinícius comenta por aqui de vez em quando), bem recente, referindo-se a um post do Nassif onde ele teria conclamado seus leitores a descobrirem o endereço do Gravataí, aparentemente para poder processá-lo.

Penso que processar alguém é direito de qualquer um.  No entanto, incentivar uma legião de seguidores a descobrirem o endereço de um desafeto me parece uma tática reprovável de alto a baixo.  Até porque certamente não seria nada difícil para um bom advogado encontrar o Gravataí.

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Meio cheio ou meio vazio?

No Valor, uma reportagem curiosa de Arnaldo Galvão:

Estudo mostra que política pública reduz pouco pobreza

As políticas públicas de redução da pobreza e da desigualdade estão na direção correta, mas a força delas é insuficiente para resgatar as regiões mais pobres do país, especialmente Nordeste e Norte. Essa é a principal conclusão de um trabalho do Laboratório de Estudos da Pobreza (LEP) da Universidade Federal do Ceará (UFC) sobre o que ocorreu nos 27 Estados e no Distrito Federal, de 2006 a 2008.

O economista e professor Flávio Ataliba Barreto, coordenador da pesquisa, (…)  comenta que, apesar da queda da desigualdade, movimento que vem sendo verificado desde 2001, o Nordeste continua muito atrasado, com renda baixa e desigualdade alta. Ele lamenta que, nessa região, as políticas públicas não conseguiram reverter a situação “preocupante” mantida pelo baixo nível educacional. Na interpretação do professor da UFC, falta perspectiva para esse grupo de nove Estados que têm 28% da população brasileira, mas concentram 49% dos pobres. “Não há muito a comemorar no Nordeste. A região tem grande população, mas ainda é bastante dependente das transferências de renda”, conclui.

(…)

Os números da proporção de pobres na população revelam que todos os Estados e o Distrito Federal reduziram o número de pessoas que têm até meio salário mínimo como renda per capita familiar. De 2006 a 2008, o melhor desempenho é do Paraná. O Estado tinha 25,19% nessa situação e passou a ter 18,12%. Goiás aparece logo depois porque reduziu essa parcela da população de 30,87% para 22,20%. Em terceiro lugar está Mato Grosso, com queda de 33,10% para 24,18%.

As reduções mais tímidas da proporção de pobres na população, nesses dois anos, foram de Roraima (42,64% para 37,62%), Amazonas (47,36% para 41,88%) e Paraíba (53,98% para 48,98%).

(…)

Outra boa notícia, segundo Barreto, foi a redução do número absoluto de pobres em todos 26 Estados e no Distrito Federal. De 2006 a 2008, a maior diminuição, 26,68%, foi no Paraná. Em segundo lugar, veio Goiás com 25,89%. O terceiro melhor desempenho foi do Mato Grosso, com queda de 24,41% do número absoluto de pobres. Na outra ponta da lista, as reduções mais modestas foram em Roraima (7,44%), Paraíba (7,63%) e Amazonas (8,33%).”

***

Um copo pela metade sempre parecerá meio vazio para uns e meio cheio para outros, segundo a sede do observador.

Mas me parece um tanto exagerado dizer que uma política pública é “insuficiente” na redução da pobreza quando consegue resultados dessa magnitude em apenas 3 anos.

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The violence of the lambs

Alguém viu isso?  Existe MESMO?

Gosh.

Onde estão os inquisidores quando se precisa deles?

Deu no Valor:

Cremes com jeito de receita de bruxa chegam ao varejo

Cremes de beleza com ingredientes insólitos, e até mesmo repugnantes, como baba de escargot, veneno de serpente, esperma de salmão e fezes de pássaros vêm ganhando espaço na meca mundial dos cosméticos, a França. Com alegadas propriedades antirrugas ou hidratantes, esses produtos inspirados na fauna se beneficiam de uma tendência de consumo em voga, a do retorno às substâncias naturais. Os tratamentos cosméticos com ares de receita de bruxa já são vendidos em farmácias francesas e grandes perfumarias, como a rede Sephora, do grupo de luxo LVMH. (…)

Segundo um estudo da consultoria Mintel, especializada em tendências de comportamento dos consumidores, os fabricantes de cosméticos estão lançando cada vez mais produtos com ingredientes insólitos. Isso seria devido à proliferação de cremes no mercado. “Devemos escolher entre uma infinidade de produtos para a pele. Os fabricantes tentam encontrar novos e estranhos ingredientes que coloquem seus artigos em destaque”, afirma Alexandra Richmon, analista senior do setor de beleza da Mintel.

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Texto genial do Claudio Gonçalves Couto no Valor de hoje:

Por favor, provoquem-me!

Há uma semana, em meio ao seu périplo pelo Nordeste do país, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva aproveitou animado clima das aparições públicas para desferir alguns petardos. Parte deles se dirigiu a políticos de partidos de oposição, como o governador José Serra, criticado de forma irônica por não se preocupar com os problemas do semiárido brasileiro. Outras diatribes foram atiradas contra aqueles órgãos de controle da ação governamental que, no entender de Lula, impedem que as ações da administração federal caminhem mais celeremente. Dentre estes órgãos figurariam o Ministério Público e o Judiciário. Em resposta às críticas do presidente da República, o procurador-geral da República, Roberto Monteiro Gurgel, e o presidente do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes, reagiram de formas muito distintas (“Folha de S. Paulo”, 17/10/2009).

Gurgel optou pela sobriedade na defesa do papel de sua instituição. Na primeira entrevista que concedeu após quatro meses no cargo (sintoma de sua sobriedade), disse que “é natural que o administrador público se sinta incomodado com a atuação de órgãos que, de alguma maneira, levem ao retardamento da execução de projetos”, ressalvando que “o Ministério Público não é nem pode ser contra qualquer tipo de empreendimento, seja público ou privado, mas é seu dever exigir a observância das normas”. Por fim, reconheceu a inevitabilidade de atrasos causados pela ação diligente do Ministério Público, observando que, se a demora resultar da defesa da legalidade, isto é apenas uma consequência da vontade do legislador.

Já o ministro Gilmar Mendes, novamente incorporou a persona de líder da oposição no STF. Após defender o papel do Judiciário com a doutrinariamente correta afirmação de que “o Judiciário só age por provocação”, interpretou as diatribes de Lula como “parte deste momento de palanque que o presidente está vivendo”, emendando, noutra entrevista, que o governo parecia estar “testando” a Justiça Eleitoral.

Nesta semana, Gilmar Mendes se superou e foi além (“Folha de S. Paulo”, 21/10/2009). Não fosse conhecida a autoria, seu discurso de crítica aos eventos protagonizados por Lula na semana passada poderia ser identificado por alguém desavisado como tendo sido proferido por Demóstenes Torres (DEM-GO), Arthur Virgílio (PSDB-AM), Roberto Freire (PPS-PE), Álvaro Dias (PSDB-PR), Heráclito Fortes (DEM-PI), ou qualquer outro parlamentar de partidos da oposição. Desta feita, o líder da oposição no Supremo questionou: “É lícito transformar um evento rotineiro de governo num comício?”, para depois requisitar: “Se houver esse tipo de propósito, o órgão competente da Justiça tem que ser chamado para evitar esse tipo de vale-tudo”. O fecho dourado desse discurso oposicionista proferido a partir da toga foi um pedido que talvez nem o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso fizesse melhor: “É uma avaliação que precisa ser feita. A Procuradoria Geral Eleitoral, o Superior Tribunal Eleitoral (sic) precisa… Vocês próprios [os repórteres] podem fazer a comparação. Como se fiscalizava obra antes e como se está a fiscalizar agora.”

Do ponto de vista do conteúdo de sua fala, Gilmar Mendes parece-me coberto de razão. Como ele próprio observou, questionando: “Pelas descrições que vimos na mídia, está havendo sorteio, entrega, festas, cantores. Em suma, isto é o modo de fiscalizar tecnicamente uma obra?”. De fato não é. Ao menos num Estado democrático de direito. Num regime deste tipo não cabe a um chefe do Poder Executivo transformar atos públicos oficiais, pretensamente de verificação do andamento de ações governamentais, em oportunidades para promoção pessoal sua e de sua candidata. Assim como não cabe utilizar essas ocasiões – e os recursos públicos que lhes tornam possíveis – para criticar membros da oposição. É tão condenável isto como é inaceitável o uso chavista que faz o governador do Paraná da TV Educativa estadual para atacar adversários políticos e se promover.

Mas o que dizer então de um juiz – ou mais, do chefe do Poder Judiciário – que usa de seu cargo para criticar um governo ao qual se opõe? Nada mais natural que os parlamentares mencionados nesta coluna desferissem contra o presidente da República críticas como as de Gilmar Mendes e, sobretudo, comparassem os atos do atual governo com o de governos anteriores (em particular o do último presidente antes de Lula). Mas é muito preocupante que se manifeste publicamente desta forma um magistrado, a quem eventualmente caberá julgar o presidente por tais atos. De certa forma, pode-se dizer, o julgamento já está feito e bastaria proferir a sentença.

A pior parte da conduta do presidente do Supremo é o pedido que faz a quem puder se interessar (a oposição, o Ministério Público?) para que inste o Judiciário a se manifestar sobre a viagem de Lula. É claro que tal manifestação dar-se-ia, em princípio, pelo Tribunal Superior Eleitoral, que – como já mostrou Vitor Marchetti em elogiadíssima tese de doutoramento sobre a Justiça Eleitoral – é uma antecâmara do STF para assuntos eleitorais e partidários. Ironicamente (ou contraditoriamente), é esse mesmo juiz quem afirma que “o Judiciário só age por provocação”. A esta fala poder-se-ia agregar outra, implícita em suas outras declarações: “Por favor, provoquem-me!“.

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Na Teletime, entrevista com Evan Williams, CEO do Twitter.  Trecho:

TELETIME – Vocês são muito populares no Brasil. Não temem que aconteça com o Twitter o que aconteceu com o Orkut e que uma invasão de brasileiros prejudique a estratégia global de vocês?

Evan Williams – Não olhamos isso de maneira negativa e os brasileiros são bem-vindos. Estamos crescendo muito lá e isso nos deixa felizes. O Orkut tem muitos brasileiros e isso não é necessariamente ruim.

TELETIME – Mas o Orkut não é forte em outros países como outras redes sociais.

Evan Williams – Mas isso definitivamente não é culpa dos brasileiros. O Twitter, de qualquer maneira, é mais balanceado. Fazer sucesso no Brasil não significa ser mal sucedido em outros países.”

***

Sim, essa história já circulou demais (a braziliniazação do Orkut).  Achei uma lista no Search Journal tentando explicar o fenômeno (sim, sim, esse assunto também já é meio velho):

“1. Brazilians are incredibly community oriented and refer to groups as Tribalistas, or tribos. People tend to associate with these groups in everyday conversation and continuously refer to how they are Heavy Metal fans, Evangelical Christians, Sambistas, Macumberos, PT supporters, or whether they prefer Skol to Kaiser.

Social Networking caught on really quick in Brazil because of this relevance to everyday life. There is definitely more of a coolness factor to social networking in Brazil.

2. Orkut is very easy to pronounce in Portuguese. Try telling someone from Brazil to go to Friendster.com or MySpace. The names of those sites are lost in translation. When someone pronounces “Orkut” in Portuguese (especially Brazilian Portuguese with the heavy incluence on the “ch” T sound), they can easily spell it, visualize the word and remember it next time they get infront of the computer.

3. Orkut sounds like Yakult or “iogurte” (yogurt). Yakult is the Brazilian version of the popular Japanese Yakult yogurt drink. Everyone drinks it in Brazil when they’re kids. There is a totally unintentional instant association between the words Orkut, Iogurte and Yakut in Brazil.

4. Brazilians with constant Internet access are on the upper echelon of “differencia social.” Although Brazilians are some of the most outgoing people I’ve ever met, they are quite cautious when meeting others and inviting them into their circle of friends.

By using a service like Orkut, users can prequalify the new friends they make by judging their ability to access the Internet, write and read correctly, and see which friends they share.

5. The fact that Orkut is now associated with Brazil has added flame to the popularity fire. This is a country which is quite proud of their culture, economic position in South America, and World Domination of Soccer (futbol). Now, they are proud to have Orkut as their own.

6. Mobility – Many young professionals or just younger Brazilians in general have moved from Sao Paulo to Curitiba, Floripa and other bustling southern Brazilian towns (not to mention Miami, New York, Washington DC, Italy, Spain, and Japan). Social Networking is a way to keep in touch with groups of friends much easier than mass emails.

7. A large number of Brazilians access the Internet from Internet Cafes and online gaming cafes. Orkut has grown in popularity due to this mobility factor. One can access their accounts from anywhere.

8. I’ve noticed with some Brazilians, especially women, there is a lot of competitiveness when it comes to attracting attention (this could be universal of course). The awards, fan citations and friendship offerings in Orkut just fuel this tendency. It’s also cool to have Orkut ‘friends’ from Europe, the US, and Japan on your profile.

9. Again, Yakut and pronunciation. When I told the people at Google about the pronunciation factor they seemed amazed. Google is beginning to enjoy the same compatibilty with the Portuguese language. Not to say Yahoo does not, and Hotmail certainly does, but the Google hip factor has made “goo-gly” a new part of the Brazilian Portuguese language and its association with Orkut is beginning to lead to Google and GMail converts.

10. Orkut’s color scheme is the same as the Brazilian World Cup team’s away jerseys (or is it home? the BLUE ones). This is going out on a limb however, since the color is also similar to Argentina’s flag and uniform colors.

11. Lack of advertising. Most Brazilians I know are sick of advertising. Outdoor billboards, political radio infomercials, ads painted on walls, cars driving around with loud speakers on top, people selling water or Silvio Santos Tele Sena lotto tickets clapping their hands at the gate outside of the house – referred to as Poluicao Visual. Orkut has no advertising, yet :)

Pessoalmente, acho que as melhores explicações são a 2, a 5 e a 8 .  A 8, porém, não é específica do Orkut _ poderia estar ocorrendo também no Facebook ou no MySpace (atenuante: o Facebook é mais cioso da privacidade que o Orkut, ou pelo menos que o Orkut quando ele se tornou popular no Brasil; o MySpace eu realmente não sei).

Mas a questão que queria colocar aqui é:  será que a brasilianização é o caminho do Twitter?

Cartas para a redação.

encarnacaocima

Caixão, meu comandante!

Deu no G1:

A esquerda do Uruguai se afirma como a favorita para se manter no poder por mais cinco anos, disseram analistas políticos e uma nova pesquisa de opinião nesta quarta-feira (21), a quatro dias das eleições gerais no país.

No entanto, o candidato presidencial do partido da situação, Frente Ampla, o ex-guerrilheiro José Mujica, deve ir a segundo turno em novembro contra o ex-líder Luis Alberto Lacalle, do centro-direita Partido Nacional (PN) ou Branco, segundo as pesquisas.”

Interessante depoimento encontrado em um site pelo Mark Thoma do Economist´s View:

I once heard from a Russian reporter about her early days on the job. “Whenever we read an article about the health dangers of butter, we would immediately run out and buy as much butter as we could find,” she told me. “We knew it meant there was about to be a butter shortage.” In other words, Russians looked only for the agenda, the motivation behind the assertion. The actual truth was irrelevant.

O Thoma diz que anda se comportando assim também _ buscando sempre as motivações atrás das aparências _ e se pergunta se está ficando paranóico ou realista.  O que vocês acham?

Ontem eu estive chateando com um amigo e recebi um eco dessa história dos “smart guys” destruindo Wall Street.  O eco veio via o Krugman mas a idéia original veio desta op-ed do Calvin Trillin.  Para resumir:

“When the smart guys started this business of securitizing things that didn’t even exist in the first place, who was running the firms they worked for? Our guys! The lower third of the class! Guys who didn’t have the foggiest notion of what a credit default swap was. All our guys knew was that they were getting disgustingly rich, and they had gotten to like that. All of that easy money had eaten away at their sense of enoughness.”

O Drezner faz uma pergunta sensível: talvez o problema tenha sido o fato de que os caras espertos estavam sendo comandados pelos caras burros.  Então, a solução, ao invés de despedir os caras espertos, talvez seja demitir os burros e colocar os espertos em seu lugar.

O problema, ao meu ver, é que se os caras espertos não perceberam que estavam fazendo uma grande besteira, o que os faria pensar de modo diferente se estivessem na direção?

 

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