hicsuntdracones

Prezados 4,5 leitores,

Alguns de vocês notaram que chegamos ao um milhão de hits, e nos cobraram algum tipo de festividade.

O que vocês não sabiam é que já há alguns meses eu havia decidido que a marca de um milhão de hits também selaria o fim, ou pelo menos a paralisação por tempo indeterminado, deste blog.

A razão básica é que este ano ocorrerão algumas transformações substantivas na minha rotina diária e, embora hoje o blog não demande tanto tempo assim, não sei se isso não acontecerá no futuro próximo.  Assim, pelo menos até que meus afazeres diários atinjam seu novo equilíbrio, e ele revele que ainda existirá alguma sobra de tempo para que eu volte a blogar, vamos dar uma paradinha.

Não é sem pesar, é claro, que faço isso, porque todo blog acaba criando uma comunidade _ extensiva até mesmo aos nossos trolls de estimação _ e não deixa de ser triste fazê-la acabar.   Mas tudo na vida passa, não é?  E felizmente temos vários  bons blogs por aí na blogoseira, onde ocasionalmente eu lhes farei companhia como “reles” comentador, também.  :)

Então é isso, foi muito bom estar trocando idéias com vocês nestes dois anos em que o blog esteve ativo.   E quem quiser dar um plá sempre poderá [tentar] me achar no ohermenauta@gmail.com!

Até!

***

Galera, obrigado pelas congratulações, sugestões & recomendações.  Valeu mesmo.

E quanto a isso aqui, só posso dizer que Kate Lyra estava mesmo certa: brasileiro é tão bonzinho…   :)

***

UPDATE:

Comentários encerrados.  O blog dorme.

Fiel ao seu paradigma da ação comunicativa como catalisador do potencial emancipatório da razão das candongas, Jurgen Habermas, que vai fazer oitentinha agora em junho, já tem Twitter.

Será que James Cameron é o Oliver Stone do século XXI?  Ou, pior, o Gillo Pontecorvo de nossa época?

Talvez. “Avatar” é um filme curioso, pois continua sendo um enorme sucesso de público (os números mostram que ele já ultrapassou  “Titanic” como a maior bilheteria de todos os tempos – embora um certo desconto deva ser feito pelo fato de que os ingressos nos cinemas 3D é são um pouco mais caros), ao mesmo tempo em que atrai críticas à direita e à esquerda do espectro ideológico.

Em entrevista recente, Cameron teve que fazer algo que julgo inédito para um profissional de Hollywood durante um governo Democrata: defender-se das acusações de que seu filme é anti-americano.  E penso que ele o fez com galhardia:

Speaking at a private industry screening of the film, the director with his star Zoe Saldana said that “Avatar” — with its depiction of mineral exploitation on a distant planet and a cadre of trigger-happy mercenaries charged with instituting a scorched earth policy — is very much a political film.

But he rejected comments by critics that the film is un-American even if it is an allegory for American military forays.

I’ve heard people say this film is un-American, while part of being an American is having the freedom to have dissenting ideas,” Cameron said, prompting loud applause from a capacity crowd at the ArcLight Hollywood.

This movie reflects that we are living through war,” Cameron added. “There are boots on the ground, troops who I personally believe were sent there under false pretenses, so I hope this will be part of opening our eyes.” [grifo meu]

Então.  Até o Evo Morales concorda.  :)

As críticas à esquerda, pelo menos as que eu vi, me parecem menos interessantes.  Em sua maioria, acusam o filme de racismo, pelo fato de os Na´vi precisarem, ao cabo e ao rabo, de um humano “convertido” para liderar sua luta contra a ocupação terráquea.  Outros criticam a lentidão com que o protagonista assume seu dilema moral.  Tudo isso procede, mas eu prefiro lidar com fatos, e os fatos são, em ordem decrescente de importância:

a) Jake Sully é um marine, alguém de quem se espera qualquer coisa menos preocupar-se com os dilemas morais da guerra, e talvez a maior crítica que se possa fazer ao filme é que a despeito disso ele termina por preocupar-se com esse tipo de coisa _ embora devamos levar em conta que em certo momento do filme fica claro que os Na´vi o adotaram para “curá-lo de sua insanidade”;

b) o fato é que, para traçarmos um paralelo histórico, poucas vezes na História um povo ou civilização tecnologicamente inferiorizado foi capaz de resistir à agressão de forças tecnologicamente superiores _ e nesse caso talvez o problema do filme tenha sido o de que os terrestres tenham sido, afinal, derrotados (ainda que pela “Gaia” do planeta e não pelos Na´vi ou mesmo Jake Sully, embora ele é quem tenha tido a idéia _ que vergonhosamente não ocorreu aos Na´vi _ de apelar pra ela);

c) pessoal, estamos falando de um filme de Hollywood, que tem que passar por uma enorme quantidade de filtros (principalmente financeiros) antes de se transformar em um projeto real; Cameron simplesmente não teria conseguido pôr a mão no orçamento que teve, se tivesse se dedicado a criar um filme que trabalhasse meticulosamente todos os problemas sociológicos, filosóficos e morais da situação _ principalmente porque, independentemente dos pendores ideológicos dos CEO´s em Hollywood, um filme assim não atrai grandes públicos e não dá retorno.

Já a crítica à direita varia entre a previsível e a francamente imbecil.  No geral, ela se reduz a recriminar a “ingenuidade” do filme em retratar a tentativa de genocídio de uma civilização por outra tecnologicamente superior, em uma curiosa exibição de má consciência em que a única “suspension of disbelief” admitida é a da ficção do “direito natural”.

Mas há casos patológicos.

Tomemos, por exemplo, Jonah Goldberg, o cara que ficou famoso por escrever um livro (“Liberal Fascism”, traduzido no Brasil como “Fascismo de Esquerda“) que confunde autoritarismo e tendência ideológica e propõe a tese de que o fascismo é um movimento de esquerda, usando argumentos que, quanto à sua estrutura lógica,  já deviam ter sido colocados em seu devido lugar ao tempo de Aristóteles.

Goldberg cometeu um artigo no Los Angeles Times que tem, ao menos, o mérito de possivelmente acabar com toda e qualquer pretensão do rapaz à seriedade.  Porque nesse artigo a grande recriminação que Goldberg faz ao filme é que, raios, como é possível que os Na´vi não tenham Jesus em seu coração???

The film has been subjected to a sustained assault from many on the right, most notably by Ross Douthat in the New York Times, as an “apologia for pantheism.” Douthat’s criticisms hit the mark, but the most relevant point was raised by John Podhoretz in the Weekly Standard. Cameron wrote “Avatar,” says Podhoretz, “not to be controversial, but quite the opposite: He was making something he thought would be most pleasing to the greatest number of people.”

What would have been controversial is if — somehow — Cameron had made a movie in which the good guys accepted Jesus Christ into their hearts.

Of course, that sounds outlandish and absurd, but that’s the point, isn’t it? We live in an age in which it’s the norm to speak glowingly of spirituality but derisively of traditional religion. If the Na’Vi were Roman Catholics, there would be boycotts and protests. Make the oversized Smurfs Rousseauian noble savages and everyone nods along, save for a few cranky right-wingers.

Levando em consideração que os primeiros navegadores europeus só precisavam ir ali na África para encontrar gente que jamais tinha ouvido falar de Cristo ou por falar nisso em um Deus único, seria deveras engraçado esperar que um tal espanto se realizasse em Alpha Centauri, por mais que ensinemos às crianças que Papai do Céu está, oras, no Céu.

[na verdade, Goldberg quer mesmo é dizer que uma das razões do sucesso do filme é sua aura “religiosa” em termos de uma conexão transcendental com a Natureza, e que isso só é possível porque nós temos um “instinto de fé” _ uma assertiva fácil de se jogar nas páginas de um jornal para leigos, mas que, a vero, é objeto de uma complexa discussão evolucionária]

***

Em um curioso “twist” nesse tema do embate entre esquerda e direita acerca de “Avatar” lá no Exterior, no Brasil o filme acabou se tornando foco de algo parecido, só que no papel de bode expiatório, como se pode ver na entrevista dada pelo Barretão no Globo Online:

Mas o que o senhor acha que aconteceu para o público do filme ficar abaixo do esperado?
BARRETO
: Houve vários erros. O primeiro foi realmente termos aceitado exibir o filme na abertura do Festival de Brasília. Brasília é a capital política do país, e, naquela altura, já surgiam os primeiros comentários de que o filme teria uma influência nas eleições. Estávamos entrando na arena dos leões. Além disso, a data era muito longe do lançamento. O filme teve uma exposição a partir de Brasília que só se justificaria se lançássemos uma semana depois. Com o “Tropa de elite”, por exemplo, assim que surgiu o fato da pirataria, deflagrando uma mídia grande, eles anteciparam o lançamento. Nós poderíamos ter tido um pouco mais de audácia e fazer o mesmo. Se fizéssemos, também teríamos evitado a onda do “Avatar”, que foi subestimado, não só por nós, mas por todo mundo. A gente achou que o “Lula” seria a grande novidade. Aí comprovou-se que “Avatar” não era apenas um grande evento, mas também um muito bom filme.” (grifo meu)

Tio Rei, é claro, pinta e borda em cima:

Barretão sabe que não tem essa de lançamento errado, Avatar etc. Foram dois os erros principais:

a) O primeiro foi mesmo de expectativa. O filme mais caro da história do cinema brasileiro ambicionou ser o de maior bilheteria;

b) se a expectativa era essa, já expliquei em outro texto que a personagem teria de ser outra.”

Bom.

Qualquer um que lide com indústria de cinema a sério sabe que existem algumas variáveis chave no negócio, uma vez estando o filme pronto:  o número de cópias produzidas (com reflexo, evidentemente, no número de salas onde o filme será lançado) e a competição em termos de que outros filmes serão lançados conjuntamente ao seu.

A distribuidora do LFB é a Downtown Filmes, fundada por Bruno Wainer em 2006.  Bruno Wainer, filho de Danuza Leão com Samuel Wainer, não é exatamente um leigo nesse mercado _ na verdade ele é um grande nome da indústria nacional, e conhece as regras do jogo.  Bem, Avatar foi lançado em 18 de dezembro, LFB em primeiro de janeiro _ dois fins de semana depois.  Eu não acredito que Wainer tenha realmente achado que ‘Avatar” era, assim, um azarão; e mesmo tendo evitado o lançamento ombro a ombro,  também não creio que Wainer pudesse acreditar que dois finais de semana _ sendo que um, o fim de semana do Natal _ fossem suficientes para “esvaziar” a pressão da demanda por “Avatar”.  Resta especularmos sobre o porque de resolverem lançar o filme assim mesmo.

Portanto, acho leviano, da parte do Tio Rei, dizer “que não tem essa de lançamento errado, Avatar etc“.  Tem essa sim, é claro.  E tanto o Barretão sabe disso que na mesma entrevista diz que o negócio foi “um erro de avaliação coletiva” de produtores, distribuidores e exibidores.

Por outro lado, é verdade, e nisso concordo com Reinaldo, que nego tinha altas expectativas quanto ao filme _ não tivessem, não o teriam feito estrear em mais de 400 salas, um número superior ao campeão nacional de bilheteria atual, “Se Eu Fosse Você 2″, com 300 salas.  Em poucas palavras, apostaram alto, acreditando que o alto grau de aprovação da figura de Lula como presidente se traduziria em um maná de ingressos de cinema.  Ledo engano _ o brasileiro não tem muita vocação para este tipo de coisa.  Acho que nem Getúlio Vargas na década de 30 teria sido sucesso de público.  Talvez Pedro I…  :)

Nova garota propaganda da Natura!

Tio Rei escreve o seguinte sobre a hipertensão de Lula:

Lembrem-se, ao comentar, de que, neste blog, torcemos sempre pela saúde das pessoas. De qualquer pessoa. À diferença das falanges do ódio que são estimuladas — e remuneradas para tanto — a fazer o serviço sujo na Internet e a torcer pelo fim daqueles que consideram seus adversários (sei bem do que falo!!!), torcemos pelo bem-estar de aliados e de adversários. Queremos os primeiros como parceiros de luta. Queremos os outros como oponentes na luta.

Ele está na fase “sopra” do “morde e sopra”.  Dando uma de bom moço nas preliminares.  Mas se o padrão instituído no caso do câncer da Dilma se repetir, já já ele estará acusando o coração do Presidente de crime eleitoral…

Às vezes a gente fica se perguntando como foi que não pensou nisso antes.

Massive Earthquake Reveals Entire Island Civilization Called ‘Haiti’

PORT-AU-PRINCE, HAITI—Less than two weeks after converging upon the site of a devastating magnitude 7.0 earthquake, American anthropologists have confirmed the discovery of a small, poverty-stricken island nation, known to its inhabitants as “Haiti.”

Located just 700 miles off the southeastern coast of Florida, the previously unaccounted-for country is believed to be home to an estimated 10 million people.

Even more astounding, reports now indicate that these people have likely inhabited the impoverished, destitute region—unnoticed by the rest of the world—for more than 300 years.

Researchers believe this was once the capital, though it’s unclear if the Haitian people ever had a truly functional government.

“That an entire civilization has been somehow existing right under our noses for all this time comes as a complete shock,” said University of Florida anthropology professor Dr. Ben Oliver, adding that it appeared as if Haiti’s citizens had been living under dangerous conditions even before the devastating earthquake struck. “Of course, there have been rumors in the past about a long-forgotten Caribbean nation whose people struggle every day to survive, live in constant fear of a corrupt government, and endure such squalor and hunger that they have resorted to eating dirt. But never did we give them much thought.”

Added Oliver, “Had it not been for this earthquake, I doubt we would have ever noticed Haiti at all.”

Deu no Slashdot:

“”India plans to launch its first manned space mission in 2016, moving to become the fourth nation to put a man in space. Space scientists and senior officials of the state-run ISRO are preparing a pre-project report to build the infrastructure and facilities for the mission, estimated to cost a $2.76 billion. ‘We are planning a human space flight in 2016, with two astronauts who will spend seven days in the Earth’s lower orbit,’ Radhakrishnan told reporters at ISRO headquarters in Bangalore. In September, India’s Chandrayaan-1 satellite discovered water on the moon, boosting India’s credibility among established space-faring nations.

Agora uns dados tirados do CIA Factbook:

Ah:

Brasil no “Doing Business”: 129

India no “Doing Business”: 133

***

Let the fight begin.

Resumo da coisa, pelo Engadget:

  1. It’s not light. It feels pretty weighty in your hand.
  2. The screen is stunning, and it’s 1024 x 768. Feels just like a huge iPhone in your hands.
  3. The speed of the CPU is something to be marveled at. It is blazingly fast from what we can tell. Webpages loaded up super fast, and scrolling was without a hiccup. Moving into and out of apps was a breeze. Everything flew.
  4. There’s no multitasking at all. It’s a real disappointment. All this power and very little you can do with it at once. No multitasking means no streaming Pandora when you’re working in Pages… you can figure it out. It’s a real setback for this device.
  5. The ebook implementation is about as close as you can get to reading without a stack of bound paper in your hand. The visual stuff really helps flesh out the experience. It may be just for show, but it counts here.
  6. No camera. None, nada. Zip. No video conferencing here folks. Hell, it doesn’t have an SMS app!

Vamos ver como reage a demanda.  Ainda não dá pra saber se vai haver um problema de posicionamento de produto.  Afinal, ninguém reclamou que o Kindle é incapaz de multitasking, de telefonar ou de tirar uma foto…se você olhar para o iPad como um concorrente de um e-reader, ele, apesar de mais caro, joga.  Se você olhar para ele procurando um McBook, você vai se decepcionar.

Talvez algumas dessas ausências não sejam uma “falha”: podem ter sido deliberadas, para evitar a canibalização do iPod e dos notebooks.

Talvez o problema é que as pessoas esperassem mais “netbookness” do e-reader da Apple.  Bom, aí eu acho que se a Apple ainda espera produzir TAMBÉM um netbook, aí talvez ela realmente tenha jogado mal.

Em toda essa zona sobre o lançamento do tablet da Apple, o que mais me espanta é o fato de que até agora não vazaram fotos do equipamento.

Em um mundo onde filmes inteiros são pirateados de dentro dos estúdios antes de seu lançamento, e onde equipamentos capazes de fotografar e filmar são ubíquos, isso diz muito sobre os procedimentos de segurança da empresa da maçã.

Mas hoje é o dia, e talvez tenha havido algum relaxamento no cerco ao tablet.  Portanto, aí embaixo tem uma foto, teoricamente do tablet, que faz parte de um conjunto de fotos descoladas pela Endgaget.  O troço tem a aparência de ser algo feito para uso militar…provavelmente porque, a ser verdadeiro, era um protótipo ainda sem as soluções para fabricação em massa.

(clique para ampliar)

Mas não fiquem muito animadinhos.  Vejam isso:

(clique para ampliar)

É uma foto vazada do que seria um iPod vídeo, que saiu na Endgaget em…2006…notam a semelhança com o iTouch?  Pois é, nenhuma.  :)

Já o Link do Estadão não tem foto, mas mostra o tweeter de um cara que aparentemente vem betatestando o aparelho há duas semanas.

A ver…

***

UPDATE:

Começou.  O Jobs até que parece saudável:

Tem uma lenda urbana rolando por aí, segundo a qual o Jobs teria gasto uma grana preta pra financiar uns caras que clonaram um novo pâncreas pra ele…

Hahahaha, eles usaram a mesma imagem que o cara de quem eu roubei aí embaixo…………..

iPad!

The real mccoy:

Era o aparelho cuja foto vazou, mesmo, só que agora com acabamento “fino”.

Hummm………..

A salvação do NYT?  :)

Ei, achei esperto, isso:

Puxa, serve até como porta-retratos!

Um porta retratos meio caro, é verdade.

E…games!

Humm…NYT, indeed:

E agora, livros:

Ele sacaneia Bezos…

“That’s an ebook reader. Now Amazon has done a great job of pioneering this… we’re going to stand on their shoulders for this. Our new app is called iBooks.”

Que gracinha!

E lá vem iBooks, a nova lojinha:

Depois de mais um monte de aplicações etc, vem a parte séria: grana!

Uau.

Suspense…

É, não é barato, mas definitivamente, não é um pato morto:

Na onda de tentar cobrir todos os aspectos possíveis da pendenga entre o Google e a China, o Financial Times produziu uma matéria que contém afirmativas curiosas.  Por exemplo, procurando explicar a singularidade da internet chinesa, a matéria diz o seguinte:

Google itself took years to find out that Baidu – its Chinese rival, which has more than 60 per cent of the domestic market in online search – offered a search box formatted in a way much better suited to Chinese characters than its own. The US company was also slow to tackle one of Baidu’s main strengths in attracting user traffic: its free music download service. Only last year did Google launch an equivalent.

OK, isso é algo que eu posso admitir.  A língua escrita realmente é um problema devido aos caracteres chineses.

One reason for these difficulties is that US companies took a long time to realise that Chinese people use the web differently from their counterparts in other markets. Simply put, they tend to roam the web like a huge playground, whereas Europeans and Americans are more likely to use it as a gigantic library. Recent research by the McKinsey consultancy suggests Chinese users spend most of their time online on entertainment while their European peers are much more focused on work.”

Financial Times, Brasil.  Brasil, Financial Times.

Sério, isso não deveria ser um problema para ninguém, a internet é plástica a ponto de admitir todos os tipos de usos, e o Brasil, onde os internautas têm comportamento similar, não é um problema para as empresas estrangeiras, não é mesmo?

Behind this difference is the fact that Chinese internet users are comparatively young, poor and less educated – a result of the fact that the country is moving online at the same rapid pace as it is expanding its economy. According to China Internet Network Information Center, 61.5 per cent of users are below the age of 29, and only 12.1 per cent have a university degree or higher. Some 42.5 per cent have a monthly income of Rmb1,000 ($146, €102, £89) or less. As the government is encouraging rural computer and handset sales, and mobile operators move beyond saturated urban markets in search of new subscribers, even larger numbers of low-income users are expected to join in the years ahead.”

Financial Times, Brasil.  Brasil, Financial Times.

Beyond aesthetics, Chinese web users are much more lively than their western peers – a characteristic that forms consumption preferences. “The amount of comments posted per user in China is double that of other geographies,” says Dan Harple of GyPSii, a mobile social networking application that allows users to post recommended places and events, and comment on them. One Chinese GyPSii user posted 300 places and 7,000 comments within a few months.

Financial Times, Orkut Brasil.  Brasil, Financial Times.

O que está havendo com o jornalismo de negócios?

Deu no Pravda:

Critérios de sustentabilidade são incorporados às licitações do governo federal

A utilização de critérios sustentáveis na aquisição de bens e na contratação de obras e serviços pelos órgãos do governo federal foi regulamentada pelo Ministério do Planejamento. As regras abrangem os processos de extração ou fabricação, utilização e o descarte de produtos e matérias-primas. De agora em diante, as obras públicas serão elaboradas visando a economia da manutenção e operacionalização da edificação, redução do consumo de energia e água, bem como a utilização de tecnologias e materiais que reduzam o impacto ambiental.”

E depois o governo quer “facilitar” sua vida com o TCU…

Contagem regressiva

Na Wired:

Pumzi, Kenya’s first science fiction film, imagines a dystopian future 35 years after water wars have torn the world apart. East African survivors of the ecological devastation remain locked away in contained communities, but a young woman in possession of a germinating seed struggles against the governing council to bring the plant to Earth’s ruined surface.

(…)

Like recent standouts District 9 and Sleep Dealer, the short film taps into Third World realities and spins them forward for dramatic effect. But to produce Pumzi, Kahiu looked to the past, as well as the future.” [grifo meu]

***

Isso me lembra desse artigo sobre a necessidade da ficção científica:

We live in a world that is incredibly frightening for a growing portion of the population because of the exponential rate of change and development we are experiencing. (…). Our world is changing so fast now that we often don’t have time to contemplate the full ramification that come with the increasingly rapid adoption of new technologies and social changes. Most often this is simply because these changes are being introduced almost one after another after another without any time to breath. Speculative fiction however, if widely adopted makes it almost instinctive that we think about these situations and possible outcomes before they even arise. It puts our brains into a future simulator of sorts where we are running through countless of possible outcomes for our society every week, culminating to subconscious database of sorts of ‘what if’ scenarios that we carry around with us. Without this database in our heads we blindly charge forward through the jungle of our progress without any regard of potential cliffs that lay ahead until it is too late.

Isso me faz pensar sobre as razões pelas quais o Brasil não produz ficção científica de nenhuma espécie, nem no audiovisual, nem na literatura.  Será que é porque abdicamos de pensar o futuro?  Talvez.

Onde foi parar este filme??

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Talvez tenha passado desapercebido ao público brasileiro o fato de que agora em Janeiro a Suprema Corte dos EUA liberou a possibilidade de grandes empresas financiarem campanhas políticas naquele grande país, sem limites quando ao volume de recursos gasto por candidato:

Suprema Corte dos EUA libera financiamento de campanhas políticas por grandes empresas

NOVA YORK – Uma Suprema Corte muito dividida aprovou na quinta-feira a decisão de abolir os limites para gastos de grandes corporações com campanhas eleitorais nos EUA e causou fortes protestos de políticos em Washington e de entidades de defesa da liberdade de expressão. A sentença derrubou limites de financiamento de campanha que vigoraram nos últimos 20 anos. A decisão foi aprovada por cinco votos contra quatro e também prevê que todos os anúncios pagos pelas campanhas devem explicitar o nome do patrocinador que deu o dinheiro. Até então, todas as doações de campanha eram destinadas a um comitê politico e, mesmo assim, com limites. Na eleição presidencial de 2008, o limite individual foi de US$ 2.400. Agora, empresas poderão destinar recursos diretamente a um determinado candidato, sem intermediações nem limites.”

Embora John McCain tenha se revelado “desapontado” com a sentença,  justamente por isso é que suponho que a maioria dos republicanos tenha gostado da idéia, como o Senador Mitch McConnel, do Kentucky, líder da minoria no Senado.

- Por muito tempo, grandes empresas foram impedidas de participar plenamente das campanhas políticas, e esta decisão é um reforço da Primeira Emenda, que garante liberdade para todos, inclusive grandes corporações. É um reforço da liberdade e não uma ameaça à democracia.

É isso aí.  No Voloch Conspiration também abundam defesas da sentença, em geral seguindo o mote “empresas também são gente“.

Acho que isso diz muito sobre a possibilidade de qualquer proposta legislativa sobre a regulação dos serviços financeiros passar no Congresso norte-americano após 2010.

***

Comentando uma flor de retórica exposta em um artigo de Larry Lessig, segundo a qual embora ninguém possa em sã consciência suspeitar que a sentença teria sido comprada e ainda manter sua credibilidade mas que paradoxalmente a Suprema Corte negou ao Congresso a integridade de que ele mesmo usufrui, o James Balkin do Balkinization produziu a meu ver a melhor exposição da questão, que inteligmente atribui a opinião da Corte não a uma negociata corrupta entre juízes e empresas, mas como o resultado de um investimento de longo prazo:

The Supreme Court we have today is the ghost of campaign expenditures past.

Bingo.

“I’m a history buff.  I love the Museum of Natural History.”

_ Scott Brown, senador republicano recém eleito, demonstrando mais uma vez a sarahpalinização do GOP, segundo o Washington Post.

Eppur si muove

Hoje em dia a maior parte de nós está muito ocupada para olhar para o céu e, assim mesmo, quando acha tempo, não vê grande coisa graças à poluição luminosa.

Assim, embora alguns de nós até estejamos cientes das estruturas básicas do espaço próximo da Terra _ e é verdade que até anaeróbicos republicanos conseguem reconhecer o Sol e a Lua no céu, embora divirjam um pouco sobre quem orbita em torno de quem _  o fato é que um número beeeem menor realmente é capaz de distinguir pelo menos Vênus (mais provável), Júpiter (menos provável), Marte (beeem menos provável) e Saturno (xiiii….) no céu.  Pra dizer a verdade, em nosso habitat cada vez mais urbanóide, acho que  a maior parte das pessoas que não é escoteiro ou navegador realmente não conhece lhufas sobre o seu céu.

Por isso esse vídeo time-lapsed que mostra O NÚCLEO GALÁCTICO(*) da Via Láctea transitando sobre os céus do Texas me pareceu realmente fascinante.  Enjoy.

[esse aqui, se for verdadeiro, também é belíssimo]

(*) THE FUCKING GALACTIC NUCLEUS

Como alertou o Lelec, uma alma inocente que atende pelo nome de Julio Bueno botou no YouTube esse “vídeo” com uma transmissão do True Outspeak do nosso querido Vilósofo, que foi pelos ares no dia 18/01/2010.

Nesse programa o Vilósofo não perdeu a chance de não apenas corroborar como se afundar ainda mais nas falácias do pastor norte-americano Pat Robertson, para quem o que aconteceu no Haiti foi castigo divino.

Os dois erraram.  Segundo o sismologista John Mutter, da Columbia University, o castigo divino rolou muito antes, durante a construção dos prédios que caíram:

Earthquakes don’t kill people,” says John Mutter, a seismologist and disaster expert at Columbia University’s Earth Institute. “Bad buildings kill them.” And Haiti had some of the worst buildings in world. There are building codes, but in a country that has been ranked as the 10th most corrupt in the world, enforcement is lax at best. The concrete blocks used to construct buildings in the capital are often handmade, and are of wildly varying quality. “In Haiti a block is maybe an eighth of the weight of a concrete block that you’d buy in the U.S.,” says Peter Haas, the executive director of the Appropriate Infrastructure Development Group (AIDG), an NGO that has worked on buildings in Haiti. “You end up providing buildings quickly and cheaply but at great risk.”

Afinal, não é por outro motivo que terremotos de magnitudes semelhantes terminam gerando consequências muito distintas:

At 7.0 on the Richter scale, the earthquake that hit Haiti on Jan. 12 was strong, but hardly record-breaking — very similar, in fact, to a 7.0 temblor that hit the San Francisco Bay area in 1989. But that’s where the similarities end. The 1989 San Francisco quake left up to 12,000 people homeless and killed 63. The 2010 Haiti quake, however, will likely make over a million people homeless, and its death toll could be 50,000 or much higher.

Ou seja, Deus é muito mais sutil do que se supõe.  Ele conta com o subdesenvolvimento (que alguns tolos acreditam ser obra do Tinhoso) para operar seus milagres.

Olavón não para por aí, é claro.  Ele também atribui o desastre do Katrina em New Orleans à prática da idolatria.  Nesse caso, como já supúnhamos há algum tempo, a eleição de Bush também fez parte do plano divino para levar uma versão lite do Dilúvio aos ímpios.

Estranhamente, o  Vilósofo, que demonstrou durante sua diatribe tanta preocupação com a macumba para a queda do pinto que ele diz ter achado em um livro do Pierre Verger (onde devia estar procurando sabe-se lá o quê), esqueceu-se de nos explicar porque Salvador, capital da Bahia e terra do Terreiro de Jesus, ainda não sofreu seu devido castigo divino.

Deus, que age de modo inescrutável pelos homens, parece preferir castigar a Virgínia, por enquanto.

“Gyre”

A foto acima é de “Gyre”, uma obra do artista Chris Jordan,  famoso por criar grandes mosaicos que descrevem, de uma maneira ou outra, alguns números pouco abonadores sobre nossa civilização.

“Gyre” faz parte de sua sua série “Running the Numbers“, e é uma colagem de 2.400.000 peças de plástico, todas colhidas no Giro do Pacífico (um lugar que já frequentamos aqui).  O número é simbólico, pois representa o total do peso do plástico que é jogado no mar a cada hora, em libras (mais de mil toneladas).

(clique para ampliar – arquivo PDF)

Outro dia vi uma chamada para uma estréia _ em algum canal da Sky _ assustadora: Mega Shark vs Giant Octopus.

Bem, agora parte do mistério está resolvido

Mira:

Pilot diverts jet over teen’s in-flight prayer

PHILADELPHIA – A Jewish teen trying to pray on a New York-to-Kentucky flight caused a scare when he pulled out a set of small black boxes containing holy scrolls, leading the captain to divert the flight to Philadelphia, where the commuter plane was greeted by police, bomb-sniffing dogs and federal agents.” [grifo meu]

Bem ao ponto, duas matérias interessantes na Economist.

A primeira versa sob o legado de Osama Bin Laden para os EUA:

The [security]  system is geared towards keeping out a tiny number of terrorists. Fair enough—such people should indeed be kept out. But there should be a trade-off. An immigration official lives in fear of admitting the next Mohammed Atta, but there is no penalty for excluding the next Einstein, or for humiliating tourists who subsequently summer in France. Osama bin Laden has arguably inflicted more harm on America indirectly than directly. To stop his acolytes from striking again, the government has made entering America far more difficult and degrading than it need be.”

É claro que este não é um argumento que persuada o wingnut next door, mas pense bem:

This has slowed the influx of foreign brains. In 2001, 28% of students who studied abroad did so at American universities. By 2008 that figure had shrunk to 21%, though since the absolute number of globally mobile students grew by 50% over that period, the absolute number in America has flattened, not fallen. Does this matter? Well, foreigners and immigrants make up more than half of the scientific researchers in the United States, notes Edward Alden, the author of a fine book called “The Closing of the American Border”. Among postdoctoral students doing top-level research, 60% are foreign-born. Boffins flock to America because its universities are the best, but the ordeal of getting a visa prompts many to take their ideas elsewhere.”

Pra quem não percebeu, há ali um interessante  trocadilho entre “Closing of the American Border” e “Closing of the American Mind“, ok?

E, por falar nisso, a outra matéria da Economist fala sobre os custos crescentes do controle da imigração nos EUA. Uma imagem fala por si:

(clique para ampliar)

America, plantando as sementes de sua própria destruição desde 1980.

Do UOL

Eu sei que isso é meio macabro, mas há tempos não vejo um título tão “ao ponto” na nossa imprensa.

She´s back!

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Tio Rei falando sobre “a farsa do aquecimento global”:

“A escatologia do aquecimento é uma cópia vagabunda e sem talento do Apocalipse; deve ser mentirosa”

Resta saber se é mentirosa por ser vagabunda e sem talento, ou por ser do Apocalipse.  No segundo caso Tio Rei vai ter que se explicar com a Opus Dei.

E no Laelaps dos Science Blogs, como os lêmures surfistas chegaram a Madagascar.

E como vocês já devem estar carecas de saber, o NYT anunciou que vai para trás de uma paywall em 2011.

Os detalhes não são claros; aparentemente, haverá um controle por IP, de forma que leitores infrequentes poderão acessar gratuitamente algumas matérias, enquanto os mais frequentes terão que pagar uma taxa fixa por acesso ilimitado _ os assinantes do jornal impresso também terão acesso ilimitado [esse esquema me parece similar ao do Financial Times _ mais sobre isso abaixo].

O The Atlantic traz uma lista de análises que já estão circulando na rede.

Felix Salmon acha que isso alienará ainda mais leitores do jornal.  Ele crê que a maioria dos leitores do site do NYT chegam até lá via blogueiros, mas que com o paywall os blogueiros pararão de fazer links para o NYT, o que reduzirá o número de page-views do site.

Será que isso é verdade?  Como leitor, eu entro todo dia no site a partir dos meus favoritos.  Como blogueiro, eu sempre coloco os links das matérias que cito, mesmo as que estejam atrás de paywalls, como as matérias da Folha e do Valor.  Mas pode ser que eu seja uma exceção, não sei.

Em todo caso vamos ver o que acontece com os blogs do NYT (onde entra, por exemplo, o Paul Krugman).   Felix Salmon lembra que hoje em dia não existe exemplo de blog bem sucedido atrás de uma paywall…

Zach Seward, do Wall Street Journal, disse no Twitter que os investidores estão inseguros quanto à essa nova estratégia, pelo que se depreende do comportamento das ações do NYT após o anúncio.

Mais interessante, a Slate, que também tem uma matéria sobre a paywall do NYT, mostra um site que ensina como preparar um cookie para burlar o paywall do Financial Times.

E ho ho, funciona.  O que me permitiu acessar a coluna de John Gapper no FT falando sobre o mesmo assunto.  Do ponto de vista econômico, no trade-off entre receitas de assinaturas e de publicidade, o que parece estar acontecendo é que após um primeiro momento onde a receita de publicidade subiu, ela começou a baixar dada a competição dos diversos outros empreendimentos na rede (sites agregadores, sites de busca, portais, mesmo blogs).  Daí não restar mesmo outra opção aos jornais.

Gapper lembra também que o Wall Street Journal e o FT vão muito bem obrigado com seus modelos de assinatura, embora essa seja uma comparação talvez pouco válida já que estes jornais se beneficiam de possuir um público corporativo, pouco sensível a preços (ao menos nessa região de preços).

Entretanto, mesmo Gapper acredita que o que é válido para grandes brands não será necessariamente válido para o jornal generalista da esquina:

Nothing will save a lot of general newspapers. They thrived for a time on local or regional advertising monopolies and, now that Craigslist and other advertising aggregators exist, are finished. They do not produce anything valuable enough to survive the transition.

Perhaps commodity general news is now so widely available that even a true premium provider cannot charge. But I don’t believe it – reading both The Guardian and The New York Times’ coverage from Haiti this week was a reminder of how distinctive they can be.”

Adeus Jornal do Brasil??

Deu no Estadão:

ONU reduz equipes de resgate no Haiti

Organização admite falhas no sistema de distribuição de comida

Jamil Chade, correspondente em GenebraTamanho do texto? A A A A

A ONU decidiu reduzir ainda mais o número de equipes de resgate no Haiti e admitiu que não conseguiu estabelecer um sistema adequado de distribuição de ajuda. A partir de agora, a prioridade serão os sobreviventes espalhados por ruas e acampamentos improvisados.

A decisão foi tomada depois que organizações humanitárias informaram que dificilmente alguém poderia resistir por mais de uma semana sem água e comida. “As equipes estão exaustas e, à medida que o tempo passa, a chance de achar alguém ainda vivo é cada vez menor”, afirmou ao Estado a porta-voz da ONU Elizabeth Byrs.

Na terça-feira, as equipes de resgate haviam sido reduzidas de 52 para 48. Ontem, o número caiu para 36. “Parte das equipes está sendo usada agora para a distribuição de comida e remédios”, disse Elizabeth. No auge da operação, 1,8 mil homens trabalhavam com a ajuda de 175 cães. Até ontem, 121 pessoas haviam sido resgatadas com vida.”  [grifo meu]

***

A idéia de estar preso debaixo dos escombros de uma casa ou prédio é aterrorizante.  Não só para quem está soterrado como também para quem está do lado de fora.

Acho que só isso explica o fato de que tantos recursos tem sido utilizados no resgate de tão poucas pessoas.  Como diz a matéria, apenas 121 pessoas haviam sido resgatadas com vida.

Mas uma matéria do NYT informa que:

Despite all the incoming help, Partners in Health, an organization that has been providing health care in Haiti for two decades, estimated that 20,000 Haitians were dying daily from lack of surgery.”

Mesmo supondo que esse número de vinte mil pessoas morrendo diariamente por falta de cuidados  seja algo inflado, e que as habilidades das equipes de resgate não seriam facilmente convertidas em ajuda para quem precisa de tratamentos médicos, ainda assim me parece que a conta não fecha, e que o esforço no resgate prejudica os sobreviventes.  Talvez o resgate simplesmente não compense, embora seja cruel pensar assim.

O NPTO faz uma bela resenha do novo livro do Ruy Fausto, “Outro Dia”.  No meio do post, ele faz algumas reflexões sobre a necessidade de uma política de alianças em nosso presidencialismo de coalizão:

Era preciso construir uma maioria política dentro do congresso, e, se você achar que não era necessário comprar PL, PP e PTB, fica para você a responsabilidade de montar outra maioria sem eles. Eu já fiz isso na minha cabeça 100 vezes, e não consegui bolar nada que não passasse por a) fechar com o PMDB, sem pagar mensalão, mas dando cargos, o que, suspeito no fundo do meu ser, gera mais negociata (mas é menos rastreável até o partido no poder do que transferências monetárias, motivo pelo qual a técnica foi a preferida dos governos anteriores); ou b) aliar-se ao PSDB, o que, mesmo se acharmos que seria desejável (e não acho que o Fausto o ache), seria dificílimo.

(…)

É possível que manter distância com relação à corrupção seja mais importante do que levar dezenas de milhões de pessoas acima da linha da miséria; mas isso não é óbvio. Merecia uma discussão.

(…)

No fundo, o Fausto parece aplicar os raciocínios que a esquerda deveria ter feito para não aceitar o totalitarismo – a afirmação de valores diante da estratégia, por exemplo – para dizer que ela não pode aceitar a corrupção. Mas aqui há um problema de medida.

A corrupção parlamentar é um escândalo, mas é uma doença da democracia; não é possível que se dê o mesmo peso a ela e ao genocídio totalitário. As conquistas sociais cubanas não justificam a repressão à dissidência em Cuba, mas não é a mesma coisa dizer que a redução da desigualdade no Brasil dentro do regime democrático não vale nada porque PP, PL e PTB foram comprados.

(…)

Pessoalmente, acho que teria sido possível fazer uma articulação melhor se aproximando do PSDB, o que implicaria em aceitar o Paloccismo como mais do que uma concessão tática. Fausto é inteligente o suficiente para confessar sua hesitação em discutir economia, que tem uma dimensão técnica razoável, mas, no geral, não vai ao ponto de admitir que a política econômica moderada de Lula foi um de seus sucessos. Não teria sido melhor se, ao invés do PT ter aceitado a moderação econômica para evitar a crise de 2002, os intelectuais petistas tivessem promovido esse debate de maneira mais esclarecedora na década anterior? As alianças talvez pudessem ter sido melhores.”

Concordo com o Celso: tem uma análise custo/benefício aí.  Eis o motivo pelo qual acho claramente hipócritas os defensores de FHC que escamoteiam rapidamente a compra da reeleição da discussão de “valores”.

Claro que existem aqueles que se apressam em dizer que “um erro não justifica o outro” e que acham, ou dizem achar, que a questão dos valores deve ser colocada acima de qualquer outra discussão.  Acho essa posição irrealista e acredito que muito poucas dessas pessoas a colocam em prática 100% das vezes em sua vida pessoal.  Se existem mesmo, deviam trabalhar em Hollywood.

Daí que resolvi fazer o seguinte: peguei a composição do Congresso recém saído das urnas em 2002 e coloquei no Excel pra gente ver como ficariam as possíveis coalizões alternativas entre PSDB, PT, PMDB e PFL [por simplicidade e falta total de tempo não levo em conta as migrações partidárias que ocorreram logo após, é verdade].

(clique para ampliar)

O primeiro quadro mostra o cenário em que o PT aliar-se-ia com o PSDB; o segundo quadro mostra o que realmente ocorreu, ou seja, o PT aliando-se com o PMDB.

Vemos que nenhum dos dois casos fornece uma “supermaioria”, isto é, uma maioria capaz de aprovar legislação de seu interesse irrespectivamente da opinião dos demais partidos.

É difícil prever como se comportariam os demais partidos na hipótese de “total pureza virtuosa”, isto é, no mundo hipotético onde PT e PSDB se uniriam por mero espírito público e governariam sem nenhuma concessão de nenhuma espécie aos interesses paroquiais dos demais partidos.  O que sei é que eles teriam vida dura na Câmara e vida duríssima no Senado, diante de uma mera combinação PMDB/PFL.  Talvez alguns partidos menores pudessem topar uma aliança puramente “programática” com PT/PSDB, mas acredito que a tendência seria de um enfrentamento dos alijados nos demais partidos.   Afinal, um problema de nossa democracia é que ela deixa contas a pagar para os eleitos, o que certamente faz parte do conjunto de incentivos que os impele a exigir cargos e prebendas na máquina pública.

Assim, na ponta do lápis, parece que o PT terminou fazendo a aliança mais natural, que não o exporia a constantes gridlocks no Congresso.

***

Valeu a pena?   Isso é uma outra discussão, muito importante por sinal.  Peças como a tal recente pesquisa do Claudio Salm querem nos fazer acreditar que talvez não, já que o PT no poder não teria significado um salto qualitativo nos principais indicadores sociais brasileiros.   Entretanto, o fato do estudo original do Claudio Salm ainda não ter sido amplamente divulgado (foram divulgados apenas alguns resultados, mas não se conhece a metodologia empregada) impede uma melhor apreciação do seu teor.

No entanto, aponto o detalhe de que nesse experimento hipotético que estamos fazendo,  o caso-base não é a hipótese “continuidade do governo PSDB/DEM seria a mesma coisa“, principalmente do ponto de vista das vestais da pureza que acreditam que “um erro não justifica o outro”. O caso -base, no duro, seria “falta de governabilidade por incapacidade de montar uma coalização dominante“, o que seguramente teria sido muito mais problemático para o país.

Mas não no Haiti.

Eu não sabia,  mas parece que o servidor do Verbeat está tendo problemas.  Enquanto isto o Sergio Leo abriu um puxadinho.

Se souberem de outros Verbeaters que também estão na rua da amargura e abriram loja no banco da praça, informem aqui.

No Guardian, a notícia de que finalmente uma empresa americana, Sarcasm, Inc.,  inventou um sinal de pontuação para o sarcasmo:

Depois de um pequeno histórico sobre tentativas pregressas de introduzir um sinal de ironia, finaliza a matéria:

The real breakthrough of Sarcasm, Inc is the realisation that, despite having used sarcasm and irony in the written word for hundreds of years, humans are simply too stupid to consistently recognise when someone has said the opposite of what they mean. The SarcMark solves that problem, and you can download it as a font for the reasonable price of $1.99 (£1.20). Our prayers are answered.”

É meio irônico que tenhamos que pagar para mostrar que estamos sendo irônicos. Mas alguém ainda mostrará que isso é perfeitamente válido, em termos da “economia dos sinais”.

Aguardamos agora o equivalente “open access“…

Tem uma matéria do Sergio Leo no Valor de hoje sobre as turras entre EUA e Brasil por causa do Haiti.  O tom é conciliador:

BRASÍLIA – ” Lula, you call me ” (Lula, me ligue), pediu o presidente do EUA, Barack Obama, ao despedir-se do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, no telefonema de cerca de quinze minutos que tiveram ontem, para coordenar as ações das equipes brasileiras e americanas no Haiti. Ficou estabelecida uma linha direta informal entre os dois governos, para evitar que desentendimentos entre as equipes no trabalho de segurança e assistência humanitária atrapalhem a intenção das autoridades dos dois países de mostrar a ação no Haiti como um exemplo de ação positiva de ação conjunta na região.

(…)

O telefone serviu para apagar o desconforto provocado por incidentes como a demora na liberação de pouso para aviões brasileiros no Haiti, na semana passada, e as recentes declarações do comandante das tropas dos EUA no Haiti, general Ken Keen, a um programa de TV, na qual o militar americano disse que o Comando Sul dos EUA cuidaria da segurança no Haiti, ” um componente crítico ” . Manter a segurança e paz no Haiti é um mandato da Minustah.”

Meu problema é com este trecho onde se mostra a opinião da diplomacia brasileira:

Obama ouviu outra preocupação brasileira: contra as avaliações de que não há mais Estado no Haiti, o Brasil defende que as ações de socorro à população e de reconstrução sejam realizadas com a participação do presidente haitiano, René Préval. Há um Estado muito fraco no Haiti, mas isso não pode servir de pretexto para ignorar os esforços de construção de instituições, abalado pelo terremoto, argumentam os auxiliares de Lula.”

Que me perdoem os diplomatas, mas hoje já faz mais de uma semana que tem gente sem casa, sem comida e possivelmente sem água potável no Haiti.  Tudo tem seu tempo, mas seguramente agora não é hora de construir instituições, e sim abrigos.

Quando li isso no Estadão, pensei que Olavón havia resolvido acabar com a supermaioria do Obama com as próprias mãos…

Tio Rei está produtivo hoje, e fez um post denunciando a maior negociata já feita no Brasil.  Surpresa: essa negociata não envolve Daniel Dantas (ao que se saiba), e sim Nicolas Sarkozy, aquele que já foi, er, “o cara” para Tio Rei _ muuito antes de Lula ser “o cara” para alguém.

Denúncia #1:

A Índia abriu uma concorrência internacional para a compra — ATENÇÃO!!! — de 126 caças. Valor que se dispõe a pagar a Força Aérea Indiana: US$ 10 bilhões. Seis modelos participaram da primeira rodada de seleção: os americanos F 18 e F 16, o Eurofighter Typhoon, o russo MiG 35, o sueco Gripen NG e o Rafale. Só um caça foi descartado no começo da disputa: o Rafale. Justificativa: não cumpria os requisitos mínimos de desempenho técnico exigidos pela Força Aérea Indiana.” [grifo meu]

Denúncia #2:

E o escândalo, além do fato de que Lula anunciou o vitorioso quando a avaliação estava em curso??? Vamos lá. A Dassault, que fabrica os Rafales, se ofereceu para vender 126 caças à Índia por US$ 10 bilhões. Preço médio de cada avião: US$ 79.365.079,36. O Brasil está disposto a pagar R$ 10 bilhões por 36 aviões — ou US$ 5.681.818.181. Dividindo-se esse valor em dólar pelo número de aparelhos, chega-se ao custo unitário: US$ 157.828.282,82. Cada Rafale para o Brasil custa quase o que o dobro do que custaria para a Índia. Atenção: ESTAMOS FALANDO DO MESMO MODELO DE AVIÃO E DE CONCORRÊNCIAS FEITAS AO MESMO TEMPO.

Fiz uma pesquisinha básica, na Wikipedia mesmo, e cheguei nisso:

India denies elimination of Dassault Aviation Rafale

New Delhi, India – All competitors still in competition

(WAPA) – The last week news relating to the elimination of Dassault Aviation Rafale fighter from the 10 billion tender for 126 new MMRCA (Medium Multi-Role Combat Aircraft) fighters for the Indian Government, provoked surprise particularly by Dassault that said “To have no confirmation from the Indian MoD. We are extremely surprised since there was no technical lacuna in our bid” (see AVIONEWS).

A New Delhi ministry of defense spokesman stated it, affirming that the French proposal “Has fallen short on several counts listed in the GSQRs (General Staff Qualitative Requirements) drawn up by IAF (Indian Air Force). It did not pass muster in the technical evaluation of the bids submitted by the six contenders”.

The Indian Air Force denied today reports that the Dassault Rafale has been eliminated from the Country’s medium multi-role combat aircraft competition.

“We have not ruled anyone out yet in the MMRCA competition”, says an IAF spokesman, who confirmed that the service is responsible for evaluating the contenders. “All of the tests have not been completed. The technical evaluations are only just over and we are scheduled to begin the flight tests next month. Everyone is still in the competition”.

OK, algum bom samaritano já foi avisar Tio Rei e ele fez outro post assim:

Ainda os caças e o que importa

Mandam-me o linK de um site, Flightglobal, que nega que os Rafale estejam fora da concorrência aberta pela Índia para a compra de 126 caças. Ok. Pode até ser. Mas a minha questão no post é outra: quero saber por que os caças sairiam, para o Brasil, por quase o dobro do preço. Essa é a questão fundamental, ainda que o Rafale seja um avião superior – o que, confesso, não tenho como avaliar. Não sei nem ligar um carro. Imaginem o que entendo de avião. Mas fazer conta, ah, isso eu sei.”

Bacana.  Maravilhas do mundo wiki: o cara diz merda, alguém vai lá e corrige.  Ainda bem, já que a notícia mais recente (outubro do ano passado) é esta:

Asked about field evaluation trials of the medium multi-role combat aircraft, (Air Chief Marshal) Naik said: “We have finished the trials of F-16, F/A-18, Rafale and the MiG-35. All (aircraft) are going neck and neck”.

Mas o que importa nesse segundo post é isso aqui:

(…)ainda que o Rafale seja um avião superior – o que, confesso, não tenho como avaliar. Não sei nem ligar um carro. Imaginem o que entendo de avião. Mas fazer conta, ah, isso eu sei.

É pena, mas “fazer conta”, nesse caso, não elimina a necessidade de entender de avião.

A Wikipedia diz o seguinte sobre os custos unitários do Rafale:

The total programme cost, as of 2008, is around €39.6 billion, which translates to a unit programme cost of approximately €138.5 million. The unit flyaway price as of 2008 is €64 million for C version (Air Force), and €70 million for the Navy version.

Veja que o “unit programme cost” do Rafale é de 138 milhões de euros ou 197 milhões de dólares.  Isso é bem mais que qualquer dos custos apontados pelo Tio Rei.  Já o “unit flyaway price” é de 64 milhões de euros, o equivalente a 91 milhões de dólares.

Qual diabos é a diferença entre “unit programme cost” e “unit flyaway price“?  O Departamento de Defesa dos EUA trabalha com a seguinte definição:

Standard unit flyaway cost elements include the costs of procuring airframes; engines; avionics; armaments; engineering change orders; nonrecurring costs including productiontooling, software, and other costs (if funded from aircraft procurement appropriations); divided by the procurement quantity. Flyaway cost does not include research and development, support equipment, training equipment, technical data, or spares.

Ou seja: o custo unitário proposto para o Rafale, na concorrência brasileira, é de 157 milhões de dólares.  É mais caro que os 91 milhões de dólares do “unit flyaway price“, mas este conceito não inclui alguns dos pressupostos da demanda brasileira, como equipamento de suporte, dados técnicos, peças de reposição etc.   Ainda assim 157 milhões de dólares é um preço inferior aos 197 milhões de dólares do “unit programme cost” _ o que faz sentido, já que não faz muito sentido o Brasil compartilhar com a França os custos de pesquisa e desenvolvimento, que costumam ser bem elevados.

E também há que se considerar as economias de escala.  Isso porque o valor unitário de uma partida de 126 aviões será necessariamente menor do que o valor unitário de uma partida de 36 aviões.

Conjugadamente, eu diria que com os dados disponíveis não fica muito evidente que o preço brasileiro _ e leve-se em consideração que ainda não sabemos se os franceses concordaram com uma redução de preço razoável, como o Brasil solicitou _ represente de fato uma “negociata”.

Mas se Reinaldo Azevedo, o homem que não entende de avião mas sabe fazer conta, disse, bom, fazer o quê?

Tio Rei tem um post esculhambando com Mark Weisbrot, doutor em economia pela Universidade de Michigan, e diretor de um tal Centro de Pesquisas Econômicas e Políticas, que escreve um artigo de opinião hoje na Folha.

Selecionei esta parte do “vermelho e preto” do Tio Rei que considero exemplar e que deve ser sempre lembrada àqueles que insistem em tecer loas aos poderes analíticos de Reinaldo Azevedo:

A política dos EUA ao longo dos anos também ajudou a destruir a agricultura haitiana, por exemplo, ao forçar a importação de arroz americano subsidiado e eliminar milhares de plantadores de arroz haitianos.

Isso já é delírio psicopata.

O primeiro governo democrático de Aristide foi derrubado após apenas sete meses, em 1991, por oficiais militares e esquadrões da morte que, mais tarde, se descobriu estarem a soldo da Agência Central de Inteligência dos EUA. Agora Aristide quer retornar a seu país, algo que a maioria dos haitianos reivindica desde sua derrubada.

É mentira! É pura tese conspiratória. É uma invencionice estúpida essa história de que a CIA derrubou o Santo Ariste.

Vou arrolar em uma só frase o cerne do argumento do Reinaldo: “delírio psicopata mentira conspiratória invencionice estúpida“.

Ele já nem sequer se preocupa em demonstrar o que diz.

Só vejo coisas assim em sermões de igrejas, hoje em dia.  Reinaldo Azevedo é hoje menos que um advogado de interesses escusos:  tornou-se apenas um pregador.

Já havia ouvido falar, mas agora que estreiou fui ver o “plot”.

Spoilers abaixo.

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Deu no Guardian:

China is to pull the plug on screenings of Avatar at most cinemas and replace the Golden Globe-winning film with a patriotic biopic on the life of Confucius, according to reports.

Hong Kong’s Apple Daily said the state-run China Film Group has ordered cinemas across China to stop showing the 2D version of the film and to show only the 3D edition, amid concerns from China’s censors that it could cause unrest. Because there are so few 3D cinemas on the mainland, the order effectively prevents general distribution of the James Cameron blockbuster.

Parallels have reportedly been drawn between the plight of the Na’vi, who face the threat of eviction from their woodland home, and those in China vulnerable to displacement by predatory property developers.

Bloggers are speculating about the toll Avatar could inflict on home-grown films. The Confucius picture is directed by Hu Mei and stars Chow Yun-fat as the sage.” [grifo meu]

***

Por algum motivo, nenhuma das duas explicações me parece muito convincente.   Mas realmente parece que a questão dos incorporadores imobiliários é importante por lá.

***

Cameron deve estar triste.

***

Clash of Titans?

O emburrecimento estimulado pela direita americana pode trazer as sementes de sua própria destruição:

Darpa: U.S. Geek Shortage Is National Security Risk

Sure, we’re all plugged in and online 24/7. But fewer American kids are growing up to be bona fide computer geeks. And that poses a serious security risk for the country, according to the Defense Department.

The Pentagon’s far-out research arm Darpa is soliciting proposals for initiatives that would attract teens to careers in science, technology, engineering and math (STEM), with an emphasis on computing. According to the Computer Research Association, computer science enrollment dropped 43 percent between 2003 and 2006.

Darpa’s worried that America’s “ability to compete in the increasingly internationalized stage will be hindered without college graduates with the ability to understand and innovate cutting edge technologies in the decades to come…. Finding the right people with increasingly specialized talent is becoming more difficult and will continue to add risk to a wide range of DoD [Department of Defense] systems that include software development.”

(…)

Now, Darpa’s now hoping someone, somewhere, can come up with a way to make future philosophy majors change course. And they want to get ‘em while they’re young: Darpa insists that programs be “targeted to middle and high school students, and include methods “to maintain a positive, long-term presence in a student’s education. (…)

Novos desdobramentos.

Um problema com a enorme mobilização norte-americana no Haiti é que há uma cacofonia de lideranças.  A maior parte do esforço logístico e de pessoal está sendo feito pelo Departamento de Defesa, mas a missão humanitária propriamente dita (dentro do esforço dos EUA, bem entendido) é tarefa da USAID, informa o site Information Distribution:

Lt. Gen. P. K. Keen is leading Joint Task Force – Haiti from Port-au-Prince, but who is in charge of the entire US humanitarian effort in Haiti? USAID, not the DoD, is the lead agency. The humanitarian effort isn’t even a primary DoD role in Haiti, and security was expected to be the role of the UN although I believe the US has been factoring into planning the DoD would play some role there. Will the DoD also find mission creep with the humanitarian relief aspect as well? The US government has not answered US media questions why NGOs and DoD are so uncoordinated in Haiti, and on the ground in Haiti, who would even be the person responsible for answering that question?

Agora me digam que alguém no Pentágano está disposto a delegar ou mesmo compartilhar o controle de suas tropas com uma agência civil, mesmo que norte-americana.

Quem me responder isso também poderá cogitar de me responder se o Pentágano cogita de delegar ou compartilhar o controle de suas tropas com a missão das Nações Unidas, a propósito.  Seria interessante ver um general brasileiro no comando de tropas norte-americanas.   Pelo menos nossas Forças Armadas aprenderiam que efetivamente elas têm muito mais o que fazer do que se preocupar com o PNDH 3, se quiserem ser dignas do nome que têm.

E há um problema mais amplo: do mesmo modo que o Exército brasileiro não é o instrumento ideal para o policiamento urbano no Brasil, o Exército americano não é o instrumento ideal para exercer funções humanitárias.  Matéria no Guardian dá uma pala:

Haiti: We’re not here to fight, US troops insist

The US paratrooper had a simple message for the people of Haiti. He said: ‘I don’t plan on firing a single shot’

The US paratrooper had a simple message for the people of Haiti. Dressed in khaki, carrying an assault rifle and with the iconic sight of Black Hawk helicopters taking off behind him, he said: “I don’t plan on firing a single shot while I’m here. I’ve been in Iraq three times and I’ve done enough of that.”

The paratrooper was part of the 82nd airborne division from Fort Bragg, North Carolina, a toughened crew of battle-ready fighters accustomed to forming the front- line in many American war efforts.

Comforting.

Uma razão óbvia para a maciça presença militar norte-americana é a Síndrome do Vietnã, isto é, a preocupação em evitar ao máximo baixas entre os militares _ o que pode ser facilitado se você tiver um grande número deles, pelo menos no cenário haitiano.  Uma outra razão pode ser a que se pode entrever nesta declaração de Janet Napolitano, a chefa do Homeland Security, em outra matéria do Guardian:

The homeland security secretary, Janet Napolitano, appealed to Haitians to remain at home.

“Please: If any Haitians are watching, there may be an impulse to leave the island and to come here,” she said. “This is a very dangerous crossing. Lives are lost every time people try to make this crossing. Please do not have us divert our necessary rescue and relief efforts that are going into Haiti by trying to leave at this point.”

Revealing.

***

Pouca gente talvez tenha atinado para o seguinte: dado que o Estado haitiano, se estava em construção, praticamente desapareceu, e que o conjunto de forças americanas já mobilizadas supera em muito a própria Minustah, fica a impressão de que os EUA abrem um terceiro teatro de “state building” sob suas asas, além do Iraque e do Afeganistão _ dois empreendimentos que já não vão muito bem por si só.   Agregue a isso um “pior cenário” onde os EUA se vejam forçados a ter que manter a ordem em um Paquistão colapsado e em um hipotético Irã “pós-intervenção”, e veremos facilmente um pesadelo operacional para as forças armadas americanas.  Difícil imaginar o país dando conta disso sem o draft.  Difícil acreditar nisso sem uma Sarah Pallin cruzando o Rubicão.  Ou alternativamente os “teabaggers” tomando a Casa Branca e inaugurando uma nova era de isolacionismo.

Claro que isso pode ser um exagero.  Fontes credenciadas imaginam que a situação no Haiti ainda vai piorar antes de melhorar, mas é perfeitamente possível que depois que ela melhore os EUA repassem o controle da situação para as Nações Unidas novamente.  Tudo depende, é claro, de como os americanos lidarão com a situação _ uma coisa que pouca gente sabe é que os EUA já ocuparam o Haiti por cerca de 20 anos no início do século passado que se constituiu por si só em um fracasso da tentativa de “state building”.  Há memórias disso no Haiti de hoje?  Talvez, nos mostra a matéria do Guardian:

The Haitian in whose house in Port-au-Prince we are staying – a prominent businessman and generally very pro-America – keeps a cherished machete on his wall. It was used, he explained to me one night, by his grandfather to attack US soldiers during the 1915-1934 American occupation of his country.”

De toda forma, a própria situação geográfica, econômica e populacional do Haiti sugere que mesmo no pior caso o país não conseguiria se transformar em um inferno para os ocupantes militares americanos como o Iraque ou o Afeganistão.

Exceto, é claro, pelo fator vodu.  :)

Em uma interessante reviravolta,  Scott McLemee do Crooked Timber mostra que a narrativa de Pat Robertson, ainda que violentada por um ponto de vista profundamente anaeróbico, contém um grão de verdade.

Relendo “The Black Jacobins: Toussaint L’Ouverture and the San Domingo Revolution” de C.L.R. James, um livro escrito em 1938, Scott mostra que os escravos organizaram a revolta contra os franceses sob o disfarce de rituais religiosos de Vodu, mais ou menos da mesma forma que os escravos brasileiros faziam:

Voodoo was the medium of the conspiracy. In spite of all prohibitions, the slaves travelled miles to sing and dance and practice the rites and talk; and now, since the revolution [in France], to hear the political news and make their plans. Boukman, a Papaloi or High Priest, a gigantic Negro, was the leader. He was the headman of a plantation and followed the political situation both among the whites and among the Mulattoes. (…)

Carrying torches to light their way, the leaders of the revolt met in an open space in the thick forests of the Morne Rouge, a mountainside overlooking Le Cap. There Boukman gave the last instructions and, after Voodoo incantations and the sucking of the blood of a stuck pig, he stimulated his followers by a prayer spoken in creole which, like so much spoken on such occasions, has remained. “The god who created the sun which gives us light, who rouses the waves and rules the storm, though hidden in the clouds, he watches us. He sees all that the white man does. The god of the white man inspires him with crime, but our god calls upon us to do good works. Our god who is good to us orders us to revenge our wrongs. He will direct our arms and aid us. Throw away the symbol of the god of the whites who has so often caused us to weep, and listen to the voice of liberty, which speaks in the hearts of us all.” The symbol of the god of the whites was the cross which, as good Catholics, they wore around their necks.” [grifo meu]

Como lembra Scott, o deus dos escravos não era, é claro, o Diabo, já que eles não comungavam da crença cristã.  Não que isso interesse a Pat Robertson, porém.

Alguns pensamentos esparsos sobre a situação no Haiti:

Prevejo a possibilidade de que o Brasil _ principalmente os militares e o Itamaraty _ reaja mal ao esforço norte-americano no Haiti.

A resposta norte-americana promete ser massiva, e, diante da capacidade relativa entre os EUA e a ONU _ para não falar do Brasil _ promete apequenar nossa atuação lá.  No caso, para o bem do povo haitiano, penso.

O que importa é ter em mente que esta resposta não tem nada a ver com o Brasil diretamente.  Ela é uma necessidade política decorrente de alguns fatos:

a) é importante para os EUA e principalmente para Obama mostrar que sua atuação no ultramar não consiste inteiramente no despejo de bombas sobre lugares exóticos.  Como, diferentemente do Iraque e do Afeganistão, no Haiti o desastre teve causas naturais, este é o palco ideal para a administração democrata mostrar sua versão do que é um state-building digno desse nome.

b) um dos mais bem orçamentados programas da guarda costeira norte americana, adivinhem, diz respeito a evitar que boat people do Haiti deixem a ilha para chegar aos EUA _ ilegalmente, é claro.  Parece que milhares fazem isso todo ano.  Por este motivo é que um cutter da guarda costeira foi a primeira embarcação estrangeira a chegar a Port au Prince horas depois do desastre _ porque ele já estava por lá.  Agora, se essa imigração atinge esta magnitude em tempos normais, imagine em tempos de catástrofe.

c) disputa geoestratégica.  Brasil e EUA não são o único jogador neste tabuleiro.

***

UPDATE:

Eu te disse, eu te disse

O Martin Rundkvist do Aardvarchaelogy (um dos Science Blogs) dá um lembrete interessante sobre Avatar:

It is of course wish fulfillment for the guilt-ridden modern urbanite — that Mother Nature is a real thinking being and able to protect herself. Alas, she is not. Or should I say — lucky for us brainy chimps, she is not, because then she would have snuffed us way back in the pre-pottery Neolithic.

We’re not up against a formidable opponent. We can’t even console ourselves with the feeling of being up against a half-competent adversary. We’re alone with our guilt at fucking over ecosystems that are completely incapable of opposing us or adapting to us. We’re holding the axe and all the tree can do is rustle its leaves. Wouldn’t it be great if we weren’t responsible for the environment?

Pois é.

Alguém já disse que “a guerra mostra o melhor dos homens“.  Bom, eu acho que alguém já disse.  Se não disse, deveria ter dito.

Olavo de Carvalho tá brigando com um cara tão à direita, mas tão à direita, que é capaz de chamar Olavón de “petista”.

E faz acusações inflamadas, que Olavón rebate uma a uma, inclusive a de  ser homossexual.  Aliás, a isto ele responde com o seguinte:

Mas o pior de tudo é a conclusão do raciocínio. O que quer que alguém pense contra o homossexualismo não lhe dá o direito de igualar essa prática a um crime hediondo tipificado no Código Penal. Creio que essa foi a maior ofensa já proferida contra os gays, ainda que na esperança de atingir com ela alguém que não é membro do grêmio.

Isto, meus caros, vindo da pena do Vilósofo, só pode ser sinal de desespero.

Mas o que importa é a seguinte acusação, e resposta:

Diz [Rogério Pedroso, o atacante - N. Hermê], em primeiro lugar, que sou um agente petista. Provas:

(1) Morei com os srs. Rui Falcão e José Dirceu num apartamento da Casa do Estudante. (Que isso acontecesse duas décadas antes da fundação do PT parece não significar grande coisa para o sr. Pedroso.)” [grifo meu]

!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

“To Each His Own”

E já que o Mark Bryan tá fazendo o maior sucesso, acho que este aqui “diz volumes” sobre as visões de direita e esquerda sobre a sociedade.

“The uninteded consequences of your First Amendement.”

A verdade é a seguinte: o diabo não gosta dos franceses.

Veja Waterloo _ tá na cara que os ingleses e prussianos fizeram um acordo com o Coxo para acabar com Napoleão.

Resultado?  A Alemanha teve Hitler e os ingleses, além da torta de rim, tiveram que encarar Margareth Tatcher…

***

E, falando no Diabo

Wall Street mobilizou-se fortemente para ajudar os haitianos. O Citigroup vai doar US$ 2 milhões, e o JP Morgan Chase, Morgan Stanley e o Bank of America, US$ 1 milhão cada um. (…)

MasterCard, Visa e American Express eliminaram as taxas de transação em doações feitas para grandes entidades de caridade, feitas com cartão de crédito. A decisão foi tomada após as administradoras serem criticadas por cobrar até 3% em cada operação de caridade feita por cartão de crédito – o que as leva a ganhar US$ 250 milhões por ano em cima das doações.

Podem avisar ao Pat Robertson que ele se arrependeu do que fez.  :)

“Homeland”

Quem não conhece a arte de Mark Bryan, aqui.

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