Prêmio de consolação

Deu no Valor:

Brasileiro perde eleição para a direção-geral da Ompi por um voto

Por um mísero voto o candidato brasileiro José Graça Aranha foi derrotado ontem para a direção-geral da Organização Mundial da Propriedade Intelectual (Ompi). E a suspeita foi de que faltou voto justamente do lado de países em desenvolvimento, grupo no qual o governo Lula acredita ter influência. O suspense durou até o último voto, quando o australiano Francis Gurry ganhou por 42 a 41, num racha entre Norte e Sul na entidade que, através de seus tratados, regulamenta a produção, distribuição e uso de tecnologia e do conhecimento no planeta.

A briga foi acirrada entre 14 candidatos pelos votos de 83 países membros. A campanha brasileira foi elogiada de maneira geral. A articulação deu resultado além do previsto: Graça Aranha foi o segundo do começo ao fim, e em cada rodada aumentava seus votos. Mas o resultado foi mais doloroso justamente pela suspeita de onde faltou o apoio no último momento na votação secreta. No penúltimo turno, o australiano ficou com 35 votos, o brasileiro com 29 e o candidato paquistanês com 19. O acerto era de os votos do paquistanês passarem para o brasileiro e assim o Sul obteria a direção de uma organização-chave na área de tecnologia. Só que na rodada final, sete votos foram para o australiano.

“Eles prometeram que iam transferir os votos, mas não fizeram”, admitiu o embaixador brasileiro em Genebra, Clodoaldo Hugueney, numa referência a alguns países africanos, os principais suspeitos. “Tivemos voto de países industrializados, mas perdemos a África”, desabafou um diplomata latino-americano que trabalhou pela candidatura brasileira. Portugal anunciou explicitamente que votou pelo Brasil. Itália e Espanha teriam feito o mesmo, assim como alguns países do Leste Europeu.

Hugueney mencionou “pressões” para países em desenvolvimento concentrarem votos no australiano e reconheceu que o “mundo em desenvolvimento” não está ainda sólido.

Os Estados Unidos, que mandaram carta aos países pedindo votos para o australiano e quatro candidatos - do México, Eslovênia, Japão e Quênia -, minimizaram um confronto Norte-Sul na entidade. Mais tarde, John Dudas, diretor da área de patentes, em Washington, disse que gostaria de ver o Brasil melhorar a proteção de patentes e que os EUA estão dispostos a colaborar com o país.

(…)

A lista de organizações importantes onde o governo Lula perde votação aumenta. Já tinha perdido a direção-geral da Organização Mundial do Comércio (OMC), onde apresentou a candidatura de Seixas Correia. Fracassou na tentativa de obter a presidência do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) para João Sayad. E não conseguiu votos suficientes para obter o comando da Organização Internacional de Telecomunicações para Roberto Blois.

Ontem à noite, o Itamaraty quis contrabalançar esse desempenho com uma lista de “eleições vitoriosas”, como a presidência da Comissão Internacional para a Conservação do Atum Atlântico, que não tem comparação com a OMC ou a Ompi, e a eleição de brasileiros em outros 32 comitês ou comissões.

***

Pô, “atum do atlântico”?  O Itamaraty já teve saídas melhores.

***

Em todo caso há uma crescente tendência da OMC ir abocanhando a OMPI.

Levem-nos ao Obama

O Guardian nos informa que o Ministério da Defesa britânico resolveu abrir seus arquivos referentes a close encounters of any kind:

Sick of UFO buffs, conspiracy theorists and journalists pestering them for information about little green men, the MOD has decided to release its entire archive on the subject to the public. In all, 160 files will be made public via the National Archives website over the next 3 to 4 years. The first 8 files - one of which is over 450 pages long - are released today.

Suponho que essa abertura dos arquivos vá propiciar muito papo pelas próximas semanas em blogs e revistas chegadaços a um X-file. Há episódios tocantes:

Another far-fetched account is from a 77 year old fisherman. In small hours of 12th August 1983, he claimed to have been contacted by the inhabitants of a flying saucer. They were 4 feet high and wearing pale green overalls with helmets and black visors. After giving him a tour of their craft they told him, “You can go. You are too old and too infirm for our purpose”. You can find this fisherman’s tale on page 67.”

O que sugere que os alienígenas parecem não possuir um Estatuto do Idoso, e promovem políticas segregacionistas contra os habitantes da terceira idade.

Supernova remnant G1.9+0.3

Requiescat in pacem

Aquele tal anúncio da NASA do qual falei há uns dias atrás saiu hoje: é a descoberta da mais recente supernova na nossa galáxia, uma explosão estelar com apenas 140 anos de idade.

Eu não estava totalmente errado, porém, já que a supernova realmente está localizada próximo ao centro galáctico, o que torna sua observação por meio da luz visível bastante difícil. Ela só pode ser realmente visualizada através do telescópio de raios-X em órbita, o Chandra. Diz a NASA:

Finding such a recent, obscured supernova is a first step in making a better estimate of how often the stellar explosions occur. This is important because supernovae heat and redistribute large amounts of gas, and pump heavy elements out into their surroundings. They can trigger the formation of new stars as part of a cycle of stellar death and rebirth. The explosion also can leave behind, in addition to the expanding remnant, a central neutron star or black hole.

Suponho que melhorar as estimativas do quão frequentes são as explosões estelares seja uma coisa boa. OK, mais uma preocupação para nosso saco de preocupações.

Defendendo a TV pública:

We must repel the barbarians

By Stephen Fry

Many of us have an attachment to the kind of broadcasting we grew up with, a pride in the staggering history of quality and innovation that has characterised television and radio for 50 years. A pride that causes us to raise our well modulated voices against any perceived barbarians at the gates.

Indeed, a cacophonous gurgle of throats being cleared can be heard as the latest report about our great television heritage is discussed. The Ofcom Review of Public Sector Broadcasting presents a simple, honest proposal: that the income from the licence fee should be shared amongst the BBC and its rivals. Let it be sliced, is what some say.”

Na íntegra abaixo do fold.

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E o pior é que o Estadão revela que o Eneadáctilo foi esnobado pelo Minc:

O secretário do Ambiente do Rio de Janeiro, Carlos Minc, o primeiro a ser cogitado para o cargo, negou que tenha sido procurado pelo Palácio do Planalto, embora o governo do Rio tenha confirmado anteriormente o convite. “Eu jurei de pés juntos que não iria para Brasília”, disse Minc, relatando o teor de uma conversa que mantivera com o governador do Rio, Sérgio Cabral, na última terça, quando já embarcava em um vôo para Paris, onde está desde a manhã desta quarta-feira.

(…)

Minc disse ainda que conhecia as pressões exercidas sobre a ministra e que havia suspeitado que o clima no governo não era bom quando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva não compareceu à cerimônia de abertura da 3ª Conferência Nacional de Meio Ambiente. “Sou ligadíssimo à Marina. Temos uma história comum desde os tempos do Chico Mendes. Eu a conheci quando ainda era uma guria. Nem vereadora era”, justificou, demonstrando solidariedade e reiterando sua disposição de não assumir do cargo.”

***

Pô, ser esnobado pelo Minc é grave.

***

Como comentei lá no “A Volta”, como se o governo já não tivesse problemas suficientes no Senado, agora trocará um senador fiel (Sibá Machado, suplente de Marina) por uma ex-Ministra provavelmente não muito contente com o Presidente. Gênios.

Prezados,

Em algum momento entre as 8 e 9 horas da manhã de hoje, este blog ultrapassou os 100.000 hits desde sua fundação.

O que dá 22.222 hits por cada um dos meus frenéticos 4,5 leitores.

Agradecemos, pois, a preferência e a confiança depositada.   :)

Leila Lopes, quem diria, acabou no Irajá

Há muito tempo atrás, em outra encarnação blogueira, fiz um post sobre o lento, mas inevitável, processo de guindagem do pornô à normalidade. Na época, disse que o processo seria coroado no momento em que personalidades do mundo “respeitável” começassem a aderir ao pornô.

Não dá pra dizer que Alexandre Frota, Rita Cadillac ou Gretchen sejam personalidades “respeitáveis”, mas também não se pode dizer que a participação dos três em produções pornôs do selo nacional Brasileirinhas não seja um marco. O processo dá mais um passo este ano: Leila Lopes, que já foi atriz global de relativa nomeada (chegou a fazer papéis de sucesso em novelas globais, como a “professorinha Lu” em “Renascer” e “Suzane” em “O Rei do Gado”) faz um arriscado “career move” e resolveu ingressar no mundo do filme pornô. Segundo ela, por sua exigência, um “pornô com história“:

A história gira em torno de Marlene, uma moça que “viaja vários anos para fora” e, quando volta para casa, encontra uma “família muito fechada”. Seu primo (vivido pelo ator pornô Carlão Bazuca) tornou-se seminarista, e a personagem de Leila Lopes “o fará ter que escolher entre Deus e Marlene”. Outro casal também participa da trama, e é vivido por Thamiry Chivari (a irmã de Marlene) e Vitor Gaúcho (seu cunhado, que também é atraído por Marlene).

A exigência de uma história de época obrigou a produção a encontrar locações dos anos 50 no bairro de Santa Teresa, no Rio de Janeiro. Outros atores sem experiência no pornô também participam do filme, no que Leila Lopes classificou como um “encontro de universos”.

***

Há um vídeo estranhíssimo no YouTube onde ela narra a um programa religioso um grave acidente que teria tido em 1999. Se o vídeo não é algo fake, a impressão é de que a moça não bate muito bem da cabeça. De fato, é estranho que de uma trajetória aparente normal na TV ela tenha caído no ostracismo e reaparecido no pornô, o que parece mesmo indicar a existência de alguma tragédia pessoal na vida da menina _ talvez o acidente ao qual ela se refere. Fica o registro de certa incongruência entre a Leila do YouTube e a Leila das Brasileirinhas. No fundo a história da Leila é algo cômica e algo triste, o que me faz pensar que a tal da “normalização” do pornô ainda vai demorar um pouquinho enquanto tiver que depender de ruínas humanas.

Floresta amazônica, 10.000.000 A.C. - 2008 D.C.

***
UPDATE:

Boa análise sobre a demissão de Marina Silva: A volta dos que não foram

Albert Einstein

Depois de ficar depositada por 50 anos em uma coleção privada, uma carta de Einstein que traz algumas revelações sobre sua relação com o divino será leiloada.  O bicho vai pegar:

…The word God is for me nothing more than the expression and product of human weaknesses, the Bible a collection of honourable, but still primitive legends which are nevertheless pretty childish. No interpretation no matter how subtle can (for me) change this. These subtilised interpretations are highly manifold according to their nature and have almost nothing to do with the original text. For me the Jewish religion like all other religions is an incarnation of the most childish superstitions. And the Jewish people to whom I gladly belong and with whose mentality I have a deep affinity have no different quality for me than all other people. As far as my experience goes, they are also no better than other human groups, although they are protected from the worst cancers by a lack of power. Otherwise I cannot see anything ‘chosen’ about them.

Mangabeira Unger, hoje, na página de opinião da Folha, defendendo “a segunda abolição da escravatura”. Transcrevo o último parágrafo:

Nosso país está predestinado a se engrandecer sem imperar. Para que esse destino se consume, porém, terá a nação de unir-se. E, para unir-se, aprender a enfrentar, sem medo nem rancor, e por sucessivos atos de despojamento e de desassombro, o legado da escravatura africana. Se fizer isso, o povo brasileiro fará justiça a si mesmo. Passará a aceitar-se pelo que é e pelo que pode vir a ser. Deixará de temer sua própria grandeza.

Fiquei pensando aí na frase em vermelho e não estou certo de que exista precedente histórico. Mesmo o Japão pós-IIWW é um caso especialíssimo, artefato de sua associação com os EUA para deter o comunismo na Ásia.

Alguém se lembra de algo assim?

***

UPDATE

Artigo na íntegra abaixo.

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Deu no Terra:

Lula quer diária “para acabar com a sacanagem”

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que quer a volta do pagamento de diárias no governo federal “para acabar com a sacanagem”. O ministro-chefe da Controladoria-Geral da União, Jorge Hage, afirmou no dia 19 de março, durante reunião da CPI mista dos Cartões Corporativos, que os ministros voltarão a ter diárias para quando fizerem viagens oficiais dentro do País, com um valor fixo estabelecido.

***

Sacanagem mesmo é fazer isso apenas no sexto ano de mandato, mas antes agora que nunca, né?

***

O detalhe é que este tipo de coisa fazia parte das inovações gerenciais propostas no pacote da Reforma do Estado dos próprios tucanos, no primeiro mandato FHC, porque, no dizer de Bresser Pereira,

…o controle a priori é ineficiente. A forma moderna de obter bons resultados é garantindo liberdade às organizações e controlando a posteriori os resultados alcançados, através da avaliação. O controle a priori - o controle dos processos - esse sim é burocrático, autoritário, além de ineficiente. É a forma generalizadamente adotada no Brasil do passado. Resulta no descontrole e no desperdício. É um sistema de esconder ou disfarçar a incompetência e o mal desempenho, que é incompatível com o Brasil novo que os brasileiros querem construir com Fernando Henrique Cardoso.

Deu no que deu. Embora, para sermos totalmente sinceros, eu acredito piamente que tudo o que foi gasto em cartões corporativos da sua criação até hoje, mesmo que consideremos que 100% dos gastos são injustificados, é uma migalha perante apenas uma licitação rodoviária “bem feita”.

***

Não sei como o Tio Rei perdeu esta oportunidade de fazer um comentário sobre o vocabulário político do Eneadáctilo. “Sacanagem“, segundo o Houaiss, vem de “sacana“, palavra que apresenta a seguinte etimologia:

Etimologia
orig.duv., Nascentes propõe o ár.
açaccá ‘aguadeiro’, que Nei Lopes contesta, propondo o quicg. sàkana ‘brincar, divertir-se, brincadeiras recíprocas, jogo, divertimento’, da mesma raiz em quicg. sakanesa ‘acariciar’ e em quimb. disokana ‘copular’

“Quicg.” é “quicongo”, uma língua dos bantus africanos.

Então, “acabar com a sacanagem” é o mesmo que “acabar com a brincadeira”. Na, er, melhor das hipóteses.

Notícia interessante hoje nos jornais: o IBGE lança hoje, no Palácio do Planalto, o Mapa da Distribuição Espacial da População Negra.  Algumas curiosidades:

  • Segundo o estudo, nas regiões Norte e Nordeste, em praticamente todos os trechos - com exceção das áreas de reservas indígenas - as auto-declarações apontam para mais de 75% de negros.
  • A população negra no Sudeste e Sul do País fica abaixo dos 40% - com destaque para o Rio Grande do Sul e Santa Catarina, onde ela fica abaixo dos 25%.
  • Em grandes trechos do Amazonas, do Pará, do Amapá e em pontos diversos da Bahia, Maranhão, Piauí e Tocantins o mapa aponta que os negros são mais de 85% da população.

O Bom Dia Brasil de hoje de manhã foi uma aula de como se faz jornalismo “independente”.

No dia seguite ao anúncio das medidas da política industrial _ que na verdade apenas têm “uso tópico”, isto é, tentar barrar o aprofundamento do déficit da balança de pagamentos _ o jornal matutino da Rede Globo me sai com uma reportagem no melhor estilo despeitado: olha, tudo muito bem, mas o problema é outro.

E qual é o problema? Ora, o trânsito!

Diz Miriam Leitão:

Todo esse caos no trânsito, além de prejuízos, causa também danos à saúde das pessoas. Como, na vida real, isso afeta, de fato, a vida das pessoas nas empresas? Isso que o Jornal Nacional mostrou ontem e o que o Bom Dia Brasil está mostrando hoje e que a gente vê em todas as grandes cidades que a gente vai. Brasília está assim, São Paulo está assim.

O trabalhador faz este esforço todo para chegar à empresa. Quando ele chega lá, já está tão estressado, tão nervoso, que ele produz menos. Isso já é uma perda para a empresa, para a economia – olhando assim pela janela da economia. Claro que temos que pensar nas pessoas.

(…)

Na verdade, não é um aborrecimento para quem está indo ao trabalho. Virou um problema do país. Tem que se enfrentar isso, porque tem efeitos colaterais na saúde, na produtividade, na economia e na vida das pessoas. Quanto custa deixar tudo como está? Muito caro.

Política industrial

Os empresários comemoraram as medidas do pacote, mas a gente sabe que o gargalo, o problema mesmo está em dois pontos fundamentais: educação e infra-estrutura. Existem muitas barreiras atrasando o Brasil na corrida mundial: Muitos impostos, trânsito caótico, estradas ruins, portos entupidos, falta de trabalhador qualificado.

O governo acha que a melhor forma de enfrentar isso é escolher alguns setores e empresas para dar a eles a vantagem de pagar menos impostos. Ao todo, o governo vai deixar de cobrar R$ 21 bilhões de impostos de 24 setores. Será que essa é a melhor forma de atingir esse objetivo?”

Não, dona Míriam, a senhora está enganada, o governo não acha que a política industrial vai resolver o problema do trânsito. Ele acha que vai resolver o problema do câmbio. Se a senhora não comprou sua carteira, sabe que um câmbio é uma coisa, outro câmbio é outra coisa. E era bom saber também, acima de tudo, que o trânsito em São Paulo é problema do PSDB, no Rio, do PMDB, e em Brasília, do DEM.

Mas a pérola do jornal ficou com Alexandre Garcia, o peladão da Ele&Ela, cuja matéria reproduzo na íntegra para não descontextualizar:

Alexandre Garcia: Além de tempo e dinheiro, está a perda irreparável e gigantesca de mais de 200 vidas por dia. É mais do que uma guerra.

O senhor José Cruz, que foi entrevistado pelo Bom Dia Brasil, carrega uma outra cruz além do nome dele: é o próprio carro. À medida em que os anos vão passando, o carro passa a ser um ônus, não só para ele, como para os outros. O carro dele ocupa mais ou menos seis metros quadrados de via de trânsito. É mais um para congestionar.

Aí fica a pergunta: por que não ir de transporte de massa? Essa é a grande questão. Para os milhões de brasileiros que perdem tempo nos congestionamentos, como o Giovane mostrado ontem no Jornal Nacional, que perde cinco horas e meia todos os dias no trajeto entre a casa e o trabalho, quando sobra o descanso e os brasileiros querem saber o que aconteceu no país e ficam se perguntando quanto tem perdido o Brasil com essas questões que atrasam a sua chegada ao futuro, como a falta de trilhos no continente de oito milhões e meio de quilômetros quadrados.

A falta de trem é o maior atestado da burrice estratégica dos governos. Mas não é só isso. É o dia-a-dia do que puxa para baixo. Como no dia de ontem, em que se soube que o remetente da lista da triagem dos gastos da presidência no governo Fernando Henrique pediu para deixar o cargo de confiança no gabinete civil. Quer dizer, nem foi exonerado pelo governo que exigia descobrir o inconfidente.

O PDT se movimentou o dia todo para evitar que o deputado Paulinho fosse mandado para o conselho de ética. Alega que o procurador-geral ainda não se pronunciou, como se ética ficasse submetida a formalidades jurídicas, e não o inverso.

E por aí vai. Os Giovanis, vivendo 80 anos, perdem 17 anos de vida no trânsito. Quantos anos de história tem perdido o Brasil nesses caminhos tortuosos e esburacados da política?

Não é fantástico? Em um dos possivelmente mais gratuitos parágrafos jamais narrados em um noticiáiro televisivo, assim como quem não quer nada, o sujeito passa do trem ao dossiê do Planalto, na mesma frase. Acho que ele tomou lições de “efeito aura” mas não sabe onde a aura canta…

Faixa colocada na grama, em frente à entrada de uma cidade-satélite de Brasília:

Parabéns, amor, sucesso!

Que todos os seus planos se realizem, principalmente se eu estiver neles.

Sueli

No Blog do Servidor, ligado ao Correio Braziliense, Bresser Pereira, ex-Ministro da Adinistração e Reforma do Estado, fala sobre o tema _ que certamente voltará à tona se não ainda nesse governo, no próximo. Excerto:

Tem alguma coisa que o senhor gostaria de ter feito e não fez enquanto estava no governo?
O trabalho que eu fiz no ministério, de todas as coisas que fiz na vida pública, foi a que me deu mais satisfação. Acho que comecei uma grande reforma, fiz no momento certo, o Estado brasileiro começou a se tornar mais eficiente, melhor. Não concordo, em absoluto, com essas teses neoliberais de que o Estado é isso, é aquilo. É uma bobagem. O Estado brasileiro é grande porque tem uma área social grande. Somos um Estado bem estruturado, bem organizado, com bom quadro de servidores. Não é muito eficiente, mas é efetivo. A eficiência é a busca de todos os dias. É um bom Estado.

Na íntegra, abaixo do fold.

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E  não só do Ronaldo. Deu no Washington Post:

Barr announces Libertarian White House bid

WASHINGTON — Former Republican Rep. Bob Barr launched a Libertarian Party presidential bid Monday, saying voters are hungry for an alternative to the status quo who would dramatically cut the federal government.

His candidacy throws a wild card into the White House race that many believe could peel away votes from Republican Sen. John McCain given the candidates’ similar positions on fiscal policy.

***

Bwahahahahaha.

Slashdot nos informa que acaba de formar-se o primeiro “advogado espacial”:

“Over at space.com is an interesting article about the first space lawyer. He graduated from the University of Mississippi. ‘Any future space lawyer might have to deal with issues ranging from the fallout over satellite shoot-downs to legal disputes between astronauts onboard the International Space Station. The expanding privatization of the space sector may also pose new legal challenges [...] “We are particularly proud to be offering these space law certificates for the first time, since ours is the only program of its kind in the U.S. and only one of two in North America,” said Samuel Davis, law dean at the University of Mississippi.’

Bem, se por um lado a visão de advogados migrando para Outworld não deixa de ser estimulante, a idéia de passarmos a ter advogados mexendo com o que ocorre em nossa órbita me deixa um pouco preocupado.

E o pior de tudo é que a venda de terrenos na Lua, expressão máxima da fraude no dizer popular, pode começar a ter um fundo de verdade. Às vezes a realidade consegue piorar a imaginação.

***

Update:

Como não poderia deixar de ser, a coisa já tem até blog.

Matéria no Huffington Post sobre um post do blog Caucus do NYT, hoje, discutindo o fato de que o slogan que o GOP adotou para a campanha 2008 _ “the change you deserve” _ é o mesmo de um conhecido remédio antidepressivo, o Effexor XR.

O que levanta uma outra possibilidade: a de que a felicidade dos conservadores tenha base “química”. Hmmm.

Para piorar, o princípio ativo do Effexor é a Venlafaxina, e diz a Wikipédia que “o cloridrato de venlafaxina é um sólido cristalino branco”. Sei.

Blondes have more fun, and religious people too!

Arthur Brooks, professor na Syracuse University, está colaborando no blog Freakonomics com uma série sobre felicidade.  Em dois posts, ele levanta a tese de que conservadores são mais felizes que “liberais” (à americana, isto é, social-democratas) e que conservadores religiosos são ainda mais felizes.

No primeiro post ele encaminha a questão e pede contribuições.  No segundo, ele agrupa as contribuições em 3 grandes grupos:

1. Conservadores e liberais têm diferentes estilos de vida, particularmente no que respeita à religião e o casamento, o que explica por que conservadores são mais felizes.

2. Conservadores têm uma visão de mundo que - para o bem ou para o mal - leva a  uma maior felicidade.

3. Brooks é um tolo pouco confiável.

Embora 3) possa ser a resposta, não faremos aqui ataques ad hominem.  Mas…

…avanço algumas respostas da própria lavra:

a) Os EUA são um dos países menos permeáveis às idéias social-democratas do mundo desenvolvido.  Não admira, portanto, que social-democratas sejam mais infelizes lá.

b) A religião é uma muleta existencial.  Também não é de causar muito espanto que pessoas altamente religiosas sejam muito felizes.

c) Tentativas de transformar a felicidade subjetiva em métrica última para as políticas públicas é algo tentador, mas é algo duvidoso que seja uma boa idéia.  Em última análise pode ser igualmente uma celebração do hedonismo.  Aliás, do ponto de vista da sustentabilidade, a modulação da felicidade pode ser uma saída mais honrosa do que a busca desenfreada da felicidade.

Idéias a respeito?

Belíssimo, né?  É uma versão cult de um outro trabalho que já rolou por aqui.

Roubei deste post.

No Valor de hoje:

Crise nos EUA não chegou nem na metade

O sistema financeiro internacional vai terminar a crise de crédito americana muito menor, com menos participantes e mais regulado. Essa é a visão do economista-chefe para os Estados Unidos da Merrill Lynch, David Rosenberg, para quem o pior ainda não passou. “Quão estável ficará realmente o sistema financeiro se a economia entrar em recessão mais profunda e a taxa de desemprego subir para novos níveis de alta, dada a correlação dessa taxa com a inadimplência no crédito?”, pergunta.

Rosenberg diz que a tendência das bolsas dos EUA ainda é de baixa, apesar da calmaria de curto prazo. Para ele, as eleições e a pequena popularidade do presidente Bush e do Congresso têm impedido que o governo adote as medidas fiscais necessárias para ajudar o país a sair da crise. Em sua primeira visita ao Brasil, no final de abril, ele concedeu esta entrevista:

Quem diria, a Merrill Lynch é um galinheiro.  Entrevista abaixo, para os sem-Valor.

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No NYT, “Abs Through the Ages” ou “How the Six-Pack Come to Be“.  E olha que é da griffe Freakonomics…

Interessante artigo do Gideon Rachman hoje na Folha (traduzido do original do Financial Times), mostrando como McCain pretende dar um perdido (*) na ONU _ e os problemas daí decorrentes.

Na íntegra abaixo, para os sem-Folha.

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O WordPress está totalmente instável agora pela manhã, e “comendo” comentários.  Ao que parece a plataforma está em manutenção; espero que os comentários reapareçam mais tarde.

No Pharyngula, um excelente post sobre o genoma do ornitorrinco. O artigo é interessante pelo seu didatismo, e o recomendo a todos que se interessem por biologia moderna.

Um trecho curioso:

The platypus secretes a true milk, loaded with all of those goodies. One of the predominant proteins in milk is a phosphoprotein called casein, which is thought to have originated by a duplication of a tooth enamel matrix protein gene, of all things. These tooth genes, enamelin and ameloblastin, are clustered with the casein genes in both platypus and the mouse, suggesting that the kind of sophisticated lactation abilities we share arose prior to the Jurassic.

O leite vem do dente! Taí, quem inventou a expressão “dente-de-leite” jamais imaginaria que era o contrário…

Tio Rei, transcrevendo as çábias palavras do Presidente do Supremo, Gilmar Mendes, vazadas na Folha:

Sim, o Brasil tem um presidente do Supremo digno do cargo

Por Paulo Peixoto, na Folha Online. Volto depois:
O presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), ministro Gilmar Mendes, confrontou hoje a declaração do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de que a absolvição do fazendeiro Vitalmiro Moura, o Bida, acusado de ser o mandante da morte da freira Dorothy Stang, prejudica a imagem do Brasil. Para o ministro, é preciso “limitar os fatos a eles próprios”.
“Eu acho que temos que parar com esse tipo de consideração. Quer dizer: o resultado da condenação é que atenderia a boa imagem do Brasil? E se de fato essa pessoa for inocente? Eu não disponho de dados, talvez o presidente disponha”, criticou Gilmar Mendes.

Ele volta, e comenta:

Comento
Parabéns a Gilmar Mendes, presidente do Supremo Tribunal Federal. Vocês sabem que leram coisa muito parecida neste blog. Se o segundo julgamento tinha a obrigação de referendar o primeiro, então fazê-lo por quê? Se os jurados que absolveram são suspeitos porque absolveram, os que condenaram são justos porque condenaram? Quer dizer que o fazendeiro já estava julgado num tribunal extralegal?

Tio Rei alguns momentos depois, reproduzindo em seu blog matéria da Veja:

VEJA 1 – Sobre a “condenação antecipada”

Por J. R. Guzzo:
Nada como um crime 100% monstruoso, desses que elevam para um novo patamar os piores padrões que se podem atingir em matéria de crueldade e selvageria, para descobrir quanta gente fica comovida, no Brasil de hoje, com a sorte dos acusados – e horrorizada com a hipótese de que possa ocorrer alguma falha, por mais duvidosa que seja, na proteção a seus direitos. É o que se está vendo no momento, mais uma vez, com o assassinato da menina Isabella Nardoni, em São Paulo. Para muitos dos mais renomados sábios da nossa ciência jurídica, sobretudo os que se dedicam à advocacia criminal, intelectuais de todas as variedades e até o presidente da República, o foco deixou de estar no crime que foi cometido. O que realmente os preocupa é a “condenação antecipada” dos suspeitos, algo que, a seu ver, estaria ocorrendo no caso. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, especialmente, se mostra angustiado com a possibilidade de que inocentes tenham suas vidas “destruídas”. A única vida realmente destruída, até agora, foi a de Isabella, mas isso parece ser apenas um detalhe menor na história. O verdadeiro problema, nesse modo de ver as coisas, estaria no que os campeões do direito de defesa imaginam ser a condenação “sem julgamento” ou “sem provas” dos acusados – fruto do desejo de “vingança” e de “linchamento” que a exposição intensa do caso na imprensa faz nascer junto a uma população boçal e incapaz de entender os fundamentos do direito penal
.

***

Q.E.D.

With an export boom and oil finds, Brazil, the sleeping giant of South America is awakening

Versão legendada, aqui.

***

A matéria do Guardian tem 22 parágrafos. Deles, apenas os últimos 2 (<10%) dão um tom mais soturno à matéria, reproduzindo as opiniões de Lia Valls, uma economista da FGV.

Na matéria do Estadão há 10 parágrafos. Os últimos 2 (20%) dão um ar mais soturno à matéria, reproduzindo as opiniões de Lia Valls.

FHC fez escola. Post no Tio Rei hoje:

VEJA 3 - Como vota o brasileiro

Por Marcelo Carneiro:
O sociólogo Alberto Carlos Almeida causou polêmica no ano passado ao lançar um livro, A Cabeça do Brasileiro, em que mostrava que a parcela mais educada da população – ou seja, a elite brasileira – é menos preconceituosa, menos estatizante e tem valores sociais mais sólidos do que a parcela formada pelos brasileiros menos escolarizados. Exatamente o contrário do que a turma costuma apregoar, afeiçoada ao mito do “povo sábio” e da “elite retrógrada”, entre outros anacronismos que a história já se encarregou de enterrar. Agora, com seu novo livro, A Cabeça do Eleitor (308 páginas, 40 reais, editora Record), que será lançado na próxima semana, o sociólogo se arrisca a provocar nova grita. Com base na análise de 150 eleições – municipais, estaduais e presidenciais –, Almeida analisa a lógica que orienta a escolha de um candidato por parte do eleitor brasileiro. E chega à conclusão de que essa lógica é bem mais simples do que se poderia supor. Constrangedoramente simples até: o brasileiro vota a favor do governo ou do candidato do governo se considera que sua vida está boa ou melhorou. E vota no candidato da oposição se considera que ela está ruim ou piorou. Questões como ética, corrupção, separação entre o público e o privado não entram nessa conta. “O eleitorado, sobretudo o de baixa renda, vota em função de suas necessidades imediatas e da satisfação dessas necessidades”, concorda o sociólogo Demétrio Magnoli.

***

Um escândalo, isso, né?

Quer dizer que só porque 8 anos de tucanato não melhoraram a vida do brasileiro (como aliás espero que o livro reconheça, dado sua tese…), este povinho bunda resolveu votar na “plutocracia sindical” de Lula, deixando para trás sem remorso, ingrato como só a malta ignara sabe ser, aquele extenso período em que a vida política deste país jamais foi tão impoluta.

Sacanagem. Essa tal de democracia é mesmo uma merda.

Na Folha de hoje:

Governo estuda elevar superávit primário

O governo estuda elevar a meta de superávit primário de 3,8% para 5% do PIB, para ajudar a combater a inflação, tentar amenizar a alta dos juros e financiar investimentos do país no exterior. A proposta, do economista Luiz Gonzaga Belluzzo, é apoiada pelo ministro Guido Mantega e por Henrique Meirelles, presidente do BC. O aperto iria até o fim do mandato do presidente Lula, em 2010.

Por motivos que ainda me são pouco claros, recebi nesta noite uma enxurrada de buscas por “vídeos de viviane araújo“.  O que me causou espécie visto que (que eu me lembre) este blog jamais exibiu um vídeo de Viviane Araújo.  Mas porque a voz do povo é a voz de Deus, e também como prova de um conceito, eu quis ver que diabos o YouTube traria neste sentido, o que me surpreendeu deveras, e não me deixou alternativa senão sanar esta grande falha deste blog.  Afinal eu sei que a dona tem uma ampla audiência e um fã-clube fiel, como se espera, aliás, de uma moça recatada que sonha os sonhos de uma mulher comum.

A pergunta metafísica que se faz presente, olhando o vídeo, é: mulher que samba sabe dançar funk?  Me pareceu que não.  É provável que os dois estilos dependam do acionamento de grupos musculares completamente distintos, sei lá.  A fisiologia do funk é algo de misterioso.  De qualquer modo me parece que o túmulo do samba pegou a Dutra e chegou ao Rio de Janeiro.

Se você já desconfiava daquela história de que o Homem foi à Lua, prepare-se: está demonstrado que a Lua não existe!

Próximo capítulo: Lula, o plutocrata.

Rebeca Gusmão aguarda o julgamento das amostras colhidas durante o Pan do Rio

Ela faz o tipo do Ronaldo, não?

No Estadão:

CAS absolve Rebeca Gusmão da acusação de doping de 2006

OK, mas e a operação de mudança de sexo??

Hoje provavelmente salvei a vida de uma dona _ e quem sabe a minha também _ graças ao preconceito machista.

Estava eu vindo em um balão _ a uma certa velocidade não muito baixa _ quando percebi que vinha um carro em alta velocidade pelo outro lado. Aqui em Brasília, a preferencial é de quem está no balão, mas o outro carro vinha em uma velocidade incompatível com a necessidade de me deixar passar. De rabo de olho, vi que se tratava de uma dona.

Em cerebrês _ porque provavelmente não deu tempo de pensar isso em português _ deduzi: “A velha coroca não vai parar!” _ e meti o pé no freio e a mão na buzina, embora possa ter sido o contrário. No que fiz bem, porque a dona passou como um furacão, e eu rodei e fiquei parado, todo torto, no entroncamento da rotatória _ por sorte não vinha mais ninguém, apesar de ser um balão razoavelmente movimentado.

Dei a volta e segui meu caminho. A dona estava parada mais à frente, com uma cara de dar dó. Provavelmente está parada lá até agora, tremendo que nem vara verde. Antes assim do que morta _ eu provavelmente teria abalroado o carro bem na altura da porta.

Mas ainda não foi dessa vez. Como diria Zagalo: vocês vão ter que me engolir! :)

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Como sempre, excelente apanhado das eleições americanas lá no Idelber.

A foto aí do lado eu também roubei de lá. Casal mais assanhado. Essas coisas a gente faz em casa, ô Obama!

Imaginem só, depois de 8 anos de reza braba, o que vai rolar no Salão Oval a partir do ano que vem…aquelas paredes já deviam estar saudosas de Bill Clinton. :)

O Guardian está com uma matéria sobre mulheres fatais, e eu me lembrei que tenho um “je ne sais quoi” com a Fanny Ardant.

O lado bom da globalização: ainda no âmbito da mudança na legislação dos países pertencentes à OCDE, referida no texto da Maria C. Fernandes abaixo, o Valor de hoje também traz uma entrevista com Mark Pieth, presidente do Grupo Anticorrupção da OCDE.

Valor: Dos 150 casos examinados pela OCDE, quantos envolvem o Brasil?

Pieth: Nossa perspectiva na OCDE é sobre suborno “ativo”, de companhias que pagam propina no estrangeiro. Em relação ao Brasil, temos cinco casos no momento. O Brasil não é um dos mais envolvidos. Há muitos envolvendo empresas americanas, inglesas, francesas, japonesas. As suíças e holandesas são mais moderadas.

Valor: Quais são as cinco empresas brasileiras?

Pieth: Não posso revelar. Os casos não terminaram ainda. E precisamos ser prudentes, não podemos falar de investigação porque a OCDE não é um tribunal e nem polícia. O que fazemos é uma discussão amigável com o Brasil, que faz parte da convenção anticorrupção da OCDE e se engajou a combater essas práticas. Mas se você ver o que fizemos com a Inglaterra em relação a corrupção envolvendo a British Aerospace (BAe) numa venda para a Arábia Saudita, verá que somos persistentes.

Transcrevo abaixo para os sem-Valor.

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A excelente Maria Cristina Fernandes detona vários buracos, no Valor de hoje:

A notícia de que a multinacional francesa Alstom está sendo investigada pelo Ministério Público suíço por pagamento de propina em contratos com o metrô de São Paulo nos governos Mário Covas e Geraldo Alckmin abre um outro buraco sob a ponte construída para a aproximação eleitoral entre PSDB e PMDB no Estado.

O primeiro deles causou sete mortes, ainda não tem laudo conclusivo de responsabilidades, e indicava um afastamento do governador José Serra (PSDB) de grupos que gravitam em torno do metrô de São Paulo há pelo menos 20 anos e foram regiamente agraciados por seu antecessor, Geraldo Alckmin (PSDB).”

Íntegra abaixo, para os sem-Valor.

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No Valor de hoje:

Agripino desgasta aliança com o PSDB

A bola levantada pelo líder do DEM no Senado, José Agripino (RN), à ministra Dilma Rousseff (Casa Civil), em audiência na Comissão de Infra-Estrutura da Casa, na quarta-feira, trazendo à tona o fato de ela ter sido vítima de torturas durante o regime militar, aprofundou divergências do PSDB com o DEM. Agripino disse ontem da tribuna ter sido “mal interpretado”, mas o estrago foi feito. Sua intervenção pegou mal, causou constrangimento à oposição e favoreceu o desempenho de Dilma.

(…)

Senadores do DEM reconhecem ter dado aval ao líder para que a pergunta fosse feita a Dilma. Mas, na audiência pública, apenas Demóstenes Torres (GO) tentou explicar a intenção de Agripino, que seria diferenciar o momento atual, de democracia, com o regime de exceção. Não adiantou. Incomodadas, lideranças tucanas avaliavam ontem que o PSDB precisa se distanciar politicamente do DEM, mantendo apenas uma “aliança administrativa” com seu principal parceiro de oposição.

E o toque de ridículo, a ser verdade que o DEM realmente cogitou disto:

Integrantes da Executiva Nacional do DEM, reunidos ontem, chegaram a levantar a hipótese de vazamento da pergunta preparada por Agripino, diante da segurança de Dilma ao responder.

Pronto, está criado o “dossiê do DEM”…

Tio Rei sai-se hoje com uma boa: a defesa de José Agripino Maia, nem tanto uma defesa de sua inépcia, mas sim de sua grossura em trazer à baila o passado de torturada da ministra Dilma.

Diz ele:

Sua carreira política só começou em 1979, nomeado prefeito de Natal — de modo indireto, sim. Como foi Mário Covas em São Paulo. A exemplo de todos os prefeitos de capitais. Era a lei.

Interessante essa tentativa de lavar a reputação de Agripino pondo Covas no mesmo saco, porque antes disso, sobre mentir ou não mentir sob tortura, Tio Rei fizera o seguinte tortuoso raciocínio:

Para mim, tanto faz resistir ou não resistir à tortura, falar a verdade ou mentir. Se considero que, diante do suplício, a resistência e a mentira são superiores à “fraqueza” e à verdade, então é sinal de que o torturador me convenceu da sua lógica. E EU NÃO COBRO SUPERIORIDADE MORAL DE PESSOAS SUBMETIDAS A TRATAMENTO CRUEL E DEGRADANTE.

Se admito que a têmpera de quem consegue mentir sob tortura é superior à daquele coitado que tentou a verdade como última chance de se salvar, legitimo a monstruosidade moral do torturador. Só os regimes de força e as ideologias totalitárias pregam a resistência à dor como prova de firmeza de caráter. A democracia, meus queridos, está mais para a analgesia.

Ora, ele bem que podia ter dito que “para ele, tanto fazia ser a lei ou não“, e que tanto Agripino quanto Covas, ao aceitar a indicação indireta para as prefeituras de Natal e São Paulo, respectivamente, também “aceitavam a lógica do ditador”. Afinal, NÃO DEVERIA SER POSSÍVEL AFIRMAR A SUPERIORIDADE MORAL DE PESSOAS QUE SE APROVEITAM DE BENESSES CONCEDIDAS POR ESTADOS DE EXCEÇÃO.

Tio Rei, esse relativista.

Deu no Correio Braziliense:

Meirelles avisa que vai sair

Presidente do Banco Central deixará o comando da política monetária no segundo semestre do ano que vem para se dedicar à sua candidatura ao governo de Goiás. Lula promete consultá-lo sobre substituto

O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, almoçou na sexta-feira passada com o presidente Lula, no Palácio da Alvorada. O objetivo era conversar - e comemorar - sobre o grau de investimento concedido ao Brasil dois dias antes pela agência de risco Standard & Poor’s e suas implicações para a economia brasileira, especialmente no mercado de câmbio. Mas, conforme relatos de Lula a assessores, o que realmente dominou as conversas foi o desejo expressado por Meirelles de voltar à vida pública. O presidente do BC disse que está disposto a concorrer ao governo de Goiás nas eleições de 2010. E, para isso, deve deixar o cargo no segundo semestre do ano que vem.

Lula afirmou apoiar plenamente a decisão de Meirelles, que, em 2002, abriu mão de sua carreira política para assumir o comando do BC, em meio à grande desconfiança do mercado financeiro em relação ao que seria o governo petista. Meirelles havia sido eleito pelo PSDB de Goiás, com votação histórica no estado. Atendendo o convite de Lula, não só renunciou ao mandato, como se desfiliou do partido de oposição ao governo. A única recomendação do presidente da República foi a de que Meirelles mantenha, enquanto estiver à frente do BC, um comportamento discreto em seus contatos políticos, até para evitar especulações desnecessárias no mercado. Lula prometeu, quando chegar a hora, discutir com Meirelles a escolha de seu sucessor no banco.

Entre os políticos goianos, o comentário é de que Meirelles deve se candidatar pelo PRB, partido do vice-presidente da República, José de Alencar, ironicamente, um dos maiores críticos da política de juros comandada pelo BC e que tem em Meirelles o principal fiador. Mas o PTB e o PP do atual governador goiano Alcides Rodrigues, que rompeu com o senador Marconi Perillo (PSDB), vêm atuando nos bastidores para encabeçar a candidatura dada como vitoriosa. Há duas semanas, por sinal, Meirelles foi a Catalão e a Goiânia para contatos políticos e mapear suas chances e o tamanho do apoio que receberá.

Na avaliação de Lula, o presidente do BC tem sido peça fundamental para o controle da inflação e a conseqüente estabilidade da economia, que garantiram a reeleição em 2006. Mesmo com toda a pressão sobre o BC, ao longo dos últimos 5 anos e meio, Lula bancou Meirelles, que caminha para ser o mais longevo comandante do BC da história do país.”

***

Agora é que o Arranhaponte pula da ponte.

Uma matéria nas páginas de Ciência da Folha podem estar antecipando a tal da revelação que a NASA quer fazer no dia 14:

Telescópio que enxerga raio X encontra matéria “perdida”

Cientistas que analisaram imagens do telescópio espacial XMM-Newton, da ESA (Agência Espacial Européia), anunciaram ontem ter encontrado uma enorme “ponte” de gás ultraquente entre dois aglomerados de galáxias. Essa grande quantidade de matéria, encontrada em uma região que antes parecia ser um colossal vazio, já havia sido prevista em teoria, mas nunca avistada.
Como a grande nuvem de gás descrita pelos cientistas é extremamente rarefeita, ela havia escapado ao escrutínio de outros telescópios. O XMM-Newton, porém, que enxerga imagens raios X em altíssima resolução, conseguiu ver a matéria perdida.
A ponte de gás encontrada fica entre os aglomerados de galáxias Abell 222 e Abell 223, a 2,3 bilhões de anos-luz da Terra. Segundo cientistas do Instituto Max Planck para Física Extraterrestre, de Garching (Alemanha), estruturas como essa são o que compõe cerca de metade da matéria comum que existe no universo.
Apesar de a descoberta do XMM-Newton ser importante, dizem os astrônomos, ela ainda não resolve o problema da chamada “matéria escura”, que não emite luz nem nenhum tipo de radiação. Apesar de não deixar traço observável, ela é responsável por mais de 85% da massa do Universo.”"

Kenneth Maxwell na Folha, hoje:

Picaretagem

QUANDO OS brasileiros se envolvem com o tráfico de influência nos Estados Unidos, quase sempre o fazem na hora errada, no lugar errado e com as pessoas erradas.
Considerem como exemplo a semana passada. Com disputas cada vez mais feias nas primárias democratas da Carolina do Norte e Indiana, envolvendo, de acordo com a narrativa dominante na imprensa dos Estados Unidos, uma velha e feroz gata de beco de Nova York (também conhecida como senadora Hillary Clinton) e uma frágil gazela de Illinois (também conhecido como senador Barack Obama), o ex-presidente Bill Clinton tirou um dia de folga da campanha para visitar Nova York e embolsar por volta de US$ 200 mil por um discurso feito para brasileiros, diz uma reportagem.
O casal Clinton, como sabemos agora, depois que eles se viram relutantemente forçados a revelar suas declarações de renda, faturou mais de US$ 100 milhões com discursos como esse e contratos para livros desde que deixou a Casa Branca.
Ironicamente, Bill Clinton foi encorajado a não se pronunciar demais em público pelos dirigentes da campanha de sua mulher. Nos últimos meses, o ex-presidente desafinou repetidamente e -o que é perigoso para as perspectivas eleitorais da senadora- exibiu freqüentemente em público o seu perene mau humor. Seu rompante depois da primária da Carolina do Sul, em janeiro, alienou completamente os eleitores negros, que viram como racistas os comentários desdenhosos que ele fez sobre a vitória de Obama naquele Estado.
Mas, em seguida, Hillary Clinton, que desfrutou uma juventude protegida e próspera em um subúrbio de Chicago, estudou em uma universidade feminina de elite perto de Boston e se formou em direito em Yale, conseguiu se reinventar como uma combativa “heroína da classe trabalhadora”. Ela o fez a fim de atrair os votos dos homens brancos de classe trabalhadora em velhos Estados industriais como Indiana, Ohio e Pensilvânia, nos quais esse grupo de eleitores enfrenta a realidade de dezenas de milhares de empregos bem remunerados perdidos para concorrentes internacionais e de uma escalada nos preços dos alimentos e do combustível que suas famílias consomem.
Assim, enquanto Hillary atacava tratados comerciais em Indiana, Bill viajou para Nova York e faturou uma boa grana para dizer aos brasileiros que ele defende o livre comércio. O discurso e o gordo cachê foram cortesia do perene especialista brasileiro em autopromoção Mario Garnero.
Quando chegou a terça-feira, a senadora Clinton já havia encontrado algo de bom a dizer sobre o etanol brasileiro. Na quarta, ela emprestou US$ 6,4 milhões à sua campanha eleitoral.

Accelerando

A novidade: uma empresa chamada NEESit (Network for Earthquake Engineering Simulation Cyberinfrastructure Center) desenvolveu um software que permite aos MacBooks transformarem-se em…sismógrafos.

Ao que parece, os MacBooks vêm com acelerômetros 3D ordinariamente usados para avisar ao HD que o laptop está caindo, o que faz com que ele congele automaticamente, diminuindo a probabilidade de perda de dados. A NEESit desenvolveu um programa chamado iSeismograph (que pode ser baixado aqui) que faz com que o MacBook grave os dados do acelerômetro, os quais podem ser usados para identificar tremores.

Aliás os IPhones também vem com um acelerômetro. Daqui a pouco nem mesmo a tremedeira do mundo passará desapercebida ao olhar do Panopticon, sô.

Audaciosamente enterrando sua reputação onde nenhuma reputação já foi enterrada antes

A Nasa anuncia que no dia 14 deste mês fará uma conferência para informar ao público sobre uma nova descoberta aguardada há 50 anos. Consta do anúncio que a descoberta foi feita pelo satélite Chandra, que é um observatório de raios-X.

A coisa tem todo o jeitão de que eles anunciarão finalmente a descoberta do buraco negro no centro da Via Láctea, objeto cuja existência astrônomos e astrofísicos pressupunham há anos mas do qual ainda não havia evidência científica direta devido à barreira de poeira existente entre nossa posição na Via Láctea e o centro galático.

***

A confirmar-se, a candidatura Alckmin ganhará um novo termo de comparação. :)

Que qué isso, minha gente

Quem quiser descansar os zoinhos logo pela manhã, recomendo dar uma olhada nesta galeria feita com fotos da National Geographic.

Nem preciso dizer que essa aí em cima já virou pano de fundo do meu micro…

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Um flagrante da candidatura Alckmin

Deu no Estadão:

Lista de propina tem nomes de brasileiros

Justiça suíça tem até endereço de pessoas que, no Brasil, teriam recebido comissões da empresa Alstom

O Ministério Público da Suíça, que investiga um suposto esquema de pagamento de propinas pela empresa francesa Alstom, avalia que a “chave” para entender como a empresa atuava no mundo está em um grupo que teria distribuído comissões ilegais no Brasil em troca de um contrato para a expansão do Metrô de São Paulo.

Pessoas na Suíça que tiveram acesso à lista de suspeitos alertam que não há apenas um brasileiro mencionado pelas autoridades, diferentemente do que informou o jornal Wall Street Journal na terça-feira. “A lista conta com empresários, intermediários e políticos brasileiros”, confirmou uma fonte na Justiça suíça, que se negou a dar os nomes. A lista contém o número do RG e os endereços das pessoas envolvidas. “Sabemos que se trata de algo muito sensível”, afirmou a fonte.

E no Valor, qui bono:

PSDB teme que denúncia fortaleça PT

Mesmo com a rejeição de parte do PSDB à candidatura de Geraldo Alckmin à Prefeitura de São Paulo, tucanos vêem com cuidado o uso político de suspeitas de irregularidades envolvendo o metrô na eleição municipal, para atingir o ex-governador e candidato do partido. A determinação dada pelo governador do Estado, José Serra (PSDB), a seus auxiliares é que não escondam irregularidades, caso encontradas, envolvendo gestões anteriores, como a de Alckmin. Ao mesmo tempo, o governo pede cautela na divulgação de denúncias, com temor de que elas fortaleçam a candidatura do PT.

A gestão de Alckmin no metrô foi colocada sob suspeita com a denúncia de suposto pagamento de propina da empresa Alstom a autoridades paulistas, para ganhar contrato de US$ 45 milhões de expansão do metrô. A investigação está sendo feita por autoridades francesas e suíças e envolve o período de 1995 a 2003, quando estavam no governo os tucanos Mário Covas (1995-2001) e Alckmin (2001-2006).

Segundo um tucano com trânsito no Palácio dos Bandeirantes, “não há nenhuma estratégia” do governo para encobrir falhas encontradas. “Não é porque Serra e Alckmin são do mesmo partido que se deve encobrir irregularidades”, disse. O uso político de denúncia que supostamente pode envolver Alckmin, tem de ser feito com moderação, segundo serristas. “Tem que ficar bem claro para nós, neste momento, que o adversário do PSDB e do DEM é o PT”, comentou um serrista.

Defensores da candidatura própria do PSDB defendem Alckmin e dizem que ainda não existem provas que o comprometam. Para eles, é “improvável” que a denúncia prejudique a candidatura tucana.

O PT viu as suspeitas de irregularidades como forma não só de tentar desgastar Alckmin, mas também de combater Serra. O deputado estadual Ênio Tatto (PT) encaminhou ofício à superintendência da Polícia Federal, em São Paulo, solicitando detalhamento da investigação. Para Tatto, a suspeita reforça a necessidade de uma CPI para investigar o Metrô. “Na Assembléia não conseguimos investigar nada. Vamos ver se agora sensibilizamos os deputados. As denúncias contra o Metrô viraram moda e a cada mês aparece uma.” O líder do PSDB na Assembléia, Samuel Moreira, contestou o petista e disse que “ainda não existem fatos reais que justifiquem a abertura de uma CPI”.

No período investigado, o metrô disse que existem dois contratos com a Alstom. Um, de US$ 75,9 milhões, foi contratado em 1997 para a extensão Oeste da Linha 2-Verde”. O outro, de US$ 539,3 milhões, corresponde à implantação da Linha 4-Amarela, e foi contratado em 2003.

***

José Serra continua em forma.

Também no Valor, interessante matéria sobre a trajetória do PSDB pela Maria Inês Nassif (aliás, ela tem qualquer coisa com o Nassif?).

Transcrito abaixo para os sem-Valor, também.

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O Valor de hoje tem uma interessante matéria sobre a “janela de oportunidade demográfica” pela qual o país está passando.  E ela deve ser aproveitada rápido:

De qualquer forma, diz ele [José Eustáquio Diniz Alves, professor da escola de pós-graduação do IBGE], o período de bônus não dura para sempre. Depois segue-se o envelhecimento populacional. “Exatamente por isso o período de bônus deve ser levado em consideração para a implementação de políticas públicas que promovam principalmente educação e investimentos“, acredita o professor. “Essa janela de oportunidade de nada adianta se o país não for capaz de absorver a mão-de-obra disponível e incentivar a produção e a produtividade.” Disso vai depender um período de envelhecimento populacional mais tranqüilo. “Em qualquer país, a transição demográfica só acontece uma vez e somente uma vez se pode usar o bônus demográfico.”

Transcrevo abaixo para os sem-Valor.

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FHC observa o cenário político

Declaração inacreditável de Fernando Henrique Cardoso:

Estamos paralisados pelo sucesso, pelo bom desempenho da economia, pela liberdade e pela democracia. Precisamos sacudir a sociedade. Não pode achar que vai no embalo da valsa. Tem que reger a orquestra porque às vezes ela pode desafinar”

Pô, que droga, né?

Jornalismo de verdade é isso aê: o Valor acionou o FOIA, Freedom of Information Act, para conseguir que o governo norte-americano liberasse alguns documentos mostrando a movimentação da embaixada norte-americana no Brasil durante a eleição de Lula em 2002.

Havia razões de natureza política para o aval de Bush a Lula. A ascensão de líderes esquerdistas como o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, era considerada uma ameaça para os interesses de Washington na América Latina, e estabelecer uma relação amistosa com os petistas desde o começo podia ser também uma maneira de conservar a influência dos EUA na região.

Outra fonte de preocupações para os americanos nessa época era a Argentina, que fora chacoalhada por uma crise política e econômica avassaladora depois do fim do regime de câmbio fixo. Tudo que eles não queriam era ver no Brasil uma repetição dos problemas que o vizinho tivera. “As coisas logo se arrumaram com Lula após a eleição, e dali para frente só tivemos alegrias”, disse Taylor ao Valor.

Transcrevo abaixo para os sem-Valor.

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Maio 2008
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